Papoilas - Vermelho -  frágil e forte

Há quem diga que se podem chorar lágrimas de sangue - vermelhas gotas que escorrem dos olhos, violentas por paixão ou amargura, deixando no rosto o sabor a sal, pelos caminhos da desdita. Há quem diga que certas flores são possuidoras da candura ou da raiva das lágrimas - abandonos de pétalas sobre caules infelizes…

Há quem diga que certa vez, cansado da vilania humana, o céu chorou lágrimas de sangue e, de cada um delas, brotou uma flor rubra e singela: uma papoila.

Mas há quem afirme, em contrapartida, que essas lágrimas de sangue e céu eram de alegria, felizes como boas novas e esperanças.

Vermelhas sim mas de vida renovada. E delas teriam nascido essas papoilas doces, bravas, delicadas, frágeis e serenas que ondulam nas trincheiras dos milheirais, que são olhos de vivacidade nos campos de trigo.

Preferimos por fantasiosa e romântica bonomia, aceitar as papoilas como festivas, delicadas meninas airosas pelo chão, ladinas ao vento, cinturinhas finas e dengosas, laçarotes vermelhos nos cabelos. Deixem-nos sonhar. Deixem-nos ouvir Cesário Verde, com o seu “ramalhete rubro de papoulas”, deixem-nos ver Renoir e as suas papoilas lindas, flores de óleo sobre tela de campo primaveril; deixem-nos no aperto da cidade em que nos quedamos, dia a dia, fugir em liberdade, os pés nus enterrados na erva alta e fofa, brincando com as papoilas da paisagem.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Saltitamos agora pela estrada das ilusões.

Um manto rubro com lábios ávidos de outra boca ardente, um manto rubro de papoilas cobre-nos os ombros, a pele, os desejos…

Agora, nesta caminhada feérica, o céu é vermelho e ardente como o sangue. Cheiram os caminhos a alfazema, mergulhamos os braços nos cabelos longos das espigas de milho. Somos labaredas de seiva.

A terra tem cheiro, ventre, rosto colorido, garras de mulher – a terra é sempre uma mulher em festa, que nos leva a acreditar na fecundidade de um futuro diferente. Agora somos já papoilas – endiabradas. Fintamos o vento, requebramo-nos na imagem de um paraíso invulgar, feito de pequenas manchas rubras como risos em bochechas de criança.

Papoila dos caminhos, papoila das tentações, papoila dos voos ao acaso na imensidão da planície. A brisa inebria. Não cairá jamais a noite no dia aceso deste sonho… Há um templo doirado de espigas onde brilham pequenas iluminuras vermelhas, livres, de papoilas.

Quando o céu se castiga a fogo, é o Sol que se avizinha, atraído pela beleza eterna do seu planeta preferido. Nestas noites, o sol é uma imensa papoila em brasa, povoada de sementes alucinadas. É, talvez um homem, feito da bravura estonteante das paixões. Ladina bola azul, ou verde, multicor nas sensações que veste, a terra entrega-se à sua aventura de espaço. Irradia-se de calor o ar, derretem-se as nostalgias dos seres humanos, transtornados pela canícula, o amor ao rubro. É uma paixão de papoilas este amor que se faz. E, no poente, repousado o sol por detrás do imenso oceano suado e puro, a terra adormece de cansaço.

Como trémulas luzinhas vigilantes, as papoilas agitam-se, no campo, únicas e imparciais testemunhas dos mistérios com que a natureza nos deslumbra. E fica a moda do vestuário. Ficam os modelos de dia, de tarde e de noite, repartido pelo Pronto-a-Vestir Italiano e pela Alta-Costura apresentada em Roma e em Paris. Fica o luxo, ou melhor, o Sol aceso 24 horas em cada dia.

 

Marionela Gusmão

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