Jóias Revivalistas I As inspirações eternas

Se há cidades americanas que no aspecto cultural estão sempre atentas às últimas novidades, Boston tem um lugar de relevo, quase lado a lado com Nova Iorque. a exposições dedicadas às artes decorativas e às jóias. Agora, vamos “entrar” no Museum of Fine Arts of Boston, no espaço onde os que gostam de jóias, têm ao seu alcance a possibilidade de admirar as mais belas peças de joalharia, que datam do século XIX.

A exposição dedicada às Jóias Revivalistas no Museu de Boston, uma das instituições de arte mais importante nessa cidade, será inaugurada no dia 14 de Fevereiro de 2017 e encerrará a 19 de Agosto de 2017. Nesta mostra estão patentes exemplares de colares, pregadeiras, brincos, anéis e outros géneros de jóias, assim como, pinturas, desenhos e documentos originais antigos, proporcionando ao público, uma imagem fascinante da arte da joalharia criada durante o século XIX.

A maior parte das jóias expostas pertencem à colecção do Museum of Fine Arts of Boston.

A mostra “Jóias Revivalistas”, destaca o trabalho e a tradição dos Castellani, onde se salienta a colaboração de Giacinto Melillo e de Eugene Fontenay, cuja arte surpreendente, mostra os vários aspectos das suas actividades artísticas e culturais.

Seja por copiar directamente ou selecionar motivos para reinterpretar, os joalheiros têm uma longa tradição em olhar para o passado para se inspirarem. A prática tornou-se frequente no século XIX, com os joalheiros conhecidos, como Castellani, Giacinto Melillo e Eugene Fontenay, que começaram a criar exemplos inspirados nos ornamentos antigos, descobertos nessa época em escavações arqueológicas.

As setenta peças agora exibidas, incluem exemplares antigos e revivalistas, do século XIX ao século XXI, focalizando quatro temas: arqueologia, classicismo, egípcio e renascimento. Das jóias apresentadas salientam-se, exemplos, como um alfinete de 1924, da Cartier, inspirado num escaravelho alado Egípcio (740-660 a. C.) com um “design” semelhante; Uma pregadeira em ouro criada por Castellani em 1850; Um ornamento de pescoço de influência renascentista projectado pela Tiffany & Co. entre 1900-1901; Um colar da Bulgari dos Anos 80 do séc. XX, adornado com moedas da Macedónia; e um pendente de 2002 Akelo, inspirado numa técnica de granulação etrusca antiga.

Acerca de evento, Susan B. Kaplan curadora das jóias do museu de Boston, afirmou: “A mostra Jóias Revivalistas, servem de entrada ao universo da arte e das culturas do mundo antigo, através das nossas colecções assírias, clássicas, egípcias e etruscas”.

“As Jóias Revivalistas” apresentam peças dos joalheiros acima citados como uma das influências mais importantes nas criações de jóias do século XIX ao século XXI, dentro de um contexto cultural absolutamente abrangente.

 Para além das peças de joalharia expostas, podem-se admirar diversas pinturas, fotografias, e esculturas mostrando vários géneros de jóias de estilo clássico.

 O lugar dos joalheiros dentro da sociedade do século XIX, destaca-se através do material de arquivo que evidência as suas realizações cívicas no desenvolvimento da estrutura cultural das instituições dessa época.

 Admirar as Jóias Revivalistas, agora expostas, em Boston, é um convite a viajar no tempo, a imaginar as personalidades que as usaram e a sabedoria de quem criou peças extremamente delicadas, com uma técnica tão apurada, em estreita ligação com a arte inspirada no passado, que só os grandes joalheiros, tão sabiamente, conseguiram interpretar. Elas representam uma contribuição importante para a História da Joalharia.

Os modelos que vos apresentamos, de uso exclusivamente feminino, remetem-nos para encontrar os encantos dos acessórios que os modelos exigiam, já que os mesmos tinham uma interligação a festas de pompa ou a uso quotidiano.

Quantas jóias, do género desta exposição, terá Winterhalter pintado nos seus quadros das altas personalidades deste mundo? Muitas. Com certeza.

 

Theresa Bêco de Lobo

Grandes marcas expostas em Boston, que assinam as jóias a que hoje chamamos revivalistas.

 

CARTIER – No top da França

A Casa Cartier foi fundada por Louis-François Cartier (1819-1904) um artista notável que começou como aprendiz ,em 1847, na casa Adolph Picard na Rue Montorgueil, 29 em Paris, distinguindo-se rapidamente pela sua originalidade, segurança e bom gosto.

