O Encontro com o Oriente e o Ocidente

                      Jóias dos Marajás da Colecção Al Thani                 

Até 6 de Janeiro de 2019, o Arts Museums of San Francisco (FAMSF) Legion of Honor, expõe uma das mais espectaculares colecções de jóias, que foi reunida por S.A. o Príncipe Hamad bin Abdullah Al Thani e que MODA & MODA já tem vindo a publicar em alguns dos seus artigos anteriores.

A mostra “O Encontro com o Oriente e o Ocidente: Jóias dos Marajás da Colecção Al Thani” oferece-nos um universo sumptuoso - o da joalharia indiana e a sua história, do período Mogol ou Mugal, até à actualidade.

A Índia foi célebre pelas suas pedras preciosas e jóias durante séculos. Agora,o público pode agora admirar mais de cento e cinquenta objectos preciosos da colecção formada por Sua Alteza Sheikh Hamad bin Abdullah Al Thani, com peças deslumbrantes da época do domínio dos Mugals no século XVII.

"Esta exposição oferece uma visão fascinante de como a política e a cultura influenciaram aspectos da sociedade - neste caso,a joalharia indiana", disse Melissa Buron, directora dos Arts Museums of San Francisco. “A colecção é magnífica na extensão e no tamanho físico das jóias, é uma visão inebriante de se observar. Estamos muito felizes em receber essas obras no Legion of Honor. ”

Os Mugals, uma dinastia com raízes na Ásia Central, governou a Índia de 1526 até ao estabelecimento do controle britânico, de 1858 a 1947. Durante todo esse tempo, a Índia era conhecida pela sua produção requintada de jóias e pedras preciosas. Sob sucessivos imperadores do período Mugal e os marajás, a joalharia indiana e obras de arte desenvolveram estilos diferentes, influenciados por diversas culturas e tradições monárquicas da época. Os objectos desta exposição destacam as tradições das jóias da Índia, incluindo peças usadas em ocasiões cerimoniais, como espadas, adagas e obras de arte em ouro ou jade.

Ao contrário das cortes europeias, onde as mulheres usavam as jóias mais esplêndidas, na Índia, os governantes masculinos, os imperadores mongóis, os marajás, os nizams e os sultões usavam em ocasiões cerimonias as peças mais significativas em quantidades deslumbrantes. Os governantes indianos masculinos usavam jóias em grande profusão como colares, braçadeiras, pulseiras e até tornozeleiras, mostrando a sua alta posição na sociedade.

“A joalharia indiana está igualmente reintegrada no seu contexto de origem, a sumptuosa e complexa cultura das cortes dos marajás indianos, no meio das quais as pedras e os metais preciosos, que abundavam na Índia, contribuíram para o desenvolvimento de uma tradição muito sofisticada do ornamento”, disse Martin Chapman, curador responsável pelas Artes Decorativas e Esculturas Europeias do Museu de São Francisco.

Quando os mongóis chegaram ao subcontinente no século XVI, trouxeram influências persas e islâmicas para a joalharia indiana. Este efeito pode ser visto nos vários ornamentos de turbante em exibição, que mostram como as ideias persas foram realizadas em diamantes, rubis e esmeraldas para os governantes indianos. A Índia serviu como principal recurso para o comércio de diamantes, fornecendo os maiores diamantes do mundo.

O visitante pode admirar ainda o prestígio dos diamantes da Índia ao ver o Olho do Ídolo, um diamante de 70,2 quilates e o maior diamante azul do mundo. Outros objectos preciosos fazem parte deste evento, como o jade, uma pedra dura que os governantes mongóis associavam à victoria, moldada em armas como adagas e além disso, este material era valorizado pelos seus poderes curativos e, portanto, era esculpido em taças e tigelas. O ouro também foi um material precioso preferido da realeza, visto nas joias indianas até ao final do século XIX e em vasos cerimoniais. O uso de fios de pérolas, começaram na Índia como um costume para os governantes do sexo masculino.

As joias indianas inspiraram grandes joalheiros europeus, como a Cartier, para fazer peças no estilo indiano, usando gemas esculpidas e coloridas.

A mostra destaca pedras preciosas magnificas, como o diamante Arcot II (anteriormente pertenceu às Jóias da Coroa Britânica), o diamante rosa Agra e outros tesouros como uma adaga de jade do Imperador Shah Jahan, o construtor do Taj Mahal.

