TEMPO DE FÉRIAS... TEMPO DE PRAIA 

Decorria o ano de 1984 quando no dia 6 de Junho, o nº. 1 da revista MODA & MODA, saiu para a rua, em suporte de papel (ainda não se sonhava como viria a ser imprensa digital). Quer isto dizer que a Moda & Moda cumpriu há poucos dias a bonita idade de 32 anos, ininterruptamente.

A revista foi fundada sob o impulso do marido da directora, um médico que a amava e que sem ter qualquer relacionamento com este tipo de escrita, já que era o grande obreiro da Revista de Medicina do Trabalho, área da saúde onde o seu nome brilhará, sempre, enquanto existir memória.

Referia atrás que a sua profissão era exclusivamente médica, pois nutria um sentimento especial pela saúde das populações, em geral, mas abriu uma excepção para pôr de pé o projecto em que eu acreditava. Entre as suas diversas especialidades até tinha o Curso de Saúde Pública. O tempo deu-me razão. Graças ao meu esforço em ter plantado as árvores, que serviram a outros meios para colherem a fruta da publicidade, surgiram revistas como cogumelos. Desculpem-me a minha vaidade, eu não reconheço a nenhuma outra revista a qualidade da Moda & Moda. Não obedeço a nenhum grupo empresarial e depois da morte do meu marido que decorreu 7 meses após o lançamento da revista, fiquei só, à frente da empresa que os dois tínhamos criado e ainda da empresa que era a dele: A Metra – Instituto Português de Medicina do Trabalho. Dose dupla para uma mulher que até aí apenas tinha vivido a pensar na História da Moda, na História em geral, no Coleccionismo e sem preocupações económicas, que tinha escrito para várias publicações, lançado dois livros, sem qualquer inquietação com o sector financeiro. E, assim de um momento para o outro, a morte ceifou a vida de um homem que não tinha sequer 50 anos de vida, deixando-me uma saudade que destrói a alma. Foi uma crueldade que a vida me pregou, uma rasteira dura de ultrapassar… Arranjei forças na minha fé em Deus e na coragem, sempre o meu lema de vida.

E é em sua memória e pela grande actualidade de tudo quanto publicámos que vou transcrever parte do texto que o meu marido escreveu sob o tema: Tempo de férias… Tempo de praia, no nº. 1 da revista Moda & Moda, há 32 anos.

TEMPO DE FÉRIAS... TEMPO DE PRAIA 

Leiam o que escreveu o Dr. Firmino Fernandes e verifiquem a actualidade do seu texto. Vale a pena, porque ele foi um visionário que andou sempre à frente do seu tempo. De propósito, não incluo o que ele refere em relação aos produtos SOLARES porque a inovação foi muito para lá do que se esperava. Nesse tempo ainda não existiam sequer os SPF 30 e muito menos os SPF 50.

Leiam, por favor, o que este vanguardista escreveu sobre: “Tempo de Férias e  Tempo de Praia”

“Certamente os leitores mais previdentes já programaram as suas férias, com pequenos nadas muito importantes: preparar a bagagem (vestuário, utensílios pessoais) mandar fazer a revisão do automóvel” e entre outros pequenos nadas o Dr. Firmino vai chamando a atenção para: “as preocupações lógicas de quem pretende passar férias agradáveis e descansadas, isto é, que permitam esquecer, por algum tempo, o trafego da cidade, o ruído, a tensão habitual da vida agitada. Em suma, que contribuam para uma mudança radical de vida, pois, o grande benefício dos dias “sem fazer nada” é, efectivamente, a mudança…”

 

E continua:

 

“Mas, nem só a mudança é importante. As férias são necessárias para dar ao corpo e ao organismo aquilo que se lhe nega a maior parte do ano ou seja, a mudança de ambiente e Sol.

O organismo humano é vulnerável e, pode dizer-se, em férias é mais ainda por possibilitar um diferente (ou maior) contacto com perigos naturais que, por vezes, se desconhecem e ainda por permitir uma certa simplicidade de vestuário e de calçado.

TEMPO DE FÉRIAS... TEMPO DE PRAIA 

Algumas perturbações da saúde podem surgir no decurso das férias, mas também pode acontecer que só se manifestem após o regresso, dando graves dissabores que podem ser evitados com medidas preventivas de grande simplicidade e ao alcance de todos.

A seguir vamos referi-las, sucintamente numa perspectiva de relembrar apenas alguns aspectos que reputamos de mais significativos:

A Alimentação

Durante as férias procure fazer uma alimentação o mais natural possível. Dê preferência a alimentos frescos e fruta bem madura, mas antes de ingerir vegetais ou frutas lave-os ou descasque-os cuidadosamente.

