"in memoriam" da Princesa Diana de Gales   

           LADY DI – PRINCESA DE GALES – RAINHA DO CORAÇÃO DO POVO        

Conheci Lady Di no Polo Cartier, em Windsor, no verão de 1986, já tinha casado com o Príncipe de Gales. Era uma princesa tímida, elegante de figura e de maneiras, atenta, generosa.

O almoço que teve lugar numa tenda, em Windsor, contou com a presença de muitas celebridades, tais como como Jane Seymour e Ringo Star. Na mesa onde me sentaram, colada à de Diana, (ocasião onde trocámos as primeiras palavras), tinha à direita o brigadeiro Thwaites e à esquerda o Príncipe Kapoor (Índia). No final do almoço, Diana, a sorrir, pediu-me desculpa por estar de costas para mim. Apresentei-me, disse-lhe a frase feita “os anjos não têm costas” e ficou a saber que estava diante de uma portuguesa, o que originou o comentário: ”nunca imaginaria”. Não perguntei porquê.

No ano seguinte, a 12 de Fevereiro de 1987, os príncipes de Gales vieram a Portugal inaugurar a futura sede do Lloyds Bank PLC, na Avenida da Liberdade, (edifício onde está hoje a sede do BBVA). Nessa ocasião, o Lloyds tinha uma revista que eu própria criei e da qual fui directora até ao último minuto do Banco no nosso país. Assim, acompanhei a visita com alguns privilégios que não foram concedidos a outros meios, como, por exemplo, o Jantar de Gala, na sala dos Embaixadores no Palácio Nacional da Ajuda, que o então Presidente da República, Dr. Mário Soares ofereceu, revestido de grande pompa e carinho especiais, para comemorar o sexto centenário da Aliança Luso-Britânica.

A anteceder o jantar no Palácio da Ajuda, os Príncipes tiveram a oportunidade de inaugurar uma exposição da responsabilidade da Drª. Isabel da Silveira Godinho, directora do P.N.A., denominada “Jóias do Quotidiano da Família Real”, que Isabel, no seu excelente inglês, explicou à Princesa Diana, desde alguns pormenores das jóias portuguesas do séc. XVIII, às jóias de Castellani que foram oferecidas à rainha Maria Pia, (como prenda de casamento), e peças assinadas por Fabergé. Enfim, um conjunto que não sendo as Jóias da Coroa Inglesa, não envergonhava Portugal. A Princesa Diana que trazia um colar de pérolas com uma enorme safira, como se fosse um medalhão central, seguiu interessada o que foi a vida Real Portuguesa.

Como curiosidade, esse mesmo colar foi usado por Diana quando da sua viagem oficial aos E.U.A., onde ficou célebre a sua dança com John Travolta.

No mesmo ano de 1987, voltámos a encontrar-nos em Windsor e aí, antes do almoço, a nossa conversa foi mais prolongada. Falou-me da Moda & Moda que tinha recebido dias antes, e foi a primeira pessoa a classificar o meu trabalho “de muito didáctico”. Relatou-me as suas actividades e preocupações com a sorte dos menos favorecidos e lia-se no seu olhar que o seu coração estava com o povo de todo o mundo que tivesse dificuldades especiais.

Numa conversa informal, falámos de moda do vestuário e de assuntos de ordem social, que eram para si primordiais. Tratava-me por Marionela, com muita doçura, mas nunca me atrevi a deixar de a tratar por Alteza. A sua afabilidade era extrema.

 

Mais tarde, tornei a vê-la, a convite do meu saudoso amigo Gianni Versace, em Londres, num desfile organizado pela Duquesa de Kent.

Diana era deslumbrante. Tanto estava bem com um vestido de algodão, como envergando um traje de gala com direito a tiara. O seu cabelo era lindo e qualquer penteado lhe iluminava o rosto. Os meus colegas de imagem perdiam a cabeça com a elegância da sua figura e citavam as pernas como mais bonitas do que as de qualquer manequim no top.

