Mosteiro dos Jerónimos

A história de um monumento declarado por Dom Manuel como panteão da dinastia Manuelina

Os jerónimos resistiram ao longo dos séculos a terramotos, a vandalismos e a restauros de critério duvidoso. Agora começa a recuperar, aos poucos, o aspecto que teria em 1518.

O claustro foi limpo de camadas de sujidades e de improvisados remendos de cimento. O portal principal foi limpo e restaurado. A cobertura foi beneficiada. Os vitrais (da autoria de Abel Manta) foram recuperados, o cadeiral e a sacristia foram intervencionados preservando um imponente arcaz em pau-santo e preciosas pinturas maneiristas.

O altar-mor da igreja, obra-prima de Lourenço de Salzedas, foi restaurado e limpo. O retábulo, dedicado à Paixão de Cristo, fora objecto, ao longo dos tempo, de repintes que o desvirtuaram e enegreceram. Originalmente composto por seis telas (uma delas foi sacrificada para colocar o sacrário, obra-prima em prata dourada seiscentista) apresentando actualmente o seu esplendor original. A história do Mosteiro dos Jerónimos é de tal modo impressionante que basta recordar que foi graças a D. Fernando II, marido de D. Maria II que o sacrário foi salvo de ser derretido. Foi D. Fernando, uma personalidade de grande cultura e sensibilidade quem salvou o sacrário, pois o mesmo já estava na Casa da Moeda para ser feito em barras de prata. Custa a acreditar em tanta ignorância. Mas, não resta qualquer dúvida: sem a rápida intervenção de D. Fernando não haveria aquele fabuloso sacrário.

 

Santa Maria de Belém

O mosteiro foi construído para homenagear o feito dos Descobrimentos, visando ainda perpetuar a Dinastia Manuelina.

Na verdade, nele encontram-se sepultados, em imponentes túmulos de mármore, suportados por elefantes, os Reis D. Manuel, D. João III e D. Sebastião. Os restos deste último foram depositados no monumento numa derradeira tentativa de Filipe II acabar com o mito do seu regresso. A função mortuária do monumento seria retomada no liberalismo, quando foi elevado a panteão. Nos 100 anos seguintes recebeu as cinzas de navegadores, poetas, escritores e presidentes da República. Destes últimos, grande parte foi transferida, em 1966, para a Igreja de Santa Engrácia. Em Belém repousam actualmente Vasco da Gama, Luís de Camões, Alexandre Herculano e Fernando Pessoa.

 

Espólio disperso

O vasto acervo da casa-conventual desapareceu ou dispersou-se após a extinção das ordens religiosas em 1833.

Na igreja, a imagem gótica de Nossa Senhora de Belém, na qual Vasco da Gama orou antes de partir para a Índia, foi roubada em 1997, não havendo dados do seu paradeiro. Por sua vez, uma escultura dos Della Robbia representando Santo António, oferecida pelo Papa Júlio III a D. Manuel, partiu-se. Hoje, resta apenas a parte superior. Do imponente cadeiral em carvalho, datado de 1551, considerado um dos 50 melhores móveis portugueses, restam 60 cadeiras das originais 84. Dos 16 retratos de Apóstolos que o encimavam desapareceram São Paulo, São Tiago, São Pedro e Santo André.

O imponente órgão joanino foi desmontado e desapareceu.

Outras peças, retiradas do Mosteiro, tiveram, no entanto, melhor sorte. O Museu de Arte Antiga guarda paramentos quinhentistas florentinos, a célebre Custodia de Belém, obra-prima da ourivesaria portuguesa atribuída a Gil Vicente, e as esculturas representando São Leonardo e Nossa Senhora das Estrelas de Andrea Della Robbia.

A Torre do Tombo preserva, por sua vez, a Bíblia dos Jerónimos, obra-prima da iluminura executada em Florença entre 1494-97. A sua beleza e valor seduziu o general Junot que a levou para França. Mais tarde, no reinado de D. Maria II, o estado português adquiriu-a aos descendentes do militar francês, mas as suas encadernações desapareceram.

A valiosa biblioteca dos frades foi desbaratada, preservando-se escassos volumes na Biblioteca Nacional.

Uma rara tapeçaria flamenga, encomenda por Dom Manuel, encontra-se no Museum of Fine Arts de Boston.

A pinacoteca espalhou-se por museus, igrejas e colecções privadas. Os retratos reais (Dom Afonso Henriques a Dom Pedro IV) preservam-se nos museus dos Coches e da Casa Pia e diversas pinturas religiosas na Igreja Matriz de Monge.

 

Interior desvirtuado

Os espaços interiores do mosteiro foram desvirtuados após a extinção das ordens religiosas. Das celas dos monges e capelas anexas nada resta. A célebre Sala dos Reis foi desfeita, o precioso tecto encontra-se actualmente no Palácio das Necessidades.

O Mosteiro dos Jerónimos não foi mais destruído graças a ter servido, após 1833, de sede da Casa Pia. Os claustros foram adaptados a dormitório, a sala do refeitório servia de local de refeições, enquanto as aulas eram dadas em espaços adaptados. Os jovens divertiam-se, segundo relatos da época, em brincar com a biblioteca monacal amontoada no antigo coro da igreja.

Em 1867 o Estado encarrega os cenógrafos italianos Cinatti e Rambois de restaurar o mosteiro. A fachada principal e coroada por minaretes de estilo árabe e uma grandiosa torre de estilo manuelino. Na década seguinte, desabou "escarrapachando-se como um monumento feito de ovos e açúcar numa confeitaria da Baixa", escreveu-se num jornal da época.

O mosteiro ficou com um aspecto desolador durante décadas. A primeira metade do século XX foi marcada por obras de recuperação e reconstrução. A fachada voltada ao Tejo é completada e nivelada, retirando-se as fantasias oitocentistas.

A Casa Pia abandona o edifício, encontrando-se actualmente os Jerónimos divididos por diversas instituições - museus de Arqueologia e Marinha, Igreja, e zonas do claustro, coro alto e algumas dependências.

Da vasta cerca nada resta, o espaço deu origem a arruamentos, ao Bairro do Restelo, aos anexos do Museu de Marinha e as instalações da Casa Pia. 

Com mais de 500 anos, o Mosteiro dos Jerónimos é um símbolo das navegações, e uma síntese da alma, do mistério, da crença, da utopia, da ousadia dos portugueses.

António Brás

 

Fotos: José Luís Teixeira

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