Renzo Piano I A Arte de Projectar Edifícios

“A arquitectura é uma arte socialmente perigosa, porque é uma arte imposta. Podemos não ler um livro feio, não ouvir uma música com uma má composição; mas não podemos optar por não ver o edifício desagradável que temos mesmo em frente da nossa casa”

Renzo Piano

 

A aventura de Renzo Piano começou há mais de quarenta anos em Paris, com o projecto do Centro Georges Pompidou, um dos símbolos da capital francesa do século XX. Desde então, a sua carreira está repleta de concepções que conjugam o passado e o futuro: desde do museu de Houstononde está a colecção Menil, ao Nasher Centro de Escultura, em Dallas; do Terminal do Aeroporto de Kansai, em Osaka; do museu da Fundação Beyeler, na Basileia; ao centro cultural o Jean-Marie Tjibaou, Noumea, Nova Caledónia;  até ao Auditório de Roma.  

Quando a obra do Centro Georges Pompidou (Centre National d’Art et de Culture Georges Pompidou), em Paris,foi terminada em 1978, tornou-se logo a sensação da década. Já não se tratava de um edifício, mas sim de uma máquina, a “machine à émouvoir” preconizada por Le Corbusier. Só numa segunda análise se pode aperceber em que consiste a máquina: uma série de plataformas iluminadas artificialmente, um pavilhão multiusos de seis pisos. No interior, enormes espaços escuros servem como mero recipientes para as instalações que vão variando.

Piano, funcionalista engenhoso, aprofundou durante a sua carreira os seus conhecimentos sobre iluminação. Um dos exemplos dessa sua investigação, é a Colecção Menil (Menil Collection Museum), em Houston, inaugurada em 1986, onde a luz natural: luz zenital, vem de cima, do tecto. Para este efeito, Piano desenvolveu um elemento estrutural que determinou todo o museu: um tecto translúcido.

Para Renzo Piano, “A luz não possui apenas uma intensidade, mas também é a vibração que consegue encrespar um material liso e confere à tridimensionalidade uma superfície plana. A luz, a cor, a estrutura do material, são parte de uma paciente obra em curso que faz parte do meu ofício”.

Tendo em vista controlar o ambiente e consequentemente controlar a luz, Piano inventou coordenados de cobertura. 

Piano reflectiu, tomou medidas, experimentou tudo. Ele acredita na ideia do arquitecto como génio, em cujo cérebro e coração nasce a concepção divina. Tentativa e erro - Primeiro no papel, depois na maqueta, finalmente numa de escala de 1:1 - o método deste arquitecto prático, homem de ciência, Renzo Piano.

Quando Ernst Beyeler viu o Menil Collection Museum, em Houston, ficou convicto das capacidades de Piano, convidou-o então a projectaro museu da Fundação  Beyeler, em Basileia. 

“Calme, luxe et volupté” eram as exigências de Ernst Beyeler para o seu museu. A calma é evidente. Ela é conseguida a partir da concentração no interior e com a luz que incide de cima. O luxo é, no entanto, invisível. É a ausência de pormenores, a dissimulação do equipamento tecnológico, limitação das superfícies. Et la volupté? Ela é a união entre a colecção e o edifício. O prazer de admirar a arte num espaço sereno.

 

Exposição

No Outono de 2018, a Royal Academy of Arts, em Londres apresenta de 15 de Setembro de 2018 a 20 Janeiro de 2019, uma exposição do arquitecto de renome internacional. Esta mostra representa a primeira investigação abrangente sobre a carreira de Piano, a ser realizada em Londres desde 1989 e está  exposta no novo espaço do Museu Londrino, as Gabrielle Jungels-Winkler Galleries em Burlington Gardens, por ocasião do 250º aniversário do Royal Academy of Arts.

Renzo Piano (n.1937) é um dos principais arquitectos contemporâneo e os seus projectos enriqueceram cidades e espaços em todo o mundo. Desde o projecto do Centre Pompidou em Paris como um jovem arquitecto com Richard Rogers, até projectos como The Shard em Londres e o novo Museu Whitney de Arte Americana em Nova York, o trabalho de Piano continua a ser pioneiro na arquitectura que toca o espírito humano. Em 1981, o arquiteto fundou a “Renzo Piano Building Workshop (RPBW)”, localizada em Paris, Génova e Nova Iorque, a qual, com uma equipa de 150 funcionários, realizou mais de 100 projectos que incluem grandes edifícios culturais e institucionais, residências e escritórios, assim como planos urbanísticos para distritos urbanos.

