DOLCE GABBANA A FANTASIA E O SONHO NO OUT/INV 2016/2017

Escolhi a dupla Dolce & Gabanna que vi desfilar na primeira apresentação que realizaram nos Anos 80, em Milão, na época em que integrei o Júri do Prémio Occhio d´Oro, acompanhada da Embaixatriz Evy Pini, sócia da Samco/Svedeberg e representante da Moda & Moda, em Itália. O espaço do desfile, muito improvisado, deixava adivinhar que ambos tinham muita imaginação.

Já apresentei o Balmain, porque nesta casa há respeito pelo mérito e categoria das colecções, além de trazer a França em 1º. Lugar, aquele que por direito, merece. Agora apresento uma marca italiana, sempre criativa e surpreendente – Dolce & Gabanna – e só depois chegará o lugar dos E.U.A. representado por Óscar de la Renta, ainda em homenagem ao amigo que perdi e a um dos mais talentosos costureiros de sempre.

Domenico Dolce pretendia fazer uma colecção de moda e Stefano Gabanna, que trabalhava como “designer gráfico”, tomou conhecimento que um designer de moda, procurava um assistente. Do encontro dos dois, resultou o imediato contrato de trabalho e o relacionamento privado e pessoal que só terminou em 2005, sem baixar a criatividade da marca. Aliás, a sinergia entre os dois é tal, que continuam a trabalhar juntos e admitem que um sem o outro, não saberiam o que fazer.

Ambos precisam saber o que cada um pensa. É um caso curioso.

A Moda & Moda vem habitualmente apresentando as criações notáveis desta dupla, embora ambos se dediquem a colecções de moda masculina, para jovens, crianças e noivas. Além disso, são hábeis nos jeans, óculos, “lingerie” e acessórios. Os perfumes, em especial, são altamente desejados pelas mulheres de todo o mundo onde se incluem as portuguesas.

Dividimos a moda do Dolce & Gabanna em duas categorias: Casacos e vestidos.

 

E, porque estamos precisamente na fase em que as leitoras me interrogam a mim, e aos meus colaboradores, sobre o que se vai usar, procuramos com a nossa escolha dar a informação das propostas para que possam idealizar os vossos guarda-roupas. 

Casacos – de manhã à noite

É forçoso dizer que os tecidos conhecidos por “pied de coq” ou “pied de poule”, com os quadrados mais pequenos, estão à cabeça de todas as apostas. Em termos de cores, com estes dois estilistas, mesmo o preto nunca é monótono, porque há sempre uma arte aplicada que descomplica a escuridão e as flores marcam uma presença de alegria.

Na escolha dos casacos que apresentamos, há tecidos e modelos para todas as horas do dia, pois vão da lã mais recorrente aos brocados.

Criatividade é a chave para tornarem as mulheres bonitas – o desejo de Dolce & Gabanna. Sempre!

Vestidos para a vida quotidiana e um pouco da nossa história

Obviamente que não estamos a pensar nas mulheres que de manhã à noite, sonham e vivem para as festas. Conhecemos as nossas leitoras, ainda o 25 de Abril de 1974 não estava na cabeça dos militares que foram para a Academia (onde tiveram uma carreira mais fácil que um engenheiro ou um médico) e atiraram para os milicianos o duro de roer no Ultramar, guardando-se para o menos arriscado. E, mesmo assim, quando viram que a guerra estava para durar, deram corda aos sapatos, filiando-se em partidos que pretendiam que Portugal chegasse à desgraça onde hoje se encontra. Não negociaram nada. Os portugueses que por lá nasceram voltaram para não morrer, despojados de tudo. Foi muito feito e o que me espanta é que haja quem lhes tire o chapéu!

Note-se bem que nunca ninguém da minha família teve qualquer negócio com África. O meu marido e eu só tivemos prejuízos, que ainda hoje se fazem sentir, já que ele contraiu na Guiné, uma doença que deve ter contribuído para que nem chegasse a cumprir 50 anos de vida.

Mas, não quero entrar por aí, apenas gosto que saibam que a jornalista que na TeleSemana escrevia sobre moda era a signatária deste texto, então com o pseudónimo de Maria Elisa. Entretanto, surgiu a Maria Elisa na RTP e nunca mais usei esse nome. Posteriormente, passei a trabalhar para a TV Guia onde todos os textos de moda eram assinados por mim. Durante muito tempo, fui semanalmente, à RTP ao programa “Ponto por Ponto” do Raul Durão, onde apresentava vídeos dos desfiles inteiros e comentava cada modelo. Alguns pseudo-estilistas zangaram-se muito comigo, mas devo ter-lhes dado muitas ideias, gratuitamente, pois vi muitas cópias, de alguns que se julgam gente.

