Susana Sabino I A mais Consagrada Manequim Portuguesa

A morte de Karl Lagerfeld fez-me entrar em contacto com a Susana Sabino, uma amiga que trabalhou na revista Moda & Moda enquanto estudou para obter a sua formação em DIREITO.

O nosso relacionamento com a Susana Sabino, data dos tempos em que participou em desfiles na Moda Portuguesa, mas muito em especial quando a signatária deste texto se deslocava com muita frequência a Itália e a França para assistir aos desfiles de Moda de Pronto-a-Vestir e aos de Alta-Costura, concretamente a Milão, Roma e Paris.

Encontrar a Susana equivalia a sentir-me mais próximo de Portugal, em terras onde não se ouvia falar português. 

Susana Sabino foi uma manequim portuguesa de origem afro-europeia, cujas origens remontam a Espanha, Itália, Alemanha, Portugal e Angola, pais onde nasceu.

As origens de Susana Sabino resultaram numa mistura entre exotismo e europeísmo clássico. 

Descendia de uma tetravó sevilhana que casou com Andrade Corvo, um estadista de reconhecido mérito; é bisneto de Joaquim Júdice Biker, sendo que o apelido Júdice era de origem italiana (viviamr no Algarve) e o Biker era de origem alemã que também residiu no Algarve; ainda era neta de Maria Sabino e de Helena Capela, ambas mestiças angolanas; quanto ao avó paterno, pouco se sabe já que era de origem alemã e não deixou qualquer rasto.  

Os traços da Susana atraíram desde sempre os fotógrafos e conheci-a em Troia com a idade de 17 anos, num concurso de modelos fotográficos organizado pelo Espaço T-Magazine. Trabalhava nesse meio de comunicação a Maria João Palmeiro e o António Homem Cardoso. Esse concurso foi o pontapé de saída da nossa entrevistada. Posteriormente, foi representar Portugal em Marrocos no Concurso Miss Nações. 

Susana diz-nos: “Depois do Concurso do Espaço T-Magazine, a Maria João Aguiar aconselhou-me a frequentar a escola de manequins do Brian McCarthy, o que foi um grande auxílio pois eu não sabia nada de moda, nem de desfiles e vivia num Lar de Refugiados sem disponibilidades económicas. O Brian foi excepcional porque facilitou o pagamento, deixando-me eternamente reconhecida. 

As primeiras pessoas do mundo da moda que conheci e me ampararam foram o Carlos Cruz e a Marluce. A Marluce fez uma produção com roupas do Augusto e o Chico Prata fotografou-me. A seguir quando fui representar Portugal, o José Carlos emprestou-me um vestido de noite e a partir daí ficámos amigos, passando a desfilar para ele. Em dimensões diferentes, o José Carlos fez-me sonhar como o meu querido Karl Lagerfeld. Ambos eram excelentes.

 

Os caminhos da internacionalização

A partir dos 18 anos, Susana Sabino foi para Espanha onde trabalhou na Cibeles com os melhores estilistas espanhóis.

Posteriormente, foi para Milão onde trabalhou nos desfiles de alguns dos melhores estilistas tais como Soprani, Ferré, Rocco Barroco, Basile, Fendi, Blumarine, SportMax, Mario Valentino, entre vários.

Entretanto, começou a desfilar para a colecção Karl Lagerfeld onde esteve no quadro final com as fabulosas Marpessa e Pat Cleveland. Na temporada seguinte passou a desfilar em todas as colecções de Karl Lagerfeld, Fendi e Chanel tanto de Pronto-a-Vestir como de Alta-Costura.

Os laços entre a Susana e Karl Lagerfeld, foi como um amor platónico até que uma ciática a fez suspender o seu papel nos desfiles.

A conversa foi longa mas talvez por me sentir fragilizada com a morte de muitos costureiros que eram geniais, fiquei comovida ao ouvir a Susana dizer-me: ”Ficava muito feliz e orgulhosa quando a via sentada na plateia sempre acompanhada da sua amiga Alicia Papadopoulos. Era tão bom vê-la! A sua presença dava-me mais força e pensava, por vezes, estou a desfilar para “mi reina”, (a maneira carinhosa como me tratava e trata.)

Chegada de Londres para falar para a Moda & Moda, Susana recordou tempos antigos e num desabafo muito comovido, disse:

“Fiquei muito feliz quando no final de um desfile do Scherrer a senhora disse: foste fantástica, nem uma prega abriu com o teu caminhar”. E continuou:

“Neste momento, a rebobinar o “filme” lembro-me que Karl Lagerfeld a tratava com muita atenção porque gostava de si, porque tinham uma empatia através do gosto pela arte em geral e em particular, pelas artes decorativas. Estavam bem um para o outro.”

