Eugénia de Montijo  Imperatriz de França

Maria Eugénia de Guzman y Porto Carrero, condessa de Teba, marquesa de Moya, de Granada, condessa de Montijo, filha do conde Cipriano de Montijo, duque de Peneranda, e de Manuela Kirpatrick de Closenburg, nasceu em Granada a 5 de Maio de 1826 e casou em Paris a 30 de Janeiro de 1853 com o imperador Napoleão III. Faleceu em Madrid, em 1920, com 94 anos de idade. Completa este ano o 1º. Centenário da sua morte. E é triste, muito triste mesmo, que até à data não tenha merecido nenhuma notícia sobre esta data que devia ser marcante para os franceses e os espanhois, mas em particular os seus familiares, a quem deixou todos os seus bens que não eram poucos. Refiro-me ao actual duque de Alba, filho da duquesa de Alba, sobrinha de Eugénia a quem tudo legou. É difícil, para mim, que transporto comigo o apelido Gusmão (Guzman em castelhano), passar por este centenário sem dizer uma palavra sobre a grande figura da história francesa e da moda, já que foi ela que impulsionou Charles Frederic Worth a criar a Alta Costura que ela própria fez desfilar durante os festejos da abertura do canal do Suez. Grande figura! Grande senhora.

Apontamento biográfico

Amante da vida ao ar livre e feliz junto do pai, o conde Cipriano de Montijo, Eugénia excelente amazona desde criança (os madrilenos estavam habituados a vê-la cavalgar sem sela nas ruas da capital), esgrimista , nadadora, brilhante conversadora, Eugénia parecia ter recebido da força desenfreada da natureza a energia e o encanto que a faziam sobressair entre as jovens que frequentavam os salões das famílias. Nasceu numa tenda colocada no jardim da sua casa pelo receio dos frequentes abalos telúricos daquele dia.
 

Até os cabelos ondulados, vermelho Ticiano, que emolduravam o seu lindo rosto de carnação claríssima ou rosa camafeu, como algumas vezes comentavam as crónicas da época, parecem ter sido influenciados pelo dia do seu nascimento.
 

Paul Ginisty, investigador atento da história de França, conta que Eugénia se salientou, desde cedo, pela sua grande vitalidade.

Tinha 13 anos quando uma cigana a encontrou inanimada. Cigana que, de uma maneira um pouco sibelina, lhe disse: “A senhorita nasceu sob o céu numa noite de batalha”, A mãe de Eugénia ficou chocada com estas palavras por se recordar do dia de nascimento da filha.

Manuela de Montijo estendeu a mão de Eugénia para que a cigana lhe lê-se a sina. Com voz grave e um pouco surpreendida, a cigana disse: “ainda há contos de fadas... Ela será Rainha”.

Os anos foram passando, Eugénia foi viver para Paris com a mãe e havia quem dissesse que ela estava a deixar passar o tempo na esperança de realizar a profecia da cigana.

Os casamentos projectados rompiam-se. Eugénia tinha a certeza de que a esperaria um grande acontecimento. Ela própria tinha um aspecto de realeza. O seu encanto residia nos cabelos, na tez de brancura rosada, no nariz, na boca e no queixo de linhas perfeitas. Caminhava com uma “souplesse” invulgar. Sabia que era bonita.

Habitava no 1º andar do nº 12 da Place Vendôme, em Paris. Aí, ela e a mãe recebiam todos os dias os amigos mais íntimos, entre os quais Merimée, então em pleno apogeu do seu nome literário – o mestre que durante a infância de Eugénia tinha sido, por vezes, seu professor voluntário e mais tarde seu conselheiro discreto.

O mundo diplomático francês e a sociedade parisiense acolhiam as duas espanholas, por vezes com comentários maldizentes motivados pela inveja que o seu esplendor provocava.

A partir de 1849, o convívio com o futuro marido nada tinha de particular. Após o golpe de Estado, Eugénia mandou-lhe uma carta a felicitá-lo e a oferecer-lhe os seus préstimos. Entretanto, havia grandes caçadas em Fontainebleau e Compiègne. Foi aí que a bela estrangeira, amazona graciosa e intrépida, sentiu despertar o seu coração. Aquilo que Stendhal, antigo amigo da sua casa, chamava a “cristalização”.

Alguns dias mais tarde, Eugénia do Montijo assistiu à Ópera e provocou uma tal sensação que a curiosidade do público, virado para ela com insistência, levou os cantores a interromperem as árias por várias vezes.

Luís Napoleão não conseguia esconder o seu interesse por Eugénia. Os convites multiplicavam-se e nas festas da corte, quando o príncipe se isolava com Eugénia, havia centenas de olhos a espiá-los.

Um dia, passeando em Compiègne com o príncipe, Eugénia baixou-se para apanhar um trevo de quatro folhas. Dois dias depois, apareceu em público com uma magnífica jóia em forma de trevo que Napoleão lhe oferecera. Trevo que ela mais tarde veio a utilizar como símbolo pessoal nas ofertas que fazia a amigos e familiares.

