Rendas I Estatuto de requinte

Desde que há séculos e séculos que as rendilheiras de Bruges, de Malines, de Alençon, de Bruxelas, da Irlanda, de Veneza, entre outras mulheres de pescadores de mãos morenas, queimadas pelo Sol, se entregaram à arte de criar complicados pontos de agulha sobre tule, pois as rendas têm de geração em geração, resistido como se um sopro divino lhe tivesse atribuído uma vida eterna.

Desconhecemos que dedos finos de mulher, dotada da maior fantasia, criou as primeiras rendas.

Há quem já tenha escrito que teriam nascido, inspiradas nas redes dos pescadores do Adriático, nas espumas ou nas nuvens brancas desse mar azul, nas fachadas rendilhadas dos palácios adormecidos sobre Veneza, mas ao certo ninguém sabe.

Há uma verdade que assenta numa velha frase que diz: “onde há redes, há rendas”.

E, no nosso litoral, temos os exemplos das rendeiras de Vila do Conde, de Peniche, de Setúbal, da costa algarvia. Decerto, não tão finas como as rendas de Veneza, mas com uma criatividade ímpar em cada desenho, em cada ponto executado com bilros.

Há duas variedades de rendas: as de agulha e as de bilros. Em Portugal, não conhecemos nenhuma renda de agulha, porque as que acima referimos são todas executadas com bilros de madeira, porque as donzelas das famílias endinheiradas usavam bilros de marfim, muitos deles vindos da China ou da Índia.

Italianos e flamengos reivindicam os direitos de inventores das rendas.

Segundo Antonio Merli, num documento da família Sforza, datado de 1493, lê-se repetidas vezes a palavra “farnète”, bem como renda de bilros. Esse documento e uma conta conservada nos arquivos municipais de Ferrara, datado de 1469, que também trata de rendas, leva-nos a concluir que a sua origem é mesmo italiana.

Neste momento não vamos escrever um artigo sobre a História das Rendas, já que apenas afloramos este tema porque os modelos que escolhemos para animar as festas do Verão 2017 se socorreram das rendas para deslumbrar.

Obviamente, que as rendas que propomos não são manuais, porque isso seria impossível dado o elevado custo. As rendas da moda actual são todas mecânicas e até já começaram a surgir rendas por processos em que os materiais são tudo menos algodão ou seda.

As rendas de Bruxelas, que bem conhecemos, guarneceram o vestido de noiva de uma prima da Imperatriz Eugénia a quem ela mais tarde ofereceu a outra familiar. A renda de Chantilly que serviu de xaile a uma nossa antepassada, sonha adormecida numa gaveta.

Totalmente mecânicas, as rendas que foram usadas para executar os modelos que apresentamos, estão aqui nesta revista como mensageiras de arte, requinte e graça feminina, desafiando o tempo, e socorrendo-se das intervenções modernas para sublinhar o seu estatuto de requinte.

 

Marionela Gusmão

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