Jóias, que Transformaram o Corpo                       

Se há museus americanos que no aspecto cultural estão sempre atentos às últimas novidades, o Metropolitan Museum of Art de Nova Iorque, apresenta uma exposição fascinante dedicada às joias que transformaram o corpo. Agora, vamos “entrar” nesta Instituição Artística, no espaço onde os que gostam de jóias, têm ao seu alcance a possibilidade de admirar as mais belas peças de joalharia da colecção do Metropolitan Museum of Art, que datam de 2600 a.C.até à actualidade.Esta exposição sedutora intitulada: “Jóias, que Transformaram o Corpo, “surpreende não apenas pelo esplendor desta arte, mas também pela qualidade das peças expostas. O Museu de Nova Iorque, é uma das instituições de arte com uma das colecções de jóias mais importantes dos Estados Unidos. A mostra está patente ao público até 24 de Fevereiro de 2019. Estão expostos mais de 230 exemplares, que fazem parte do espólio deste museu, apresentando um trabalho requintado e minucioso de várias épocas da História da Joalharia. 

 

A exposição atravessa o tempo e o espaço, onde a jóia actua e activa o corpo que ela adorna. Esse conceito global sobre uma das formas de arte mais pessoais e universais reúne uma série objectos extraídos quase exclusivamente da colecção do Metropolitan Museum of Art. Este deslumbrante conjunto de adornos e ornamentos de orelhas e cabelos, alfinetes e cintos, colares e anéis criados desde 2600 a.C. até à actualidade estão expostos juntamente com esculturas, pinturas, gravuras e fotografias que enriquecem e amplificam as muitas histórias de transformação que a joalharia conta.

"As jóias representam uma das peças mais antigas de expressão criativa – antecedendo-se até mesmo à pintura das cavernas por dezenas de milhares de anos - e o desejo de nos adornar é agora quase universal", comentou Max Hollein, director do Metropolitan Museum of Art, em Nova Iorque. "Esta exposição destaca a prática de criar e usar jóias através da colecção global deste museu, revelando as muitas categorias cheias de significado, imbuídas nesta forma de arte profundamente expressiva."

“Se o corpo é um palco, a joalharia é uma das artes mais deslumbrantes. Ao longo da história e através das culturas, as jóias serviram como uma extensão e amplificação do corpo, acentuando-o, aprimorando-o, distorcendo-o e, finalmente, transformando-o. A joalharia representa uma característica essencial nos actos que nos fazem humanos, sejam eles rituais através do casamento ou morte, celebrações ou batalhas. Em cada acção, ela expressa algumas das nossas maiores aspirações.

Para entender completamente o poder da joalharia, não basta olhar para ela como uma escultura em miniatura. Enquanto as joias são omnipresentes, as culturas do mundo diferem amplamente em relação ao local em que o corpo deve ser usado, concentrando-se na interacção da jóia com o corpo humano.

 A exposição traz uma nova investigação que faltou em estudos anteriores sobre esse tema, ” afirmou Melanie Holcomb, curadora do Departamento de Arte Medieval e do The Cloisters do Museu de Nova Iorque.

 

Visão geral da exposição

A primeira galeria da exposição apresenta uma instalação que salienta a universalidade da joalharia - objectos preciosos realizados para o corpo, num cenário singular e glorioso para uma exibição de arte. Este espaço é dedicado às jóias criadas com materiais orgânicos disponíveis e fáceis de trabalhar, como o marfim, concha, madeira e coral.  Podem-se admirar um par de pulseiras de marfim do início da cultura Kerma no Sudão (2400/2050 a.C.), até às mais sofisticadas criações, graças ao avanço das ferramentas. Outros exemplares incluídos neste espaço, como um peitoral egípcio em prata, cornalina e vidro (1783-1550 a.C.) e um pendente da Núbia em ouro e cristal de rocha (743-712 a.C.) recuperado do túmulo da mulher do faraó Pié, o grande governante da Núbia que conquistou o Egipto no século VIII a.C. As jóias para além de terem propriedades mágicas que podiam proteger as pessoas que as usavam contra forças malignas, muitas vezes eram enterradas com os seus proprietários, como um amuleto cujas capacidades eram necessárias durante a árdua jornada para o além. Do outro lado do globo, os maias usavam nas orelhas umas tiras como condutores de energia espiritual, realizados em jadeite sagrada, verde, que representava o elemento chave da vida humana. Várias culturas ao longo dos tempos acreditavam que o âmbar poderia curar doenças, o coral podia proteger as crianças e um dente ou uma unha de um animal poderia criar na pessoa que o utilizava força e agressividade, o ouro e a prata invocavam o poder cósmico do sol e da lua.

 Na Europa durante as épocas Medieval e Renascentista, muitas pedras duras eram utilizadas como pendentes com poder mágico. No período Nagada, reinado do faraó Pié, (743-712 a.C.) as pedras tinham propriedades importantes na vida pessoal. Durante o século XVII na Alemanha os pendentes podiam conter cinzas da cremação de um santo, ou fragmentos de ossos, que foram muitas vezes utilizados, junto com rosários (Rosário do sul da Alemanha, em meados de século XVII), como adornos sagrados. Ainda, actualmente, símbolos zodíacos e amuletos de boa sorte às vezes são usados ​​como tokens, lembrando a sua importância mística.

Ao longo dos tempos, o papel da jóia como símbolo de um elevado status tem inspirado os criadores a conceberem peças que atraíam os seus clientes endinheirados. 

