Quioto Capital da Imaginação Artística

O Metropolitan Museum of Art de Nova Iorque apresenta, até 22 de Janeiro de 2020, uma exposição notável, onde se destaca a herança cultural de Quioto, Japão, através de obras de Artes Decorativas entre as quais objectos de laca, cerâmica e tecidos, criadas a partir do século VIII até à actualidade.

 

A mostra intitulada: “Quioto, Capital da Imaginação Artística”, comissariada por Monika Bincsik, apresenta mais de mil anos de um período dinâmico e culturalmente fértil do país do Sol Nascente.

 

Na mostra, estão patentes 200 objectos, quase todos da colecção do Museu de Nova Iorque, salientado como as artes decorativas criadas em Quioto, Japão, revelam, de uma maneira notável, as mudanças nas estruturas sociais, políticas e religiosas da cidade que influenciaram a sua produção artística.

 

As artes decorativas, tais como porcelanas, jóias, trabalhos em metal, têxteis, pinturas e acessórios, proporcionam ao público, uma imagem fascinante da vida dos vários imperadores de Quioto, que reinaram durante séculos. 

Quioto

Quioto (Kyoto) é uma cidade do Japão na província homónima no centro sul do país. Fundada no século I, foi a capital do Japão Imperial, sendo substituída por Tóquio em 1868.

Com uma população estimada em quase 1,5 milhão de pessoas (censo de 2010), Quioto forma, juntamente, com as cidades de Osaka e Kobe, uma região metropolitana conhecida como Keihanshin, a qual abriga mais de 18,6 milhões de pessoas, figurando como a segunda mais populosa região metropolitana do país, atrás apenas de Tóquio. Foi em tempos conhecida no Ocidente por Meaco (Miyako), que significa, literalmente, "capital", daí que Quioto ainda seja ocasionalmente apelidada de "Velha Capital" e, também, "Cidade dos Samurais.

Apesar dos vestígios arqueológicos sugerirem a presença humana em Quioto no período paleolítico, pouco se sabe sobre a actividade humana na região antes do século VI, época em que se acredita que o Santuário de Shimogamo tenha sido construído.

 

Durante o século VIII, quando o poderoso clero Budista se tornou envolvido nos assuntos do governo Imperial, o Imperador Kanmu decidiu transferir a capital para um lugar distante da organização clerical, em Nara. A sua escolha final foi a Vila de Uda, no Distrito de Kadono, Província de Yamashiro.

 

A nova cidade, Heian-kyō (“cidade da paz e tranquilidade"), uma réplica menor da capital Tang Changan, tornou-se em 794, o lugar da corte imperial do Japão , iniciando o Período Heian da História Japonesa. Apesar dos governantes militares terem estabelecido os seus governos tanto em Quioto (Xogunato Muromachi) ou em outras cidades como Kamakura (Xogunato Kamakura) e Edo (Xogunato Tokugawa), Quioto permaneceu sendo a capital do Japão até à transferência da corte imperial para Tóquio no século XIX na época da Restauração Meiji.

 

A cidade sofreu uma destruição extensiva na Guerra de Ōnin entre 1467/1477, e não se recuperou totalmente até meados do século XVI. Durante a Guerra de Ōnin, o shugo entrou em colapso, e o poder foi dividido entre as famílias militares. Batalhas entre facções samurais encheram as ruas, e a aristocracia (kuge) e as facções religiosas acabaram envolvidas. As mansões dos nobres foram transformadas em fortalezas. Profundas trincheiras foram cavadas pela cidade para defesa contra pessoas e fogo, já que inúmeros edifícios tinham sido incendiados.

 

No final do século XVI, Toyotomi Hideyoshi reconstruiu a cidade criando novas ruas para dobrar o número de caminhos norte-sul no centro de Quioto, usando blocos retangulares ao contrário dos antigos blocos quadrados. Hideyoshi construiu muralhas chamadas odoi,  à volta da cidade. A rua Teramachiin na área central era um quarteirão dos templos Budistas onde Hideyoshi juntou os templos da cidade. Durante o Período Edo, a economia de Quioto floresceu como uma das três maiores cidades do Japão, sendo as outras Osaka e Edo.

Quioto as suas Lendas e Histórias

A cidade de Quioto, localizada na ilha de Honshu, já existia desde a idade Média, intitulada cidade sagrada, assim reza a lenda. Dizem que foi a região escolhida pelos Deuses para o império japonês se desenvolver. Segundo a lenda, Quioto era protegida pelo dragão azul, o tigre branco, a tartaruga preta, e o pardal vermelho. Estes protegiam o norte, sul, leste e oeste de Quioto, garantindo a protecção divina. Desta forma foi cultivado o nacionalismo japonês, e o povo até à actualidade, tem seguido essa crença dando origem a uma cidade fantástica, toda encantada pelos templos milenares, ou seja, uma das cidades mais importantes do Japão, pois foi a capital até 1868.