A exposição: “O Encontro com o Oriente e o Ocidente: Jóias dos Marajás da Colecção Al Thani” foi organizada por Martin Chapman, curador das artes decorativas europeias nos Arts Museums of San Francisco, com Amin Jaffer, curador da Colecção Al Thani.

 

Sheik Hamad Bin Abdullah al Thani

O Sheik Hamad Bin Abdullah al Thani nasceu em Doha, Katar em 1952 e foi o Emir do Katar de 27 de Junho de 1995 a 25 de Junho de 2013 e actualmente é primo do Emir do Katar.

Sheik Hamad Bin Abdullah al Thani é um dos grandes coleccionadores de arte. Foi ele quem comprou a lendária casa dos Rothschild na île Saint Louis em Paris, o Hotel Lambert. Este património teve umas obras de restauro só para o modernizar no interior, como as cozinhas, ar condicionados, garagens e outros pormenores, que não existiam na época da construção em 1640. Este edifício reúne a sua enorme e espetacular colecção de arte.

O Príncipe Al Thani tem grande atracção pela França e pela arte francesa do século XVII e é um grande admirador do Shah Jahan da India e de Luís XIV. Rfecordamos que Shah Jahan foi o Imperador do Império Mogol, que mandou edificar o TAJ MAHAL e Luís XIV o Rei Sol, que mandou construir em Versailles.

A propósito da sua paixão pela França, recordamos a grande recepção que este grande amante das artes decorativas acabou de oferecer no Palácio de Fontainebleau há apenas alguns dias. Esta grande jantar de gala foi precedido de um espectáculo equestre seguido de um fogo de artifício deslumbrante. Fontainebleau foi sempre um lugar eleito dos reis europeus. Agora, foi um “rei do Oriente” que deu uma alma grandiosa ao oferecer um jantar de gala aos seus convidados na galeria François Ier.   

 

A exposição

Voltando à exposição, nos E.U.A., salientamos obras históricas do período Mogol no século XVII e de várias cortes e centros dos séculos XVIII e XIX, incluindo Hyderabad, um grupo de jóias dos séculos XIX e XX realizadas para marajás da Índia pela Cartier e outras empresas ocidentais e encomendas contemporâneas inspiradas pelas formas tradicionais indianas. Estão expostas várias jóias antigas em que foram incorporadas configurações modernas pela casa Cartier, pelo designer de jóias Paul Iribe, e outros. A informação contextual é completada através de fotografias históricas e retratos da realeza com jóias indianas semelhantes às que estão expostas.

A mostra está organizada por temas nas galerias do museu, onde se evidenciam peças que são verdadeiros tesouros como, espadas em aço, ouro, esmalte e rubis, que eram utilizados como símbolo de poder e riqueza.

A primeira galeria está dedicada ao conceito do dever real (rajadharma) dos marajás, desde a chefia militar às funções administrativas e diplomáticas. Dentro deste conceito os marajás participaram em cerimónias religiosas e militares criadas para garantir o bem-estar da corte, do estado e dos súbditos. O real dever também incluía o mecenato dos artistas, músicos, poetas, artesãos, e apoio a fundações religiosas.

Nesta secção os visitantes encontram regalias cerimoniais, elementos decorativos dos turbantes, espadas e outros símbolos da realeza indiana.

A segunda galeria salienta o mundo do espectaculo real, onde se podem observar objectos que mostram a imponência das grandes celebrações públicas e festividades religiosas, como jóias espectaculares. O principal dever de um governante era manter a segurança do reino, através de armas, que simbolizavam a sua função de líder e de guerreiro, salientando-se nas cerimónias públicas e nas representações visuais.  Com o declínio do poderoso Império Mogol durante o século XVIII, um novo governo político tomou conta do poder. Esse governo viu o ressurgimento dos reinos mais antigos Rajput no centro e no oeste da Índia ao lado da emergência de novas potências como os Maratas e os Siques.

A Companhia Inglesa das Índias Orientais que foi fundada em 1600 iniciou a colonização de várias regiões a partir de 1757. No ano seguinte, após derrotar uma confederação Sique no Panjabe em 1849, a coroa britânica assumiu o controle político de todo o subcontinente indiano.

