Carnaval 2017 I Viva a Folia!

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Entre festas superdivertidas, sem grandes atavios e outras a rigor, o Carnaval marca presença todos os anos.

Símbolo de alegria e exaltação popular, o Carnaval, cuja palavra significa “carne vale”, é uma festa pagã, interligada com o calendário religioso, que antecede a Quaresma e permite a ingestão de carne gorda até ao dia de Entrudo, também conhecido por Terça-Feira Gorda.  Quer isto dizer que à luz dos nossos dias, em que as recomendações dos dietistas têm vindo a proibir os excessos alimentares, o Carnaval permite, alegremente, que os glutões ultrapassem as fronteiras, vangloriando-se de que “festa é festa”. O pior é a Quarta-Feira de Cinzas. Mas, para os católicos, durante a Quaresma diminuem-se os consumos das carnes e outras iguarias doces exageradas.

Comédia colectiva onde há lugar, sem censura, para manifestarmos os nossos inconformismos, de várias ordens, principalmente contra certa classe política, o Carnaval não tem entre nós a apoteose que há no mar humano, ritmado, colorido e sensual do Brasil, mas vai teimando em sobreviver.

Bem longe do frenesim brasileiro, da delicadeza dos trajes e máscaras do Carnaval veneziano ou da beleza das batalhas de flores de Nice, esse local mágico que nos deixou feridas profundas pelo massacre ali ocorrido por organizações que não sabem que a nossa passagem terrena é efémera para todos.

O Carnaval português cumpre o ciclo que explode todos os anos, entre festa e cultura, contribuindo para este fenómeno sadio que é vestir um fato, como estes que lhes propomos, possibilitando ser a rainha da festa, ou umas bem-humoradas trapalhadas, de acordo com a vossa criatividade, sempre com a mesmíssima alegria, sem preconceitos, respeitando a velha máxima que nos ensina: “a vida são dois dias e o Carnaval são três”!

Vamos gozar o Carnaval 2017? Vamooooooooooooooooooos!

Luz, muita luz, serpentinas e “confettis” de papel colorido, tombando sobre nós, enlaçando os pares que dançam ao som do samba… No Carnaval não é tempo de tango. Quanto a “tangas”, levamos com elas os 365 dias do ano. É só ler os jornais credíveis e ver as televisões e certos programas.

No Carnaval há uma amálgama de trajes variados que transformam as sociedades recreativas, os casinos, os salões dos hotéis e as discotecas, em centros cosmopolitas de alegria empolgante.

O Carnaval, de passado venturoso e grosseiro, mas muito folião, que pontificou por uma certa índole maquiavélica de brincadeiras de mau gosto, que atacava de rosto coberto, saciando muitas vezes represálias, transformou-se numa evocação de épocas distantes, de episódios históricos e em bailes elegantes. Estes últimos, são os nossos preferidos.

Satírico nas cenas alegóricas das Batalhas de Flores, espirituoso nos participantes cada vez mais despidos (quase como no tempo de Adão e Eva), o Carnaval coloca à nossa frente quatro dias de festa que permitem muitas caprichos e “fantasias à vara larga”, demasiado politizados. Quatro dias que requerem um guarda-roupa segundo o espírito de humor de cada um de nós, o gosto e a disponibilidade económica. Um guarda-roupa que pode ser inspirado nos modelos que apresentamos. Quatro dias que são um bom pretexto, para o riso, a dança, a beleza e a elegância.

 

Marionela Gusmão

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