A Idade do Jazz I Estilo Americano dos Anos 20

Serviço de Chá e Café com cinco peças, 1929. Gebelein Silversmiths (Americano, Boston, cerca 1908/1960). George Christian Gebelein (Designer Americano, 1878-1945). Prata e madeira. Fotografia: Museum of Fine Arts Boston. Créditos: Museum of Fine Arts Boston. Colecção Museum of Fine Arts Boston, Presente Anónimo, 1986. Cortesia Cooper Hewitt, Museum Smithsonian Design, New York.

Acteão, 1925. Paul Manship (Americano, 1885–1966). Bronze. Colecção David Owsley Museum of Art, Frank C. Ball Collection, oferta de Ball Brothers Foundation. Cortesia Cooper Hewitt, Museum Smithsonian Design, New York.

Pulseira Egípcia, (cerca 1925). Produzida por Lacloche Frères (Paris, França). Diamantes, turquesa, safiras, madrepérola, ônix, pérolas negras, quartzo, turmalina, ouro e platina. Fotografia: Matt Flynn. Créditos: Smithsonian Institution. Colecção particular. Cortesia Cooper Hewitt, Museum Smithsonian Design, New York.

Mala de mão, (cerca 1920/30). Van Cleef & Arpels (Francês, Paris, 1896). Ouro, esmalte, diamantes, safiras, seda e algodão. Colecção The Cleveland Museum of Art, oferta de Mr. and Mrs. Lee Lyon. Cortesia Cooper Hewitt, Museum Smithsonian Design, New York.

Desenho de um tecidol: Cinzeiro de Festa, 1930/31. Design de Donald Deskey (Americano, 1894–1989). Pastel branco, azul e alaranjado sobre papel preto. Fotografia: Matt Flynn, Smithsonian Institution. Créditos:Cooper Hewitt, Smithsonian Design Museum. Colecção Cooper Hewitt, Smithsonian Design Museum, oferta de Donald Deskey, 1975. Cortesia Cooper Hewitt, Museum Smithsonian Design, New York.

Vestido e Casaco Delphos, 1939. Desenhado por Mariano Fortuny (Espanhol, activo em Itália 1871–1949). Realizado por Societá Anonima Fortuny (Veneza, Itália). Vestido: seda plissada; Casaco: veludo de seda. Fotografia: Matt Flynn, Smithsonian Institution. Colecção Cooper Hewitt, Smithsonian Design Museum, adquirido pelos Members' Acquisitions Fund of Cooper-Hewitt, National Design Museum, 2016. Cortesia Cooper Hewitt, Museum Smithsonian Design, New York.

7.

Biombo com Musa com Violino (pormenor),1930. Rose Iron Works, Inc. (Americano, Cleveland, 1904). Paul Fehér (Húngaro, 1898–1990), designer. Ferro forjado, latão, prata e banho de ouro. Fotografia: Howard Agriesti Créditos:Rose Iron Works Collections, LLC. Colecção The Cleveland Museum of Art, doação de Rose Iron Works Collections. Cortesia Cooper Hewitt, Museum Smithsonian Design, New York.

Portas para a Sala de Música de Mr. and Mrs. Solomon R. Guggenheim, 1925/26. Criadas por Seraphin Soudbinine (Francês, 1870–1944). Realizadas por Jean Dunand (Francês,1877–1942). Realizadas em Paris, França. Ferro forjado, latão; Prata e banho de ouro. Fotografia: Matt Flynn, Smithsonian Institution. Créditos: Cooper Hewitt, Smithsonian Design Museum. Colecção Cooper Hewitt, Smithsonian Design Museum, oferta de Mrs. Solomon R. Guggenheim, 1950. Cortesia Cooper Hewitt, Museum Smithsonian Des

Toucador e Banco, (cerca 1929). Criação de Léon Jallot (Francês, 1874–1967). Comercializado por Lord & Taylor (New York, USA). Madeira lacada, vidro espelhado e metal. Fotografia: Matt Flynn, Smithsonian Institution. Créditos:Cooper Hewitt, Smithsonian Design Museum. Colecção Cooper Hewitt, Smithsonian Design Museum, oferta de James M. Osborn, 1969/97. Cortesia Cooper Hewitt, Museum Smithsonian Design, New York.

