Manet e a Beleza Moderna

A exposição” Manet e a Beleza Moderna”, inaugurada no dia 18 Junho no Art Institute of Chicago é, sem dúvida, o grande acontecimento cultural do Verão, já que a mostra se mantém até 8 de Setembro do ano em curso neste museu, finalizando a sua apresentação a partir de 8 de Outubro próximo até 12 de Janeiro de 2020, no J. Paul Getty Museum, em Los Angeles.

Este acontecimento concentra-se exclusivamente em Édouard Manet, reunindo uma impressionante variedade de cenas de género, naturezas-mortas e retratos de mulheres da moda: actrizes e modelos preferidos, burguesas no seu meio, assim como os seus amigos íntimos do sexo masculino.

Édouard Manet (1832-1883) ganhou o seu lugar como o principal pintor de vanguarda de Paris, uma cidade moderna através de uma série de pinturas provocantes que chocaram o público desse tempo.

“Manet e a Beleza Moderna” é a primeira exposição a explorar os últimos anos da sua curta vida e destaca um lado menos familiar e mais intimista da obra deste célebre artista. Na mostra podem-se observar retratos elegantes, naturezas-mortas maravilhosas, desenhos a pastel delicados, aguarelas e ainda pinturas de cafés, que eram moda naquele tempo e cenas de jardins, que transmitem o elegante mundo social de Manet revelando o seu crescente fascínio pela moda, pelas flores e pela Parisiense - para o artista, uma personificação feminina da vida moderna em todas as suas particularidades, como uma beleza efémera.

 

Exposição

Entre os quadros apresentados na mostra, destacam-se duas pinturas marcantes, uma de uma jovem modelo e actriz Jeanne Demarsy envergando um vestido muito elegante com guarda-sol, luvas e chapéu num cenário florido e de plantas exuberantes, que a identificou como a Primavera e assim como outra amiga de Manet, a actriz Méry Laurent, que a relacionou com o Outono. Ao lado destas imagens criou um projecto para retratar as estações do ano, através de pinturas de mulheres elegantemente vestidas.

Essas obras fazem parte de uma impressionante colecção de “Femmes de Manet”, retratos e pinturas de género de mulheres que variam em todo o seu espectro social. Completando essa exibição, podem-se admirar as cartas delicadas e raramente vistas que Manet escreveu aos seus conhecidos, apresentando ilustrações requintadas. Destaca-se ainda as grandes pinturas com muitas figuras, incluindo os trabalhos, como Conservatório e Passeio de Barco, ambos mostrados no Salon de 1879, que salientavam a atenção nas relações modernas e sociais. Essas pinturas destacam o desenvolvimento final do talento de Manet à medida que ele colocava o seu trabalho, sempre atento ao momento, sob a influência da vida moderna.

“Como em todo artista, existe aquele que conhecemos e aquele que não se conhece, e o nosso trabalho no Art Institute, é levar o visitante a ver algo desconhecido. Há uma série de pinturas de Salon mais conhecidas de Manet na exposição, mas também desenhos delicados, retratos e cartas ilustradas que falam com um artista mais íntimo, que sempre consegue, apesar dos seus desafios, tirar-nos o fôlego," disse Gloria Groom, da Pintura e Escultura Europeias do Art Institute of Chicago.

A exposição apresenta mais de 90 obras de arte, incluindo aproximadamente 50 pinturas, numerosos pastéis e muitos trabalhos em papel (cartas, aquarelas, gravuras) e publicações históricas. A mostra também incluiu acessórios de moda e vestuário da época.

"O mais notável nos últimos anos de Manet é a questão criativa, que o mestre conseguiu manter, apesar da sua saúde estar em declínio. O interesse dele aumentou em relação às belas parisienses, à natureza-morta que pintou enquanto estava limitado ao estúdio, as imagens do jardim que fez enquanto procurava curas nos subúrbios e as cartas que ele escreveu e ilustrou a aguarela enquanto estava longe dos seus amigos e da sociedade parisiense - todos eles mostram o afecto apaixonado do artista às delicadas belezas e aos prazeres efémeros deste mundo. Os últimos trabalhos de Manet estão entre os mais belos e vibrantes que ele pintou e revelam um lado mais intimamente humano de um artista muitas vezes visto como um dos grandes heróis e rebeldes da arte moderna " observou Scott Allan, Curador Associado de Pinturas do J. Paul Getty Museum.

A mostra foi organizada pelo Art Institute of Chicago em colaboração com o J. Paul Getty Museum.

