Os Presépios em Lisboa

Da autoria do célebre escultor Machado de Castro, o Presépio da Basílica do Sagrado Coração de Jesus, conhecida por Basílica da Estrela, foi executado por encomenda da Rainha D. Maria I.

A obra tem mais de 400 figuras, entre cenas religiosas e pagãs. O resultado revela uma grandiosa encenação barroca plena de cor, luz e intensidade.

Constituído por grupos modelados em barro cozido policromado assente em estruturas de madeira e cortiça, cobre vários planos - resguardados por um ambiente setecentista.

O presépio, que saiu do laboratório de Machado de Castro em 1782, tem cinco metros de largura, quatro de altura e três de profundidade.

No interior, uma estrutura de madeira com imitação de musgo serve de cenário para as 400 figuras que revelam cenas bíblicas e populares. O resultado é de um realismo raro na arte portuguesa.

No seu conjunto, destacam-se personagens invulgares, caso de um cego modelado de forma exímia e de duas expressivas aguadeiras brigando agressivamente.

Os seus elementos principais foram executados por Machado de Castro e os restantes, homens, mulheres, animais, árvores, edificações, pelos seus colaboradores.

O Presépio da Basílica da Estrela é o mais completo existente entre nós, conseguindo representar os episódios mais importantes ligados ao nascimento de Jesus: a Natividade, a Sagrada Família, a Adoração dos Reis Magos, a Adoração e a Anunciação dos Pastores, o Cortejo Régio e a Matança dos Inocentes.

 A Rainha D. Maria I mandou erguer a Basílica da Estrela, em Lisboa, na esperança de ficar grávida, o que sucedeu, vindo a nascer o Príncipe do Brasil, D. José I que, no entanto, morreu jovem.

Devido a essa oferta régia, os Reis Magos aparecem em primeiro plano, o que acontece pela primeira vez num presépio português. Machado de Castro homenageou ainda a Rainha com um grandioso (e exótico) cortejo, liderado por Gaspar, Melchior e Baltazar. As centenas de figuras presentes enquadram a manjedoura onde, deitado em palhinhas, se encontra o menino Jesus.

O presépio, dos mais célebres existentes em Portugal, foi recentemente restaurado e valorizado com nova iluminação tendo sido enquadrado no roteiro dos visitantes da Basílica.

Lisboa possui um conjunto invulgar de presépios setecentistas, espalhados pela Basílica da Estrela, pela Igreja de São José da Anunciada,  pelo  Museu Nacional do Azulejo/Igreja da Madre de Deus (recentemente remontado, com  um conjunto de 42 figuras de meados do século XVIII, atribuído a Dionísio e António Ferreira), pela Basílica dos Mártires (de autor desconhecido, mas com grande influência da tradição presepista do norte de Portugal), pela igreja de Nossa Senhora do Monte (com figuras realizadas em diferentes épocas, remontando o original, atribuído a António Ferreira, à primeira metade do século XVIII), pela Sé Catedral  (o único assinado e datado por Machado de Castro,1766, que foi recentemente exposto numa das capelas laterais do baptistério), pelo Mosteiro de São Vicente de Fora (executado por Machado de Castro em 1787), e pelo Museu de Arte Antiga – onde existem também presépios das Necessidades e dos Marqueses de Belas, entre outros.

Presépio dos Marqueses de Belas

O MNAA possui uma sala dedicada ao presépio português, que funciona como retrospectiva da escultura entre os séculos XVI e XIX. Nela destacam-se ainda fragmentos dos presépios do Convento da Carnota e do Palácio das Necessidades.

Este museu reabre a sua ante-capela, em Dezembro, onde exporá o mais monumental presépio da instituição. Trata-se do célebre conjunto do Marquês de Belas, recentemente restaurado através de uma recolha de fundos que angariou 40 mil euros.

O presépio conserva-se dentro da sua maquineta original, de madeira entalhada, policromada e dourada, coroada por dois anjinhos. A sua autoria deve-se a Joaquim José de Barros (dito Barros Laborão), a Joaquim António de Macedo, e a António Pinto.

A designação de Presépio dos Marqueses de Belas resulta da lenda de no “Grupo do Mouro” se encontrarem representados o 1º Marquês de Belas, D. José Luís de Vasconcelos e Sousa, e a sua mulher, D. Maria Rita de Castelo Branco

No entanto, o presépio foi encomendado por José Joaquim de Castro, um colecionador de Lisboa que o manteve até 1816. Depois foi pertença de D. Maria Augusta Fialho de Castro, de D. Maria Augusta de Castro Lemos, do Conselheiro Augusto Fialho de Castro, de D. Francisco de Almeida e de D. Maria da Nazareth Monteiro de Almeida Carvalho Daun e Lorena, sendo vendido em 1926 ao MNAA.

A obra foi executada por Joaquim José de Barros, dito Barros Laborão (1762-1820), com quem o cliente manteve uma relação complexa e polémica. José Joaquim de Castro interferiu no plano de montagem do presépio, acrescentando inúmeras figuras avulsas adquiridas a negociantes e intermediários como é o caso do pintor Pedro Alexandrino de Carvalho.

Aquele escultor foi aluno de João Grossi, e trabalhou nas estátuas do Palácio da Ajuda, sendo da sua autoria a “Honestidade”, a “Diligência”, o “Desejo” e o “Decoro”.

Joaquim António de Macedo (1750-1820) modelou alguns grupos, caso do “Pescador” e do “Pastor”. António Pinto foi o pintor responsável pela policromia da maioria das figuras do presépio em barro.

O Presépio dos Marqueses de Belas encerra a grande tradição dos presépios portugueses em barro, reflectindo o gosto e a estruturação habitual nos conjuntos do século XVIII. Paralelamente introduz figuras avulsas de escultores e barristas secundários, comum nos presépios modernos

António Brás

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