S. Cristovão. Escultura em madeira estofada, represenrtando S. Cristovão transportando às costas o Menino Jesus que carregava na mão o mundo encimado por uma cruz. Trabalho português. Séc. XVIII

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Invocado como padroeiro dos viajantes e também contra os perigos representados pelas águas e pragas, S. Cristovão é, nos últimos tempos mais conhecido como protector dos motoristas.

Ora, conhecedores da Igreja de S. Cristovão, localizada no topo das escadinhas do mesmo nome, em Lisboa, esta igreja paroquial invoca o mártir São Cristovão de Lícia. Encontra-e na velha Mouraria, em sítio dominante da Costa do Castelo de S. Jorge, ocupando segundo a tradição uma antiga Ermida de Santa Maria de Alcamim, coeva da Reconquista cristã, e um dos edifícios poupados pelo terramoto de 1755 (e foram muitos! bem ao contrário do que se tem apregoado), na quase totalidade dos seus acervos artísticos. Nas traseiras, no pequeno Largo da Achada existe uma curiosa casa medieval.

A primitiva igreja, foi edificada no séc. XIII sob a designação de Santa Maria de Alcamim.

Durante o reinado de D. Manuel, a igreja sofreu um incêndio, tendo sido reedificada por outra mais ampla.

Em 1551, segundo Cristovão Rodrigues Oliveira, a igreja tinha um prior e cinco beneficiados e entre outras notícias, cita que neste templo estavam sediadas as confrarias do Santíssimo, São Cristovão, São Sebastião e a de Nossa Senhora dos Prazeres. Ora é nesta data que nos aparece a primeira referência a S. Cristovão, em Lisboa, o que não significa que por todo o país não existissem mais confrarias e até capelas. Esta igreja a que nos referimos foi restaurada em 1610, mas só em 1671-72 as obras acabaram de ser concluídas.

No seu interior revestido a talha dourada, destacam-se 36 telas da autoria de Bento Coelho da Silveira (1628-1708), discípulo de Marcos da Cruz e geralmente conhecido por Bento da Coelho. Em 1701 a pintura do tecto por Estevão Amaro Pinheiro, Miguel dos Santos e Lourenço Nunes Varela, são a prova do interesse que a cidade dedicava a esta igreja.

Ao entrar neste templo, fácil é verificar que o mesmo se increve nas directrizes artísticas do reinado de D. Afonso VI, sob as influências do gosto italo-francês, de D. Maria Francisca de Sabóia, sobressaindo uma acentuada tendência do gosto barroco internacional.

Segundo Sílvia Maria Cabrita Nogueira Amaral da Silva in “A Talha Barroca de Lisboa (1670-1720) “o templo de São Cristovão constitui, desta nova conjuntura protobarroca, um excelente testemunho do espírito renovador que se empreendia”, bem entendido no tempo de D. Afonso VI, por influência de sua mulher posto que o rei não tinha grandes qualidades para o cargo que exercia.

S. CRISTOVÃO PROTECTOR DOS VIAJANTES

Quem foi S. Cristovão

A lenda ocidental apresenta-o como um gigante com tendência para grandezas, já que só pretendia servir um rei poderoso, por supor que o seu senhor era a maior personalidade na terra, mas ao saber que Satanás era mais importante, abandonou-o como já o vinha fazendo.

Quando ouviu dizer que Jesus era muitíssimo superior a Satanás, Cristovão procurou informar-se e ficou a saber que Nosso Senhor Jesus era o oposto a Satanás, apreciando os homens pela bondade para com os outros e jamais pela riqueza.

No desejo de ser útil à Humanidade, fixou-se à beira de um rio caudaloso, propondo-se atravessar de uma margem a outra aqueles que disso necessitassem, valendo-se da força imensa de que era dotado.

Certa noite, um belo menino pediu ajuda ao gigante e Cristovão tomou-o nos ombros iniciando a travessia da corrente.

À medida que avançava pelas águas, mais aquela criança lhe pesava assustadoramente. O que era aquilo? Como pesava! Era de derrear!  Até parecia que levava aos ombros o peso do mundo. E o gigante, arfando, cansado, agarrado ao bordão que arcava ao estranho peso, depois de lutar contra o cansaço, conseguiu atingir a margem oposta, depois de levar um tempo infinito a alcança-la.

Limpando o suor do rosto afogueado, Cristovão, aspirou sofregamente o ar que lhe faltava nos pulmões e disse: “O mundo não é mais pesado do que tu!

E o menino, sorrindo-lhe docemente, retorquiu:

- Tu levaste sobre os ombros, mais que o mundo todo – levaste o seu Criador. Eu sou o Jesus que tu serves!

Mais tarde, por aquele Jesus que teve a sublime ventura de transportar às costas, o bom gigante daria a vida, sem se importar com a crueldade dos algozes.

