NATAL 2016 I UMA FESTA EMOTIVA

Inflexível, no seu rodar cada vez mais frenético, o tempo avança e o Natal aproxima-se a passos largos. Não restam dúvidas que a grande estrela que guiou os Reis Magos continua a iluminar o Mundo.

Mas, o Natal é, por excelência, a grande festa da família, a reunião de parentes mais chegados e dos amigos mais íntimos, que estão sempre presentes em todas as ocasiões, até mesmo quando um “like” no nosso “Facebook”, faz toda a diferença.

Por mais bonita que seja a decoração da casa, mais belo que seja o presépio, por muito bem adornada que esteja a mesa, há sempre qualquer coisa que não podemos combater: a saudade dos que partiram deixando a nossa alma mergulhada na mais incurável tristeza.

Nas casas sem crianças, falta o alvoroço da montagem do presépio com os caminhos de areia, os rios em papel de prata, as árvores e as palmeiras que desenham no ar a luz misteriosa que a todos encanta. Mas, o centro vital destas diversas manifestações de regozijo é o nascimento do Salvador.

Tal como uma pedra atirada a um lago faz tremer, em ondas concêntricas, a sua superfície límpida, a Encarnação do Verbo agitou a Humanidade não deixando de a estremecer até ao fim dos séculos. E os Homens demonstram a sua alegria, cantam e alvoroçam-se, nas ondas que se movem no lago da Humanidade.

Quem poderá negar a transcendência da festa natalícia? Quem ousará arrancar o Natal da sua vida?

O Natal é a realidade mais palpitante no coração dos homens, na vida das famílias, no fluir dos povos. A frieza e o esquecimento não ferem a sua raíz.

Mistério e milagre. A pedra caíu disparada sobre a superfície do lago e a sua ondulação tocou nos corações mesmo daqueles que desconhecem os efeitos dos afectos, aqueles a quem chamamos egoístas.

Acreditamos que esta onda há-de chegar aos mais desolados onde a guerra continua.

É Natal. Por isso, repetimos actos, gestos, erguemos as mesmas taças, rezamos idênticas preces.

Envoltos na magia das estrelas que iluminam o presépio e felizes com o aspecto festivo das nossas “toilettes”, sentimos renascer emoções de infância e juventude (cheiros de fritos, vários cozinhados e prendas embrulhadas que nos divertem).

É Natal! Por isso festejamos a vontade colectiva da recuperação da dignidade humana, começando entre nós pela devolução das pensões indevidamente retiradas, sem qualquer escrúpulo. Acreditamos na mensagem do anjo da Boa Nova e repetimos o seu canto: “Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade”.

 

Marionela Gusmão

                       FESTAS DE NATAL DE OUTRORA                       

Sem nos determos nas mudanças que os tempos foram impondo, socorremo-nos de receitas antigas e do quadro da autoria do aguarelista Alfredo Souza, datado de 1923, o qual representa uma Feira, precisamente o local onde os que não tinham campos das suas famílias, compravam as abóboras para fazer os recheios dos doces natalícios.

Na composição da autoria do nosso Director de Arte, José Luiz Teixeira, há verdadeiros retratos da alma portuguesa.

Pela minha parte, cresci a saborear descrições de Pedro A. de Alarcón que citava receitas do Natal, em Espanha, dos finais de 1900. E lá estava o peru com grandes honrarias, a imprescindível sopa de amêndoas e o besugo de rigor.

No Algarve, também encontrei interessantes descrições das ceias de Natal, em livros de receitas das tias da minha avó. O peru, na nossa família, não tinha grandes honrarias, mas os pombos e as perdizes não faltavam. Ouvimos dizer que em Olhão se comia um peixe de caldeirada a que chamavam litão e mais não era do que cação – uma espécie de peixe, da subordem dos esqualos (tubarões pequenos) a que os homens do mar, mais idosos, se entretêm a tirar a pele, muito grosseira, a qual é enviada para França. Depois de curtida, é com essa pele que se fabricam os mais caros estojos do mercado do luxo, com o nome pomposo de pele de “galuchat”. Há cada uma…!

