Mulheres Artistas em Paris no Século XIX

A exposição intitulada “Mulheres Artistas em Paris, 1850–1900”, apresenta algumas das melhores obras de pintoras do século XIX. Trata-se de um acontecimento muito importante por retratar a época áurea das mulheres que se dedicaram à pintura, levando o Clark Art Institute em Williamstown, Massachusetts, em associação com o American Federation of Arts, a organizarem uma exposição itinerante. A mostra tem a curadoria de Laurence Madeline, Curadora Chefe do “Patrimoine National Français” e de Suzanne Ramljak, curadora da American Federation of Arts.

A exposição foi apresentada inicialmente em Denver até Janeiro do presente ano e depois em Louisville, Kentucky, até Maio de 2018.

 

“As Mulheres Artistas em Paris 1850–1900”, que poucos conheciam até à sua divulgação, motivando o Clark Art Institute a ter o privilégio de apresentar a exposição, ao grande público, até 16 de Setembro 2018.

Quem não conhece os nomes dos Impressionistas celebres dessa época, como Manet, Monet, Degas, Renoir e Pissarro? Mas, menos divulgadas foram as mulheres impressionistas que também pertenceram ao círculo destes pintores. Berthe Morisot, uma artista com sucesso e admirada pelos seus colegas e uma grande amiga do modelo de Manet. Berthe foi muito elogiada pelos críticos da época, principalmente pela sua pincelada livre, sendo por isso, considerada como a mais “Impressionista dos Impressionistas."

A artista americana Mary Cassatt, desenvolveu, em Paris, um estilo inconfundível   influenciado pela sua relação muito directa com Degas.

Eva Gonzalès, foi aluna de Manet, deixou uma obra pequena por ter falecido ainda muito jovem.

Marie Bracquemond expôs com os Impressionistas, mas logo começou a competir com o trabalho do seu marido, Félix Bracquemond e acabou por abandonar a pintura.

A exposição no Clark Art Institute apresenta cerca de setenta trabalhos de diversos museus internacionais e de colecções privadas, onde se destaca a obra destas pintoras, evidenciando a contribuição de artistas femininas no movimento artístico da época.

Estas pintoras servem como exemplos para demonstrar que existiram bastantes mulheres activas nessa época turbulenta sociopolítica de 1865 a 1895, produzindo pinturas de alta qualidade, desenhos, gravuras e esculturas.

O Impressionismo comparado com outros movimentos, adaptou-se perfeitamente ao gosto feminino. Os críticos durante esse período afirmavam que as pinturas de todos os Impressionistas eram explicitamente "femininas", por exemplo: tanto os homens, como as mulheres apresentavam nos seus temas:  cenas do quotidiano, representações de mães e crianças, jardins, interiores, naturezas mortas, etc.,  e ainda nos seus formatos de menores dimensões eram orientados para o gosto de uma nova clientela da classe média. Até mesmo o estilo Impressionista dava ênfase nos efeitos claros, nas superfícies sensíveis e delicadas, o uso frequente de branco, pinceladas soltas e mesmo o da técnica de esboçar era considerada "feminina", no sentido positivo, assim como também no sentido negativo.

Em 1896, foi o ano da apresentação da retrospectiva póstuma de Berthe Morisot, em que o crítico Camille Mauclair, uns anos atrás tinha definido o Impressionismo, como "arte feminina" e também apresentou Morisot, como a única verdadeira protagonista deste estilo.

A exposição questiona criticamente esta tendência em afirmar nessa época que o movimento Impressionista seria uma arte feminina e tenha influenciado a pintura de Morisot e dos seus colegas em vez de aceitarem as suas realizações, como de artistas modernas desse tempo.

A mostra também destaca, entretanto que as artistas foram reconhecidas seriamente e respeitadas pelos seus colegas masculinos e por muitos críticos.

Embora, elas entrassem em parte no esquecimento durante os anos posteriores, os trabalhos realizados por Morisot e Cassatt tornaram-se uma parte integrante das colecções mais importantes internacionais e consideradas como entre as obras mais desejadas em leilões. Porém, elas ainda não desfrutam de uma atenção pública comparável às dos seus colegas masculinos. A intenção da exposição é evidenciar uma nova leitura das obras das artistas femininas do século XIX pouco divulgadas junto do grande público.

 

A exposição também destaca um grupo internacional de artistas que superaram as restricções de género para dar passos criativos extraordinários e importantes na luta por uma arte mais igualitária no mundo. Com cerca de setenta pinturas de colecções dos Estados Unidos e do exterior, a mostra inclui obras de artistas célebres, como Berthe Morisot, Mary Cassatt e Rosa Bonheur, além de nomes igualmente notáveis, ​​como Anna Ancher, Lilla Cabot Perry e Louise Breslau, Eva Gonzalez e Marie Bashkirtseff.