É de salientar que para mim a moda é uma vertente das Artes Decorativas e que a estudei muito, pois não deve ter sido por acaso que trabalhei na montagem do Museu do Trajo durante anos, tendo sido a primeira doadora ainda no Verão quente de 1975. Além disso, quando se deu a revolução de Abril eu tinha uma exposição na FIL, lado a lado com coleccionadores de grande prestígio, infelizmente espoliados como foi o caso do Sr. Pinto de Magalhães, um homem bom, de quem gostei muito que ficou sem a sua colecção de moedas de outo portuguesas, uma raridade. Os outros que a ele lhe sucederam são muito conhecidos da população portuguesa. Como a minha colecção era de acessórios de moda (leques, botões, fivelas, alfinetes de gravata e alguns vestidos e capas) não interessou a ninguém e tudo me foi devolvido pelo então director da FIL, um infiltrado que viria a ser o primeiro embaixador português na agora extinta União Soviética. Eu, não tinha importância, não era banqueira, era apenas uma mulher que tem paixão por artes plásticas e artes decorativas e vê na moda, uma vertente destas últimas.

Houve uma fase, nos Anos 80, que em Portugal, havia estilistas e costureiros de grande nível. Depois, apareceu a Moda Lisboa, com apoios políticos que não fazem parte da minha forma de estar na vida. Uma vez, fui lá e fiquei tão irritada, por ver tanta ignorância, que durante muito tempo deixei-os felizes para apresentarem as suas cópias. Agora, há novas fornadas e fui há tempos, à Moda Lisboa apreciar o trabalho do Carlos Gil e do Miguel Vieira. São dois nomes que merecem atenção. Eu aprecio cada um deles à minha maneira. Mas, pelo Miguel Vieira já eu me tinha batido para ele ser premiado nos concursos da Moda da FIL, só que isso obedecia a esquemas que me desagradam. Para alguns que me devem o facto de serem de lá terem entrado o Miguel Vieira não era negócio. Será que tenho que estar, por seriedade minha, sempre em contra-mão?

Entretanto, cá vou cumprindo a minha sina, sem vergar a cerviz.

Gosto de partilhar a minha maneira de ser com as minhas leitoras porque vejo no muito correio que recebo, de vários pontos do país, a estima que me dedicam e a forma como acompanham o que escrevo no site www.modaemoda.pt onde este trabalho será publicado.

A Moda & Moda do Natal, com a ajuda de Deus, sairá apesar de ter sofrido o desgosto da Gráfica com a qual trabalhava: a empresa Fernandes & Terceiro – ter as suas portas encerradas e os trabalhadores na rua. Poucos imaginam o que a minha querida amiga Arqtª. Leonilde Terceiro fez, não poupando sequer os seus bens pessoais para manter a casa que o seu pai fundou. Maus tempos assolam as gráficas e a imprensa escrita.

Maus tempos se desenham no horizonte. Mas, havemos de entregar a carta a Garcia!

E de tudo o que para trás ficou escrito (que não é “lenga-lenga”), nem lamúrias, o importante é informar, com verdade.

 

Vestidos

Nos vestidos para usar no quotidiano em fazenda de lã com bordados e aplicações fantasiosas que vão de um coche real, às fadas e princesas, dos brinquedos antigos retirados de um sótão de família rica aos relógios de bolso dos nossos avós, avultam os bonequinhos de cartola sobre tecido “pied-de-poule” em preto e branco. Na colecção há um vestido, com botões de diversas cores, matérias e tamanhos, aplicados com um notável gosto artístico, que ninguém me diga que só veste à moda quem tem muito dinheiro. E a imaginação, para que serve? Não há? Temos pena!

O vestido branco de lã com tracejados a negro transmite vida, através do jardim da saia onde não falta uma fonte e um banco. No corpo do mesmo vestido, o mobiliário desenhado remete-nos para os modelos da colecção Schiaparelli (Alta-Costura) da temporada verão 2016, que não mereceu os nossos aplausos, porque entendemos que as chávenas, os bules e os pratos, desenhados nos trajes, estavam a mais. Neste modelo, está tudo no seu lugar.

Vestidos de noite, para sonhar até amanhecer

A noite permite muito mais fantasia, mas esta dupla ultrapassou o que as suas fiéis compradoras aguardavam.

O vestido preto com um livro aberto sobre o peito e um pássaro pequeno a segurar uma folha, mais o sapato da Cinderela e a uma palmatória com uma vela acesa, excedeu tudo o que a fantasia e o sonho podem imaginar.

Destaque para o vestido negro, transparente, onde avultam flores gigantescas e para o vestido de chiffon estampado com motivos florais onde as tulipas brancas desempenham um papel espectacular.

A etiqueta Dolce & Gabanna resume sempre o que Domenico Dolce e Stefano Gabanno gostam para tornarem as mulheres mais atraentes.

Parabéns!

 

Marionela Gusmão

Vestidos de Cocktail

Seguindo a mesma tendência dos estampados ou da arte aplicada e bordados, os vestidos de cocktail foram imaginados para salientar a beleza feminina.

Nas sedas estampadas apreciámos os frutos, as tulipas desordenadas, os enormes ramos de papoilas (sem o Cesário Verde). Na colecção dos vestidos pretos aplaudimos as rendas transparentes e com folhos de cetim, o vestido de veludo com mangas de renda sobre decote rodeado por passamanaria sobre renda, os vestidos em chiffon e em gazar, assim como os tecidos franjados a formar riscas ou lisos.

De salientar, a beleza das aplicações com peças de toucador (espelho), o lustre (seria Baccarat…?), os castelo encantados e as princesas.

Lindíssima a mala de mão como se fosse uma lanterna muito elaborada!

Fabulosos os colaretes com fivelas e as aplicações do cabelo.

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