Serviço de Chá em Forma de Arranha-Céu, 1928. Desenhado por Louis W. Rice (Americano, 1872–1933). Produzido por Apollo Studios (New York, USA). Latão banhado a prata. Fotografia: Matt Flynn, Smithsonian Institution. Créditos:Cooper Hewitt, Smithsonian Design Museum. Colecção Cooper Hewitt, Smithsonian Design Museum, oferta de George R. Kravis II. Cortesia Cooper Hewitt, Museum Smithsonian Design, New York.

Biombo, (cerca 1928) Desenhado por Donald Deskey (Americano, 1894–1989). Folha de prata, madeira lacada, metal fundido (dobradiças). Fotografia: Matt Flynn, Smithsonian Institution. Créditos:Cooper Hewitt, Smithsonian Design Museum. Colecção Cooper Hewitt, Smithsonian Design Museum, oferta de George R. Kravis II. Cortesia Cooper Hewitt, Museum Smithsonian Design, New York.

Taça do Punch "The New Yorker" (Jazz), 1931. Desenhada por Viktor Schreckengost (Americano, 1906–2008). Fabricada por Cowan Pottery Studio (Rocky River, Ohio, USA). Cerâmica moldada vidrada. Fotografia: Matt Flynn, Smithsonian Institution. Créditos:Cooper Hewitt, Smithsonian Design Museum. Colecção Cooper Hewitt, Smithsonian Design Museum, oferta de Mrs. Homer Kripke, 1980. Cortesia Cooper Hewitt, Museum Smithsonian Design, New York.

Têxtil Estampado, Americano: Rapsódia, 1925. Desenhado por John Held Jr. (Americano, 1889–1958). Fabricado por Stehli Silk Corporation (New York, USA). Seda, impressa por rolo. Fotografia: Matt Flynn, Smithsonian Institution. Créditos:Cooper Hewitt, Smithsonian Design Museum. Colecção Cooper Hewitt, Smithsonian Design Museum, oferta de Marian Hague, 1937. Cortesia Cooper Hewitt, Museum Smithsonian Design, New York.

Desenho, Estudo para Maximum Mass Autorização de 1916 New York Zoning Law, Stage 4, 1922. Desenhado por Hugh Ferriss (Americano, 1889–1962). Lápis preto, caneta e tinta preta, pincel e aguadas pretas, verniz na placa da ilustração. Fotografia: Matt Flynn, Smithsonian Institution. Créditos:Cooper Hewitt, Smithsonian Design Museum. Colecção Cooper Hewitt, Smithsonian Design Museum, oferta de Mrs. Hugh Ferriss, 1969. Cortesia Cooper Hewitt, Museum Smithsonian Design, New York.

Estante e Escrivaninha em Forma de Aranha-Céus, (cerca 1928). Paul T. Frankl (Americano,1886–1958). Madeira da Califórnia e laca preta. Colecção Grand Rapids Art Museum, oferta de Dr. and Mrs. John Halick, 1984. Cortesia Cooper Hewitt, Museum Smithsonian Design, New York.

“Brooklyn Bridge”, 1919/20. Joseph Stella (Americano, 1877–1946). Óleo sobre tela. Fotografia: Yale University Art Gallery. Créditos:Yale University Art Gallery Colecção Yale University Art Gallery, oferta da Collection Société Anonyme. Cortesia Cooper Hewitt, Museum Smithsonian Design, New York.

Jarra “Tourbillons”, 1926. Desenhada por Suzanne Lalique (Francesa, 1892–1989). Para René Lalique (Francês, 1860–1945). Prensado, esculpido, ácido-gravado e vidros esmaltados. Fotografia: Matt Flynn, Smithsonian Institution. Créditos:Cooper Hewitt, Smithsonian Design Museum. Colecção Cooper Hewitt, Smithsonian Design Museum. Adquirido através da oferta de um Anónimo, 1969. Cortesia Cooper Hewitt, Museum Smithsonian Design, New York.