Nascido numa família de construtores italianos, Piano dá grande importância à elaboração de estruturas elegantes que incorporam uma sensação de leveza. Projectando edifícios “peça por peça”, a prática do Piano faz uso hábil da forma, do material e da engenharia para obter uma elegância precisa e poética. Ele domina todo o processo, desde os sistemas estruturais até os componentes individuais dos edifícios, projectados para um óptimo desempenho técnico, além das qualidades estéticas e tácticas. Tal é a importância desses aspectos na arquitectura, que os “mock-ups” em grande escala das secções dos edifícios são criados durante o processo do projecto para testar como eles vão parecer e sentir, na composição como um todo, até aos pequenos detalhes técnicos.

O evento: Renzo Piano, A Arte de Projectar Edifícios oferece uma visão geral da prática do arquitecto por meio de dezasseis dos seus projectos mais emblemáticos, desde o início da sua carreira quando iniciou a experimentação dos sistemas estruturais inovadores, até aos edifícios emblemáticos dos dias actuais. Entre os destaques estão o Centre Pompidou, Paris (1971),o Centro Cultural Jean-Marie Tjibaou, Nouméa (1998), The New York Times Building (2007), The Shard, Londres (2012), Fundação Jérôme Seydoux Pathé, Paris (2014) e Whitney Museu de Arte Americana, Nova Iorque (2015). Ainda se pode admirar material de arquivo, modelos, fotografias e desenhos, que destacam o processo por trás da concepção e realização dos edifícios mais conhecidos de Piano. Por exemplo, na exposição está em destaque um dos modelos originais realizados durante o processo de design para a Menil Collection em Houston (1986), mostrando como Piano e a sua equipa exploraram, rigorosamente, formas criativas de introduzir luz natural nas galerias, criando espaços que seriam ideais para admirar arte. Outros destaques incluem as varetas de cerâmica branca do The New York Times Building, produzidas para testar a sua escala, superfície e reflectividade, assim como os desenhos originais de competição do Centro Cultural Jean-Marie Tjibaou em Noumea, os quais impressionaram o júri.

Na exposição, há uma galeria dedicada ao próprio arquitecto através de trinta e duas fotografias de Gianni Berengo Gardin e um filme especialmente encomendado por Thomas Riedelsheimer destacando as sensibilidades pessoais e a atitude de Piano em relação à arquitectura. A peça central deste espaço é uma instalação escultural projectada pela RPBW especialmente para a exposição, reunindo 100 dos projectos de Piano numa ilha imaginária.

A mostra apresenta uma visão excepcional do trabalho de Renzo, as aspirações e as conquistas de um homem que acredita apaixonadamente nas possibilidades da arquitectura. O evento irá provar que, longe de ser uma forma de arte directa, a arquitectura é uma profissão complexa que reúne responsabilidades sociais, políticas e financeiras.

Acerca deste acontecimento Renzo Piano comentou: “É uma honra trabalhar com a Royal Academy na exposição de arquitectura inaugural das galerias Gabrielle Jungels-Winkler. Esta mostra tem como objectivo mostrar como criar edifícios é um gesto cívico e uma responsabilidade social. Eu acredito apaixonadamente que a arquitectura é como criar um lugar para as pessoas se unirem e compartilharem valores ”.

 

Renzo Piano

Renzo Piano nasceu em Genova em 1937 no seio de uma família de construtores. Enquanto estudava no Politécnico da Universidade de Milão, trabalhou no escritório de Franco Albini. Em 1970, montou o escritório da Piano & Rogers em Londres, juntamente com Richard Rogers RA, com o qual venceu o concurso para o Centre Pompidou. Posteriormente mudou-se para Paris.

Do final da década de 1970 até a década de 1990, trabalhou com o engenheiro Peter Rice, dividindo o Atelier Piano & Rice de 1977 a 1981. Em 1981, foi criado o Renzo Piano Building Workshop, agora com 150 funcionários divididos entre escritórios em Paris e Genova.