A relação entre os dois evidenciava-se já um romance de amor. A opinião pública aguardava os acontecimentos e Eugénia ia mantendo a sua resistência. Em Eugénia não havia lugar para aventuras sentimentais. Por outro lado, Eugénia sabia que na corte se falava de um casamento para Napoleão que reforçasse alianças. Sugeriram-lhe: uma princesa da Suécia, uma Bragança ou uma Hoehenzollern. Ela não estava disposta a participar em intrigas nem em se ver relegada para segundo plano.

Os familiares de Napoleão e toda a sua “entourage” interrogavam-no e não obtinham mais que enigmáticas respostas.

Após grandes episódios, entre os quais anunciavam a partida de Eugénia para Espanha e que inquietavam o imperador, Napoleão III perguntou-lhe, quase em voz suplicante, qual era o caminho do seu coração. Ela respondeu: “O da igreja senhor!”. Entretanto, as intrigas sucediam-se para demover Napoleão III de efectuar um casamento com uma mulher embora com títulos de nobreza, não era descendente de nenhum rei da Europa.

A decisão teve o seu epílogo em Compiègne, onde a corte se tinha encontrado para uma caçada. Nesse dia o Imperador, com um ramo de hera fez uma coroa que colocou na cabeça de Eugénia. E tudo mudou. A “entourage” de Napoleão apercebeu-se que nada havia a fazer.

Os mesmos que haviam desdenhado da sua origem passaram a dizer que ela descendia das mais nobres famílias de Espanha. O período de adulação começava. Um baile, oferecido pela princesa Matilde, prima de Napoleão, a que assistiram outros membros da corte, foi a declaração pública do noivado.

A seguir por ordem do Imperador, Eugénia mudou-se para o Eliseu até ao dia do casamento e consigo foi imediatamente a sua corte: A princesa Essling, a duquesa de Bassano e a madame Gould, uma amiga de longa data.

A 22 de Janeiro de 1853 o Imperador fez um discurso nas Tulherias diante dos membros do Senado, da Câmara e do Conselho de Estado, onde disse o seguinte:

“Preferi uma mulher que amo e respeito, a uma mulher desconhecida cuja aliança nos traria vantagens misturadas com sacrifícios. Sem desdenhar ninguém, cedo aos meus impulsos sentimentais. Enfim, colocando a independência, as qualidades do coração, a felicidade da família, abaixo dos prejuízos dinásticos e dos cálculos de ambição, não serei menos forte porque serei mais livre...”

Assim, desposando Eugénia contra o parecer de muitos, Napoleão iniciou a seu lado a última corte de França, a qual acabou com a guerra franco-prussiana e as comunas que se lhe seguiram.
 

A cerimónia nupcial

A cerimónia de casamento de Napoleão III, Imperador de França, e Eugénia do Montijo, condessa de Teba, realizou-se a 29 de Janeiro de 1853, às 9 horas da noite, na sala dos marechais. Aquela que, de um instante para o outro, se tornou a imperatriz dos franceses, foi conduzida às Tulherias pelo duque de Cambasserres. A noiva foi recebida por Napoleão, pela princesa Matilde e por altas individualidades (ministros, marechais, almirantes, cardeais). Eugénia levou cinco testemunhas: O ministro de Espanha em Paris, marquês de Valdegamas, o marquês de Bedmar, o duque de Osuna, e dois dos seus primos, o conde de Galve e o general Toledo.

O seu vestido em “point de Alençon” sobre uma saia de cetim branco, com folhos, era um deslumbramento. Na sua cintura brilhavam os diamantes de Maria Luísa (mulher de Napoleão I), e no pescoço um colar que custara 100 francos e fora oferecido pela cidade de Paris. Oferta que veio a ser coberta pelo próprio Imperador, para consagrar essa soma a obras de caridade.

Após a assinatura do acto civil, foi dado um concerto na sala das Tulherias.

No dia seguinte, Paris acordou envolto num pálido sol. Estava apinhada e em festas. Nas ruas onde deveria passar o cortejo, um mar de gente agitava bandeirolas. Era o dia do casamento religioso. Às 13 horas o barulho dos tambores e as aclamações entusiásticas do povo anunciaram a chegada do cortejo. O par imperial fez a sua entrada na Nôtre Dame às 13 horas enquanto uma orquestra de centenas de elementos entoava a Marcha do Profeta, de Mayerbeer. Eugénia tinha 27 anos. Levava os cabelos encaracolados, presos sobre a nuca e ornados por um diadema de brilhantes e safiras que havia sido, também, de Maria Luísa. Emoldurava-lhe o rosto um véu finíssimo, vaporoso e muito longo. (O cabeleireiro encarregado de a pentear foi um célebre Fénix que estava em voga em Paris).

O vestido elegantíssimo, da autoria de Mme. Vignon, era de veludo branco e renda com pequena cauda e corpo justo, sobre o qual se apoiava o complexo trabalho de renda bordado a rosas prateadas. Formava basquinha na cintura. A “toilette” completava-se com um ramo de flores. Um longuíssimo véu de sete metros acompanhava o conjunto. Ao pescoço, Eugénia ostentava um colar de diamantes e pérolas a combinar com os brincos.

