Espreitar a Primavera/Verão 2016 Pronto-a-Vestir Francês

Consideramos que mostrar antecipadamente as colecções de Pronto a Vestir que desfilaram, em França, para a Primavera/Verão 2016 serve para satisfazer alguma curiosidade das nossas leitoras, mas que a utilidade é muito pequena.

Temos em nosso poder os materiais fotográficos de 25 marcas que desfilaram em Outubro, em Paris, mas esta informação vale pouco porque as lojas estão em saldos e as novidades não estão expostas em toda a sua pujança.

Em relação a França, a nossa redacção  tem as seguintes marcas que desfilaram em Paris:

Alexander McQueen; Balenciaga; Balmain; Carven; Celine; Chanel; Chloé; Christian Dior; Courrèges; Elie Saab; Emanuel Ungaro; Giambattista Valli; Guy Laroche; Hermès; John Galliano, Kenzo; Lanvin; Loewe; Louis Vuitton; Miu Miu; Nina Ricci; Paco Rabanne; Rochas; Stella McCartney e Valentino.

 

E o que são estas marcas?

Como aqui não precisamos de aprender as vogais, as consoantes, nem o abecedário no que diz respeito à Moda Francesa, ou dita francesa apenas por ser apresentada em Paris, como conhecemos as marcas acima citadas, lamentamos que nem todas tenham a sorte de Coco Chanel que teve em Karl Lagerfeld o seguidor que aprimorou o que vinham sendo os seus tailleurs executados com os tecidos, os galões e os botões criados pelo Duque di Verdura, de seu nome Fulco di Verdura.

 

O Alexander McQueen, apesar de ter passado por grandes casas, continua dentro do seu alinhamento; Balenciaga não tem rigorosamente nada a ver com Cristobal Balenciaga, o mestre dos mestres, o espanhol que fez os franceses dobrarem a coluna; o caso Balmain tem quase a mesma história de Balenciaga, embora com uns furos abaixo; Carven, a nossa querida amiga Madame Carven que entrevistamos em sua casa para a revista Moda & Moda, amava Portugal do tempo em que Lisboa era uma cidade limpa, sem “slogans”, nem “clochards” que tornaram a pinderiquice nacional ainda mais visível. Que saudades de si e da sua attaché de presse, delicada, culta, que faleceu muito nova com uma doença incurável.

 

Quanto à Celine, que conhecemos muito bem porque a nossa casa, em Paris, era exactamente na François Ier, onde ficava a sua loja do rés-do-chão, ao 1º. Piso e deste ao segundo, o que nos permitia vários encontros, tinha um gosto demasiado clássico, de acordo com o seu logotipo: uma viatura puxada a cavalos.

 

Da Chanel já nos referimos, pois foi uma mulher por quem não temos nesta casa a menor admiração já que não gostamos do seu estilo de vida particular, mas aplaudimos a capacidade infinita e o talento de Lagerfeld. Bravo!

 

A marca Chloé foi muito interessante enquanto o Lagerfeld lá esteve…

 

 A colecção da Christian Dior ainda foi feita por aquele senhor belga de nome Raf Simons, a quem nunca aplaudimos uma única vez. No entanto, ou já lhe tinham puxado as orelhas ou sentia no ar que as suas propostas não agradavam a ninguém, a não ser a duas ou três japonesas ricas, é francamente melhor do que a do Inverno que estamos a viver com casacos para braços amputados. Já partiu e que tenha mais juízo e não brinque com a capacidade de análise dos outros.

