Mês de Junho 30 Dias de Festejos Populares

O mês de Junho é um tempo de festas de norte a sul do nosso país. São 30 dias de festejos populares em homenagem a Santo António, São João e S. Pedro.

 

O mais homenageado de todos é, sem dúvida, o nosso português, Santo António, que nasceu junto à Sé de Lisboa a 15 de Agosto em 1191.

SANTO ANTÓNIO EM LISBOA E OUTROS LUGARES

O Santo sempre se tem comemorado na data da sua morte que ocorreu a 13 de Junho de1231, a 6 Km. de Pádua. 

Filho de Tereza e de Martinho, ambos de descendência notável ligada à conquista de Lisboa, o Santo nasceu, segundo a tradição, numa casa construída no sítio da Pedreira, entre a porta principal da Sé e o Arco de Ferro, (há muito desaparecido), no mesmo local onde hoje se encontra erigida a sua Igreja.

Os italianos teimam em dizer que ele é Santo António di Padova (Pádua) e nós insistimos que ele é de Lisboa, embora saibamos que os santos tomam o nome dos lugares onde morrem.

A sua história é linda e a autora deste texto escreveu um livro a propósito dos 750 anos da morte de Santo António que motivou grandes festejos e até a 4ª. exumação, em Pádua. O livro teve uma tiragem de 16.000 exemplares. Esgotou, mas com alguma paciência ainda se encontra em algum leilão. 

Na igreja que já sofreu muitas obras, resta ainda a “CRIPTA”, que a tradição aponta como o local onde nasceu Santo António, a qual é frequentada fervorosamente por aqueles que, no dia a dia, deparam com situações e problemas humanamente incompreendidos, sendo hoje um lugar onde pela simplicidade e envolvimento místico, a alma se eleva numa ânsia de aproximação superior.

A cripta é visitada por gente de todas as idades, com maior ou menos devoção, umas vezes com um sentimento de esperança no atendimento de um pedido feito e outras de comovido agradecimento por uma graça concedida. 

Nos últimos tempos, a Cripta é muito visitada pelos turistas que enxameiam as ruas de Lisboa. 

Na parede do fundo onde existe um pequeno altar por ver-se a seguinte inscrição: 

NASCITUR HAC PARVA UT TRADUNT

ANTONIUS AEDE QUEM COELI NOBIS

ABSTULIT ALMA DOMUS

 

Ou seja:

“Nesta pequena casa, segundo a tradição, nasceu e habitou António cuja alma o céu nos roubou”

Aqui, nesta pequena capela, de máxima simplicidade, é comovedora a devoção que o seu espírito criou.

O Santo António tem sido pretexto para casamentos que estão muito longe do espírito do rei D. Manuel I, o mesmo que doou muitas terras na outra margem do Tejo para as filhas, bem comportadas, dos homens que partiram para os Descobrimentos e não mais voltaram. A essas terras ninguém sabe o que aconteceu e as virgens de agora não têm rigorosamente qualquer relação com as noivas que o rei quis proteger. Hoje, fazem parte do folclore.

Quanto às marchas, inventadas pelo Estado Novo, que o actual dinamiza, em termos de vestuário são verdadeiros atentados à história do traje, tornado parente muito próximo do Carnaval do Brasil.

E a Avenida enche-se. Uns tantos apresentadores fazem o melhor que sabem e haja música que para o ano há mais.

Desconhecemos quem fez das sardinhas o prato da festa. E as pobres sardinhas até já são ex-libris das festas da cidade. 

Tudo em nome de Santo António e provavelmente nem sabem rezar um Padre-Nosso ou o Responso que dá imenso jeito quando se perde alguma coisa.

Mas, nesta revista dirigida por Marionela Gusmão, a autora do livro a que acima aludimos, há sempre boa vontade e, por isso vamos transcrever a oração RESPONSO DE SANTO ANTÓNIO:

Oxalá esta oração sirva para as nossas leitoras encontrarem alguma coisa que sempre se perde.

Ainda em relação aos festejos de Santo António, já sabemos que as festas com sardinhas, sangria, cerveja, vinhos e pouca água se repartem pela cidade toda sendo de salientar que os bairros mais típicos levam a primazia com Alfama em 1º. Lugar.

Apreciamos as marchas e o orgulho que muitos rapazes e raparigas sentem por ir descer a Avenida representando o seu bairro. Isso é mesmo muito genuíno e bonito. Haja Deus. Também felicitamos alguns responsáveis pelos guarda-roupas, bastante criativos. Parabéns a toda essa gente que dá o melhor de si por uns momentos na Avenida da Liberdade.

Entretanto, para quem escreve este texto, o momento alto da festa de Santo António é a procissão que sai da sua Igreja, percorre os bairros de Alfama e vai levando consigo os patronos das igrejas vizinhas. Chega a ser comovedor. 

