Harper’s Bazaar I A Primeira Revista de Moda

O Museu das Artes Decorativas, em Paris, para celebrar a reabertura das suas galerias de moda apresenta uma surpreendente exposição sobre a Harper’s Bazaar. 

Esta publicação foi fundada em 1867, nos Estados Unidos da América, pela empresa Harper & Brothers como uma revista semanal feminina e de moda. Ao longo dos anos teve uma grande evolução, tornando-se numa publicação mensal e com tal importância no mercado da moda e da beleza que se multiplicou em edições de vários países. 

A mostra destaca o trajecto desta revista ao longo de 152 anos de história de moda, colocando lado a lado cerca de 60 peças de Alta Costura e Prêt-à-Porter históricas (grande parte delas pertencem à colecção do próprio museu e outras foram cedidas por colecionadores particulares) com imagens emblemáticas das mesmas, assinadas por artistas e fotógrafos que colaboraram com a Bazaar ao longo dos anos (como Man Ray, Salvador Dali, Andy Warhol, Richard Avedon, Peter Lindbergh). A exposição também homenageia três figuras notáveis na vida da Harper’s Bazaar e que contribuíram para a história da moda e para a evolução do papel da mulher: Carmel Snow, editora chefe entre 1933 e 1957, Alexey Brodovitch, director de arte entre 1934 e 1958, e Diana Vreeland, colunista e editora de moda entre 1936 e 1962.

Harper’s Bazaar é uma conceituada revista feminina de moda norte-americana, publicada pela Hearst Corporation desde 1867. Uma das mais importantes e influentes do mundo, cujo slogan é ser “a fonte de estilo para as mulheres e as mentes bem vestidas”. Mensalmente publica trabalhos de costureiros, escritores, fotógrafos e designers dentro de uma perspectiva sofisticada do mundo da moda, da beleza e da cultura popular.

A história da prestigiada revista norte-americana começou quando Fletcher Harper, um dos editores da Harper Brothers, resolveu criar uma revista feminina que abordasse moda e assuntos domésticos direccionada para a dona de casa da classe média da época. Logo após a Guerra Civil Americana, em 1867, circulou o primeiro número da Harper’s Bazar (nesta época com o título com apenas um A) em forma de folhetim, sendo a primeira revista nesse segmento a ser introduzida no mercado americano. Costureiros como Charles Frederick Worth já se destacava na elite americana. Nesta época, os modelos apresentados na revista ainda eram ilustrados e não fotografados. A partir de 1894, quando surgiu a primeira capa colorida, além das influências da Art Nouveau, a publicação começou a utilizar belas ilustrações e fotografias na composição das suas páginas.

A revista foi publicada semanalmente até 1901 e depois tornou-se mensal. Em 1913, foi comprada por 10 mil dollars (uma verdadeira fortuna para a época) pelo império Hearst de publicações, liderado por William Herast. Sob novo comando a revista foi revitalizada, principalmente com a utilização de fotografias elaboradas e especificas sobre o tema principal (moda). Só em 1929 a revista passou a chamar-se Harper’s Bazaar (agora o título com as letras a a, repetidas). Neste mesmo ano a revista ganhou a sua edição britânica.

Rapidamente se tornou numa publicação de grande influência entre as mulheres americanas, principalmente sob a direcção de Carmel Snow, que foi editora de 1933 a 1958, período em que a publicação promoveu o design de moda, a fotografia e a ilustração. Ela foi a responsável por criar uma equipa extremamente talentosa que incluía o designer gráfico Alexey Brodovitch (responsável pela criação do tradicional logotipo da revista conhecido como “Didot”) e a editora de moda Diana Vreeland (publicou a sua primeira coluna em 1936, trabalhando na revista até 1962, quando se transferiu para a concorrente Vogue). Além disso, a equipa redefiniu o design editorial com a utilização de espaços brancos, tipografia limpa, textos fluentes e fotografias marcantes e bem posicionadas. No ano de 1945 introduziu no mercado a Junior Bazaar, uma nova revista direccionada para jovens.

