DIA DE TODOS OS SANTOS 

A Missa e outros hábitos

Esta é uma data de muitas recordações para quem, como nós, crescemos no seio de uma família que dava um grande valor às tradições.

No Sotavento algarvio onde decorreram os nossos dias de infância e a primeira fase da nossa juventude, todas as datas festivas eram celebradas a preceito.

O Dia de Todos os Santos, que se festeja a 1 de Novembro de cada ano, começava com a ida à missa das 08.00 horas da manhã, acto precedido por um pequeno-almoço especial onde se comiam os figos cheios (recheados com amêndoas moídas e chocolate), a que chamavam bombons de figo; estrelas de figos com amêndoas que no dia anterior tinham ido ao forno de lenha, juntamente com os figos cheios; batatas-doces assadas e marmelos igualmente assados no forno (isto para quem gostava o que não era o nosso caso); passas de uva, pinhões, miolos de amêndoas, nozes, castanhas e outros frutos secos. Os mais jovens bebiam café com leite, mas os adultos tomavam um cálice de aguardente de medronho ou de licor de citrinos ou de outros frutos.

Por volta das 9.30 horas havia uma mesa posta na cozinha, com muitas iguarias onde não faltavam os figos e todos os frutos secos possíveis, bolos de cortar às fatias e bolos secos que eram para oferecer aos mesmos pobres que todos os sábados iam a nossa casa buscar víveres (peixe seco, carne de porco salgada, chouriço, fruta, azeitonas e muito mais…)

Quando cheguei a Lisboa surpreendi-me com o que as minhas colegas contavam sobre o peditório do Pão por Deus. Muito mais tarde, deparei-me com essa tradição através dos trabalhadores do campo dos lados de Alfarim que se ocupavam de umas terras que o meu marido adorava. Foram eles que me disseram que me queriam dar o Pão por Deus. E lá viemos, carregados com frutas e bolos secos. Confesso que achei imensa graça.

Mais tarde, através de uma secretária que cresceu nos arredores de Sesimbra, tomei conhecimento de que nessa zona o Pão por Deus é um peditório realizado em grupos de crianças que em coro cantam esta cantilena: “ Esta casa cheira a broa/ Aqui mora gente boa/ Esta casa cheira a vinho/ Aqui mora algum santinho.

A seguir, a esse cântico, a dona da casa abria a porta e cada criança no seu saco, geralmente de pano, levava romãs, maçãs, bolachas, rebuçados, chocolates, castanhas, nozes e às vezes algumas moedinhas.

Segundo rezam as crónicas esta tradição chegou ao Brasil, através de açorianos que emigraram para terras de Vera Cruz. Como chegou até nós, desconhecemos.

Missa de Todos os Santos – a principal solenidade do Dia

A Missa era levada muito a sério porque era o único dia do ano dedicado a todos, sem excepção, de várias idades, de todas as condições sociais, de todos os países, que praticaram o bem que os levou à santidade e que em terra foram completamente desconhecidos.

Infelizmente, cada vez há menos gente com fé e a própria Igreja com tantas modernices tem contribuído para o afastamento que cada vez mais se acentua.

Apesar de tudo, ainda existem os que até só vão uma vez por ano à igreja e é precisamente no dia de Todos os Santos. Talvez, alguns se interroguem: quantos servidores de Deus estão nos túmulos e com eles está o segredo da sua santidade? Quantos homens honestos, quantas mulheres piedosas, cristãos, viveram em sociedades que os ignoraram e morreram no anonimato?

Quantos outros foram incensados e, passados uns anos, votados ao esquecimento?

O Dia de todos os Santos, dura 24 horas por ano, e assistir a uma Missa por sua intenção é o mínimo que podemos fazer pelos nossos antepassados que levaram uma vida de santidade.

(Abro um parêntesis para recordar alguns familiares, entre os quais destaco a minha avó, o meu tio e o meu marido. Ela, pelos valores que me transmitiu. O meu tio pela sabedoria que Deus lhe deu e com a qual curou batalhões de doentes. O meu marido, pelo que fez pela Humanidade com as suas comunicações em grandes Congressos internacionais, pela sua luta em benefício da saúde dos que tratou e curou e por ter sido pioneiro de um serviço de Medicina do Trabalho, onde a prevenção da doença foi a sua grande batalha. Faleceu cedo, muito cedo. A sua morte não foi citada em nenhum Telejornal e os jornais que escreveram fizeram-no por atenção para comigo. No entanto, foi Bolseiro da Gulbenkian, defendeu tese com 20 valores com o Prof. Doutor João Cid dos Santos. Foi um médico brilhante e eu tenho orgulho em ter sido a sua mulher. Enquanto estiver neste mundo, não lhe faltarão flores, nem as minhas lágrimas derramadas com um profundo desgosto. Nem as Missas e as minhas orações).

Esta Missa oferece aos padres e aos fiéis a ocasião de reparar, por uma solenidade comum, as nossas faltas para com todos os que estão junto do Pai, mas raramente invocados, pois alguns apenas são lembrados no dia do seu aniversário e da sua morte.

Neste dia em que a Igreja nos fala de um céu povoado de eleitos, reanimando a coragem cristã em cada um de nós, a ter fé e esperança na vida eterna, temos que nos unir e dar as mãos.

Do alto das suas moradas, os numerosos santos que habitam aquele espaço que designamos por céu, encorajam-nos a aspirarmos às delícias do paraíso celeste.

Coragem irmãos e, especialmente, fé em Cristo. A graça de Deus e a vossa força na terra, será a vossa coroa no céu!

 

Marionela Gusmão

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