M&Moda – O que sentiste quando tomaste conhecimento da sua morte?

Fiquei muito triste, muito triste mesmo, nem sequer me despedi dele em vida e andava sempre a pensar ir vê-lo sozinha e estar com ele como nos bons velhos tempos da Alta-Costura.

M& Moda – Vi-te uma vez a desfilar em conjunto com a Jerry Hall. 

Susana Sabino -Sim, foi quando o Karl Lagerfeld foi receber o Dedal de Ouro, máximo galardão que já não existe.

M& M – Como foi o teu relacionamento com o Karl Lagerfeld dentro e fora dos bastidores?

De vez em quando ia almoçar com ele, com a Inés de la Fressange, e o Giles Dufour e outros colaboradores.

Sempre me senti muito acarinhada por ele e até protegida. 

Considero que fui uma privilegiada a trabalhar com o Karl. Vivi momentos inexplicáveis especialmente quando ele explodia de felicidade contagiando a equipa. Era genial! Genial, mesmo! 

 

A vida em Londres

Depois do Curso de Direito terminado, trabalhei na área da advocacia em Portugal, em várias cidades. 

 

Durante Curso de Direito trabalhei na Moda & Moda como assistente da Directora com quem aprendi a seleccionar material e a descobrir e até perseguir a beleza que existe em cada momento da vida. Foi uma boa escola e estou muito grata porque sempre fui acarinhada e apoiada durante o meu Curso de Direito. A minha paixão são os Direitos Humanos e em Portugal havia muita dificuldade. Por isso, fui para Londres, não só porque tinha lá o meu irmão que é advogado como porque lá existem muitas organizações não governamentais ao serviço dos Direitos Humanos.

Curiosamente, o meu irmão regressou a Portugal e é professor de Direito na Universidade Nova.

Eu, neste momento estou a trabalhar em vários projectos ligados ao Direito.

As palavras de Susana Sabino

“Quando li o texto da minha querida directora sobre Karl Lagerfeld, senti que estava a sofrer com a partida dos grandes costureiros com quem esteve anos e anos a acompanhar de perto as suas carreiras e a transmitir aos seus leitores o melhor que se apresentava no mundo, durante décadas. Na sua área, a nível internacional, a senhora foi única. Conheceu todos os grandes, dava-se com eles, ia às suas festas, escreveu para a TV Guia e para a Moda & Moda já escreve há 35 anos.

Os costureiros que eu conheci abriam a boca quando folheavam a Moda & Moda. É uma revista diferente. É única, diziam.

Os tempos mudaram, as crises sucedem-se e a senhora continua apaixonada pelo melhor que se faz em moda e em arte. É por isso, que estou aqui, a dar-lhe o meu testemunho. Meti-me no avião para lhe dar um grande abraço. Sei que muitos meios, incluindo as televisões procuraram por mim, mas estou e estive sempre consigo e nunca pagarei o que lhe devo em apoio e amizade.

É certo que para mim foi uma honra ter-me cruzado e ter feito parte da vida de Karl Lagerfeld e da sua, a minha querida directora Marionela Gusmão,  não apenas pelos nossos encontros fugazes em Paris, que me davam força interior, mas da profunda ligação e respeito, salientando a oportunidade de trabalhar para a senhora, dando o meu modesto  contributo para uma revista tão única, que dá tão permanentes lições. As suas qualidades e postura perante a vida, enchem-me de glória por a ter como minha amiga”.

 

P.S.

M.G. - Obrigada Susana. Obrigada pelo teu gesto de vires de Londres para me dar um abraço. Obrigada pelos lírios que me trouxeste. Obrigada pela fidelidade que sempre tiveste para comigo”. 

Marionela Gusmão

FESTIVOS

Dia da Mãe

Natal

Páscoa

Dia do Pai

Santo António

ARTE

Exposições

Museus

Colecções

História

Notícias

MODA

Alta Costura

Prêt a Porter

Tendências

Acessórios

Notícias

BELEZA

Perfumes

Tratamento

Novidades

Looks

Cabelos

NOTÍCIAS

Perfumes

Tratamento

Novidades

Looks

Cabelos

  • Instagram ícone social
  • Twitter Social Icon
  • Facebook Social Icon
  • YouTube Social  Icon
  • Pinterest Social Icon