Educação I  Os conselhos do Ministério da Educação. 

Na Educação surgem por vezes uns espíritos iluminados que encadeiam com a sua douta sabedoria todos em redor. E iluminam muito bem, os menos informados ou mais distraídos, com frases mágicas, receitas infalíveis, conselhos profundamente encriptados de forma que todos fingem entender o que não faz sentido e até aplaudem com fervor e entusiasmo.

A palavra/conceito “transversalidade” está na moda, e é um desses exemplos. A transversalidade disciplinar ou a interdisciplinaridade na escola significa que as disciplinas se cruzam algures nos currículos, partilham pontos em comum, conteúdos complementares e podem desenvolver actividades em equipa como organizar visitas de estudo ou apresentações de trabalhos na escola. Ora o que se apregoa como a grande ideia surgida e forjada nos gabinetes da 5 de Outubro, uma ideia que a sabedoria de pedestal dos gabinetes diligentemente procura difundir entre os ignorantes dos professores, não tem nada de novo e, tal como é apresentado em entrevistas, em encontros com professores, em formações, soa a uma mão cheia de coisa nenhuma, a um conjunto de chavões e a um ramalhete de folclore semântico.

Sejamos claros, a interdisciplinaridade é intrínseca a qualquer corpus académico tenha ele a complexidade que tiver. É claramente impossível segmentar e espartilhar o conhecimento em categorias seladas e isoladas de outras.

Vejamos alguns exemplos dentro do currículo escolar: a língua portuguesa encontra-se presente em todas as disciplinas já que o ensino é feito em português, as questões colocadas pelos professores são em português e os alunos necessitam de entender o que leem e de saber comunicar oralmente e por escrito o que sabem e o que não sabem e por isso as competências linguísticas são essenciais de forma transversal no currículo. 

Em História, os eventos sociais e económicas cruzam-se com as dinâmicas da mãe Natureza, com o perfil do planeta, com os seus traços distintivos, a sua morfologia, a diversidade botânica e zoológica que existe no mundo Daí que temas da Geografia e das Ciências da Natureza se introduzam inevitavelmente no ensino da História onde em simultâneo as estatísticas assumem papel importante assegurando a colaboração da Matemática. Por outro lado, é sabido que em todas as disciplinas há necessariamente um olhar histórico da sua evolução. Os recursos tecnológicos que permitem hoje analisar cientificamente um elemento ou um fenómeno resultam de um somatório de descobertas, um crescendo civilizacional porque nada surge por acaso e sim como fazendo parte significativa de uma espiral construtiva.

Nas disciplinas artísticas também reconhecemos facilmente a interdisciplinaridade. Por exemplo em EVT e EDT não é apenas a geometria que se ensina em Matemática que marca presença e se aplica em casos concretos, mas todos o conhecimento do mundo que cada um encerra em si próprio é depositado nas obras que se realizam quer no estirador de um arquitecto ou no cavalete de um pintor, quer numa qualquer mesa de uma qualquer sala de Educação Visual ou Tecnológica de uma qualquer escola deste país. Trabalhar temas históricos, poemas e narrativas, criar cenografias para representações são apenas alguns exemplos.

Posto isto, valia a pena que o Ministério da Educação estivesse atento ao que há muito já se faz nas escolas.

E já agora, talvez fosse aconselhável reflectir sobre a sangria no corpo docente e consequências no trabalho que em grande parte se anda a fazer de forma voluntária e com sacrifícios pessoais. E quando falamos de sangria estamos a falar da verdadeira debandada de profissionais que não estão a ser substituídos porque escasseiam os jovens que desejem ser professores (por que será?), mas também falamos dos que sangram diariamente no seu posto de trabalho onde cada vez mais são mais infelizes e maltratados.

Por isso quando ouvimos as vozes institucionais falarem do que já se faz há muito como se tivesse surgido agora de uma epifania ministerial enquanto esquecem os verdadeiros desafios da Escola do século XXI, os professores fervem… Com razão!

 

Ana Paula Timóteo

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