Durante vários anos, os seus poderes estenderam-se, além das actividades mercantis, ao controle político e por volta de 1840 muitos governantes regionais indianos caíram sob o domínio britânico, no entanto os poderes regionais apresentados nesta secção da mostra mantiveram a sua autoridade independente e uma cultura vibrante durante várias gerações.

Muitos dos objectos expostos nesta galeria podem ser associados directamente com importantes governantes indianos da época.

Muitos dos Marajás foram educados na Europa ou por tutores Ingleses na Índia. Alguns costumes foram adaptados na Índia através da cultura ocidental, como o cricket, a caça à raposa e as corridas de automóveis. Viajar para o Ocidente expandiu o patrocínio indiano dos príncipes e os novos patronos reais tiveram um efeito profundo sobre a produção de bens de luxo na Europa e os fabricantes responderam aos gostos dos seus novos clientes. Estas trocas levaram designers, como os que trabalhavam para a Cartier a introduzir a inspiração indiana nos seus projectos para a sua clientela Europeia.

Com o início do século XX chegou o descontentamento generalizado com o domínio britânico e a liderança visionária de Mahatma Gandhi. Como um movimento sustentado de auto-governo ganhou ponto de apoio, os governantes indianos estavam cada vez mais marginalizados no ambiente de mudança política. Em resposta a essas forças, os marajás formaram a Câmara dos Príncipes, em 1921, para representar uma frente unificada para os interesses dos estados indianos. Quando a Índia conquistou a independência do domínio britânico em 1947, a maioria dos príncipes assinaram o Termo de Adesão, pelo qual os seus territórios foram integrados na nova nação Estado da Índia e Paquistão.

A Índia tem sido um centro importante para a joalharia, com as suas próprias minas produzindo ouro, diamantes, e muitas outras pedras preciosas e semi-preciosas. Os governantes Mogol da Índia e os seus sucessores sempre apreciaram os objectos cerimoniais e funcionais feitos de materiais de luxo.

Entre as peças Mogol expostas, sobressai um punhal de jade muito elegante e originalmente pertenceu a dois imperadores, o punho foi feito para Jahangir e foi laminado para o seu filho Shah Jahan, construtor do Taj Mahal. No século XIX, o punhal pertenceu à colecção de Samuel FB Morse, inventor do código Morse. O punho apresenta uma cabeça, escultura de estilo europeu em miniatura.

Historicamente, a forma da jóia admirada por toda a Índia tem sido o “cabochon”. Na técnica kundan tradicional, uma jóia era definida dentro de uma camada de ouro, e, muitas vezes apoiada em folha para melhorar a sua cor.

De destacar na exposição a cabeça de um tigre, um remate, que pertenceu originalmente ao trono de Tipu Sultan (1750-1799), com diversos diamantes “cabochon”, rubis, esmeraldas e com a forma de jóia kundan.

Também expostos estão vários exemplos de sarpesh do Norte da Índia e jigha (ornamentos turbante) 1875/1900, reunidos numa exposição que traça a sua evolução a partir de formas e técnicas de direcção mais nas formas ocidentais e na construção das jóias tradicionais de inspiração das plumas usadas nos turbantes.

O apoio da folha de prata foi utilizado, no entanto, os diamantes foram criados usando uma garra de estilo ocidental ou coroa, em vez da definição kundan. Numa peça criada pelo artista Paul Iribe e realizada pelo ourives Robert Linzeler em 1910, em Paris lembra o género de “aigrette” (pin decorativo), que teria ornamentado o turbante de um Maharaja ou Nizam.

No centro da mostra está exposta uma esmeralda enorme esculpida na Índia entre 1850 e 1900.

Os Marajás foram os patronos das artes com um grande sentido estético, deixando uma marca muito forte na Arte Indiana. Durante três séculos, artistas e artesãos criaram estilos e temas que se tornaram únicos no mundo glorificando o período mais espectacular na História da Índia.

O que torna notável esta exposição não é só a extraordinária colecção de jóias e objectos do período Mogol, mas também as jóias assinadas pela Cartier.

O Sheik Hamad Bin Abdullah al Thani foi sempre atraído pela beleza e mestria da joalharia da Índia, assim como as peças de inspiração indiana da Cartier, que considerava criadoras de verdadeiras obras primas.  

Theresa Bêco de Lobo

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