Lembre-se que o leite, os molhos e os cremes são os responsáveis pela maior parte das diarreias e intoxicações alimentares na época estival. Ferva sempre o leite e rejeite os alimentos que não sejam de preparação recente.

Tome cuidado com os bivalves e não os compre sem se certificar que estiveram sujeitos a depuração, obrigatória por lei. Uma intoxicação alimentar por ostras pode ser fatal. Todo o cuidado é pouco.

Faça refeições ligeiras e não as acompanhe com grandes quantidades de bebidas alcoólicas. Prefira as bebidas frescas fornecidas em garrafas encapsuladas, abertas à sua frente, e de marcas conhecidas.

Evite o consumo de água cuja pureza bacteriológica não seja garantida e, sobretudo, desconfie de refrescos, gelados e recipientes cuja higiene lhe cause alguma dúvida.

Não frequente os restaurantes ou outros locais de fornecimento de alimentos onde as moscas sejam em quantidade: o leitor tem o direito de exigir a máxima higiene nas suas refeições.

TEMPO DE FÉRIAS... TEMPO DE PRAIA 

O exercício, a mudança de ambiente…

Procure levantar-se cedo sem recurso ao despertador, de preferência não passando as noites de discoteca em discoteca e não restringindo o exercício exclusivamente às práticas contorcionistas ou acrobáticas das danças modernas.

Faça passeios a pé, em bicicleta (evidentemente, sem motor) ou a cavalo, de preferência em grupo e visitando locais históricos e outros de interesse turístico. Faça natação, “surf”, remo, vela, caça submarina e pratique ténis, “golf” e outros desportos acessíveis na zona onde se encontra a passar as suas férias, mas sempre em conformidade com os seus gostos e aptidões.

Mas, atenção, não se fatigue excessivamente. Os exercícios musculares têm de ser progressivos e certas práticas desportivas carecem de treino adequado.

No mar ou na piscina, saia imediatamente da água se se sentir fatigado, se tiver sensação de mal-estar, cãibras, arrepios, entorpecimento dos membros, dores de cabeça, comichão da pele ou urticária.

Recomenda-se em especial aos veraneantes que sofrem de alergias ou que reagem intensamente às picadas de insectos que não se aproximem dos contentores de lixo. Se forem em passeio ao campo: não devem usar roupas de cores vivas ou perfumes muito activos, nem caminhar no meio de flores, não usar sandálias e ter os pés protegidos com calçado desportivo próprio. Também não devem transportar consigo os alimentos do “piquenique”.

… E o bronzeado

Desde o fim da 1ª. Guerra Mundial que se vem assistindo a uma evolução turística condicionada por uma mudança de moda que levou homens e mulheres, sem distinção de idade, a pretenderem que a sua pele, tapada durante todo o ano, adquira a coloração bronzeada que a torna mais atraente e lhe confere um aspecto mais saudável.

Reconhecendo os efeitos benéficos dos raios solares sobre o organismo em geral e, também, sobre a própria pele, melhorando algumas das suas doenças, também temos de referir os inconvenientes que podem converter o Sol no pior inimigo da pele.

Como todos sabemos, o Sol emite uma série de radiações de comprimentos de onda diferentes: umas visíveis (38%) e outras invisíveis (infra-vermelhas – as de maior comprimento de onda).

Devemos não esquecer que o comportamento da pele varia conforme o comprimento da onda da radiação de absorção de cada tipo de pele.

As normas e conselhos devem, pois, considerar-se sempre como genéricas e terão de ser adaptadas individualmente, caso a caso.

Normalmente os efeitos do Sol começam a sentir-se ao fim de poucos minutos: a pele aumenta de temperatura e aparecem sinais de vasodilatação e vermelhidão provocados pelos infra-vermelhos. O organismo reage lutando contra o calor, iniciando-se a produção de suor que, ao evaporar-se, refresca a pele fazendo desaparecer a vermelhidão.

Simultaneamente, os ultra-violetas estimulam a formação de melanina que é o pigmento escuro que confere à pele a protecção contra os efeitos perniciosos do Sol e que lhe oferece a tonalidade do bronzeado.

Com exposições mais prolongadas produzem-se queimaduras mais ou menos intensas (inclusive formando bolhas ou flictenas), insolações e hipertermias (golpes de calor) acompanhados de perturbações de consciência que podem tomar aspectos gravíssimos.

O aparecimento destas perturbações, dependem da intensidade do soalheiro, da altura, exposição e reverberação do Sol e da posição do indivíduo.