 

Edouard Manet

Edouard Manet nasceu em 1832 em Paris e ali morreu em 1883. Desde jovem convivia com escritores e músicos, o que lhe ajudou a formar as suas ideias artísticas.


Manet é considerado o precursor do Impressionismo, porque ele já vinha quebrando as regras ou normas clássicas da pintura com os estudos que realizava com o grupo dos Realistas - movimento artístico que antecedeu o Impressionismo, o qual defendia a ideia de que ao artista não competia "melhorar" artificialmente a natureza, pois a beleza estaria na realidade tal qual ela é.

Um insucesso no concurso à Escola Naval fá-lo embarcar num navio escola como praticante de piloto, tal como Baudelaire e como, mais tarde, Gauguin. Concorreu, novamente sem êxito, à Escola Naval e desistiu definitivamente de ser oficial de marinha. Foi o momento em que surgiu uma nova vocação que o levou a inscrever-se no atelier de Thomas Couture, cujo ensino era muito académico. Entretanto visita o Louvre e os museus da Bélgica, Holanda, Alemanha, Áustria e Itália influenciando-se pelos pintores como, Velazquez, Ticiano e Tintoreto, adquirindo deste modo uma sólida formação tradicional. De resto, tal preparação estava de acordo com o seu meio, burguês e abastado, e consigo próprio, homem elegante e sociável, que tinha a suprema aspiração da glória oficial e das honras do Salon. No entanto, queria ser o pintor do seu tempo e não do passado. Dizem que ele seguiu um conselho de Charles Baudelaire, isto é, que se dedicasse a ser “le peintre de la vie moderne”.

Para alegria de Manet e da jovem intelligentsia parisiense, sempre foi apaixonada pela actualidade da sua época. Estudou os clássicos sem abrir mão de pintar ao seu modo tanto os retratos, como a confusão urbana e temas que nunca foram dignos de serem pintados a não ser os religiosos, mitológicos ou da nobreza. A multidão foi o seu universo, a sua atracção era a observação fora de casa sentindo-se em casa ao mesmo tempo.

 

 

 

 Para pintar "Concerto nos Jardins das Tulherias," às vezes chamado de "Música nas Tulherias," Manet colocou o seu cavalete ao ar livre e ali ficou horas, enquanto compunha uma multidão elegante de moradores da cidade. Quando ele mostrou a pintura, alguns pensaram que estava inacabada. Talvez a sua pintura mais célebre é "O Almoço na Relva", que ele completou e exibiu em 1863. A cena de dois jovens vestidos e sentados ao lado de uma mulher nua chocaram vários dos membros do júri ao fazerem selecções para o Salon de Paris, a exposição oficial organizada pela Académie des Beaux-Arts. Devido à sua indecência percebida, eles recusaram-se a mostrá-lo. Manet não estava sozinho, mais de 4.000 pinturas foram impedidas de entrar naquele ano. Em resposta, Napoleão III montou o Salon dos Recusados para expor algumas dessas obras rejeitadas, incluindo a apresentação de Manet.

Tentando mais uma vez para ganhar aceitação para o salon, Manet submeteu "Olympia" em 1865. Este retrato impressionante, inspirado por Ticiano em "Vénus de Urbino", mostra uma beleza nua em descanso que descaradamente olha para seus espectadores. Os membros do júri do salon não ficaram impressionados e consideraram-no escandaloso, como o fez o público em geral. Contemporâneos de Manet, por outro lado, começaram a considerá-lo um herói, alguém disposto a quebrar os padrões, liderando a transição do realismo ao impressionismo. Depois de 42 anos, "Olympia" seria instalado no Museu do Louvre.

Após tentativa frustrada de Manet, em 1865, ele viajou pela Espanha, quando pintou "O cantor espanhol." Em 1866, conheceu e fez amizade com o escritor Emile Zola, que em 1867 escreveu um artigo brilhante sobre Manet no jornal francês Fígaro. Ele apontou-o, como o exemplo de quase todos os artistas significativos, que começaram por oferecer sensibilidade. Esta avaliação impressionou o crítico de arte Louis-Edmond Duranty, que também começou a apoiá-lo e pintores como Cézanne, Gauguin, Degas e Monet tornaram-se seus amigos.