Para além destas peças podem-se admirar ainda peças de joalharia de grande valor artístico, como jóias fabulosas criadas especialmente para os milionários americanos, como um colar de casamento e brincos com diamantes, oferecido pelo empresário de armas, Samuel Colt à sua mulher em 1856 e uma pregadeira e brincos em ouro, diamantes e esmalte de Mary Todd Lincoln, que adquiriu por volta de 1864. Logo após a morte do filho de Lincoln, Willy, estas peças foram vendidas em 1867 para pagar dívidas. 

Também expostos neste espaço estão: um alfinete com uma safira e diamantes (cerca 1900), um colar em ouro e diamantes criado por August Holmström para Peter Carl Fabergé, o joalheiro célebre dos czares da Rússia, e a pregadeira em platina da herdeira dos cereais Marjorie Merriweather Post de 1920, apresentando uma esmeralda espectacular Mughal cercada de diamantes, que ela comprou em 1929.

Ainda nesta secção estão expostas peças em que a arte e a técnica se evidenciam de uma forma surpreendente através dos joalheiros da Art Nouveau que se celebrizaram criando peças de grande luxo, que foram moldadas para uma clientela abastada e artística do final do século XIX ao início do século XX.

 A mostra apresenta peças exóticas em ouro, prata, aço, como o adorno de cabelo em ouro e diamantes de René Lalique (cerca 1900), e a pregadeira “Seaweed” em ouro e pérolas de Paul Lienard (cerca 1908). Paralelamente a estas peças está exposto o alfinete “Japanesque” em platina, ouro, esmalte, diamantes, rubis, e ónix em estilo Art Deco (cerca 1925). O movimento Art Deco surgiu após a I Guerra Mundial e continuou até a década de 1930. Foi influenciado pela ideologia de vanguarda, expressando a sua estética através de formas geométricas, estilização linear, e um retorno à platina e diamantes.

Ainda neste espaço, pode-se admirar uma variedade de peças interessantes e originais, como um conjunto de jóias com pássaros “hummingbird “ (alfinete e brincos, cerca de 1870), em ouro e rubis, e uma pregadeira de Mary Todd Lincol,(cerca 1860) em lápis-lazúli e âmbar. Estes exemplares foram coleccionados  por  Arnold Buffum (cerca 1880/1885).

 Para além dessas peças destacam-se ainda um colar de prata indiana com um fecho em forma de um tigre (século XIX) e uma peça com a forma de um cão “Balletta Bulldog” (cerca 1910) em ouro, prata, ágata, diamantes e rubis realizado no atelier de Peter Carl Fabergé. 

As galerias restantes estão dispostas tematicamente pelos géneros das peças apresentadas. 

A galeria dedicada ao Corpo Divinoapresenta uma das primeiras concepções da joalharia – a sua ligação com a imortalidade. Destaca-se aqui um conjunto raro de peças, da cabeça aos pés do antigo Egipto que acompanhou a elite até a vida e após a morte, assim como peças do Cemitério Real de Ur, conhecido como um dos mais misteriosos rituais da antiga Mesopotâmia (actual Iraque). Também se salienta a insígnia dos governantes de Calima (actual Colômbia), que foram cobertos em folhas de ouro.

Na secção “Corpo Real,” estão expostas jóias que foram usadas ao longo da história para afirmar a posição e o status. Entre os exemplos expostos podem-se admirar as safiras e as pérolas de Bizâncio, ouro finamente trabalhado das elites da Grécia helenística e o marfim e o bronze das Cortes Reais de Benin.

A Galeria “Corpo Transcendente”apresenta peças usadas para atravessar os reinos temporais e espirituais. Este espaço salienta o poder da jóia de exorcizar espíritos, apaziguar deuses e invocar ancestrais. As imagens esculpidas e as peças requintadas da Índia ressaltam o papel activo dos ornamentos em ouro no culto hindu. 

Adereços da costa da Nova Guiné, esplendidamente realizados através de conchas e plumas, apresentam a capacidade da jóia  canalizar o bem-estar espiritual do usuário.

Na secção “Corpo Sedutor”destaca-se uma jóia pode ser sedutora e causar  desejo, como os exemplos das  gravura japonesas, onde se podem ver várias cortesãs com formas dos adornos de cabelo extremamente sedutores, assim como as jóias desenhadas pelas  artistas contemporâneas, como Elsa Schiaparelli, Art Smith, Elsa Peretti e Shaun Leane artistas qque criaram peças sedutoras e desejadas pelos seus clientes. 

A galeria“Corpo Resplandecente”salienta a jóia de casamento, criada através de materiais e com uma técnica utilizada com o propósito de ostentação. 

Na última secção: “Corpo Transformado,  estão reunidos ornamentos de acordo com a parte do corpo que adornam: cabeça e cabelo; nariz, lábios e orelhas; pescoço e peito; braços e mãos; cintura, tornozelos e pés.

As jóias serviram várias funções ao longo dos tempos, mas nas épocas antigas o seu principal papel era defender as pessoas do mal e também para ser usada como moeda na troca de bens. Serviu também para distinguir os governantes e actualmente, além de adornar, é considerada um símbolo de status. 

Jóias raras e metais preciosos, criados pelos fabulosos artesãos têm servido frequentemente como símbolos de riqueza e poder. 

A exposição destaca o trabalho notável dos vários artífices, cada um deles estava ligado a um objectivo comum: proporcionar as mais notáveis criações artísticas para o corpo. Privilegiando a estética, o arrojo e a criatividade, cada um soube encontrar o caminho mais de acordo com as suas convicções. 

 

Theresa Bêco de Lobo

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