Mas, voltamos às iguarias de Natal da nossa infância, juventude e idade adulta. O peru não é mesmo uma iguaria. O bacalhau, que era obrigatório na minha casa, está a ser substituído por uma mariscada, hábito que ficou do tempo em que o meu marido a rir, dizia: os médicos têm a fama que comem as lagostas e não vejo nem uma? Há uns anos atrás quem enchia a Solmar e outras casas do género, era a rapaziada da Lisnave e quejandos. Os rapazes que puseram o país de patanas com as nacionalizações. Belos tempos, sim senhor…! Inversão de valores a toda a hora. O que ficou disso? Um guindaste?

Mas, estamos no Natal e sempre vi nessa data, os soldados com licenças, as famílias desavindas a reconciliarem-se e todos reunidos no lar paterno e apenas materno quando os pais já estavam junto do Senhor.

As crianças iam cedo para a cama, porque o Pai Natal descia com as prendas, apenas durante a madrugada…

Noite santa. Dão graças a Deus as mulheres abandonadas ao ver um olhar amoroso nos olhos do marido. São felizes os familiares a desfiarem o rosário de Natais antigos.

Pela minha parte, em rapariga, ia à Missa do Galo, se bem que a minha avó concordava pouco. Preferia que ficasse no convívio familiar com meus tios e tias, genros e netos e os tios mais velhos. Mas, ia, por fé e porque ficava impressionada a ver os tios da minha avó, com mais de 90 anos, ausentes dos seus papéis de actores da vida, no papel de testemunhas da vida dos outros.

Mas, continuo a pensar o mesmo que há 60 anos. Felizes os que têm um banquete de amor, com chocolate e fritos de Natal como tive sempre quando regressava da Missa do Galo e que este ano repeti com o mesmo significado de outrora, conforme se pode ver na composição onde entra o Samovar com chocolate e as chávenas para os convivas.

Os meus tios gostavam de comer bacalhau cozido acompanhado com couve-flor, carne de porco fresca, das fazendas, com amêijoas, borrego assado e muitos doces, entre eles a geleia de laranja que muito apreciava, assim como as filhoses da Srª. Adelaide que eram as melhores do mundo.

Desgraçados os que desconhecem estas santas alegrias. Mais desgraçados ainda são aqueles que as renegam.

 

M. G.

                    MESAS DE NATAL EM NOVA IORQUE                

 

Na noite que a tradição declarou “estado de festa e brilho” é tempo de todos decretarmos em nossas casas o “estado de beleza”.

 

Há algum tempo que, na minha qualidade de colaboradora da revista MODA & MODA, venho dando o meu contributo com a apresentação das Mesas de Natal que muitos decoradores americanos realizam para esta ocasião festiva. Comecei com as mesas da Tiffany, a grande casa de artes decorativas, depois intervalei com as produções da autoria da directora deste meio e, alternadamente, temos sugerido aos nossos leitores o que de melhor se faz em Portugal, Espanha e Estados Unidos da América.

É certo que nos E.U.A., o Natal não se festeja há tantos séculos como no resto do mundo conhecido. Em termos históricos é uma nação recente. E, para não irmos aos tempos das mesas do Palácio do Conde-Rei de Barcelona, as quais segundo documentos dos arquivos reais dão conta de um relato datado de 1267, descrevendo o consumo do dia 25 desse ano, ou seja: 31 carneiros, 350 ovos, 30 pares de coelhos, 12 pares de perdizes, 36 pares de galos capões, 5 pares de gansos e muito pão e, muitíssimo vinho. Como acima dissémos basta pensar na data da fundação da América do Norte, cuja capital é Washington e na cidade que domina as celebrações natalícias que é, afinal, Nova Iorque.

