Manus x Machina: Moda na Era da Tecnologia

A revista Moda e Moda todos os anos em Maio, está presente no Met Gala, um dos acontecimentos importantes num dos museus mais notáveis do mundo, onde esta instituição de arte se transforma numa noite de chuva de estrelas. O Baile de Gala Anual do Metropolitan Museum of Art de Nova Iorque, um dos eventos com mais sucesso no Mundo da Moda, reúne Celebridades, Estrelas de Hollywood, Jornalistas e Estilistas, num cenário de glamour e brilho, que marca a inauguração de uma mostra de moda. Este ano o tema da exposição é uma homenagem à Alta Costura e ao Pronto a Vestir: “Manus x Machina: Moda na Era da Tecnologia.”

 

Um evento, que é presidido por Anna Wintour, editora-chefe da Vogue na América. A festa destaca-se pelos vestidos extravagantes que as celebridades usam, como se fosse uma passagem de modelos. Nesta gala, só se regista a Elegância, o Charme  e a Sensualidade Estonteante das Estrelas.

 

Este ano todas as atenções estavam concentradas no dia 2 de Maio no MET Gala 2016, em Nova Iorque, um dos momentos mais aguardados do ano no Costume Institute do Metropolitan Museum of Art.

 

O MET Gala 2016, formalmente chamado de Costume Institute Gala e também conhecido como Met Ball, o baile que tem o intuito de angariar fundos para o Costume Institute do MET, além de servir como uma festa de abertura da exposição anual de moda do museu.

 

Para este ano, os curadores e directores, ao lado de Anna Wintour, aprofundaram o tema dedicado à Alta Costura e ao Pronto a Vestir.

 

“É provavelmente uma das maiores exibições que nós já fizemos”, afirmou Thomas P. Campbell, director do museu de Nova Iorque.

 

Esta festa é quase como um Super Bowl da moda ou a cerimónia de óscares que consegue reunir numa passadeira vermelha algumas das celebridades mais icónicas, de áreas como o cinema e a moda.

 

Desta vez o tema foi “Manus x Machina: Moda na Era da Tecnologia”, numa exposição dedicada à tecnologia e ao futuro. Este argumento seria perfeito para a criação de um modelo de vestido futurista, que mostrasse a ligação entre moda e tecnologia. Foram poucas as celebridades que conseguiram superar o desafio proposto. Na maioria, a interpretação do tema tecnologia resultou em vestidos metalizados, como o de Kim Kardashian, Naomi Campbell ou Jourdan Dunn. A actriz Alice Vikander usou um vestido Louis Vuitton, curto, que misturava cor e lantejoulas. Mas um modelo, que fez sensação foi o  vestido hi-tech “Cognitive Dress” usado pela supermodelo Karolina Kurkova no evento, do estúdio britânico Marchesa, foi desenhado com a ajuda do computador cognitivo Watson, da IBM. Decorado com 150 flores de LED conectadas entre si, a peça teve como inspiração cinco sentimentos dos estilistas da Marchesa: alegria, paciência, entusiasmo, encorajamento e curiosidade. A partir daí eles alimentaram dois “datasets” junto ao sistema “Cognitive Color Tool”, do Watson, que utiliza a psicologia das cores para combinar matizes.

 

Sarah Jessica Parker foi uma das desilusões da noite e em vez de nos levar em direcção ao futuro, deixa-nos no passado. A actriz da série de televisão “Sexo na Cidade”, que nos habituou a olhar a interpretar a moda de uma forma diferente, desta vez não impressionou. Solange Knowles com um look difícil de explicar, uma espécie de conjunto de plissados com meias em amarelo canário. A Lady Gaga já nos habitou à sua extravagância, mas esta escolha parece desadequada em todos os sentidos: desde as meias de rede, o “body brilhante”, a falta de uma parte de baixo e o penteado ao estilo anos 80.

Mas por entre o desfile de modelos demasiado óbvios, surgiram algumas celebridades com escolhas verdadeiramente ousadas e adequadas ao tema. Poppy Delevingne elegeu um modelo Marchesa, todo trabalhado e adicionou-lhe ainda mais acessórios. A combinação que poderia ter resultado num desastre tornou-se num dos melhores vestidos da noite. Poderia até ser o melhor, se Claire Danes não usasse o seu vestido Zac Posen. Com a luz do dia o vestido é de encantar, à noite ganha outra vida com o efeito LED. O vestido foi desenhado por Zac Posen, com organza e fibra óptica ligada a 30 mini baterias, foi o que melhor representou o tema.