 

Quanto a Courrèges, um vanguardista a quem comprámos dois modelos: um, nos finais dos Anos 60 e outro, em 1970, trata-se de um génio da Moda Francesa, um amigo com quem jantámos mais de uma vez e com quem conversávamos pelo menos quatro vezes por ano, tem o seu nome numa colecção elaborada por dois jovens, já que vendeu a sua marca em 2011 a dois executivos da Agência de Publicidade Young & Rubicam. É de salientar que nasceu em 1923 e graças a Deus continua muito activo.Da sua Moda Espacial, das suas botas e das suas mini-saias em PVC, pouco ou nada resta que nos remeta imediatamente para este génio da moda que trabalhou 10 anos com Balenciaga. Esperemos por outras provas que os dois jovens que assinaram a colecção para a Primavera/Verão 2016, ainda nos possam dar…

 

E de Courrèges passamos a Elie Saab, o costureiro libanês que mais “stars”, cabeças coroadas e novas-ricas angolanas, o elegeram para as grandes ocasiões. Dele podemos dizer que é um costureiro que trabalha muito a pensar nos grandes acontecimentos, em especial quando realiza as suas colecções de Alta-Costura, mas que abre umas pequenas excepções para de dia, quando apresenta o seu Pronto-a-Vestir. Na nossa Moda & Moda, em suporte de papel, quando assistimos ao seu primeiro desfile, apostámos nele e em Zuhair Murad. Não nos enganámos!

 

Emanuel Ungaro, filho de um alfaiate italiano com quem aprendeu a coser, foi assistente de Balenciaga, primeiro em Barcelona e depois em Paris, de quem dizia: “com ele aprendi tudo”!

 

Convivemos amigavelmente durante 17 anos. Assistimos ao seu desconsolo pelos prejuízos da marca que acabou por ser vendida ao grupo italiano Ferragamo, fase em que lhe foi sugerido o estilista italiano de grande talento Giambattista Valli, mas as clientes Ungaro tinham envelhecido, entre elas a Madame Liliane Bettencourt, a principal acionista da L’ Oréal, senhora que ficava sempre em grande destaque em todos os desfiles, juntamente com outras que entretanto se deslocaram para novos costureiros. Porém, enquanto Emanuel Ungaro esteve à frente da marca, na loja situada no nº. 2 da Avenue Montaigne (onde actualmente se encontra a loja Armani Privé), as suas colecções mantinham o estilo sensual onde avultavam os motivos florais, as bolas, os tons azuis e o negro total.

 

Enquanto Ungaro vive radiante e feliz com a sua família na região do Midi, a sua marca tem vivido em sobressaltos financeiros, principalmente desde que o paquistanês Assim Abdulah se meteu por caminhos e atalhos de quem desconhece os meandros deste ofício ou de outro. A moda é uma área das Artes Decorativas muito sensível. Não vence quem tem dinheiro e quer. Vence quem sabe e sente o gosto do mercado, apalpa os tecidos com mãos de sábio, apanha a onda do que está em moda nas artes em geral ou então gasta fortunas em propaganda que quando mal gasta até pode destruir definitivamente a marca.

 

Actualmente, o destino de Ungaro está nas mãos desse mesmo Abdulah, através da sua empresa de investimentos Aimz e do grupo italiano Aeffe (fundado em 1972) pela grande estilista italiana Alberta Ferretti que controla a sua marca e, entre outras, a Moschino e a Cacharel. O actual criador é o estilista italiano Fausto Puglisi que, em nossa opinião, não tem garra para fazer da casa Ungaro, um monumento da Moda Francesa – a Alta Costura.

 

Do conjunto das 25 marcas que visionámos destaca-se Giambattista Valli, o italiano que Ungaro aceitou de bom grado mas a quem faltou o golpe de asa para colocar a marca no topo em que estivera.

 

Que dizer do nosso muito amado Guy Laroche? Durante quatro vezes por ano falámos horas e horas. Era amigo íntimo da Viscondessa de Ribes (que foi recentemente notícia na nossa revista em papel, que ainda está à venda nas principais bancas do país) e dizia-nos quase em segredo: “mas porque é que esta minha amiga se meteu a fazer costura?”. Uma das grandes figuras masculinas que era seu fiél cliente, tratava-se do actor de cinema: Alain Delon.