18.Cartaz, “ITF Internationale tentoonstelling op filmgebied” (International Film Exhibition), 1928. Desenhado por Piet Zwart (Holandês, 1885–1977). Tipografia sobre o papel. Fotografia: Matt Flynn, Smithsonian Institution. Créditos: Cooper Hewitt, Smithsonian Design Museum. Colecção Cooper Hewitt, Smithsonian Design Museum. Adquirido por oferta de Susan Hermanos, Judith e Charles Bergoffen, Cathy Nierras, e Anónimos e de Drawings and Prints Council e General Acquisitions Endowment Funds, 2013

Têxtil: “Tissu Simultané no. 46”, 1924. Desenhado por Sonia Delaunay (Francesa, 1885–1979). Seda estampada. Fotografia: Smithsonian Institution. Créditos: Cooper Hewitt, Smithsonian Design Museum. Colecção Cooper Hewitt, Smithsonian Design Museum. Adquirido por oferta de Friedman Benda, Elaine Lustig Cohen, Ruth Kaufmann, Patricia Orlofsky e de General Acquisitions Endowment Fund, 2012. Cortesia Cooper Hewitt, Museum Smithsonian Design, New York.

“AD-65 Radio”. Desenhado em 1932. Fabricado, em 1934. Desenhado por Wells Wintemute Coates (Canadiano, 1895–1958). Fabricado por E.K. Cole, Ltd. (England); Baquelite moldada por compressão, metal cromado e tecido. Fotografia: Matt Flynn, Smithsonian Institution. Créditos:Cooper Hewitt, Smithsonian Design Museum. Colecção Cooper Hewitt, Smithsonian Design Museum, oferta de George R. Kravis II. Cortesia Cooper Hewitt, Museum Smithsonian Design, New York.

Sofá-Cama,1933/1935. Desenhado por Frederick Kiesler (Americano, 1890–1965). Contraplacado de vidoeiro, choupo e aço niquelado. Fotografia: Matt Flynn, Smithsonian Institution. Créditos:Cooper Hewitt, Smithsonian Design Museum. Colecção Cooper Hewitt, Smithsonian Design Museum, oferta de Virginia Bayer, 2014. Cortesia Cooper Hewitt, Museum Smithsonian Design, New York.

Pulseira “Tutti Frutti”, 1925. Fabricada por Cartier (Paris, França). Pertenceu a Linda Porter (Americana, 1883‒1954). Platina, diamantes, safiras, rubis, esmeraldas, ônix e esmalte. Fotografia: Nils Herrmann, Cartier Collection, Cartier Créditos: Cartier. Colecção Cartier Collection. Cortesia Cooper Hewitt, Museum Smithsonian Design, New York.

Pulseira,1925. Fabricada por Boucheron (Paris, França). Platina, ósmio, ouro, esmalte, diamantes, rubis, safiras e esmeraldas. Fotografia: Siegelson, New York. Colecção Siegelson, New York. Cortesia Cooper Hewitt, Museum Smithsonian Design, New York.

Colar, 1929. Fabricado por Van Cleef & Arpels (Paris, França). Platina, rubis e diamantes. Fotografia: Siegelson, New York. Colecção The Adrien Labi Collection. Cortesia Cooper Hewitt, Museum Smithsonian Design, New York.

Fivela com um Escaravelho, 1926. Fabricado pela Cartier (Paris, França). Pertenceu a Linda Porter (Americana, 1883‒1954). Ouro, platina, faiança azul egípcia, diamantes, safiras e esmalte. Platina, diamantes, safiras, rubis, esmeraldas, ônix e esmalte. Fotografia: Marian Gerard, Cartier Collection, Cartier. Créditos: Cartier. Colecção Cartier Collection. Cortesia Cooper Hewitt, Museum Smithsonian Design, New York.