Acerca deste acontecimento, Olivier Meslay, director do Clark Art Institute, afirmou: "Dadas algumas das questões em torno da igualdade de género que estão na vanguarda do nosso discurso cultural e actual, esta exposição é particularmente oportuna e muito avant-garde. É importante reconhecer que as lutas que essas mulheres enfrentaram há mais de 150 anos continuam a repercutir-se actualmente. É bastante comovente ver essas pinturas notáveis ​​e considerar a força e o poder das artistas que as produziram. Acreditamos que nossos visitantes se irão deliciar-se em fazer novas descobertas e ficarão fascinados por esta história ainda mal contada”.

"Neste momento, é mais importante do que nunca reconhecer as conquistas dessas mulheres. Esta mostra é uma celebração ao talento extraordinário de um grupo multinacional de mulheres artistas que merecem o seu lugar na história de arte", disse Esther Bell, curadora do Clark Art Institute.

Em meados do século XIX, Paris foi o centro cultural mais importante, atraindo artistas de todo o mundo para as suas academias, museus, salões e galerias. Apesar do carácter cosmopolita da cidade, as normas de género permaneceram ainda conservadoras e as mulheres pintoras enfrentaram obstáculos não encontrados pelos seus colegas masculinos. Por exemplo, a École des Beaux-Arts (Academia de Belas Artes) - a mais importante academia de arte do país - não admitia alunas até 1897.

Como resultado, as mulheres praticavam a educação artística frequentando academias particulares, onde produziam uma ampla gama de trabalhos, incluindo retratos, paisagens, pinturas históricas e cenas da vida quotidiana. Para promover a sua arte, realizaram exposições independentes e formaram as suas próprias organizações, como a influente “Union des Femmes Peintres et Sculpteurs” (estabelecida em 1881).

Após a sua estadia, em Paris, muitas artistas, incluindo Harriet Backer (norueguesa, 1845-1932), Kitty Kielland (norueguesa, 1843-1914) e Cecilia Beaux (americana, 1855-1942), voltaram aos seus países de origem para trabalhar, ensinar e estabelecer as suas próprias escolas, criando as bases para a formação e desenvolvimento de futuras gerações de mulheres artistas.

A exposição está organizada em 6 secções: A Arte da Pintura; A Vida das Mulheres; Criando uma Imagem; Retratando a Infância; Pintura Histórica e Heroísmo Quotidiano; e Mulheres Jovens.

 

A Arte da Pintura

Representações de artistas no estúdio, auto-retratos e pinturas de colegas artistas eram os temas mais comuns na história da arte. As mulheres pintoras no século XIX envolviam-se em retratos, como era comum entre os seus pares masculinos, moldando uma imagem de si mesmos e dos seus contemporâneos não como pintores amadores, mas como artistas sérios. No quadro Atelier (1881), de Marie Bashkirtseff (ucraniana, 1858–1884), ilustra-se uma aula de desenho ao vivo na Académie Julian, um dos poucos estúdios que acolheram as mulheres, embora em salas de aula segregadas por género. Outras pinturas, como o retrato de Rosa Bonheur (1898), da sua colega pintora Anna Elizabeth Klumpke (Americana, 1856-1942), o Auto-retrato de Elizabeth Nourse (1892) e Os Amigos (1881), de Louise Breslau (Suíça, 1856 - 1927) retrato íntimo de si mesma com os amigos, define a qualidade e variedade do trabalho produzido durante este período.

 

A Vida das Mulheres

Restrições sociais impediram a participação total das mulheres nos círculos artísticos. Tabus, contra o facto das mulheres estarem em público sem um acompanhante, limitavam o seu acesso a certos espaços e estreitavam o leque de temas que poderiam representar. Como resultado, muitas artistas concentraram-se em cenas íntimas da vida quotidiana para as quais os modelos eram mais facilmente acessíveis. Embora os assuntos domésticos tenham sido considerados secundários ou insignificantes por alguns críticos, as formas pelas quais essas artistas tratavam os seus temas eram muitas vezes considerados inovadores e inesperados, como na pintura: O Interior à Noite, 1890, de Harriet Backer com a sua grande atenção aos detalhes superficiais e uma interpretação cuidadosa da luz e da atmosfera.

 

Criando uma Imagem

Uma toilette de moda, o ritual de tomar banho, aplicar cosméticos e perfumes e arte de se vestir eram temas fundamentais para a vida social do século XIX, especialmente para as classes alta e média e também as imagens da mulher moderna exibindo o seu conceito de moda, que crescia constantemente. A roupa era vista como uma personificação da modernidade, e os pintores, tanto os homens, como as mulheres usavam a representação do vestuário contemporâneo, como um tema novo. Artistas tentaram decifrar o que a moda, através dos seus códigos visuais complexos, tinha a dizer sobre o usuário e o seu mundo. O quadro: As Irmãs de Morisot (1869), é um retrato duplo da artista e da sua irmã gémea Edma, provavelmente foi pintada logo depois de Edma se ter casado. Morisot usava roupas e penteados para comunicar a intimidade da pintura das Irmãs, mostrando vestidos com bolinhas estampadas, golas e mangas com rendas, o seu cabelo penteado para cima e gargantilhas pretas em volta do pescoço.