 

O Met Gala angaria todos os anos milhões de dólares para instituições de beneficência. No ano passado, angariou quase 12 milhões de dólares.

 

O bilhete de entrada este ano custou cerca de 30.000 dólares para cada convidado.

 

Na edição de 2016, além da Anna Wintour, mentora do evento, Taylor Swift, o actor britânico Idris Elba, o designer Jonathan Ive, e os estilistas Nicolas Ghesquière, da Louis Vuitton, Karl Lagerfeld e Miuccia Prada, foram os anfitriões da festa.

O Costume Institute do MET apresenta  a exposição “Manus x Machina: A Moda na Era da Tecnológica”, que está patente na galeria Robert Lehman deste museu  de 5 de Maio até 14 de Agosto. A mostra destaca como os designers reconciliaram o processo artesanal  com a máquina, na criação da alta costura e do pronto-a-vestir. A mostra foi possível pela Apple e a Conde Nast.


Os museus passaram a adorar exposições de moda. Eles chamam multidões, atraídas pela beleza das roupas e pela sua carga emocional. Afinal, não apenas admiramos e discutimos moda: nós a usamos. "Manus x Machina" vai testar como o público reage a uma mostra que questiona a importância do toque humano na confecção de roupas que, por sua vez, nos ajudam a nos definir.


"Tradicionalmente, a distinção entre a alta costura e prêt-à-porter foi baseada no processo realizado à mão e o feito à máquina, mas, recentemente, esta distinção tornou-se cada vez mais ténue, como ambas as disciplinas adoptarem as práticas e técnicas de um e de outro. Manus x Machina desafia as convenções da dicotomia mão / máquina e propõe um novo paradigma pertinente à nossa era da tecnologia." disse Andrew Bolton, curador do Costume Institute.
Acerca da exposição, Jonathan Ive, chefe de design da Apple, afirmou: "Tanto o processo automatizado e artesanal necessitam de quantidades semelhantes de reflexão e experiências. Há casos em que a tecnologia é optimizada, mas em última análise, é a quantidade de cuidado posto no artesanal, se ela realizada à mão ou à máquina, que transforma materiais comuns em algo extraordinário. "

 

Exposição

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A mostra "Manus x Machina: Moda na Era da Tecnologia”, destaca como os estilistas estão a reconciliar o artesanal e o concebido à máquina na criação de alta costura e no prêt-à-porter de vanguarda. O curador Andrew Bolton explicou que antigamente o que distinguia a alta-costura do prêt-à-porter era justamente o que era feito a mão e o que era feito à máquina, mas "recentemente essa distinção tornou-se cada vez mais subtil, pois ambas adoptaram as práticas e técnicas da outra".

Estão expostas mais de 170 peças de alta-costura e prêt-à-porter desde 1900 até à actualidade, incluindo peças inteiramente feitas à mão até roupas realizadas com impressão 3-D. Entre os estilistas que assinam os modelos estão nomes como Cristobal Balenciaga, Pierre Cardin, Hussein Chalayan, Gabrielle "Coco" Chanel, André Courrèges, Giles Deacon, Christian Dior, Alber Elbaz, John Galliano Jean Paul Gaultier, Nicolas Ghesquière, Hubert de Givenchy, Marc Jacobs, Charles James, Christopher Kane, Mary Katrantzou, Rei Kawakubo, Karl Lagerfeld, Helmut Lang, Alexander McQueen, Issey Miyake, Miuccia Prada, Paul Poiret, Gareth Pugh, Paco Rabanne, Yves Saint Laurent e Madeleine Vionnet.

 

A exposição salienta modelos de alta costura e outras peças que datam desde o começo do século XIX, quando a máquina de costura foi criada e surgiu uma necessidade de distinção entre a mão e a máquina no início da industrialização e produção em série.

 

O tema explora essa dicotomia, em que a mão e a máquina são apresentadas como ferramentas discordantes no processo criativo, e aborda as questões que surgem entre essa relação.

 

Segundo Andrew Bolton, a inspiração inicial da exposição foi o vestido de noiva que Karl Lagerfeld criou para a Chanel em 2014, no qual ambos os processos se fundem.“Lagerfeld chama o ‘vestido de Alta Costura sem costura’, porque foi moldado em vez de costurado. Para a produção da peça foram necessárias cerca de 450 horas de trabalho.”