Actualmente a revista é editada em 27 países e é vendida em mais de 90 países. Em Outubro de 2012 Carine Roitfeld, ex-editora-chefe da Vogue Paris, foi anunciada como Directora de Moda Global da revista sendo responsável por produzir editoriais publicados em todas as edições da Harper’s Bazaar.

A mostra destaca a história da moda, através da visão dos grandes artistas e fotógrafos que contribuíram para o estilo único da Bazaar, de Man Ray, Salvador Dali e Andy Warhol para Richard Avedon e Peter Lindbergh. De destacar também as várias peças de alta costura e pronto-a-vestir, a maioria delas retiradas do acervo do museu de Paris, juntamente com os vestidos emblemáticos que foram cedidos por colecçãos  particulares, estão expostas ao lado das imagens delas, como foram originalmente apresentadas na revista. A exposição também inclui um tributo especial a três figuras importantes da história do Bazaar: Carmel Snow, Alexey Brodovitch e Diana Vreeland. Juntos, eles criaram a estética moderna, tanto na moda como no design gráfico, que ainda hoje são tão influentes. 

O arquitecto e designer Adrien Gardère, que supervisionou a renovação das galerias, projectou um design surpreendente da exposição em que juntou as várias capas de revistas com as imagens e peças de vestuário mais icónicos.

A Bazaar foi lançada como uma revista feminina focada na moda, sociedade, artes e literatura. Com o estilo das revistas de moda europeias, destacou-se pelo seu compromisso com a causa das mulheres. A sua primeira editora, Mary Louise Booth, foi sufragista e abolicionista que apoiou a União durante a Guerra Civil Americana. Uma mulher de letras, Booth tinha uma atracção muito grande pela França e continuou  a influenciar o Bazar e a sua história. No século XX, Picasso, Cocteau e Matisse estavam entre os muitos artistas franceses a serem apresentados na revista. 

A Harper’s Bazaar também publicou artigos sobre as principais figuras da escola de arte americana, como Jackson Pollock, Frank Stella e William Burroughs.

Esta revista também foi uma publicação literária de classe mundial, com contribuições de Colette, Simone de Beauvoir, Françoise Sagan, Jean Genet e André Malraux. Alguns dos maiores escritores britânicos e americanos, de Charles Dickens a Virginia Woolf, Patricia Highsmith, Truman Capote e Carson McCullers, escreveram para a Bazaar. Mas, além da qualidade do seu conteúdo, era a sua estética, que a diferenciava das outras revistas. A sua mistura de características de moda e críticas perceptivas fizeram da Bazaar uma pedra de toque para a moda e para o design gráfico. Grandes costureiros como Charles-Frederick Worth, Paul Poiret, Jeanne Lanvin, Madeleine Vionnet, Elsa Schiaparelli, Christian Dior e Cristóbal Balenciaga devem parte de seu mito ao prestígio da Bazaar.

Encenada em dois andares das galerias de moda, a exposição foi organizada cronologicamente em torno de diferentes temas que surgiram ao longo da história da Bazaar. O seu objectivo é destacar a contribuição da Bazaar para a evolução da silhueta feminina nos últimos 152 anos e mostrar como as imagens de época da revista foram concebidas através dos esboços, fotografias e padrões que os precederam à sua inspiração.

A primeira galeria da mostra, apresenta uma breve história dos periódicos da moda do século XVI ao XIX. Mary Louise Booth deu o tom à Bazaar, apresentando o trabalho do costureiro parisiense Charles-Frederick Worth, um dos grandes favoritos da alta sociedade americana. A evolução da revista reflectiu mudanças de estilo, da Art Nouveau ao Orientalismo dos Ballets Russes e Paul Poiret, que influenciaram as capas desenhadas por Erté na década de 1910 e 1920. Foi durante esse período que a revista forjou a estética da fotografia de moda com o trabalho do barão Adolph de Meyer. Nos anos seguintes, o surrealismo influenciou as fotografias de George Hoyningen-Huene e George Platt-Lynes, assim como as ilustrações das capas criadas por Cassandre, que ecoaram o trabalho de Elsa Schiaparelli e Madeleine Vionnet, que se inspiraram na metafísica e na antiguidade.

