Pelicas: Moda que permanece

Mudam-se os cortes, os comprimentos, os volumes, mas as pelicas estão sempre na moda.

Mais ou menos, todos sabemos, que as peles são usadas desde que o Homem sentiu necessidade de se proteger contra as intempéries da natureza.

Nem é necessário irmos ao mundo dos esquimós que se refugiam na própria neve.

O que talvez seja interessante é lembrar que, em 1978, na Groenlândia, se descobriram cadáveres humanos, com 3.400 anos, completamente liofilizados sob o efeito de uma atmosfera rarefeita, mas cobertos de vestuário em peles. Ora, este vestuário, descoberto por um grupo de antropólogos foi devidamente examinado e representa uma etapa importante do conhecimento do uso das peles.

 

Agora, deixamos as querelas do uso das peles de vison, raposa e várias para outra ocasião e vamos centrar-nos apenas na moda do vestuário em pelica, levando em conta que uma das operações mais delicadas reside nos trabalhos de curtir (profissão penosa) e na arte da execução das peças que mais atraem os compradores.

 

No início, o vestuário em couro destinava-se a trabalhadores que necessitam de material de protecção. As peles dos animais, cuja carne se vende nos talhos, serviam então para calças de cavalaria, dobras de botas a que o curtume vegetal deve a cor acastanhada que ainda hoje permanece.

 

Após a 2ª. Grande Guerra Mundial, Zénon Merenlinder, antigo engenheiro de armamento, arruinado pela ocupação, inventou o vestuário de pelica para a cidade e desporto.

 

Sabe-se que esta sua invenção foi repartida com Christian Dior, o costureiro francês do “New Look”, que a encorajou contagiando outros mestres da costura francesa da época.

 

Em 1947, o sucesso foi imediato. A esta moda não escapou a pele de crocodilo, animal que hoje também se cria em cativeiro com objectivos industriais.

 

O primeiro blusão em crocodilo foi usado nada mais, nada menos, que pela grande actriz, Elizabeth Taylor, a mulher que se casou e descasou várias vezes, a genial intérprete de Cleópatra.

 

À utilização do crocodilo para produção de vestuário juntou-se a pele de serpente e, posteriormente, de avestruz…

 

Este texto refere-se à moda do vestuário civil e, por isso, não vamos entrar no uso de pelicas para os blusões dos aviadores e dos camionistas da Guerra, tal como deixamos de parte a moda marginal, em pelica preta e toda a sua carga repleta de códigos que poucos sabem decifrar.

 

A partir dos Anos 50/60, pela primeira vez na história do vestuário, a pelica (sempre a principal matéria-prima do calçado, dos cintos e da marroquinaria) tornou-se uma vedeta do teatro da moda, dos modos corrompidos no que se referem aos vários grupos sociais que procuram nela os significados mais diversos.

 

Os trabalhos da pelica dividem-se, como todos sabemos, em duas categorias: a transformação da matéria-prima (curtimenta e tinturaria) e o fabrico das peças de vestuário e acessórios onde entram em acção os costureiros, estilistas, sapateiros, etc.

As pelicas que se utilizam têm origem na pele de diversos animais (vaca, búfalo, boi, porco e até mesmo de cavalo). Da mais fina à mais espessa, da mais leve à mais rígida, tudo se emprega no vestuário, mas a predominância recai nas peles finas e leves de carneiro, cordeiro, vitela, vaca, cabrito e até veado.

 

O “nec plus ultra” tem origem em Itália e França.

 

Na escolha que fizemos incluímos modelos de grandes casas cujas peles parecem sedas, tais como as da Hermès.

 

Nesta corrida vertiginosa em que todos participamos, a moda remete-nos para as matérias-primas primitivas, absolutamente indiferente aos grupos dos que reclamam os direitos dos animais, talvez por se esquecerem que ninguém mata o próprio cão para mandar fazer uns sapatos de estilo.

 

Todas as peles que entram nas linhas de produção são criadas para esse efeito. Depois, existem contradições que nos espantam como, por exemplo, alguém que discorda do uso deste material, a usar botas, sapatos e cintos em pele. Ainda bem porque o plástico não é biodegradável e contribui para a poluição que todos abominamos.

 

Marionela Gusmão

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