Em 1853, o “atelier” foi transferido para a Rue Neuve-des Petits-Champs e o negócio prosperou graças à prestigiosa clientela, da qual sobressai a princesa Matilde, prima de Napoleão III e a Imperatriz Eugénia, uma espanhola que os franceses ainda hoje não aceitaram muito bem, talvez por desconhecerem as suas origens e pela pouca importância dada ao que esta senhora foi capaz de fazer pela França e pela cidade de Paris em tão curto espaço de tempo.

O primeiro título de fornecedor de Casa Real foi concedido à Cartier pelo nosso país, assinado pelo Rei Dom Carlos, em 1905, a pedido de sua mulher, a rainha Senhora D. Amélia de Orleans. O 2º. Título foi outorgado à Cartier por Alfonso XIII de Espanha. E só depois, a Cartier contou com todos os que preenchem as paredes da casa da Rue de la Paix, em Paris.

As princesas do Oriente e os marajás tornaram-se fervorosas admiradoras do estilo Cartier.

Em 1908, época do grande “boom” económico americano, a Cartier abriu uma sucursal em Nova Iorque.

E a saga Cartier continua até aos nossos dias, sempre num crescimento veloz.

 

 

CASTELLANI – Os melhores de Itália

 

A casa Castellani foi fundada em 1814 por Fortunato Pio Castellani (1794-1865). No decurso dos primeiros anos da fundação da casa, o joalheiro criou peças contemporâneas adaptadas ao gosto dos franceses, ingleses e russos, de difícil identificação.

Durante os anos 1820, o mestre, joalheiro e negociante de antiguidades, apaixona-se pela joalharia etrusca, sob a influência de Michelangelo Caetani, um célebre arqueólogo que convence Fortunato Pio, então seguido pelos seus filhos Alessandro (1824-1883) e Augusto (1829-1914), a abandonar as jóias contemporâneas para se especializar na criação das jóias baseadas no estilo etrusco.

O grande conjunto de jóias oferecidas à nossa muito amada Alteza Real, a rainha Senhora Dona Maria Pia de Sabóia, por ocasião do seu casamento, em 1862, com o Rei D. Luiz I, expostas no Palácio da Ajuda, em 1987, pela então sua directora, Drª. Isabel da Silveira Godinho, são da autoria de Castellani e muito surpreenderam a Princesa Real Diana de Inglaterra durante a visita que fez a Portugal a propósito dos 600 Anos da Aliança Luso-Britânica.   

                                                                                                             

Nos finais dos Anos 60, a família Castellani começa a abarcar outros ramos de referência copiando igualmente as jóias bizantinas e merovíngias.

Com a morte de Fortunato Pio em 1865, o “atelier” de Roma passa para a direcção do seu segundo filho Augusto, então historiador reconhecido e eminente director honorário do Museu do Capitólio-

Em 1863, Alessandro abriu o “atelier” Castellani em Nápoles, deixando a direcção ao talentoso Giacinto Melillo, ourives e joalheiro, cujo talento tão contribui para o relevo da exposição.

 

EUGÈNE d’ FONTENAY – Um grande de França

 

Eugène de Fontenay (1823-1887) fez a sua aprendizagem no joalheiro parisiense Edouard Marchand, trabalhando de seguida para o ourives e joalheiro.

Dutreih. Em 1847, Eugène funda o seu próprio atelier na rue Favart, nº. 2.

As suas jóias de estilo naturalista alcançam o maior sucesso nos anos 1850. A partir do início da década seguinte, com o seu nome já reconhecido, Fontenay especializa-se na criação das jóias de estilo antigo: a Alta Antiguidade apaixona-o.

Como tantos outros joalheiros, os seus interesses foram estimulados pela aquisição de Napoleão III, em 1861, da colecção Campana.

Para evitar a vulgarização este tipo de jóias, Fontenay cria peças de grande qualidade artística, incrustadas de pérolas, lápis-lazuli, coral e gemas harmonizadas com a sumptuosidade e o ouro mate que este joalheiro gostava de realizar. Também se notabilizou na arte dos esmaltes em colaboração com Eugène Richet, pintor e miniaturista.

De sublinhar que entre 1860 e 1867, Fontenay trabalhou arduamente para a sua clientela do Oriente e do Extremo-Oriente, criando jóias para o rei do Sião, o Xá da Pérsia, marajás da Índia e o vice-rei do Egipto.

Após a expedição francesa à China e a “conquista” de Pequim inicia-se, em Paris, um afluxo de jades. É a partir desse momento que Fontenay utiliza os jades para criar as mais belas jóias de inspiração arqueológica.

Após uma brilhante carreira, Eugène Fontenay, retira-se em 1882 e escreveu um livro: Les bijoux anciens et modernes, publicado em 1887.

 

T.B.L.

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