“Mystery Clock”, (cerca 1921). Fabricado pela Cartier (Paris, França). Pertenceu a Anna Dodge (Americana, 1869–1970). Ouro, platina, ebonite, citrina, diamantes e esmalte. Fotografia: Marian Gerard, Cartier Collection, Cartier. Créditos: Cartier. Colecção Cartier Collection. Cortesia Cooper Hewitt, Museum Smithsonian Design, New York.

Atraente, extravagante e ritmada, assim se pode definir a Arte Deco, um dos estilos mais populares do século XX, que está patente na exposição: "A Idade do Jazz: Estilo Americano dos Anos 20" no Cooper Hewitt, Museum Smithsonian Design, em Nova Iorque de 9 de Abril a 9 de Julho de 2017. Após a sua apresentação nesta cidade, a mostra terminará a sua tournée no Cleveland Museum of Art de 30 de Setembro de 2017 a 14 de Janeiro de 2018.

Este evento é um dos mais importantes a todos os níveis, em especial para aqueles que sentem grande atracção pela fúria de viver que se seguiu ao fim da 1ª. Grande Guerra Mundial de 1914-1918.

A mostra reune mais de quatrocentos objectos - pintura, escultura, arquitectura, mobiliário, têxteis, vidro, metal, joalharia, artes gráficas, design industrial, moda, cinema e fotografia – alguns jamais vistos em público, provenientes, principalmente de colecções privadas e públicas da Europa e dos Estados Unidos da América.

 

A mostra "A Idade do Jazz: Estilo Americano nos Anos 20" foi organizada pelo Cooper Hewitt em conjunto com o Cleveland Museum of Art. Este notável evento oferece uma ampla visão do design destacando o aspecto multidimensional do estilo americano nesta década.

Através das galerias do Museu o visitante pode contemplar: magníficas jóias, moda do vestuário, mobiliário, têxteis, porcelanas, pinturas, cartazes, papéis de parede e arquitectura, evidenciando a popularidade das cores arrojadas e das formas geométricas que caracterizam a Arte Deco.

Acerca da mostra, a directora da Cooper Hewitt, Caroline Baumann, afirmou: "Através das peças expostas pode-se observar o importante impacto que as influências europeias obtiveram nessa época, assim como  o crescimento explosivo das cidades americanas, os movimentos artísticos de vanguarda, os novos costumes sociais e o papel da tecnologia, que influenciaram os Estados Unidos da América. A exposição destaca o espírito americano deste período, através das ligações entre os diversos objectos com técnicas diferentes oferecendo assim um novo olhar acerca da arte e do design nesta época vibrante.

A mostra evidencia uma nova linguagem das artes decorativas durante os Anos 20 a qual viria declinar com o “crasch” da Bolsa em 1929.

O jazz passou a definir uma era de inovação e modernidade atraindo a força e o ritmo da atitude americana. Um período brilhante, onde se assistiu à revalorização do artesanato, a uma grande urbanidade e experimentação  tanto na Europa, como nos Estados Unidos.

 As influências significativas da Europa incluem Paris, especialmente o ano de  1925 por ser a data da “Exposition des Arts Décoratifs et Industriels Modernes”, através dos designers europeus, principalmente da Áustria e da Alemanha. Estas influências foram adicionadas à arquitectura americana, principalmente ao arranha-céu que impressionou tanto os americanos como os europeus. O público é confrontado com este mundo a partir de uma nova perspectiva americana através de seis secções, que destacam os objectos influenciados pelo poder de compra das fortunas recentes, com novos gostos, sustentado por uma procura que provocou uma efusão no design e anunciou uma nova era.

"A Idade do Jazz: Estilo Americano dos Anos 20" foi organizada por Sarah Coffin, curadora das artes decorativas no Cooper Hewitt e Stephen Harrison, curador das artes decorativas e design no Cleveland Museum of Art.

Arte Deco

Após a primeira Grande Guerra, a França tinha sido sacudida por uma euforia de viver, um frenesim de novidades, um transbordar de ritmos e de cores. A Arte Deco surgiu neste ambiente da grande festa dos Anos Loucos e foi o novo e excitante movimento de arte que varreu a ornamentação elaborada dos séculos anteriores e a substituiu com uma surpreendente simplicidade de linhas. O seu nome deriva da Exposição das Artes Decorativas e Industriais, realizada em Paris em 1925.

