Paris nos Dias do Pós-Impressionismo I Signac e os Independentes

1.

Café, 1892. Maximilien Luce (1858-1941). Óleo sobre tela. Colecção privada. Cortesia Montreal Museum of Fine Arts.

2.

O Sambre, Marchiennes, 1899. Maximilien Luce (1858-1941). Óleo sobre tela. Colecção privada. Cortesia Montreal Museum of Fine Arts.

3.

As Corridas em Longchamp (tríptico), à Esquerda: Série de Cavalos antes da Corrida, Centro: Treinadores na Relva, à Direita: Fim da Corrida, 1897. Pierre Bonnard (1867-1947). Óleo sobre cartão. Colecção privada. Cortesia Montreal Museum of Fine Arts

4.

Os Faróis em Saint-Briac, Opus 210, 1890. Paul Signac (1863-1935). Óleo sobre tela. Colecção privada. Cortesia Montreal Museum of Fine Arts.

5.

Rosas, 1905, Wassily Kandinsky (1866-1944). Guache sobre cartão. Colecção privada. Cortesia Montreal Museum of Fine Arts

6.

Baía de Saint-Jean-de-Luz (Costa de Sainte-Barbe), cerca de 1904. Georges Lacombe (1868-1916). Óleo sobre tela. Colecção privada. Cortesia Montreal Museum of Fine Arts

7.

A Árvore Florida, 1893. Achille Laugé (1861-1944). Óleo sobre tela. Colecção privada. Cortesia Montreal Museum of Fine Arts

8.

O Delafolie Brickyard em Éragny, 1886. Camille Pissarro (1830-1903). Óleo sobre tela. Colecção privada. Cortesia Montreal Museum of Fine Arts

9.

Aranha ou Aranha Sorridente (Araignée ou Araignée Souriante), 1887. Odilon Redon (1840-1916). Litografia. Colecção privada. Cortesia Montreal Museum of Fine Arts

10.

Pegasus, (cerca 1895-1900). Odilon Redon (1840-1916). Pastel sobre papel. Colecção privada. Cortesia Montreal Museum of Fine Arts

11.

Proa do Barco, Opus 176 (Avant du Tub, Opus 176), 1888. Paul Signac (1863-1935), Óleo sobre tela. Colecção privada. Cortesia Montreal Museum of Fine Arts

12.

“Saint Tropez. Fontaine des Lices”, 1895. Paul Signac (1863-1935), Óleo sobre tela. Colecção privada. Cortesia Montreal Museum of Fine Arts

13.

Fim da Sessão, 1910. Lyonel Feininger (1871-1956). Óleo sobre tela. Créditos da imagem: © The Lyonel Feininger Family LLC (SOCAN) 2020. Colecção privada. Cortesia Montreal Museum of Fine Arts

14.

O Moinho de Kalf em Knokke ou o Moinho de vento na Flandres, 1894. Theo Van Rysselberghe (1862-1926). Óleo sobre tela. Colecção privada. Cortesia Montreal Museum of Fine Arts

15.

Jovem com Gato, 1892. Berthe Morisot, (1841-1895). Óleo sobre tela. Colecção privada. Cortesia Montreal Museum of Fine Arts

16.

Élisabeth Van Rysselberghe com um Chapéu de Palha, 1901. Theo Van Rysselberghe (1862-1926), Óleo sobre tela. Colecção privada Cortesia Montreal Museum of Fine Arts

17.

Fim de Tarde em Juan-les-Pins. (primeira versão), 1914. Paul Signac (1863-1935). Óleo sobre tela. Fotografia: Maurice Aeschimann, Genebra. Colecção privada. Cortesia Montreal Museum of Fine Arts

18.

Rua (Cartaz) (La Rue), 1896. Théophile Alexandre Steinlen (1859-1923). Litografia colorida. Colecção privada. Cortesia Montreal Museum of Fine Arts

19.

Paul Signac no Iate (Paul Signac en Iate), 1896. Theo Van Rysselberghe (1862-1926). Óleo sobre tela. Colecção privada. Cortesia Montreal Museum of Fine Arts

20.

A Cozinheira (La Cuisinière), 1893. Maurice Denis (1870-1943). Óleo sobre tela. Colecção privada. Cortesia Montreal Museum of Fine Arts

21.

