Mês de Maio

Maio é um dos meses que mais gostamos. A Primavera está na sua pujança e tem a particularidade de ser o mês de Maria, ou seja, 31 dias que durante a juventude da autora deste texto, eram dias de devoção cumprida. Nem uma só vez se faltava à Igreja, por volta das 20.00 horas, para rezar o terço à Virgem Maria. No dia 13, então a festa era maior com a procissão das velas.

A FESTA DAS MAIAS

Nunca assistimos a nenhuma festa das Maias, que se realizava no Algarve, sempre no dia 1, já que os nossos familiares nos proibiam, por ser mal vista, entre os mais velhos e rigorosos. Mas, como a curiosidade era muita, fomos espreitar um baile, mas só vimos o salão de longe. E o que era esse baile? O espaço, tinha uma espécie de trono muito alto, onde estava sentada uma rapariga do campo, nossa desconhecida. A moça, (assim a tratavam), estava vestida de branco e rodeada de muitas flores. Mas, como íamos sem ser convidadas, nem sequer entrámos. 

O que a História nos ensina é que a Maia era uma ninfa que escondia os seus amores com Zeus numa caverna, o que nas tradições iniciáticas gregas, representava o mundo. A caverna pela qual Ceres desceu aos infernos para procurar a sua filha.

De sublinhar que Ceres é na mitologia romana, o equivalente à deusa grega Demester, mestra no ensino da arte de cultivar a terra, semear, de fazer a colheita do trigo e com ele fabricar o pão, o que a tornou reconhecida como a “deusa da agricultura”.

No que se refere a Maia, a história é pouco clara. Aparece citada como a mãe de Hermès, mas na tradição romana talvez seja uma outra Maia, diferente da ninfa da Arcádia, a que personificava o despertar da natureza na Primavera e que se transformaria na preceptora de Hermès. Segundo Jean Chevalier e Alain Gbeerbrant a festa celebrava-se em Maio e talvez ela tenha dado o seu nome a este mês. Representaria uma deusa da fecundidade, a projecção da energia vital.

Rezam as crónicas que a Festa das Maias se realizava para celebrar a fertilidade dos campos e dos seres, incluindo a fertilidade dos seres humanos. Na Antiguidade os rituais de passagem dos juvenis para a idade adulta também aconteciam nesta data.

Nesses tempos a vida celebrava-se de outra forma bem diferenciada da actual: as crianças dançavam em volta do Poste de Maio e faziam-se fogueiras para os mais jovens saltarem.

Em Portugal ainda existem vestígios do Beltane dos Celtas, conhecido pela “Festa das Maias”.

Hoje, temos canais de televisões, até a mais para um país tão pequeno, e não existe um único programa que investigue o que foi a vivência dos portugueses de outras eras? Porquê? O que interessa mais são os gritos histéricos de certos (as) analfabetos que andam por ali sem trazer nada de novo para a cultura portuguesa?

Vão pelo país fora e falem com o povo do interior, pois muita gente sabe histórias interessantes que correm o risco de se perderem.

Os costumes que ainda conheço baseiam-se nas crianças que andam de casa em casa a cantar e a pedir (semelhante ao pão por Deus a 1 de Novembro). Só que estas crianças do dia 1 de Maio habitualmente vestem-se de branco e procuram cobrir os seus corpitos franzinos com flores, principalmente das giestas brancas e amarelas. Contudo, as crianças das serras, quando não têm giestas servem-se das flores das estevas. Estas flores muito leves, brancas de neve, com cinco pintas vermelhas que se atribuem às cinco chagas de Cristo, têm um aroma absolutamente fabuloso que entra na composição de muitos perfumes, incluindo o celebérrimo Joy de Jean Patou que foi lançado em 1930. 

Há algumas narrativas escritas, originárias do Norte do país, a citar que outrora se faziam bonecas de trapos ou de centeio, vestidas de branco e rodeadas de muitas flores.

Nunca vivemos no campo e desconhecemos totalmente que no interior, era costume cantar as “Cantigas das Maias” que, tal como as “Cantigas das Janeiras saiam à rua em grupos de homens que andam a cantar músicas alusivas a essa data, mas isto tem muito mais a ver com o interior do Sotavento algarvio. No entanto, recordamos os grupos que vinham até Alfandanga, (entrada da Fuzeta) oriundos de Santa Catarina e outras terras do interior, com as suas cantorias.

De recordar o Maio-Moço que era um rapaz enfeitado com várias flores de giesta. Na cabeça colocava um arranjo de giestas em forma de pirâmide. E que fazia este Maio-Moço? Pois andava acompanhado de crianças, a cantar ladainhas para afastar os maus espíritos dos campos e das famílias.

Mas, como estamos em 2018 e já passaram muitas tradições difíceis de desenterrar, há que sugerir três modos de celebrar o dia de Maio em nossas casas, fazendo o seguinte:

- Enfeitar uma árvore com fitas coloridas;

- Fazer um boneco de trapos, vesti-lo de branco e decorá-lo com flores.

- Colocar uma coroa de flores campestres à porta de casa ou numa janela.

Resta acrescentar que a festa das Maias se celebra a 1 de Maio no Hemisfério Norte e a 31 de Outubro no Hemisfério Sul.

 

A nossa celebração de outrora

De recordar que no dia 1 de Maio, por volta dos Anos 50/60, no Algarve, era costume os rapazes e as raparigas irem em grupos visitar as fazendas dos amigos onde, por vezes, havia lugar para a primeira caracolada do ano. Em princípio, cada um levava o seu cestinho que ficava numa mesa à disposição de todos. Os caracóis, eram muitos pelas árvores, (principalmente de amendoeiras) e valados e depois de apanhados e muito bem lavados, havia sempre alguém que nos dava o sal, os alhos e os orégãos para os temperar durante a cozedura. Os mimos que cada um levava, (bolos e sandes), porque fruta era o que mais havia em cada fazenda, em especial laranjas, compunham a ementa enquanto uns cantavam e contavam historietas que divertiam cada um de nós. À autora deste texto cabia-lhe sempre cantar as músicas em voga. 

Maio é um mês de festa

Este ano de 2018, o mês de Maio é repleto de festividades. Começa com o que já citámos e, também com as manifestações que passaram a ter lugar desde o dia 25 de Abril de 1974 e com as celebrações de outrora que, graças a Deus, não morreram; continua com o DIA DA MÃE que acontece no domingo dia 6; depois surge o DIA DE ESPIGA no dia 10, conhecido por 5ª. feira da Ascensão; o DOMINGO DA ASCENSÃO no dia 13, sendo também nesta data que se faz a grande festa a Nossa Senhora de Fátima e aos Pastorinhos já beatificados Francisco e Jacinta. 

Contudo, para nós o DIA DE CORPO DE DEUS que, é o mais santo do ano, festeja-se a 31 de Maio.

Digamos que é um mês em festa.

 

M. G.

FESTIVOS

Dia da Mãe

Natal

Páscoa

Dia do Pai

Santo António

ARTE

Exposições

Museus

Colecções

História

Notícias

MODA

Alta Costura

Prêt a Porter

Tendências

Acessórios

Notícias

BELEZA

Perfumes

Tratamento

Novidades

Looks

Cabelos

NOTÍCIAS

Perfumes

Tratamento

Novidades

Looks

Cabelos

  • Instagram ícone social
  • Twitter Social Icon
  • Facebook Social Icon
  • YouTube Social  Icon
  • Pinterest Social Icon