 

Talvez seja importante recordar que Guy Laroche não nasceu de geração espontânea. Trabalhou em Nova Iorque na 7ª. Avenida e, de regresso a Paris, trabalhou, durante 8 anos, com o grande mestre Jean Dessès (1904-1970), líder mundial da moda dos Anos 40, 50 e 60 e mestre de Valentino.

 

Faleceu em 1989, uma perda que nos deixou de luto. Foi um grande amigo da Moda & Moda. Que Deus o tenha em paz.

Por estarmos a seguir a ordem alfabética das marcas, chegámos à Hermès, uma griffe de luxo, inicialmente dedicada a arreios e, posteriormente, a outros acessórios, embora há já algumas décadas se venha dedicando à moda do Vestuário sem ter grande expressão nesta área. Os homens apreciam as gravatas. As mulheres os lenços e as écharpes. Os seus perfumes têm uma clientela muito significativa.

 

Também vimos o desfile da “griffe” John Galliano, (o polémico costureiro de Gibraltar que outrora levava o seu tempo a preparar os Carnavais das zonas circundantes do seu local de nascimento) desta vez sob a batuta de Bill Gayten, que continua o director criativo da marca John Galliano.

 

Depois, o Kenzo, que foi o rei da moda Folk, o mestre que mais nos deslumbrou com as suas duas grandes festas, mas que vendeu a sua “griffe” ao grupo LVHM por um preço que lhe dá para viver à grande à francesa e à japonesa nem que viva mil anos.

 

Contudo, o espírito de Kenzo paira na moda que tem o seu nome.

 

Quando nos referimos à Lanvin, sentimos um aperto no estômago. O que foi aquela casa! É um mistério que não conseguimos decifrar. De cada vez que uma marca especialista em perfumes entra numa casa de moda, nada dá certo. Talvez seja necessário revender à família de Jeanne Lanvin para termos a “chance” de ver aquele templo de moda “ressuscitar”.

A Rochas foi notável enquanto o inovador Marcel Rochas existiu (1902-1955) mas conhecemos a sua obra através de exposições no Museu do Traje de Paris. O que se faz em seu nome?

 

A Stella McCartney tem evoluído muito nos últimos tempos e hoje é mais do que uma promessa porque representa uma grande realidade da moda do vestuário feminino. Para ela vão os nossos aplausos.

 

E com o V de vitória, o nosso muito amado Valentino ficou para rematar os 25 desfiles que apresentamos. A colecção já não sai dos seus desenhos. Os responsáveis são o Pier Paolo Piccioli e Maria Grazia Chiuri que têm de obedecer às ordens de outros patrões. E é pena porque ambos têm a escola do mestre que nos deslumbrava em cada desfile que assistíamos. No tempo em que íamos com a nossa saudosa Alicia Papadopoulos, depois de já o termos visto em Roma, a nossa frase era a mesma: “este homem suplantou-se e já não pode fazer mais nada melhor do que vimos”. Pois era! Na próxima edição, sempre de Alta-Costura, ficávamos sem palavras, com a alma cheia de beleza.

 

Grandes tempos!

 

Pois é, caras leitoras, o mundo deu uma reviravolta sem sentido. As idiotas são as sábias e as que sabem (pensam essas) passaram a idiotas. Não é assim. O valor pertence a quem o tem e não são os jogos baixos, a maledicência, a maldade que eleva o que quer que seja. Deus escreve sempre a direito, por mais que entortem as linhas.

 

Marionela Gusmão

FESTIVOS

Dia da Mãe

Natal

Páscoa

Dia do Pai

Santo António

ARTE

Exposições

Museus

Colecções

História

Notícias

MODA

Alta Costura

Prêt a Porter

Tendências

Acessórios

Notícias

BELEZA

Perfumes

Tratamento

Novidades

Looks

Cabelos

NOTÍCIAS

Perfumes

Tratamento

Novidades

Looks

Cabelos

  • Instagram ícone social
  • Twitter Social Icon
  • Facebook Social Icon
  • YouTube Social  Icon
  • Pinterest Social Icon