O Advento do Artista I Exposição no Museu do Louvre

Para a sua quinta temporada, La Petite Galerie do Musée du Louvre, em Paris - um espaço dedicado à arte e à educação cultural – apresenta uma exposição intitulada "O Advento do Artista".

Inaugurada a 25 de Setembro de 2019, a edição deste ano coincidiu com um ciclo de exposições do Louvre dedicadas aos génios renascentistas, tais como Leonardo da Vinci, Donatello, Michelangelo e Albrecht Altdorfer de 2019 a 2020. Porém, em 2020 a duração curta, mas todos esperamos que continue durante os meses que estavam previstos. Haja paciência para esperarmos pelo fim desta maldita pandemia que alterou todas as programações e está a paralisar o nosso mundo.

 

É no Louvre, templo da arte e espaço de exposições, reconhecido internacionalmente, que aguardamos a hora de visitar a está a mostra: “o Advento do Artista”.

Durante o Renascimento, pintores e escultores libertaram-se, gradualmente, do “status” de artesãos alcançando uma dimensão mais elevada, familiarizada com as altas esferas políticas: evidenciada pela acção de Laurent, o Magnífico, líder florentino, considerado um dos maiores protectores fervorosos das artes e dos artistas.

 A arte despertou o interesse da cidade de Florença, no sentido amplo, mas também da literatura (nascimento das biografias dos artistas) e da filosofia. O mestre então adquiriu o seu reconhecimento da nobreza no século XV, e os mais talentosos tornaram-se então "celebridades”

A exposição destaca a forma como os criadores passaram do status de artesãos, principalmente anónimo nos tempos antigos, para artistas célebres do Renascimento, ao ponto de se tornar heróis, quiçá personagens de romance ou lendárias. A literatura foi, portanto, naturalmente a arte convidada desta quinta temporada, com o desejo de ilustrar o elo antigo que existe entre as artes visuais e a literatura.

Através de quatro salas ("assinaturas", "auto-retratos", "vidas de artistas", "a academia e o salão"), a mostra descreve assim o surgimento e a afirmação da figura do mestre, das primeiras assinaturas de artesãos da Antiguidade aos auto-retratos da era romântica.

Num cenário excepcional: La Petite Galerie du Louvre, longe do tamanho gigantesco das outras enormes salas do museu, oferece um ambiente mais íntimo, com menos obras de arte em exibição. As trinta obras estão expostas numa sala de 250m2, que não sobrecarrega o visitante e apresenta análises artísticas mais cuidadas. La Petite Galerie é considerada uma “escola do olhar” e opta por uma cenografia estimulante e didática. Através deste espaço pode-se, em particular, admirar uma obra de arte ou reconhecer as particularidades de um artista.

O aspecto educativo das exposições apresentadas nesta sala é uma boa porta de entrada para o mundo fascinante da arte. Como resultado, pode contribuir apenas como um desejo: visitar e continuar a percorrer as outras salas do museu.

 

A Figura do Artista

Em virtude do Humanismo, os artistas do Renascimento puderam desfrutar dos ambientes intelectuais e da realeza. Alguns casos célebres desse fenómeno foram: Leonardo na corte de Francisco I, Tiziano na de Carlos V, Rubens a serviço do rei de Espanha em Flandres, Velázquez camarista de Felipe IV. Os pontificados de Júlio II e Leão X, converteram-se no maior mecenato da arte de todos os tempos. Júlio II, ao reunir na sua corte: Bramante, Rafael e Michelangelo, empreendeu obras artísticas de tal envergadura – com os trabalhos arquitectónicos e decorativos da Igreja de São Pedro – em que a posição do mestre se engrandeceu extraordinariamente, em relação à sua imagem aos olhos da sociedade e, também, dos intelectuais que, por fim, deviam aceitar os pintores, escultores e arquitectos com a mesma categoria.