São Cristovão, de imediato, passou a ser invocado pelos condutores de veículos e pelos viajantes. E a fórmula “Christophorum videas, postea tutus eas” tornou-se comum através dos tempos.

Aos que iam viajar aconselhava-se que o fizessem com segurança e sem complicações:

 - Olha S. Cristovão e vai tranquilo!

Segundo o Padre Rohrbacher in Vida dos Santos: “Na Lícia, São Cristovão, mártir, que, sob o imperador Décio, foi ferido com varas de ferro e preservado da violência do fogo pelo poder de Jesus Cristo foi, afinal atravessado de flechas e recebeu o martírio, pela decapitação, provavelmente no séc. III”.

 

História

Segundo rezam muitas crónicas, S. Cristovão nasceu a 25 de Julho de ano desconhecido no séc. III d.C.. Filho primógenito do rei de Canaá, recebeu o nome de Ofero Relicto. As suas virtudes, forma de ser, eram principalmente a delicadeza. Cresceu demasiado e tinha cerca de dois metros e meio de altura, mas a sua ambição era servir um rei que fosse muito poderoso.

Outros historiadores, que consultámos, pouco ou nada acrescentam àquilo que já descrevemos, com a variante de que aquele que se veio a chamar Cristovão se tinha tornado cristão e passava os dias em busca do Crucificado. O encontro com o menino, através de outros relatos, foi mais ou menos idêntico, com uma alteração na resposta do Menino em relação ao peso que o ia quase deixando afogar e que é a seguinte: “não te surpreendas com o que te aconteceu, pois comigo carregaste todos os pecados do mundo”.

Só então S. Cristovão reconheceu que o pequeno viajante era o próprio Jesus, que o mandou cravar na terra o cajado no qual se apoiava.

No dia seguinte, o cajado tinha-se transformado numa palmeira. O milagre fez com que muitos se convertessem ao catolicismo o que levou Relicto Ofero a mudar o seu nome para Christophoros (Cristovão) que em grego significa “aquele que carrega Cristo”.

Toda a história de S. Cristovão peca por falta de documentação e, em 1969, este Santo foi retirado do Calendário litúrgico. Não serviu de nada porque S. Cristovão continua a ser venerado em todo o mundo como protector dos viajantes.

Em relação à fé que os católicos têm na sua imagem que simboliza S. Cristovão a atravessar um rio muito caudaloso carregando um menino às suas costas, é uma perda de tempo pensarem que podem acabar com essa tradição.

As imagens que mostramos, a começar pela escultura que sempre foi da minha família e todas as outras provam que os carros de duas rodas, mais ou menos chiques, já tinham ou uma silhueta de S. Cristovão colocada no interior ou uma placa (a que exibimos é de origem francesa) num trabalho de gravação sobre cobre, posteriormente banhado a prata, de alta qualidade. As placas para automóveis são diferentes. A primeira que apresentamos, em estilo Arte Nova, é um magnífico trabalho em prata maciça, com duas rodas ao cimo podendo ainda ser para carros puxados a cavalos. Tem a assinatura Leitão & Irmão e o punção com um javali. A frase escrita em português, diz: “O Senhor nos leve pela mão”. Duas placas em esmalte polícromo cuja origem desconhecemos, tanto podem ter servido para colocar nos automóveis como nas viaturas puxadas a cavalos.

Não restam dúvidas que a placa em prata francesa com o motivo de S. Cristovão e o menino era de um Panhard que circulou em Portugal. A placa em que o S. Cristovão apresenta a figura de um gigante é de origem italiana e o outro de menores dimensões data de antes da Guerra Civil espanhola e tem a seguinte frase: “S. Cristobal acompañanos y se nuestro guia” pertenceu a um automóvel da família Péréz de Guzmán.

Por último, apresentamos uma placa em esmalte, um bonito trabalho de origem Suiça da casa H. Kunz & Fils – Genève.

Os porta-chaves, com S. Cristovão e o menino foi uma moda que pegou, em paralelo com as placas rectangulares com os nomes dos proprietários dos automóveis. Mas, também isso já passou.

O que permanece é a devoção que os automobilistas têm em rezar as orações que aprenderam e também a São Cristovão que muitos rezam antes de partir para qualquer viagem, tal como a seguir a transcrevemos:

 

Oração a S. Cristovão

Oh São Cristovão, que atravessaste a corrente furiosa de um rio, com toda a firmeza e segurança, porque carregáveis nos ombros o Menino Jesus, fazei que Deus se sinta sempre bem em meu coração, porque então eu terei sempre a segurança na direcção do meu carro e enfrentarei corajosamente todas as correntezas ou adversidades que eu tiver de enfrentar, venham elas dos homens ou dos espíritos do mal. Amém.

 

Conclusão

Já faltam pouco tempo para o dia 25 de Julho e com ele a festa a S. Cristovão. Lembramos que já entrou em vigor as novas regras pela DGV.

Marionela Gusmão

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