Siderurgia, 1899. Maximilien Luce (1858-1941). Óleo sobre tela. Colecção privada. Cortesia Montreal Museum of Fine Arts

22.

Princesas no Terraço, 1894. Paul-Élie Ranson (1861-1909). Pintura encáustica sobre tela. Colecção privada. Cortesia Montreal Museum of Fine Arts

23.

O Pardal, (cerca 1865/ 1870). Eva Gonzalès (1849-1883). Pastel sobre papel. Colecção privada. Cortesia Montreal Museum of Fine Arts

24.

Cena de Praia, (cerca 1890/1893). Léon Pourtau (1872-1898). Óleo sobre tela. Colecção privada. Cortesia Montreal Museum of Fine Arts

25.

Mulheres Nuas num Interior, (Femmes Nues dans un Intérieur) (cerca 1897). Félix Vallotton (1865-1925). Tempera e pastel sobre tela. Colecção privada. Cortesia Montreal Museum of Fine Arts

O Montreal Museum of Fine Arts, (MMFA) convida o público a uma viagem à efervescência artística da França no início do século XX, com a sua exposição “Paris nos Dias do Pós-Impressionismo: Signac e os Independentes”.

Através de mais de 500 obras de uma colecção particular, incluindo o maior conjunto de obras de Paul Signac, a mostra apresenta um magnífico conjunto de pinturas e obras gráficas de Signac e artistas de vanguarda: Impressionistas (Degas, Monet, Morisot, Pissarro), Fauves (Dufy, Friesz, Marquet, Vlaminck), Simbolistas (Gauguin, Redon), Nabis (Bonnard, Denis, Lacombe, Sérusier, Ranson, Vallotton), observadores da vida em Paris (Anquetin, Ibels, Steinlen, Toulouse-Lautrec), Cubistas (Picasso, Braque), Expressionistas (Feininger, Heckel) e, acima de tudo, os Neoimpressionistas (Angrand, Cross, Hayet, Lemmen, Luce, Seurat, Van Rysselberghe).

Os visitantes podem penetrar nas questões sociais e pictóricas da época, especialmente o que levou um grupo de artistas liderados por Signac a criar o Salon des Indépendants, em 1884, que promoveu o ideal democrático de uma exposição "sem júri, nem prémio". A Arte dos intervenientes devia ser acessível a todos e contribuir para o bem comum. Desde a sua inauguração, em 1884, até à Primeira Guerra Mundial, o Salon des Indépendants serviu de plataforma para os principais desenvolvimentos histórico-artísticos da época, incluindo: Impressionismo, movimento Nabis, Simbolismo, Fauvismo e Cubismo. A exposição situa os Independentes no contexto social, cultural e político de Paris durante a “Belle Époque”.

 

Paul Signac e o Salon des Indépendants, 1884/1914

O Salon des Indépendants foi formado em Paris em 29 de Julho de 1884. A associação começou com a organização de exposições em Paris, com a escolha do slogan "sem júri, nem recompensa (" sans Júri ni Récompense "). Albert Dubois-Pillet , Odilon Redon , Georges Seurat e Paul Signac estavam entre os seus fundadores. Nas três décadas seguintes as suas exposições anuais definiam as tendências da arte do início do século XX, juntamente com o Salon d'Automne. Este foi o lugar onde as obras foram muitas vezes exibidas pela primeira vez e amplamente discutidas.

 

A Primeira Guerra Mundial trouxe o encerramento do salão, apesar  dos Artistes Indépendants permaneceram activos. Desde 1920, que a sede estava localizada nos edifícios do Grand Palais (ao lado do Société des Artistes Français, da Société Nationale des Beaux-Arts, da Société du Salon d'Automne, entre outros).

Em 1900, em Paris, surgiu uma revolução, que já existia na “Belle Époque”, a "Arte para todos!" artistas declarados que expuseram no Salon des Independentes sob o lema "nem júri, nem prémio". 

O co-fundador do Salon des Indépendants, Paul Signac (1863-1935), celebrizou-se como teórico dos "cientistas pós-impressionistas". Signac foi inspirado pelas teorias cromáticas de Charles Henry, Ogden Rood e Michel-Eugène Chevreul, em aplicar cores puras à tela em pontos bem colocados, de modo que o forma emergiria da mistura óptica ao olhar do espectador. Com a sua técnica "divisionista", Signac procurou criar uma arte total, algures entre o paraíso perdido da idade de ouro e a utopia social. Signac defendeu a pintura positivista, a mesma que promoveu a modernidade técnica e política. O novo estilo pontilhista dos seus pares “Neo” espalhou-se rapidamente de Paris a Bruxelas. 