Manet pintou muitas cenas de café como "No café", "Os bebedores de cerveja" e "O Café - Concerto", entre outros, os quais retratam o século XIX em Paris. Ao contrário de pintores convencionais da sua época, ele esforçou-se para iluminar os rituais de ambos, os franceses comuns e a burguesia. Na obra, "Os bebedores de cerveja", as suas figuras estavam a ler, esperando os amigos para beberem e conversarem. Em contraste com as suas cenas de cafés, Manet pintou também as tragédias e os triunfos de guerra.

Em 1874, Manet foi convidado para mostrar as suas obras na primeira exibição de artistas impressionistas. Apesar de ser solidário ao movimento, ele recusou, assim como outros sete convites. Queria ficar ligado com o Salon e um ano depois da primeira exposição impressionista, foi convidado para desenhar as ilustrações para o livro de edição francesa de Edgar Allan Poe " O Corvo". Em 1881, o governo francês concedeu-lhe a Légion d'honneur. Faleceu dois anos mais tarde, em Paris, em 30 de Abril de 1883.

Além de 420 pinturas, deixou para trás uma reputação, que o definia como um artista ousado e influente.

O seu primeiro contacto com o júri de admissão do Salon foi muito mau, porque o seu quadro “Bebedor de Absinto” (1859) foi recusado, apesar da opinião favorável de Delacroix. Daí para diante, Manet não deixaria de fornecer grandes motivos de escândalos com as obras que enviava ao Salon. Entretanto, foi criando o seu estilo, onde se fazem notar negros aveludados, cinzentos cheios de encanto e brancos abatidos e, aqui e além, a estridência desta ou daquela cor ácida. Pôs de parte o modelado, a pintura tonal que caracterizava o Realismo de Courbet cerca de dez anos antes.
Os quadros que representavam ruptura com o academicismo provocaram grandes escândalos. O maior deles aconteceu em 1863, quando Manet enviou para o Salon dos Artistas Franceses a tela Almoço na Relva. Claro que foi recusada. Esta obra foi importante pois inovou tanto no tema quanto a um novo elemento: a luminosidade. Críticos de arte consideram este elemento inovador como precursor do Impressionismo.


Édouard Manet vinha de família rica da burguesia, ao contrário de Coubert, o seu realismo não tinha intenções sociais. Posteriormente, descobriu-se que Manet inspirou-se em pinturas renascentistas como Concerto Campestre. Porém o que distinguia das obras renascentistas era o facto de Manet trabalhar com personagens da vida real enquanto os outros com figuras lendárias.

Uma das inovações mais importantes da obra de Manet foi a importância da luminosidade mais intensa como se pode perceber em obras como Tocador de Pífaro, o Almoço no Atelier e o Bar de Folies-Bergère.

Em 1860, Manet sofreu a influência que, mais que qualquer outra, deve ter determinado o carácter da sua obra inicial: a dos Mestres espanhóis. No entanto, os seus quadros com temas espanhóis não foram inspirados nos quadros de Goya ou de Velazquez, mas sim nos toureiros, músicos e bailarinos de grupos ambulantes.

Em 1874, Manet teve vários contactos com Monet e a partir desta época com a sua influência, decidiu-se pintar ao ar livre, captando as silhuetas das figuras e os seus reflexos na água, assim como as vibrações da luz com grande agilidade.

O encontro entre os dois pintores produziu uma transformação importante na obra de Manet com a passagem à pintura ao ar livre, que só mudou o seu método e aclarou a paleta, mas a sua trajectória de pintor encontrou outra dinâmica, a partir da nova visão e os temas seriam então estudados como tais, não em telas únicas, mas em séries continuadas.

Manet pintou o tema dos reflexos da água e da luz, naturezas mortas, flores e retratos de forma constante, superando os seus antigos modelos de inspiração espanhola.

Manet observou e desenhou directamente com o pincel, até obter resultados seguros. A cor foi entendida à maneira dos venezianos, a partir de um ponto de vista tonal, isto é, nos seus valores de luminosidade e não nos claros escuros, assim, deste modo, desaparecia o modelado e as zonas de cor justapunham-se mediante uma pincelada rápida, reduzindo o claro escuro ao mínimo, descuidando a representação do espaço tridimensional, Manet obteve uma forte nitidez de imagens, um colorido preciso e intenso e uma composição bem estruturada. Por este processo, Manet foi um criador de imagens, mais do que o reprodutor de elementos da natureza. Estas imagens visuais, depositárias de valores plásticos e de grande qualidade pictórica, fizeram com que nós nesta revista tenhamos vibrado por trazer aos nossos leitores uma das muitas maravilhas da pintura – a do grande mestre Manet.

 

Theresa Bêco de Lobo

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