As raízes da Arte Deco estendem-se ao cubismo que lhe fornece as formas geométricas das suas decorações; ao “esprit nouveau” de Le Corbusier, de que retém a visão analítica da forma; ao fauvismo, cuja negação ao modelado e ao claro-escuro adopta; ao futurismo, onde encontra  a noção de velocidade; aos Ballets Russos, de que assimila o colorido e uma nova concepção de espectáculo.

Mas a par desses aspectos, a Arte Deco  encontrava a sua razão de ser não apenas na cidade de Paris, já que em definitivo conquistou a Europa e a América, sendo aí participante activa na difusão de um gosto e de uma mentalidade moderna.

 

Anos Vinte

Depois dos corpos massacrados e estropiados da guerra, explodiu a euforia escaldante da vida “Folles ou Rouring”. Assim se denominam, se consomem e se publicitam. Consumia-se a vida na necessidade de ilusão, do desfazer quotidiano de antigas fronteiras e hierarquias, de velhos hábitos e modos, como exigível condição para devorar todos as energias da vida e, entre elas, a não menos relevante tarefa de ganhar dinheiro numa febre que acabaria fortemente no "rouring arack" de 1929. A par de preocupações mais directamente reflexivas e pesquisadoras, a cultura europeia conhecia uma dimensão mais

despreocupadamente mundana e soberanamente vivencial, onde as modalidades artísticas, literárias e da moda, o jornalismo, o cinema, o "music-hall", o teatro e até a política, se aproximam entre si  e não poucas vezes se equivalem ou confundem, ao afirmarem os seus produtos como valores essenciais e objectos atraentes, prontos a serem consumidos por uma assumida forma de estar veloz e efervescente, ela própria, atractiva, extremamente apetecida, numa época que se quer e que se descobre de uma forma precipitada promissoriamente na imagem de um carro desportivo ou na silhueta esguia de uma “starlete” representada num écran de cinema ou ainda no subtil odor de um perfume.

Os Anos 20 eram vividos na cidade, território natural e reinventado, em precisos espaços públicos onde se investia a desejável cumplicidade entre produtos e consumidores entre o imaginário e o real. Das salas dos "night clubs", do cinema e do "music hall", dos livros e dos magazines, projectavam-se para a rua, como por magia, imagens da mulher emancipada, com o cabelo cortado à “garçonne” ao volante dum carro de sport, ou da rapariga fazendo pose com uma cigarrilha, onde o fumo em serpentina se cruza com o seu companheiro, a imagem de Rudolfo Valentino, ou ainda a imagem de uma “vamp“ lembrando o aspecto distante, perverso e às vezes fatal, como representavam nesta época nos seus filmes Dietrich, ou ainda desarticulada pela noite dentro à euforia trepidante do charleston ou do mais violento tango, a dança que deu nome à cor dos "Twenties", esse alaranjado metal por fogoso entusiasmo do seu componente vermelho.

Exposição

A exposição está organizada, através dos temas: Persistência de Bom Gosto Tradicional; Um Novo Olhar; Dobrando as Regras; Um Mundo Mais Pequeno; Abstracção e Reinvenção; Direcção à Idade Da Máquina.

Persistência de Bom Gosto Tradicional.

 

Os tradicionalistas defendiam os estilos históricos, especialmente os modelos coloniais americanos com teor patriótico. No entanto, os desenhos dos séculos XVII e XVIII franceses e ingleses também foram atraídos pelos coleccionadores dos Estados Unidos que identificaram trabalhos artesanais antigos com status social. Entre as obras exibidas nesta secção podem-se admirar uma tapeçaria monumental realizada pelos teares de Edgewater Tapestry de New Jersey, um guarda-fogo em ferro forjado projectado por Samuel Yellin, um artesão da Filadélfia, uma arca do século XVII criada e pintada por Max Kuehne e um serviço de chá e café em prata em estilo de Paul Revere, projectado por George Gebelein de Boston e pela sua empresa George Gebelein Silversmiths.