A minha vivência nova-iorquina dá-me uma visão completamente diversa de qualquer português, por mais viajado que seja. Nova Iorque é uma cidade enorme, com vida própria que para se conhecer, em profundidade, necessitamos de raízes. É o caso de quem escreve estas linhas.

É possível que os ingleses, que foram os primeiros emigrantes, tenham trazido muito dos seus costumes para o país que tem “uma cidade que não dorme”.

As nossas mesas, as que escolhemos são todas nova-iorquinas. As leitoras que nelas se inspirarem vão, de algum modo, sentir o clima do Natal americano. Porém, as mesas só por si, não fazem a festa. São precisas as pessoas e, delas encarregar-se-à a nossa colaboradora Luísa Mendonça Pessanha, sob a orientação de Marionela Gusmão, nossa directora.

Para os americanos esta é uma quadra importante, vivida com o entusiasmo, que vai até ao modo como se enfeitam as casas.

Aqui, em Nova Iorque, todos os anos, se acende uma imensa árvore de Natal no Rockfeller Center. E esta árvore é tão famosa que até há excursões, em autocarros, para ver de perto a sua iluminação.

O Natal está por todo o lado, nas mesas, nas salas, nas portas de entrada, nas montras, muito em especial na 5ª. Avenida.

Estou certa que estas mesas, com múltiplas propostas, umas mais simples do que outras, agradarão a muitas leitoras, oferecendo-lhes ideias para que as vossas mesas de Natal, quer da Noite da Consoada, quer do Jantar do dia 25, concorram para a união e o espírito que se deseja, para cantarmos em uníssono: “Glória a Deus nas alturas e Paz na terra aos Homens de boa vontade”.

 

Theresa Bêco de Lobo 

             NATAL TEMPO DE ELEGÂNCIA E TERNURA              

Há mais de três décadas que os leitores da revista MODA & MODA encontram na quadra do Natal, o tempo que reinventa tréguas e renova esperanças, assim como as “toilettes” que contribuem para que o tempo de esperança, também seja de elegância.

Nestes últimos dias em que se cruzam mensagens de Boas-Festas, se aceleram as compras dos presentes para os nossos familiares e amigos (cada vez mais difíceis porque as receitas diminuíram), a agitação continua a invadir os corações das crianças, dos jovens e dos idosos. É tempo de meditar profundamente no Evangelho segundo S. Lucas (que narra o nascimento de Jesus dizendo: “… por não encontrar estalagem, Maria deu à luz o seu Filho, numa humilde cabana…” e, adiante, “… de imediato, os pastores que revezavam entre si as vigílias da noite para guardarem os seus rebanhos, viram o Anjo do Senhor que lhes disse: Não temais porque venho anunciar-vos que hoje nasceu o Salvador”. Subitamente, apareceu com o Anjo uma numerosa multidão da milícia celestial que louvavam o Senhor dizendo: “Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade”.

Esse grande acontecimento sucedeu há mais de dois milénios. E todos os católicos, quando esta quadra se aproxima, são “agitados” pela onda de alegria que se desprende das iluminações feéricas das grandes Árvores de Natal que as televisões exibem como grandes notícias, mas os verdadeiros católicos sentem-se mais atraídos e sensibilizados com a graciosidade ingénua dos presépios que, graças a Deus, ainda se montam nas casas particulares e, muito em especial, em algumas igrejas e Museus de que é exemplo o Museu Nacional de Arte Antiga.

Existem, pois, muito boas razões para que no Natal de 2016 renovemos, convosco, a Fé e a Esperança na paz dos homens de todas as boas vontades, de modo a que os milhões de seres humanos que povoam o nosso Planeta vivam, sem excepção, com a dignidade dos Filhos de Deus.

Na nossa revista, também damos espaço com sugestões para a elegância à Mesa da Consoada, partindo do princípio que as nossas leitoras têm as casas aquecidas. O calor nos corações é a alma do Natal, mas o frio é inimigo das festas que se querem em beleza e confortáveis.

 

Luísa de Mendonça Pessanha

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