Segundo os textos de críticos, como Fénéon, Signac posicionou-se como um intelectual ligado à era do caso Dreyfus: "Justiça na sociologia e harmonia na arte." Essas palavras proferidas por Signac resumiam a visão que ele aplicou a ambos, à política e à arte e revelava a sua busca por justiça social e harmonia.

 

Na mostra podem-se admirar cerca de 80 criações de Signac, que podem esclarecer sobre o conceito do artista em busca da harmonia social e cromática, assim como em outros movimentos, que surgiram na era turbulenta, incluindo Simbolismo, Nabismo, Fauvismo e Cubismo. 

A exposição “Paris nos Dias do Pós-Impressionismo: Signac e os Independentes” é a primeira mostra mais significativa dedicada ao Pós-impressionismo, exposta no Canada.  Este evento, agora patente Montreal Museum of Fine Arts, será uma oportunidade única de ver esses trabalhos juntos, muitos dos quais nunca foram exibidos antes.

Nathalie Bondil, directora geral e curadora chefe do MMFA, disse: “Mais do que uma montra do “Salon des Indépendants”, esta exposição celebra o espírito de independência: a liberdade criativa dos artistas, a experimentação de técnicas, a audácia de caricaturas, o desejo de emancipação das mulheres, a revolta popular em tempos de anarquia, arte exibida em todos os lugares nas ruas para todos, praias banhadas pela luz do sol e imaginação sem restrições. Este acontecimento exclusivo de Montreal reúne uma magnífica obra de pinturas de vanguarda e obras gráficas da “Belle Époque”. Estamos muito gratos ao nosso amigo e coleccionador de arte, que apresenta a sua excepcional colecção numa maior exibição de sempre.” Nathalie Bondil, ainda acrescentou o seguinte: “A minha amizade com este coleccionador exemplar e generoso surgiu através das nossas exposições em conjunto, desde Maurice Denis em 2007 até Lyonel Feininger em 2012, Chagall em 2017, Toulouse-Lautrec em 2016 e, finalmente, esta nova exposição.”

Comentando o trabalho que levou à produção do evento, a curadora Mary-Dailey Desmarais disse: “Foi um enorme prazer trabalhar com essa colecção verdadeiramente excepcional. Juntamente com as excelentes equipas do Montreal Museum of Fine Arts e os co-curadores da exposição, Gilles Genty e a directora geral e curadora-chefe Nathalie Bondil, espero que o público que visitar a mostra adquira um melhor conhecimento sobre liberdade artística, "independência" e o poder da arte em criar mudanças sociais ".

“Algumas exposições simplesmente ilustram uma época, esta convida os visitantes a perceber a estética extraordinária do final século XIX. Para mim, foi um grande privilégio fazer parte dessa aventura”, apontou Gilles Genty, curador convidado.

Além das 500 obras da colecção particular, foram cedidas duas pinturas raras ao Museu, através dos arquivos dos descendentes de Paul Signac. Um deles é o retrato: “Paul Signac no Iate” (1896) de Theo Van Rysselberghe (1862-1926), e o outro é um esboço: “No Tempo da Harmonia” (1893), de Paul Signac, que permitirá ao público aprender mais sobre a sua obra-prima. 

Publicação académica

A exposição é complementada por um catálogo de 384 páginas, com mais de 550 ilustrações e publicado em francês e inglês pelo Departamento de Publicação do Montreal Museum of Fine Arts em colaboração com Éditions Hazan, Paris. Editado por Gilles Genty e Mary-Dailey Desmarais, apresenta descobertas de investigações e ensaios académicos de especialistas em pós-impressionismo.

Pós-Impressionismo

O Pós-Impressionismo é considerado um período histórico para a arte, no final do século XIX e início do Século XX, movimento artístico que marcou uma transição entre o Impressionismo e os movimentos de vanguarda como o Cubismo e o Expressionismo. Algumas características apareceram, ainda, de forma marcante, mas surgiram mudanças na produção artística. Evidencia-se a expressão dos sentimentos mais profundos como o medo, a miséria humana e o ciúme. Os temas passam a ser da vida quotidiana, com a maior referência a pessoas do que a natureza. As pinceladas rápidas e o uso das cores vivas apresentam um aspecto diferenciado que contribuem para uma maior subjectividade das obras.