 

Um Novo Olhar

As técnicas e formas estabelecidas tornaram a modernidade acessível aos mais clássicos. Obras de fabricantes franceses de alto nível, como Ēmile-Jacques Ruhlmann - que usava folheados luxuosos e formas tradicionais modificadas – é um designer representado nesta galeria por um armário de canto e uma secretária com influência e gosto americano. Esta peça é um notável exemplo dos primeiros anos da Arte Deco e foi realizada por um dos mais importantes designers da época.

Além de peças históricas, as primeiras aquisições de design moderno pelo Metropolitan Museum of Art e outros museus americanos tornaram-se fontes de investigação para a criação de móveis por fabricantes dos Estados Unidos, como W. & J. Sloane's Company of Master Craftsmen.

A flora e a fauna, assim como audaciosas e brilhantes combinações de cores, que muitas vezes definem este novo estilo, especialmente nos têxteis, pinturas, laca, jóias, cerâmica e vidr, mostram “um novo olhar”. De destacar nesta secção um colar criado por Meta Overbeck para Tiffany Studios e o "Le Feu", parte de uma série de tecidos dos Quatro Elementos mostrados na Exposição de 1925 em Paris.

Neste período, o papel do decorador de interiores teve uma importância jamais vista. A exposição inclui também  o trabalho de Nancy McClelland que criou papeis de parede misturando elementos tradicionais e modernos importados dos exemplos franceses que ela apresentou com mobiliário “English Regency” .

 

Dobrando as Regras

O novo fenómeno da música de jazz teve uma grande importância nas idéias modernas contra as regras e convenções da ordem social até aí vigente. Clips de filmes com apresentações de Duke Ellington e outros artistas do “Cotton Club” e "The Jazz Singer" mostram, como o cinema introduziu interiores modernos, design gráfico e moda para o público americano. Partituras,  cartazes de artistas americanos, como Sidney Bechet e Josephine Baker, foram como embaixadores do jazz americano na Europa.

Nesta seçção  podem-se contemplar jóias e acessórios pessoais para a maquilhagem e cigarreiras destinados à mulher cada vez mais livre, assim como estilos de moda verdadeiramente novos e ousados. De evidenciar jóias da Cartier, como uma que pertenceu a Linda Porter, mulher do compositor Cole Porter, a pulseira colorida "Tutti Frutti" , a  fivela de cinto de 1926 com um escaravelho inspirado pela descoberta de 1922 do túmulo do rei Tut's; Um relógio "Mystery" da Cartier, (cerca 1921) que pertenceu a Anna Dodge, a pulseira em jade e safiras e uma pulseira de diamantes, que pertenceu a Mona von Bismark. Para além destas peças estão expostas: o impressionante colar com rubis e diamantes da Van Cleef & Arpels, de 1929, uma pulseira com influência egípcia criada por Lacloche Frères, em 1925, uma pulseira com desenhos geométricos de Boucheron apresentada na exposição 1925 de Paris, um colar com um motivo de arranha-céus da Tiffany & Co. de 1930/35 e uma pulseira deslumbrante de diamantes da actriz Mae West.

 

Um Mundo Mais Pequeno

Esta secção, situada no segundo anda,r apresenta as exposições europeias, que  influenciaram o gosto e a produção americana. Paris, Viena e Berlim estavam no centro do pensamento e da prática com grande influência. Paris liderou os  movimentos artísticos da Europa após a Primeira Guerra Mundial, mas o patrocínio e a cultura americana ajudaram a transformar o mercado dos Estados Unidos. As novas fortunas, principalmente americanas, alimentaram uma procura por produtos domésticos e pessoais com novas cores brilhantes e materiais sumptuosos, evocando uma sensação de liberdade no design. Paris, que realizou a Exposição Internacional de 1925 dedicada ao design moderno, atrás já referida, teve um apelo especial para os americanos ansiosos para viajar para a fonte do estilo. Designers, educados na Áustria e na Alemanha, que mais tarde imigraram para os Estados Unidos, trouxeram uma nova estética para as artes decorativas americanas, combinadas com uma apreciação das formas locais, como o arranha-céus.