Em 1984 foi-lhe atribuído o  Prémio Pritzker da Arquitectura, que corresponde ao galardão máximo dado à Arquitectura Contemporânea e muitas vezes apontado, como o “Nobel da Arquitectura”. Este prémio surgiu em 1979, através da família Pritzker de Chicago, donos da cadeia de Hotéis Kyatt, para homenagear oarquitecto com maior criatividade durante esse ano e ao mesmo tempo premiar  o projecto, que  tivesse contribuído de uma forma significativa para a comunidade onde essa obra estava inserida. 

Em 2004 criou a Fundação Renzo Piano, uma organização sem fins lucrativos dedicada à promoção da profissão de arquitectos através de programas e actividades educacionais. A nova sede foi estabelecida em Punta Nave (Genova), em Junho de 2008. Em Setembro de 2013, Renzo Piano foi nomeado senador vitalício pelo presidente italiano Giorgio Napolitano e em Maio de 2014 recebeu o título de honorário da Universidade de Columbia.

Organização Renzo Piano: A Arte de Criar Edifícios na Royal Academy of Arts foi curada conjuntamente por Kate Goodwin, directora da arquitectura e Drue Heinz curadora, da Royal Academy of Arts, e Renzo Piano Building Workshop. A exposição foi projectada por Renzo Piano Building Workshop.

Renzo Piano tem sido aplaudido internacionalmente, através dos seus projectos extremamente inovadores, como por exemplo: a Colecção Menil (Menil Collection Museum), em Houston, a Fundação Beyeler (Beyeler Foundation Museum), na Basileia; o Nasher Centro de Escultura (Nasher Sculpture Center), em Dallas e a reconstrução do Potsdamer Platz, em Berlim, entre outros. 

Renzo Piano foi seleccionado em 1998 pelos administradores do Isabella Stewart Gardner Museum para projectar a extensão do museu, composta por quatro novos edifícios. 

Para além do projecto de Boston, Piano está a realizar novos trabalhos para o High Museum of Art, em Atlanta, o Pierpont Morgan Library, em Nova Iorque, o Art Institute of Chicago, o California Academy of Sciences, em San Francisco e o Whitney Museum of American Art, em Nova Iorque. 

A empresa “Renzo Piano Building Workshop”, foi também seleccionada para riscar o novo edifício para o “New York Times”, o campus para a Universidade de Columbia de Nova Iorque, a “London Bridge Tower” e ainda o projecto Braço de Prata (recuperação urbana da degradada zona lisboeta de Braço de Prata -1999), em Lisboa. A ideia subjacente ao projecto de Piano para o bairro ocidental de Lisboa foi associar uma mistura de funções habitacionais, comerciais e de escritório. “Desta forma, devolve-se qualidade a uma zona condenada a ser periférica nas últimas décadas”, afirmou Renzo Piano.

Estes projectos salientam métodos inovadores de construção, uso de novos e revolucionários materiais, atenção em relação à luz e à iluminação natural dos edifícios e ainda sensibilidade para os problemas ecológicos e de ambiente para cada local proposto. 

Piano estabeleceu a luz e a tecnologia como um ponto de partida para os seus projectos. Incentivou as suas pesquisas para criar um carácter arquitectónico baseado em formas tecnológicas com uma preocupação constante pelo conforto e funcionalidade. 

Revela-se em Renzo Pianouma busca constante de uma maior clareza sobre as suas experiências na luz e no espaço, criou estruturas arquitectónica que são pessoais, audazes e originais.

Bravo Signore Renzo Piano.

 

Theresa Bêco de Lobo

FESTIVOS

Dia da Mãe

Natal

Páscoa

Dia do Pai

Santo António

ARTE

Exposições

Museus

Colecções

História

Notícias

MODA

Alta Costura

Prêt a Porter

Tendências

Acessórios

Notícias

BELEZA

Perfumes

Tratamento

Novidades

Looks

Cabelos

NOTÍCIAS

Perfumes

Tratamento

Novidades

Looks

Cabelos

  • Instagram ícone social
  • Twitter Social Icon
  • Facebook Social Icon
  • YouTube Social  Icon
  • Pinterest Social Icon