 

Quioto, conhecida como um foco religioso, graças ao seu esplendor arquitectónico, tem os seus encantos mágicos, encontrando-se aqui a Residência Imperial, com a sala de coroação. De registar que este Palácio foi restaurado várias vezes por ter sofrido numerosos incêndios sendo que o último restauro foi efectuado em 1855. Resta acrescentar que a cidade de Quioto foi a capital imperial do Japão durante mais de 1.000 anos, sendo de salientar que o seu fundador foi o Imperador Kammu, ocupando até actualidade a posição de centro cultural artístico da nação. Na bela cidade de Quioto encontram-se mais de 1.600 templos budistas e 270 santuários com seus os lendários jardins e ainda o Pavilhão Dourado reflectido num maravilhoso lago. Esta é a cidade que mais fascinou a directora da revista Moda & Moda, uma fã de Wenceslau de Moraes e do Japão.

Exposição

A mostra apresenta objectos, quase todos da colecção do Metropolitan Museum of Art, do início da história cultural de Quioto, onde se destaca como as mudanças políticas e transições na estrutura social da cidade influenciaram a sua arte. A rica herança cultural de Quioto foi profundamente moldada pela presença do imperador e dos aristocratas, assim como por guerreiros de alto nível, grupos variados de artistas e escritores trabalhando na órbita do palácio.

 

Entre as entre as obras em exibição destacam-se: uma armadura medieval que se acredita ter sido doada a um templo por Ashikaga Takauji (1305-1358), fundador do xogunato Ashikaga; um conjunto de cinco taças em forma de camélia em cores vivas da oficina do célebre oleiro e pintor Ogata Kenzan (1663–1743); e um raro quimono de cetim pintado à mão do século XVIII por Gion Nankai (1677–1751), usado por um actor principal que interpretava um senhor da guerra, um deus, um demónio ou um papel semelhante.

Em 794, Heian-kyō, actual Quioto tornou-se a sede da corte imperial, e permaneceu como a capital do Japão até 1868, quando a corte foi transferida para Tóquio, como acima já referimos.

 

No período Heian (794–1185) a cultura da corte floresceu, levando as artes decorativas a novos desenvolvimentos, mas em 1185 foi formado um novo governo militar, marcando a ascensão da classe samurai.

 

Na exposição, essa transição política é apresentada através da tela dobrável do início do século XVII, como As Rebeliões das Eras de Hōgen e Heiji. Durante o período Muromachi (1338–1573), os shoguns Ashikaga alimentaram a formação da cultura do chá, o teatro Noh, o ikebana e a pintura a tinta, estabelecendo a cultura Higashiyama.

 

Uma das obras-primas, que representa esta época é um par de telas dobráveis ​​de Sami (1525), que serviu como consultor artístico dos shoguns de Ashikaga.

 

O período Momoyama (de 1573 a 1615) costuma ser chamado: Era de Ouro do Japão, evocando um estilo sumptuoso e dinâmico, com ouro aplicado à arquitectura, aos móveis de laca, biombos e têxteis.

 

A revitalização da cidade, após anos de guerra, criou um ambiente florescente para todos os tipos de formas de arte e, além do contínuo comércio com a China e a Coreia, a chegada de mercadores portugueses e holandeses e missionários católicos, trouxe novas tecnologias e bens ao Japão.

 

A exposição incluiu peças requintadas e lacas de luxo feitas para o mercado doméstico, como um grande cofre de laca Nanbam criado para o mercado europeu, e um impressionante casaco de batalha (jinbaori) projectado para um samurai de alta patente com materiais de importação europeia. A mostra também destaca a prática do chá (chanoyu) apresentando utensílios preciosos de chá e caligrafias.

 

Após o estabelecimento do xogunato Tokugawa em 1603 em Edo (actual Tóquio), o papel de Quioto concentrou-se em actividades cerimoniais e culturais. O novo regime político teve um efeito profundo em todas as formas de arte e no estilo de vida urbana de Quioto.

A renovação e o estímulo das redes artísticas de Quioto serviram para demonstrar o lugar da cidade como capital cultural. O crescente poder económico da classe comerciante contribuiu para que surgisse um vasto público atraído para as artes, além da base tradicional da nobreza e das elites militares. Quioto destacou-se na produção de lacas e certos tipos de cerâmica vidrada com uma decoração colorida (Mercadorias de Quioto) e esta cidade transformou-se ainda num centro importante de produção têxtil. Na exposição, cerâmicas e lacas em estilo Rinpa, roupagem requintada Noh e quimonos ricamente adornados estão expostos ao lado dos pergaminhos pendurados e telas dobráveis ​​representando Quioto e os seus cidadãos do século XVII ao XVIII.

 

Um dos ceramistas mais talentosos do final do período Edo foi Nin’ami Dōhachi (1783–1855), tem patente nesta exposição uma sua tigela, excepcionalmente grande, embelezada com flores de cerejeira e folhas de ácer.

 

Nas últimas décadas do período Edo, quiçá com a intenção de criar novos estilos, surgiu um interesse renovado pelas tradições culturais e literárias da época Heian.

 

Em 1869, quando a residência permanente do imperador foi transferida para Tóquio, que se tornou a nova capital do Japão, o papel cultural e economicista de Quioto teve que ser reinventado.

A exposição também destaca o entusiasmo dos coleccionadores americanos em estudar o complexo legado artístico de Quioto, tornando-se numa lição para todos os visitantes.

As artes de Quioto tornaram-se portadoras de continuidade e autenticidade cultural, e a cidade é vista hoje como um repositório nacional de uma infinidade de formas de arte, incluindo chá, teatro Noh, várias escolas de pintura e artes decorativas.

 

Theresa Bêco de Lobo

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