Em 1910, o crítico de arte inglês Roger Fry, valendo-se da importância dada aos artistas franceses das últimas décadas do século XIX, nomeou a exposição que organizou na Grafton Galleries de Londres de “Manet e os Pós-impressionistas”. Após essa extraordinária jogada de publicidade, o termo alcançou tal importância, que  foi logo empregado por “marchands” e, até, pelos museus franceses. Os artistas do  denominado, Pós-impressionismo têm como característica um distanciamento da realidade, que já não servia de referência, e uma busca pelo subjetivo, pelos “mundos interiores” do pintor. O desenho e a forma decompõem-se, a luz, elemento tão importante no impressionismo, cedeu lugar à cor e o intenso e rígido estudo do artista, rendendo-se à expressão individual do mesmo.

Os artistas da exposição, embora reunidos como pós-impressionistas, possuem muitas diferenças estilísticas. Cada um teve a sua própria trajectória e procurou soluções distintas para os problemas da sua geração. A vanguarda do movimento revelou-se segmentada, actuante numa época de confrontos e com pouca “interacção” entre os seus integrantes. O fio condutor da exposição é a expressão pessoal do artista através da cor, promovendo uma busca pela abstração ao perceber que a cor exprime algo por si só. Através das suas experiências particulares, os artistas instituíram uma nova forma de entender o mundo, tendo a cor no papel principal.

“A cor pura. Por ela, devemos sacrificar tudo. A cor, tal como é, é enigmática nas sensações que desperta em nós. Portanto, também deve ser usada de maneira enigmática, quando a aplicamos, não para desenhar, mas sim pelos efeitos musicais que emanam dela, da sua natureza peculiar, da sua força interior, misteriosa, inescrutável (…)” Paul Gauguin.

Paul Signac

Paul Victor Jules Signac nasceu em Paris (1863 - 1935) e foi um dos principais pintores neo-impressionistas. Em 1882 inscreveu-se na Escola de Artes Decorativas.

Juntamente com Seurat, em 1884, fundou a Sociedade dos Artistas Independentes.

Foi Paul Signac que ensinou a George Seurat a técnica do Pontilhismo, tendo estes dois artistas sido os principais impulsionadores do chamado Movimento do Divisionismo, também designado por “neo-impressionismo” ou Pontilhismo. Signac pertenceu também ao grupo de artistas designado por Grupo dos XX.

Signac foi um homem muito culto, apaixonado por arte, literatura, ciência, política e viagens, foi um caso à parte dentro dos pintores do seu tempo. O seu trabalho é a arte de um pintor absolutamente convicto e coerente com as suas ideias.

Com Georges Seurat criou o "Pontilhismo" derivado da escola impressionista.

A prosperidade dos negócios da família deu-lhe a independência financeira necessária para poder desenvolver a sua arte. 

Como amante de barcos, possuiu ao longo da sua vida cerca de 30 barcos. Isso permitiu-lhe fazer diversas viagens que o inspiraram no uso de novos tons, porque a claridade das paisagens era diferente de região para região.

A sua formação foi essencialmente como autodidacta, começando primeiramente com o estudo da obra de Claude Monet e outros impressionistas. 

Muitos dos trabalhos de Signac são paisagens, inspiradas na luz do sol do sul da França, onde viveu durante 20 anos, mas também pintou alguns retratos e composições de figuras. 

Em 1899, Signac publicou a obra “De Eugène Delacroix ao Neo-impressionismo”. Em 1908 foi eleito presidente da Sociedade dos Artistas Independentes, tendo mantido esse cargo até 1935, ano em que faleceu.

Estudos recentes sugerem que o Pontilhismo de Paul Signac e George Seurat foi influenciado por técnicas de mosaico aplicadas à pintura com base nos escritos de John Ruskin.

A exposição oferece um novo olhar sobre estes talentosos artistas, desde finais do século XIX até início do século XX, que se fascinaram por vários temas, como liberdade artística, "independência" e o poder da arte de criar mudanças sociaisque serviram de ponto de inspiração para as suas ambições artísticas e onde a arte parecia ser uma parte da sua vida quotidiana.

 

Theresa Bêco de Lobo

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