 

O molde deste vestido foi feito à mão, costurado à máquina e com acabamento à mão. A cauda feita em neoprene e cetim com o desenho do próprio Lagerfeld, feito à mão e então manipulado digitalmente para criar um motivo barroco. Em seguida, o vestido recebeu pedras, pérolas e strass aplicados num cuidadoso bordado à mão. “ Talvez importasse se um vestido fosse feito à mão ou à máquina, pelo menos na alta-costura, mas agora as coisas são completamente diferentes. A revolução digital mudou o mundo”, explicou Lagerfeld. “

 

A mostra está estruturada à volta dos “métiers”, ou seja, ofícios tradicionais da alta-costura. O primeiro andar e o espaço térreo desenrolam-se uma série de câmaras, onde se destacam as oficinas de bordado, plumagem, flores artificiais, plissagem, renda e trabalho em couro. Peças adornadas com bordados, plumas, plissados e rendas feitos e/ou aplicados à mão fazem contraponto com peças criadas por processos inovadores, como a impressão 3D, malha 3D, modelagem por computador, estamparia digital ou corte a laser.

 

Um vestido de Alta Costura plissado à mão de Dior por Raf Simons de 2014 está exposto ao lado de um vestido de Issey Miyake, criado em 1994 e plissado por uma máquina. O modelo floral futurista de Hussein Chalayan do inverno 2012 convive com os vestidos com flores bordadas à mão de Christopher Kane de 2014. Um vestido adornado com plumas colocadas manualmente por Yves Saint Laurent em 1969 contrasta com uma criação de Iris van Herpen, de 2013, em que as penas são feitas em silicone cortado a laser.

 

Em ambos os pisos, as técnicas manuais tradicionais são discutidas juntamente com tecnologias inovadoras, tais como impressão 3-D, modelagem de computador, colagem e laminação, corte a laser e soldagem ultrassónica.

A exibição mostra os tradicionais “métiers”, ou seja, ofícios da alta-costura, incluindo bordado, plumagem, flores artificiais, plissagem, renda e trabalho em couro. Podem-se ainda admirar os modelos clássicos de Christian Dior e Grès. Um vestido de noiva irlandês datado de 1870 e os vestidos decorado com flores complexas, que estão ao lado dos vestidos plissados de Mariano Fortuny, dos anos 20.

 

O lado futurista apresenta obras de modelagem computadorizada, impressão, laminação e corte a laser. Hussein Chalayan e as suas obras inovadoras estão presentes com um vestido em fibra de vidro e pérolas de papel operadas por “remote control”  e outro realizado com espuma de poliuretano moldado com picos.

 

Já a holandesa Iris van Herpen está representada pelo seu vestido de “cocktail”l confeccionado em algodão com enchimento de borracha e ferro aplicados por meio de imãs.

 

As pessoas possuem um medo irracional da máquinas; um medo onde o progresso pode ir muito longe, onde as nossas criações serão a fonte da nossa destruição, e a literatura distópica ajuda a dar um contributo nesse medo da tecnologia, glorificando a pureza da natureza. As máquinas, digamos, os robôs, na maioria das vezes são descritos como figuras grotescas e antropomórficas. Eles são como nós humanos, possuem cérebros e corações, mas há a falta de emoções e humanidade, além de causarem caos e destruição.

 

Mas na exposição “Manus x Machina: Moda na Era da Tecnologia”, eles não são um sinal de distopia, e sim, uma criação utópica. A mostra traz a exploração das máquinas na criação de belas roupas. Diferente de exposições anteriores onde havia o foco indivíduos e tendências temáticas, a “Manus x Machina” traz um novo olhar por detrás das imagens do processo de criação de diversas roupas.

 

Dizer que a alta costura é um sinónimo de “concepção manual” seria um termo impróprio. As máquinas sempre foram uma parte integral do processo, porque o homem e a função da máquina não são apenas um conjunto, ambos não funcionariam sem a existência do outro. A exposição, revela o ofício inerente à criação de roupas. Não é nenhuma surpresa que a moda alinha bem, acelerando a trajectória da tecnologia.

 

No século XVIII a moda e o trabalho manual foram elevados pela primeira vez ao status de arte e ciência na publicação da enciclopédia de Diderot e D’Alembert.

 

Theresa Bêco do Lobo

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