Jóias, acessórios e moda compradas por americanos em França, especialmente em Paris, juntou mobiliário decorativo com influências significativas no design de luxo. Encomendas significativas dos Estados Unidos de artistas franceses estão expostas, incluindo as magníficas portas de Séraphin Soudbinine e Jean Dunand para a residência de Solomon R. Guggenheim. Uma tournée em 1926 nos museus americanos com 400 objectos seleccionados da Exposição de Paris de 1925, que viajaram para oito museus americanos ajudaram a desencadear uma revolução no design nas lojas americanas, especialmente no Lord & Taylor e no Macy's, que desempenharam um papel significativo na ampliação do apelo deste Moderno, tanto através de exposições  com as suas próprias interpretações, como se pode admirar num exemplo exposto de uma mesa de vestir moderna e um banco, através do design de Léon Jallot, que foi vendido pela loja Lord & Taylor.

A mostra também salienta as fortes ligações entre a Áustria e os Estados Unidos. O design vienense cresceu em visibilidade através de um ramo de Nova Iorque do Wiener Werkstätte no início dos Anos 20. Trabalhos da loja Wiener Werkstätte americana estão expostos, através de um elegante serviço de chá em prata com quatro peças de Josef Hoffmann, encomendado por Joseph Urban. A emigração da Europa pouco antes e depois da 1ª. Guerra Mundial de designers austríacos e alemães - incluindo Joseph Urban, Paul T. Frankl, Walter von Nessen, Frederick Kiesler, Rudolph Schindler e Richard Neutra – procuraram oportunidades profissionais, além disso, trouxeram um maior interesse no design industrial. Alguns Introduziram a influência da Bauhaus, como Ludwig Mies van der Rohe e Marcel Breuer. Paralelamente, com estes designers, estão expostas trabalhos de designers americanos, como Donald Deskey, Gilbert Rohde e outros. A interacção de designers americanos e europeus contribuiu elevadamente para o movimento moderno nos Estados Unidos. Os norte-americanos foram influenciados pela formação dos europeus, e estes últimos ficaram entusiasmados com a sua aceitação num país novo com a sua energia e criatividade arquitectónica.

 

Abstracção e Reinvenção

O uso crescente de formas abstractas e elementos decorativos continuou na história de ligações entre o design americano e os movimentos artísticos europeus, com as importações. A ascensão dos arranha-céus e a cidade metropolitana, muito admirada por artistas estrangeiros, contribuiu para o uso do design geométrico, como se pode ver numa mesa de combinação monumental "Skyscraper" e estante de Frankl, o serviço de chá do" arranha-céus "projetado por Louis W. Rice. Esta secção destaca o impacto dos movimentos artísticos, incluindo o Cubismo, o De Stijl e o Constructivismo. " Pinturas importantes como "Ponte do Brooklyn" de Joseph Stella, "Composição com Vermelho, Amarelo e Azul" de Piet Mondrian e a "Torre Eiffel" de Robert Delaunay estão ao lado de objectos como Chanin Building Gates de René Chambellan, o cartaz "ITF" por Piet Zwart e um tapete do estilo de De Stijl projectado por Marion Dorn Kauffer.

 

Rumo para a Idade da Máquina

À medida que os ideais e fortunas norte-americanas se ajustavam às dificuldades crescentes da Grande Depressão, as considerações estéticas debruçaram-se, cada vez, para o design industrial e materiais menos caros para a esfera doméstica. As primeiras edições da  cadeira de Barcelona de van der Rohe e da Chaise Longue de Le Corbusier ajudaram a definir o visual moderno americano.

A mostra termina com o  início dos Anos 30, revelando como os materiais inovadores, técnicas e desenhos decorativos da década de 20, resultaram como alternativas de moda em relação ao passado, tornando-se necessidades de estilo no pós crash de 1929.

A Arte Deco foi o novo e excitante movimento de arte que varreu a ornamentação elaborada dos séculos anteriores substituindo-os com uma surpreendente simplicidade.

 

Theresa Bêco de Lobo

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