Num pequeno aparte, comovi-me há dias numa das ruelas de Alfama no caminho de quem vem das Portas do Sol para ir ao Museu do Fado. Aí encontrei uma menina, mais ou menos bem vestidinha, junto a um pequeno trono colocado num banco alentejano a pedir uma moedinha para Santo António e apontava para uma imagem modestíssima do nosso Santo. Tinha umas rifas e nos prémios estava um pratinho de arroz doce. Estupefacta, perguntei-lhe de onde tinha vindo aquele arroz e a querida criança, muito envergonhadita explicou-se logo: “oh minha senhora é a única coisa que não é da minha casa. Quem me deu foi a senhora ali do Retiro dos fados que o estava a fazer e me deu para eu comer”. Depois de mais conversas lá lhe dei 5 euros com a condição de ela comer o arroz. Riu-se muito, com as suas mãos agarrou as minhas e acabei por virar as costas de lágrimas nos olhos.

Desconhecia que ainda havia crianças com os tronos de Santo António às portas das suas casas. Esse hábito surgiu após o terramoto de 1755 quando se fazia o peditório para as obras da Igreja do Santo. É evidente que o peditório, sempre deve ter revertido para quem pedia. 

As bugigangas das rifas reflectiam uma pobreza aflitiva. 

Alfama é um bairro pobre e na Igreja de Santo António há dias certos para entregar o pão e outros produtos alimentares. Graças a Deus.

M.G.

S. JOÃO NO PORTO

 

S. João Batista, discípulo de Jesus e seu primo, era filho de Santa Isabel e de Zacarias. Nasceu na Judeia a 24 de Junho, 2 anos antes de Cristo e morreu de forma bárbara a 29 de Agosto, 27 anos d.C.

Conhecido por Batista da Judeia, João nasceu numa pequena aldeia chamada Aim Karim, a cerca de seis Km. de Jerusalém.

Segundo S. Lucas era um nazireu de nascimento.

Outros documentos apontam para a sua origem pertencer à facção nazarita de Israel, integrando-a na puberdade. Era considerado, por muitos, um homem consagrado.

Tal como ditavam as práticas rituais entre os judeus, o seu pai terá procedido à cerimónia da circuncisão ao oitavo dia do seu nascimento. 

O seu crescimento terá sido influenciado pelo seu pai, posto que era um sacerdote e a sua mãe pertencia à sociedade das filhas de Araão, cumpridoras de determinados preceitos na sociedade religiosa daquela época.

Naquele tempo, todos os meninos deveriam aos 6 anos iniciar a aprendizagem escolar. E João não foi excepção. Como não havia escola em Judá foram os pais de João, os seus primeiros mestres.

Porém, com a idade de 14 anos os pais levaram-no para uma escola da sinagoga de Engedi (actual Qumram), com o objectivo de este ser iniciado na educação nazarita.

De salientar que Engedi era a sede ao sul da irmandade nazarita, perto do Mar Morto, ao tempo liderada por Ebner.

Segundo S. Mateus, João trajava veste simples de pêlo de camelo, preso por um cinto de couro, alimentava-se gafanhotos, de uma planta que dava um fruto adocicado e de mel silvestre.

Com a morte do pai, tinha João 18 ou 19 anos, foi obrigado a mudar de vida já que a mãe ficaria a seu cargo. Ele era o filho mais velho do casal, mas ele até era filho único. E, assim de um momento para o outro, João iniciou a vida de pastor. Após a morte da mãe, João ofereceu todos os bens à irmandade nazarita, iniciando a sua preparação para aquele que se tornou o seu objectivo de vida, isto é, pregar aos gentios e chamar os judeus à razão, anunciando a proximidade de um Messias que estabeleceria o Reino do Céu.

O baptismo de Jesus

João baptizava em Pela, quando Jesus se aproximou do rio Jordão. A síntese biblíca do acontecimento e reduzida, manifesta alguns factores fundamentais no sentimento da experiência de João.

Os relatos bíblicos contam a história da voz que se ouviu, quando João baptizou Jesus, dizendo: “este é o meu filho muito amado no qual ponho toda a minha experiência”. Conta-se que uma pomba branca esvoaçou sobre os dois personagens dentro do rio, relacionando essa ave como uma manifestação do Espíritoi Santo.

Prisão e morte

A prisão de João ocorreu em Pereia, por ordem do rei Herodes Antipas I, no 6º. Mês do ano 26 d.C.. 

João foi levado para a fortaleza de Maqueronte acusado de liderar uma revolução, o que não correspondia à verdade. Entretanto, a mulher de Herodes ia todos os dias ver o preso atrás das grades e fascinou-se perdidamente por ele. Queria que ele correspondesse ao seu amor. Prometia-lhe a liberdade. Fez tudo o que lhe foi possível e, furiosa, encarregou a filha de seduzir Herodes, seu padrasto, e de lhe pedir a cabeça de João a troco dos seus favores sexuais. E, assim se passou. Salomé cumpriu a sua promessa ao padrasto. Mas, Herodiade ficou a lamentar-se da morte do homem que amava cegamente. Uma triste e estúpida história que aconteceu a 29 de Agosto e que ainda se festeja nos banhos de mar que os habitantes dos campos, pelo menos no Algarve, todos os anos realizam, no sentido de uma purificação do corpo e da alma.