Quando falava nos seus filhos sorria com o olhar mais doce do mundo e disse-me, uma vez, em confidência: ”é por eles que vivo”.

Os príncipes de Gales separaram-se em Dezembro de 1992. A imprensa que faz da bisbilhotice as suas notícias para aumentar as vendas, não dava tréguas à Princesa de Gales.

Num encontro com Versace comentou para mim: “Marionela: estimo-a muito porque vejo como respeita as pessoas”. Chorámos juntas, sem soluços, pela primeira vez. Contou-me que tinha um trabalho árduo com os doentes com SIDA e que estava a preparar uma ida a Angola com o objectivo de alertar as populações e as comunidades internacionais para  que destruíssem as minas onde fosse necessário de modo a evitar que  mais crianças sofressem as mutilações das minas das guerras.

A última vez que a vi, foi no Duomo de Milão, na Missa do 7º. Dia após a morte do nosso saudoso amigo comum, Gianni Versace - o grande mestre da costura, o mesmo que me havia abraçado com palavras de muito conforto quando o meu marido faleceu e que me convidou para momentos muito importantes no Scala de Milão.

O ano de 1997 foi, para mim, um ano de uma enorme fatalidade. Assisti ao desfile de Gianni Versace no Hotel Ritz, sentada no lugar de Leonardo di Caprio. Di Caprio, tinha ficado nos bastidores com Versace e eu tinha chegado atrasada sofreu uma reparação de última hora. Pousei as malas no Hotel Intercontinental, meu porto de refúgio em Paris, e corri para o Hotel Ritz. A minha amiga da imprensa, indicou-me a cadeira vazia. Foi o pior desfile a que assisti. Os modelos, muito escuros, surgiam na “passerelle”, cada vez mais enfeitados com cruzes. Versace, nunca vinha à passerelle e nessa tarde até deu a volta pela sala toda atirando beijos às suas clientes ou amigas. Atirou-me um beijo, mas assim que o desfile terminou não cumprimentei ninguém e sai em grande fuga.

Na semana seguinte, tinha o compromisso de ir a Paris fazer um trabalho de investigação histórica para a marca Chaumet por encomenda da própria empresa. Quando cheguei ao Hotel Ritz, lugar destinado pela Chaumet para o nosso encontro, tomei conhecimento do assassinato de Versace, a que num artigo da Moda & Moda chamei a “Morte de um Génio”. Mas, como esse génio entra aqui pela sua amizade com Diana e porque foi por ele que, pela última vez, a vi, não resisti a contar este episódio.

Aparentemente, a Princesa Diana pareceu-me estar em boa forma, apesar do momento ser muito triste para as duas. Chorámos abraçadas, sem alardes.

Decorrido pouco tempo, a notícia da morte da Princesa Diana a 31 de Agosto do fatídico ano de 1997 deixou-me profundamente abatida. Com aquele acidente na Ponte d ´Alma, em Paris, ainda mal explicado, a morte ceifou a aristocrata que estava no coração do povo de todo o mundo. A morte andou à solta e levou a mais brilhante figura feminina do séc. XX, não lhe dando sequer o tempo para ver os netos que ela trataria como ninguém. A morte de inveja, levou-a e consigo os que a acompanhavam.

Uma morte absurda e sem mensagens.

Pouco depois, talvez para provar que não há duas sem três, a Madre Teresa de Calcutá, que na sua bondade de santa inspirava a Princesa, faleceu quando realizava uma função religiosa por intenção da Princesa do Povo, título que se deve ao 1º. Ministro britânico, Tony Blair.

Será que a sua neta honrará as raízes da avó? E Harry, o menino que mais a preocupava e que continua as causas da mãe será capaz de cuidar de tanta obra começada?

Só Deus sabe. Oxalá que sim. Por mim será sempre lembrada como a mais doce personalidade que conheci. Continuo a rever-me no seu filho Harry, o menino que já tem mais 20 anos sobre os seus ombros onde pesa muita angústia  e muito sofrimento.

 

Marionela Gusmão

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