 

O Artista Académico

A origem das Academias de arte de Florença e Roma esteve vinculada à posição vanguardista do processo artístico italiano com respeito ao dos outros países, mas também à própria idiossincrasia da arte na segunda metade do Cinquecento, isto é, do Maneirismo. No século XVII, a época genuína do Barroco, a situação do artista é muito diferente de acordo com a diversidade política e ideológica nas nações europeias. Os países não católicos conservavam estruturas associativas mais retrógradas, enquanto que os países católicos davam mais liberdade de expressão, glorificando a Igreja da Contra-Reforma. Em 1648 fundou-se a “Académie Royele”, a mais célebre das academias de arte, em que estava destinada a mudar notoriamente a figura do artista.

Os programas de ensino dessa academia de artes eram amplos e rigorosos, submetendo os estudantes a uma selectividade estrita. Os cursos incluíam tanto o ensino técnico (desenho, modelado, anatomia, etc.) quanto, inspirando-se no projecto educativo renascentista, matérias humanísticas e científicas como ciências naturais, astronomia, geografia, matemática, etc. Após o término dos cursos, os alunos mais destacados eram enviados a Roma (daí a obsessão da “viagem a Roma” dos artistas dos séculos XVIII e XIX) durante quatro anos, com a condição de remeter a França nos seus trabalhos. Concluindo o ciclo de formação, o artista adquiria a categoria de académico e, graças à protecção monopolista oficial, tinha assegurado o seu trabalho em relação àqueles pintores ou escultores não graduados pela Académie.

Foi, unicamente durante a Revolução Francesa, que se começou a recusar a noção de arte ao serviço do Estado e surgiram vozes a favor da liberdade criativa. Realmente esta mudança, derivada pelo processo revolucionário, estava vinculada ao nascimento do movimento romântico, o qual, de acordo com as suas premissas, concebia o processo criativo desde um ângulo totalmente oposto do artista académico.

O Artista Contemporâneo

No princípio do século XIX, a concepção artística do Romantismo sofreu uma mudança radical com respeito à função da arte e ao trabalho do artista. Para os românticos a criação artística era, acima de tudo, a expressão da subjectividade individual. Durante o século XIX proliferaram as academias de arte, algumas delas, como “École des Beaux-Arts” parisiense, mas apesar disso, os criadores  procuravam os “ateliers” dos mestres para a aprendizagem das artes, como no Renascimento, a fim de terem mais liberdade criativa e contacto com a natureza. Como herdeiro, em certo modo, do atelier renascentista surgiu o estúdio; isto é, o marco por excelência do artista actual.

Nas origens do século XIX o estúdio era o lugar de trabalho do artista e indicava personalização e independência. Também era o espaço próprio da reflexão artística mediante a qual o homem, em solidão, concebeu e realizou a sua obra. No entanto, o estúdio podia ser, também, um lugar de reunião no qual alguns discípulos iam para receber os ensinamentos do seu mestre ou, simplesmente, onde se trocavam opiniões de diversos artistas.

Em Paris dos meados do século XIX, realizaram-se as primeiras exposições sistemáticas de pinturas (os Salões). A burguesia parisiense exigia uma drástica transformação do mercado de arte encaminhada a substituir a reduzida clientela da época anterior (a Igreja, a Monarquia, os aristocratas e os altos banqueiros e comerciantes) por outra, consideravelmente mais larga, limitada nas classes médias. Os Salões foram constituídos para canalizar o novo mercado de arte, no entanto, com o tempo muitos artistas marginalizados revoltaram-se contra estas exposições oficiais, criando os Salões Independentes. Pelo seu significado histórico é interessante lembrar o caso do pintor Gustave Coubert, cujo quadro “O Estúdio do Pintor, ou Alegoria Real dos Último Sete Anos”, que foi rejeitado pelo júri que decidia definir quais as obras, que estariam no Salão de 1855. Coubert pedindo dinheiro emprestado, decidiu organizar uma mostra particular da sua obra, que se converteu na primeira exposição individual da história da arte.