S. João – um Santo popular

O S. João é festejado de norte a sul do país, sobretudo nas terras do interior onde ainda fazem mastros com murta que permanecem todo o mês de Junho, com festejos ao som de vários tipos de música, embora no Algarve não falte o corridinho nem o baile mandado. 

Nestas festas não faltam os comes e bebes, nem as caracoladas e os acepipes de chouriço, presunto, bom pão, vinho e aguardente de medronho.

Se perguntarmos se sabem quem foi S. João e porque é que o festejam no dia 23 e 24, poucos sabem que é a vespéra e o dia de nascimento de um grande Santo da Igreja Católica.

Sobre S. João desconheço o que se passa no dia 29 a não ser no Algarve. Mas parece-me que essa tradição está a desaparecer.

Viva o S. João e as fogueiras de alecrim. Vivam os namoricos. Vivam todos!

No Porto a festa é rija, com sardinhadas, alhos porros na cabeça de quem vai na rua e os malditos martelinhos de plástico. Enfim, cada um diverte-se à sua maneira como quere e pode.

CARTAXO

FESTAS EM HONRA A S. JOÃO

 

A cidade do Cartaxo, conhecida pela sua longa e bonita História, tem no dia 24 de Junho os festejos de S. João com muitas actividades entre as quais se destaca a procissão que se realiza à noite. Esta festa religiosa tem uma particularidade notável já que na procissão participam além dos fiéis do Santo padroeiro do Cartaxo, alguns grupos de ranchos folclóricos das vizinhanças, com os seus trajes típicos, sendo que o Santo é transportado no andor, aos ombros dos rapazes que fazem parte do Grupo de Forcados Amadores do Cartaxo.

Uma nota a salientar, que nos enternece, é o facto do Grupo de Forcados ter por padrinho o S. João, o mesmo santo que consta duas vezes por ano no calendário litúrgico da Igreja, ou seja no dia 24 de Junho e no dia 29 de Agosto. A primeira, celebra o nascimento daquele Santo que baptizou Jesus nas águas do rio Jordão e, a segunda, a sua bárbara morte por não ceder aos caprichos de Herodíade, uma má mulher que incumbiu sua filha Salomé, que pedisse a Herodes, depois de o ter embebedado, a cabeça de S. João Baptista.

A história do Grupo de Forcados do Cartaxo é feita de homens de trabalho que amam a sua terra e respeitam as tradições. Benditos sejam.

A cerimónia que os torna afilhados de S. João realiza-se durante uma missa, conhecida pela “bênção das jaquetas”, na qual estes  rapazes, católicos convictos, marcam presença na igreja paroquial do Cartaxo, sentados na primeira fila. Em determinado momento são convidados a subir ao altar-mor para que o Padre proceda à cerimónia da benção das suas jaquetas, tornando-se assim afilhados de S. João.

Gente que acredita em Deus e tem fé merece o nosso carinho e admiração. É por isso que lhes dedicamos estas linhas para salientar a sua valentia e devoção.

Não temos dúvidas que estes homens têm garra e bravura pois pegar um toiro de frente, com ele a investir, é mesmo para gente de grande coragem como ficou exemplificado no passado dia 21 de Junho de 2018 na Praça de Toiros do Campo Pequeno. Que emocionante foi ver o cabo dos Forcados Amadores do Cartaxo, Bernardo Campino, o qual com a sua valentia empolgou a velha praça onde já se viu muita gente brilhante. Aqui ficam as nossas saudações a Bernardo Campino, agricultor do Ribatejo, um verdadeiro português valente. Aplausos da nossa redacção e do director de arte da revista Moda & Moda, José Luís Teixeira que captou as imagens que lhes dedicamos.

Ficámos felizes. Enquanto existirem homens como estes, Portugal seguirá em frente nos seus desígnios históricos e as “galinhitas” bem podem cacarejar à vontade. Valha-nos Deus e S. João.

M.G.

São Pedro e as Portas do Céu

Em termos de arraiais os dias 28 e 29 de Agosto, véspera e dia de S. Pedro, encerram as festas dos Santos Populares. 

A figura de S. Pedro, em Sintra muito festejada, não se presta a tantas fogueiras e sardinhadas, mas mesmo assim não deixa de ter grande relevo no calendário.

Afinal, S. Pedro é a figura mais emblemática da Igreja, o Santo que tem as chaves que abrem as portas do Céu. É o grande dia do Vaticano, em Itália.

M.G.

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