A rica decoração da catedral, perfeitamente apropriada ao estilo e às proporções do acontecimento, produziu o mais maravilhoso efeito e fez honra ao talento e ao gosto dos hábeis arquitectos que a haviam executado sobre a direcção do grande mestre de cerimónias. Diante do portal, ergueu-se um pórtico gótico no qual os quadros, imitando pintura e tapeçaria, representavam figuras de santos e de reis de França. Sobre as principais pilastras viam-se estátuas equestres de Carlos Magno e Napoleão. A todo o comprimento da balaustrada que coroava a galeria dos reis, estendia-se uma frisa de águias alternadas por grinaldas. Nove estandartes verdes, semeados de abelhas e monogramas de suas majestades, esvoaçavam sobre as grandes janelas e sobre a rosácea central. Na grande galeria aberta, as bandeiras dos 86 departamentos erguiam-se acima da balaustrada. Largos declives em ouro cobriam completamente os quebra-sons da torre. No topo das torres estavam quatro águias e dois grandes estandartes tricolores.

Um pórtico interior, de desenho tão elegante como simples, suportava a coluna destinada à orquestra de 500 músicos. Os pilares da catedral eram cobertos até aos capitéis por veludo encarnado, com palmas de ouro bordadas.

Dois dos lados da nave e de cada tribuna pendiam pinturas sobre veludo encarnado, forrado de arminho com os brasões imperiais ligados por coroas de verdura e flores. O cimo das ogivas era revestido de ramos verdes com abelhas douradas. Nos dois ângulos inferiores do transepto aplicaram-se retábulos largamente pintados à maneira de Giotto e de Cimabué, disfarçando as suas extremidades da cruz latina debaixo das grandes rosáceas.

No meio do transepto, e sobre um estrado coberto por um tapete de arminho, estavam colocadas as duas cadeiras de honra preparadas para o imperador e a imperatriz. As armas imperiais estavam bordadas sobre as costas dos “fauteilles”, sobre os genuflexórios e os coxins. Debaixo deste estrado levantava-se um pálio magnífico de veludo vermelho, com abelhas douradas e uma águia de ouro com asas abertas. Os estandartes, contendo os nomes das principais cidades e departamentos de França, desciam da abóbada e complementavam esta magnífica decoração.

Finalmente, sobre o altar elevado acima do solo da igreja, de estilo sóbrio e severo, destacava-se a luz que inundava o coro.

A catedral estava iluminada por 15 mil velas e diz “Moniteur Universel” (jornal oficial do Império francês) que era impossível descrever os vastos estrados ocupados pelo Corpo Diplomático e todos os membros do Senado, enfim a elite, francesa e estrangeira presente na Catedral de Nôtre Dame.

Terminada a cerimónia e após a grande festa nas Tulherias, o Imperador e a Imperatriz partiram em lua-de-mel para o castelo de Villeneuve-l’Etang, onde ficaram alguns dias em alegre solidão, com um serviço de honra reduzido a poucas pessoas. Uma testemunha da reduzida comitiva contou: “o amor reina entre este par”.E dizia-se que Napoleão III mudava o tom de voz, tornando-se mais doce, quando se dirigia à imperatriz a quem chamava meigamente “Uchénie”.


 

Marionela de Gusmão

Não constituirá grande novidade para os leitores da Moda & Moda, o facto de apresentarmos na Moda & Moda alguns objectos oferecidos pela Imperatriz Eugénia a alguns dos seus familiares espanhóis. Eugénia convidava a família para ir passar uns dias a Compiègne e pagava-lhes as deslocações porque lhe fazia falta “hablar com mi gente”. Uma ternura.

As peças aqui apresentadas resultam da recolha de muitos anos e também de um profundo respeito resultante da minha qualidade de parente afastada, nutro pela imperatriz Eugénia, a quem me habituei a apreciar desde jovem.

As rendas apresentadas foram uma oferta da Imperatriz à minha bisavó Josefina e que andaram nas mãos de familiares que entenderam que a merecedora destas preciosidades era a autora deste texto, por ser o elemento da família que mais se interessa por têxteis, onde se incluem tecidos e rendas. Agradeci, aceitei e preservo as rendas com todos os cuidados exigidos, sem saber ainda a quem devo entregar estas preciosidades para que continuem em mãos que as saibam preservar.

O conjunto das rendas, compõem-se de um grande folho com 13 metros e dois mais pequenos, assim como um “fichu”. Recebi este presente das mãos da minha prima Dulce Gusmão, há muito no céu e foram da minha bisavó Josefina, a qual as aplicou no seu vestido de casamento que já não chegou às minhas mãos. Também é do meu conhecimento que a Rainha Maria Pia que casou com D. Luís recebeu um conjunto de rendas iguais às minhas e que as mesmas foram aplicadas no vestido de casamento. São rendas de Bruxelas que a Imperatriz Eugénia encomendava. As minhas são em “point de rose”, as outras nem sequer as vi, por isso, desconheço.

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