Depois, a segunda secção "Santíssima Trindade" que transformou a Bazaar numa revista de luxo e de vanguarda na década de 1930: onde a editora chefe Carmel Snow, o director de arte Alexey Brodovitch e a editora de moda Diana Vreeland abriram a revista para as actividades ao ar livre e para os corpos banhados pelo sol captados na cor Kodachrome por Louise Dahl-Wolfe. Eles introduziram grandes fotógrafos como Man Ray, depois Richard Avedon, cujo estilo lírico combinava com os vestidos de noite ondulantes dos anos do pós-guerra.

Em 1947, foi Snow quem chamou a primeira colecção de Christian Dior de "New Look", inaugurando uma era de ouro da Alta Costura. Na década de 1950, a Bazaar tinha-se tornado numa força na moda que foi lançada no musical Funny Face, com a Audrey Hepburn. As revoluções culturais, sociais, políticas e da Pop e Op Art da década de 1960 foram resumidas por Avedon na sua célebre edição "Now" de Abril de 1965, com a modelo Jean Shrimpton na capa.

Fotógrafos como Hiro usavam a moda como um campo de experiências, empregando várias técnicas da fotografia inspiradas na arte cinética. As imagens da década de 1970 reflectiam a moda colorida e vivida da época. Nos anos 80, o Disco, Dallas e Dynasty deram o tom para a revista, então liderada por Anthony T. Mazzola. Durante o seu tempo na Bazaar, criou retratos em “close-up” de celebridades fotografadas em Ektachrome, que começaram a surgir nas capas.

Mazzola, o editor que definiu riqueza e estilo para milhões de leitores nas duas revistas, Town & Country e Harper’s Bazaar durante 44 anos, iniciou sua carreira na Hearst como director de arte. Em 1948, aos 25 anos, Mazzola ingressou na Town & Country como o director de arte mais jovem da história da revista. Ele ocupou o cargo  quase duas décadas, tornando-se editor-chefe em 1965. Town & Country é uma revista de interesse geral publicada continuamente na América, tendo sido fundada em 1846.

"Tony Mazzola foi um dos editores mais criativos que eu já conheci", disse o director da Hearst Corp. Gilbert C. Maurer. "Um homem de grande estilo pessoal, sabia intuitivamente como era bom, e o seu trabalho no Town & Country e na Harper's Bazaar reflectia essa sensibilidade aguda".

Em 1992, com Liz Tilberis como editora-chefe e Fabien Baron como director criativo, a revista voltou a ter uma visão mais clássica de elegância, com um novo design e estética distinta. Fotógrafos como Patrick Demarchelier e Peter Lindbergh tornaram-se os principais pilares, e modelos como Linda Evangelista e Kate Moss, que compunham as capas.

 

Em 2001, com a chegada de Glenda Bailey, como editora-chefe, Stephen Gan como director criativo e, mais tarde, Elizabeth Hummer como directora de design, a revista surpreendeu pelo espetacular e fantasioso, com fotógrafos como Jean-Paul Goude como os seus directores. As escolhas mais ousadas e ambiciosas marcaram esta época. Mas a beleza e a vibração da revista foram acompanhadas de um profundo respeito pela sua história.

Este evento representa a primeira exposição dedicada a uma revista de moda com um olhar para além das fotografias, com o impacto na direcção editorial e artística, enquanto explora como as revistas ajudaram a definir o que moda é e o que consideramos moda.

A Harper’s Bazaar, fez, e faz, história quando falamos no seu sucesso mundial, ícones de vários sectores artístico, já passaram pelas páginas da consagrada publicação, tais como: Picasso, Cocteau, Matisse, Charles-Frederick Worth, Paul Poiret, Jeanne Lanvin, Madeleine Vionnet, Elsa Schiaparelli, Christian Dior e Cristóbal Balenciaga entre outros. 


A exposição serve para nos entreter, encher os olhos, sonhar e nos lembrar que dentro dos nossos sete pecados capitais a vaidade talvez seja o mais sedutor, atraente e o mais incontrolável.

 

Theresa Bêco de Lobo
 

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