A segunda metade do século XIX foi pródiga em enfrentar uma cultura que ainda permanecia ligada ao academicismo e outra ligada a outro aspecto em que muitos artistas defendiam a sua total independência. Esse confronto suscitou alguns fenómenos como: muitos pintores caminharam pela formação autodidata, com uma relação esporádica com outros colegas aos quais consideravam afins; graças à independência da figura do artista que podia tomar corpo no processo dos vanguardismos estilísticos; a tensão entre a cultura ideológica da sociedade e a atitude independente do artista que repercutia directamente no comportamento social deste.

O pintor expõe mais ou menos livremente as suas obras – das mostras colectivas à individuais – e, como contrapartida, onde o público tem um acesso aberto e directo aos mesmos. Mas é o marchand, intermediário entre obras e público, entre artistas e clientes, que não só arbitra no mercado de arte, mas que, mediante as flutuações do valor comercial, influi decisivamente na valorização artística de um determinado pintor ou escultor. Junto ao aparecimento da figura do marchand, o século XIX facilitava a profissionalização do crítico de arte.

A situação do artista dos tempos presentes é em certo modo paradoxal e, provavelmente, dependente da tensão entre a imagem altamente emancipada que tem de si mesmo e a complexidade do marco social no qual desenvolve o seu trabalho. Em nenhuma outra época houve tantos homens e mulheres que se considerassem artistas como nos nossos dias, no entanto, ao mesmo tempo, só uma escassa minoria, deles podem actuar como artistas profissionais, plenamente dedicados à sua obra.

 

A Exposição

Através de um cenário excepcional das quatro salas ("Assinaturas", "Autoretratos", "Vidas de Artistas", "a Academia e o Salão"), a exposição descreve assim o surgimento e a afirmação da figura do artista, desde das primeiras assinaturas dos artesãos da Antiguidade aos auto-retratos da era romântica.

Foi durante o Renascimento que os artistas afirmaram a sua independência e exigiram reconhecimento como criadores por direito próprio. No entanto, o advento do artista era aguardado há muito tempo. Esta exposição destaca atentamente a transição do artesão tipicamente anónimo do período clássico para o artista do Renascimento, às vezes célebre por se tornar o herói de romances e lendas. É essa conexão de longa data entre as artes visuais e a palavra escrita que inspirou o foco desta edição na literatura. A exposição está espalhada por quatro salas, o evento apresenta cerca de quarenta obras de arte dos oito departamentos curatoriais do Louvre, além de textos de literatura, com o objetivo de traçar o surgimento e o reconhecimento do artista da Antiguidade até ao século XIX.

Assinaturas

Várias obras de arte assinadas do período clássico testemunham uma ambição precoce de superar o status de artesão, com inscrições e assinaturas fornecendo pistas importantes sobre a identidade dos artistas.

 

Auto-retratos

Durante o Renascimento, os artistas transcenderam bem e verdadeiramente o grau de artesão, desenvolvendo o género do auto-retrato. Um dos auto-retratos mais notáveis do Louvre, o Retrato do artista segurando um cardo de Albrecht Dürer (1493) aparece ao lado do Auto-retrato de Rembrandt com cavalete (1660), entre outros.

 

Vida de Artistas

Obras da história de arte e da literatura tendem a descrever os artistas como génios criativos que eram muito admirados e comentados pelos seus pares. Os artistas tornaram-se, assim, um sujeito em si mesmos.

 

A Academia e os Salões

Antes do seu trabalho entrar oficialmente no museu, os artistas ganharam reconhecimento e encomendas das suas obras  reconhecidas graças à Academia Real de Pintura e Escultura, fundada em 1648 (substituída em 1793 pela Academia de Belas Artes), bem como à primeira exposição temporária da arte contemporânea - o Salon - que exibiam as suas criações sob os olhos atentos dos críticos.

Os visitantes podem ser guiados através da exposição por legendas ilustradas, fornecendo informações sobre as obras de arte, vários textos literários, filmes e exibições digitais que explicam a arte exposta.

Uma exposição notável a não perder, porque se nestes tempos preocupantes viajar ou visitar museus é impossível, mas vamos ter esperança, que talvez nos meses mais próximos, possamos ter a possibilidade de lá irmos. Até lá vamos preenchendo o nosso olhar com a beleza das obras expostas.

 

Theresa Bêco do Lobo

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