NOSSA SENHORA DO CARMO I NA TRADIÇÃO MARIANA

Pequena escultura, em marfim, representando Nossa Senhora do Carmo com o Menino Jesus ao colo e segurando o seu escapulário. Séc. XVII. Trabalho europeu. Colecção particular

Gravuras representando as ruínas da Igreja do Carmo e o Convento anexo Foto: © José Luís Teixeira

Gravuras representando as ruínas da Igreja do Carmo e o Convento anexo

Gravura representando as ruínas da Igreja do Carmo e o Convento anexo

Gravura representando as ruínas da Igreja do Carmo e o Convento anexo

Pintura a óleo sobre tela representando Nossa Senhora do Carmo com o menino ao colo e com o escapulário por entre os dedos. Séc. XVIII. Colecção particular

A Solenidade de Nossa Senhora do Carmo celebra-se, um pouco por todo o mundo no dia16 de Julho.

Na tradição Mariana, pratica-se ao longo dos 365 dias do ano, muitas festas de homenagem à Virgem Maria Santíssima.

Nossa Senhora do Carmo é a mãe de Jesus Cristo, que apareceu no Monte Carmelo, animando São Simão Stock, VI Geral da Ordem do Carmo, o religioso que rezava todos os dias com os frades Carmelitas, pedindo-lhe auxílio.

Quando em 1191 Ricardo I, reconquistou a Terra Santa, um grande número de Cristãos, esqueceram-se da Europa, para se fixar nos lugares santos, sobretudo aqueles de tradição bíblica.

O Monte Carmelo, com o seu silêncio, exuberante vegetação, a vista sobre o mar e a solidão que apelava para Deus, atraíram muitos desses homens.

E, nessas reflexões, recordavam-se da frase do Profeta Jeremias que disse:

“Levar-vos-ei ao Carmo onde saboreareis deliciosos frutos”.

Recordavam-se do Profeta Elias, da pequena nuvem que ele viu subir do mar, com o símbolo de Maria. Juntos resolveram construir uma capela em honra de Nossa Senhora, a qual passou a ser conhecida da Senhora do Carmo.

No Ano de 1251, já na Europa, a família do Carmo, foi alvo de várias perseguições de diversas proveniências, dentro e fora da igreja.

Por essa ocasião, São Simão Stock, VI Geral da Ordem, rezava a Maria, com todos os Carmelitas, para que lhes acudisse. E foi no dia 16 deJulho desse mesmo ano, enquanto o Geral rezava a Oração do “Flos Carmeli”, que recebeu a visão da Virgem, a qual o animou prometendo-lhe ajuda enquanto lhe entregou o “Escapulário do Carmo”, aconselhando todos a usa-lo para terem a Sua protecção. A partir desta data, a devoção à mãe e irmã dos Caramelitas, alastrou-se dentro e fora da Ordem.

ESCAPULÁRIO DE NOSSA SENHORA DO CARMO

O Escapulário consiste numa tira de pano com dois quadrados. Num, encontra-se a Imagem de Nossa Senhora do Carmo e no outro, uma imagem do Sagrado Coração de Jesus ou uma paisagem com o Monte Carmelo. Reza a tradição que Nossa Senhora prometeu a S. Simão Stock que quem usasse o escapulário ficaria sob a sua protecção. Além disso, ainda na hora da morte não teria de passar pelo purgatório.

Todas as imagens de Nossa Senhora do Carmo têm um escapulário. Nas peças que ilustram este artigo, quer a pequena escultura em marfim, quer a pintura, o escapulário está bem visível.

Aparições de Nossa Senhora

De recordar que em Lurdes, Bernardete viu Nossa Senhora várias vezes, sendo que a última aparição foi no dia de Nossa Senhora do Carmo, a 16 de Junho de 1858, data em que se celebra a solenidade da Nossa Senhora do Carmo.

Bernardete declarou ter visto nesse mesmo dia a Virgem “ tão bela e gloriosa como nunca”. É esta mesma mãe de Jesus, que os crentes foram adoptando com os nomes dos locais onde apareceu.

A Virgem Maria apareceu em Fátima, todos os dias 13 de Maio a Outubro de 1917. Lúcia disse “por fim apareceu a nossa senhora do Carmo a abençoar o mundo “ imediatamente se deu o milagre do Sol. Estamos diante da mesma virgem Maria, mãe de Jesus que apareceu no dia 16 de Julho no Monte Carmelo, no dia 16 de Julho em Lurdes, e iniciou as suas aparições em Fátima em Maio de 1917 até Outubro do mesmo ano.