Ao apresentar os detalhes, o brilho ou a transparência de vários tecidos permitiu que o pintor demonstrasse o seu domínio técnico. A obra-prima: Mulher com um Gato de Cecilia Beaux de 1893/1894, retrata a prima da artista, Sarah Allibone Leavitt, através de uma manipulação inteligente dos pigmentos.

 

Retratando a Infância

No final do século XVIII, a percepção da infância evoluiu como uma etapa importante na formação de adultos e as crianças eram celebradas como o futuro da linhagem de uma família. Essa nova atenção dada às crianças coincidiu com as aspirações florescentes das mulheres artistas. Estas pintoras produziram imagens que celebram de forma irónica, a maravilha da infância e a natureza profunda da maternidade. Mary Cassatt especializou-se em cenas maternais e retratos de crianças. Os seus filhos foram retratados na pintura: Crianças a brincarem na Praia (1884) mostrando os encantos dos primeiros anos de vida - as duas crianças absorvidas nas suas brincadeiras e aparentemente isoladas do mundo.

 

Uma paisagem moderna

Durante o final do século XIX, os artistas ultrapassaram as fronteiras da pintura de paisagem, participando e ajudando a definir movimentos artísticos como Realismo, Impressionismo e Simbolismo. Eles envolveram-se mais amplamente com o mundo moderno, apresentando paisagens com as quais tinham uma ligação, como os parques públicos e jardins privados de Paris, a cidade moderna, as praias da Normandia e da Bretanha, ou as paisagens familiares dos seus próprios países. De particular interesse na exposição pode-se destacar uma selecção de pinturas de um grupo notável de artistas escandinavas: Paisagens como Stokkavannet (1890) de Kitty Kielland e Outono em Strålsjøen (1894) de Harriet Backer captando a grandeza e o mistério da sua terra natal. Emma Löwstädt-Chadwick (Sueca, 1855-1932) ilustra uma lindíssima pintura, que apresenta a solidão de uma artista pintando ao ar livre com uma Sombrinha na Praia da Bretanha (Retrato de Amanda Sidwall) (1880).

 

Pintura Histórica e Heroísmo Quotidiano

A pintura histórica era tradicionalmente reservada a artistas masculinos que tinham acesso ilimitado ao estudo da figura humana. As pinturas nesta exposição destacam a habilidade artística e a criatividade arrojada das mulheres pintoras que encontraram o tema heroico no mundo em seu redor.

 Observações cuidadosas, pinceladas confiantes e telas de tamanho considerável serviram para elevar os temas - incluindo trabalhadores, recrutas militares e fiéis dominicais - as narrativas monumentais foram dignas de reflexão e admiração por outros artistas, críticos e pelo público. Ao evitar a pintura histórica tradicional, essas artistas destacaram um momento de mudança.

Rosa Bonheur foi pioneira entre os seus contemporâneos. Como era exigido na época, ela pediu uma autorização especial da polícia para usar calças em público e pintou temas “masculinos”, como agricultura e cenas de caça, mas foi mais conhecida pelas suas representações de animais, incluindo gado, cavalos e leões. Bonheur pintou Lavrar em Nivernais, (1850) como uma réplica de outra das suas pinturas, que foi encomendada pelo estado francês e concluída em 1849. O poder da sua representação de lavrar a terra encontra-se numa tela com tamanho monumental.

 

Mulheres Jovens

Pinturas com o tema de mulheres jovens foi um assunto importante na pintura do final do século XIX. Artistas femininas, descreviam, muitas vezes, esse momento de transicção, pintando relações sociais e momentos reflexivos, que eram sinais da sua autoconsciência.

A mostra apresenta uma série de pinturas de mulheres jovens envolvidas em tarefas quotidianas, seja compartilhando um segredo, como A Confidência (1880) pintura de Elizabeth Jane Gardner Bouguereau (Americana, 1837-1922) ou colhendo cerejas no quadro: Cerejeira, (1891) de Morisot, ou ainda o Eco (1891), de Ellen Thesleff (Finlandesa, de 1869 a 1954), descreve uma jovem que encontra o poder da sua voz num grito repentino ao ressoar na paisagem.

Para acompanhar a exposição, foi editado um catálogo em inglês com ensaios de Jean-Paul Bouillon, Anna Havemann, Pamela Ivinski, Linda Nochlin, Sylvie Patry, Ingrid Pfeiffer, Griselda Pollock, Marie-Caroline Sainsaulieu e Hugues Wilhelm, que apresentam as suas várias opiniões, resultantes das suas actuais investigações.

Para além, do catálogo da mostra, foi editado uma pequena publicação literária que apresenta quatro histórias escritas por autores contemporâneos, como, Diane Broeckhoven, Noëlle Châtelet, Annette Pehnt e Alissa Walser, que se dedicaram especialmente ao estudo das vidas destas artistas.

A exposição oferece um novo olhar sobre estas talentosas mulheres, que na segunda metade do século XIX, se fascinaram pelos temas mais variados da pintura Impressionista, ponto de inspiração para as suas ambições artísticas e onde a arte parecia ser uma parte da sua vida quotidiana.

 

Theresa Bêco de Lobo

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