Karl Lagerfeld I A Continuidade melhorada da CHANEL

Às vezes leio em jornais e revistas certas notícias que me dão vontade de rir e que passam muito por textos de quem não sabe, efectivamente, o que diz. Até já li que o “tailleur” se deve a Coco Chanel…

Um disparate!

Em 1915, já Redfern e também Doeuillet apresentavam conjuntos de saia e casaco evocando a crinolina a que chamaram o estilo Parisiense.

E o que Chanel apresentou em 1916 eram apenas três trajes em jersey que não tinham muito a ver com aquilo que depois se convencionou chamar “tailleur”.

Os verdadeiros “tailleurs” devem-se a Schiaparelli, sendo que um modelo de linha direita, da sua autoria, apresentava o casaco com uns lábios bordados, dentro do espírito surrealista que a caracterizou, o qual foi apresentado com um sapato na cabeça a fazer de chapéu (“Inverno de 1937”).

Como sabemos a 2ª. Guerra Mundial desequilibrou todas as áreas, tendo esta catástrofe conduzido a uma mudança de hábitos e estilos no vestuário.

Jean Patou, em 1939, continuou a ser um grande mestre. É da sua autoria um casaco de astrakan curto com uma saia justa em tecido, que muitos confundem com um “tailleur”.Para isso, a saia deveria ser confeccionada no mesmo material do casaco.

Quando a guerra terminou, nasceu uma viva reacção à memória dos anos negros da ocupação francesa. Em 1947 Christian Dior lançou a sofisticada moda que uma jornalista americana chamou: “New look”. E aí nasceram grandes “tailleurs”.

E, foi apenas em 1959 que a Chanel lançou um “tailleur” em “Pied de Poule” antes dos tailleurs em tweed com os galões que foram apresentados pela Romy Schneider para os quais muito colaborou o duque Fulco di Verdura, o mesmo génio que criou os tecidos e os botões com uma pérola central rodeada por uma corrente.

Aliás, a seguir à Grande Guerra a imagem da Chanel não era a mais recomendável… Foi aliada dos alemães.

De resto, de 1939 a 1954 a casa esteve fechada, voltando apenas a abrir e sob a sua direcção até 1971, data em que faleceu aos oitenta e oito anos de idade. De então para cá, a casa teve vários directores até que em 1983 Karl Lagerfeld fez o milagre de ressuscitar Chanel, como ela nunca tinha sido. Personagem mediática e grande artista multifacetado, Lagerfeld teve na manequim Inês de La Fressange o sonho que Chanel não foi capaz de realizar, pese embora o sucesso com o perfume número 5.

O “matelassé” de Chanel que Lagerfeld desdobrou e a forma como continuou o espírito de Chanel herdado do Verdura (misturava pérolas verdadeiras com as falsas) fez desta marca uma das mais célebres do mundo.

Curiosamente, as milionárias asiáticas entraram na onda da CHANEL-MANIA e vestem-se da cabeça aos pés com os modelos que o inesgotável criador apresenta todas as temporadas.

Grande criativo!

O criativo que no último desfile desta temporada Outono/Inverno 2017/2018 ano teve a ideia de criar uma réplica da torre Eiffel no jardim do museu da moda no Palais Galliera que nos trouxe à memória as nossas grandes amigas, Madeleine Delpierre e Madeleine Nicolá, já desaparecidas, com quem trabalhámos, quer no Museu do Traje em Lisboa, em Lisboa, quer no Musée de la Mode et du Costume, em Paris, respectivamente directora do museu e directora das exposições.

No Museu do Traje fui encarregada de completar os modelos com os acessórios num espaço temporal de 1900 a 1970. Em Paris colaborei na Exposição “Indispensables Accessoires – XVIème – XXème”.

Deixo-vos com Karl Lagerfeld – um criador que nunca me canso de aplaudir. Gostei desta Colecção de Alta-Costura, da sua inspiração nos Anos 30, do corte, dos chapéus. Gostei! Bravo!

 

Marionela Gusmão

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