Para um coração mariano como o nosso, damos uma grande atenção à nossa Senhora do Carmo, por ser talvez aquela que desde criança nos habituamos a amar muito e a festejar graças ao facto parental com várias Carmens, (tias, mãe, irmã, sobrinhas e primas, que em Espanha onde vivem são alvo de grandes festejos. Cada Carmen festeja “el dia de su Santo”, indo à Missa e com festa em casa.

Em Portugal, há muitas mulheres baptizadas com o nome de Carmo ou Maria do Carmo. Talvez por ter uma costela espanhola muito acentuada, dou sempre os parabéns a todas as pessoas que me são queridas e que foram baptizadas com este nome tão caro aos católicos. Uma das pessoas que já não está entre nós e que sempre lhe fazia uma festa foi à Maria de Resende, cujo nome era Maria do Carmo Valdez de Moura Mendonça Pessanha Moraes de Resende. Os nossos laços prendem-se com o apelido Mendonça Pessanha.

 

A Nossa Senhora do Carmo em Portugal, também é muito festejada, mas, a heresia dos tempos tem vindo a contribuir para que o seu esplendor não seja aquele de outrora. De norte a sul de Portugal há lindíssimas igrejas dedicadas à Nossa Senhora do Carmo, habitualmente anexas aos conventos Carmelitas.

A barbaridade da extinção dos conventos e das ordens religiosas, em 1834, já não é possível de ser reparada. Aqueles que pensavam que eram nobres não tinham nobreza nenhuma porque roubaram, pilharam, destruíram, enfim, bandos de selvagens do século XIX.

Nos inícios do século XX, por ocasião da implantação da República, a desvergonha não foi menor, enfim…

Graças a Deus e à intervenção da Virgem Maria, Nossa Mãe Maria Santíssima, algum património eclesiástico e artístico foi-se recuperando, mas há actos, sem perdão.

Cito Tavira por ter uma fabulosa igreja dedicada à Nossa Senhora do Carmo, onde “in illo tempore” de 1 a 16 de Julho se realizavam, à noite, cerimónias religiosas. No ano passado fui lá espreitar e sem ter intenção de chorar, o aspecto desértico do local e a beleza escondida, entristeceu-me. Pobre cidade que não merece ser tão mal-tratada. Outro caso gritante com o qual me deparei, foi ver a igreja de Santo António, situada na Atalaia, em Tavira, sem ter qualquer acção de culto, apesar de possuir o mais espectacular conjunto de esculturas representando os milagres de santo António, em tamanho natural. O Convento com uma porta anexa deixou de ser dos frades e desconhecemos actualmente a sua situação. Tavira ufana-se de ter muitas igrejas e perguntamos para quê? Para estarem fechadas? Para fazerem uma procissão, uma vez por ano, que sai da maravilhosa Igreja da Misericórdia? E desta cidade não quero dizer mais nada, já que essas trinta e tal igrejas estão praticamente numa desgraça. Deus Nosso Senhor lhes perdoe. O que se passa em Tavira sucede em muitas outras terras do algarve. Por exemplo, em Alcantarilha que tem uma igreja da Nossa Senhora do Carmo com falta de restauro.

E Lisboa? Lisboa tem alguma igreja do Carmo? Teve! O Convento e a igreja do Carmo, construídos por Nuno Alvares Pereira em 1389, têm uma triste história impressionante. No espaço, existem as ruínas, pois o terramoto de 1755 não a poupou.

Com a moda da paixão pelas ruínas muito em voga no romantismo, não a reconstruiram, e hoje as ruínas abrigam o Museu Arqueológico do Carmo. Pois é, o terramoto serve de desculpa para tudo. Não “caíu o Carmo e a Trindade”? É a nossa triste sina… O Convento lá está na sua imponência a namorar o Rossio e a albergar a GNR.

Porém, Portugal de lés a lés tem uma população bastante próxima da Virgem Maria. Graças a Deus!

O calendário Mariano é o único que contempla dois feriados nacionais em honra de Nossa Senhora. Haja Deus!

No dia 15 de Agosto a população portuguesa quer seja católica ou não, goza o feriado da ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA. E o que nós gostamos de ver a procissão que sai da Igrejinha de Albufeira, a mesma que fica perto da Marina, com a Nossa Senhora num andor transportada de barco, a percorrer quase toda a zona da praia, seguida por várias embarcações enfeitadas com papéis coloridos e guias de flores?! Oh! Se gostamos! E vamos vê-la de cá do Alto, porque não temos barco…

Depois, sempre com a Nossa Senhora no coração, temos por hábito assistir, no dia 8 de Dezembro, igualmente feriado nacional, em Vila Viçosa, à procissão e à Missa da Imaculada Conceição de Nossa Senhora.

D. Luísa de Gusmão e seu marido D. João IV, muito fizeram para honrar Nossa Senhora do Carmo.

Portugal, é terra de Santa Maria!

 

Marionela Gusmão

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