Os riscos são muito maiores se nos expusermos ao Sol, deitados e imóveis, entre as 12 horas e as 15.00 horas.

Como normas práticas para evitar sérios e graves inconvenientes, recomenda-se o seguinte:

TEMPO DE FÉRIAS... TEMPO DE PRAIA 

- Nos primeiros dias vá para a praia apenas no período da manhã ou da tarde. Faça uma exposição progressiva e não esqueça que estar na praia o dia inteiro, mesmo à sombra do toldo ou do chapéu-de-Sol ou, ainda, em dia enevoado, não evita graves queimaduras em peles brancas;

- Antes da exposição ao Sol evite o uso de desodorizante, cosméticos contendo essências de bergamota, limão e lavanda, de perfumes e de pomadas ou cremes medicamentosos.

De igual modo, não se exponha ao Sol após o banho, sem se enxaguar adequadamente;

- Não permaneça imóvel, deitado ao Sol, nem adormeça e sobretudo, após um longo período de exposição, não mergulhe, de repente, na água fria: a diferença entre a pele e a água pode desencadear um choque fatal;

- Proteja os olhos da excessiva luminosidade, usando óculos escuros com lentes de boa qualidade, por exemplo da Silhouette, e proteja a cabeça com um chapéu, de preferência de abas largas;

TEMPO DE FÉRIAS... TEMPO DE PRAIA 

- Escolha os seus modelos de fato de banho em consonância com a moda mas que lhe permitam liberdade de movimentos;

TEMPO DE FÉRIAS... TEMPO DE PRAIA 

TEMPO DE FÉRIAS... TEMPO DE PRAIA 

- Mesmo na praia e sobretudo em zonas rochosas, use calçado adequado (alpergatas ou sandálias) que lhe permitam caminhar na areia escaldante e evitar ferimentos nos pés.

- Cumpra com rigor a sinalização das praias. Não ponha em risco a sua vida e a dos nadadores salvadores.

Em tempo de férias e tempo de praia, parafraseando o “slogan” de protecção aos banhistas lembramos que: “Há mar e mar, há ir e voltar”. Com saúde!”

Firmino Fernandes (6.Junho.1984)

Médico

INEM e Primeiros Socorros

O INEM informou os meios de comunicação Social que todos os anos dezenas de pessoas sofrem dificuldades dentro de água e há registo de muitos afogamentos. Essas dificuldades e esses afogamentos, muitos deles com trágicos finais, foram o primeiro drama que afligiu a directora da Moda & Moda quando em criança se deu conta que no dia 29 de Agosto existia um número elevado de mortes na praia da Manta Rota. E porquê? Por se tratar do Dia de S. João Baptista a que o povo chama S. João da Degola e porque as populações das povoações serranas daquela região, desciam até ao mar em homenagem àquele que baptizou Jesus Cristo. Ora, já decorreram mais de 60 anos e não havia nadadores salvadores, nem quem se ocupasse de ensinar àquela gente humilde que o mar não era de fundo plano. Quando perdiam o pé, alguns morriam ali mesmo, afogados. Triste sina.

Hoje, que existem muitos outros recursos, nunca é de mais algumas recomendações, que servem aos banhistas de todo o litoral português.

Conselhos úteis:

Procure nadar sempre acompanhado. Preste atenção às marés e correntes. Tenha cuidado para não se cansar em mar aberto. Use sempre colete quando praticar desportos aquáticos. Ensine as crianças a nadar.

Nunca mergulhe se não souber a profundidade do local. Não nade para fora da zona de segurança. Não flutue em colchões ou bolas insufláveis com a maré a vazar ou vento de terra forte. Nunca deixe as crianças nadar sem vigilância.

Proibição de Jogar à Bola

Os areais das praias não são campos de futebol. Os nadadores salvadores, como autoridade nas praias, devem estar atentos aos grupos de todas as faixas etárias cuja má educação os faz jogar à bola na praia. Por perto, pode existir alguém doente que não pode levar com uma bola disparada como se estivessem num campo de futebol. Magoam quem já está magoado. Isto chama-se falta de civilidade e, com efeito, as pessoas perderam os valores morais, o respeito pelos outros e só vivem a olhar para o seu umbigo. Chega!

No domingo passado na Praia de S. João na Caparica, existiam pelo menos ao alcance da nossa vista mais de 20 bolas grandes, de um lado para o outro. Felizmente que as praias este ano têm mais areia, mas lá porque o mar foi generoso, não temos o direito de interferir no descanso dos outros.

Mão pesada para esta falta é o que se pede ao cabo do mar que lhe caiba a vigilância dessa e outras praias onde este abuso já ultrapassou os limites.

 

Marionela Gusmão

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