Guo Pei I ​​Um fenómeno da moda feminina ​​

A China foi um grande Império com o qual os portugueses mantiveram laços de amizade e um protocolo que estabeleceu a nossa permanência 500 anos em Macau. É essa mesma China que vai avançando no mundo ocidental numa marcha rápida e que já chegou à moda do vestuário feminino. A personalidade que o mundo civilizado já conhece e reconhece, chama-se Guo Pei e tornou-se célebre ao participar, em 2015, na gala que Rihanna assistiu, com um vestido da sua autoria, no Metropolitan Museum of Art (MET) de Nova Iorque, além de também ter apresentado duas peças na mesma mostra “China: Through the Looking Glass” (China: Através do espelho”), muito naturalmente sob a influência da estética do seu mundo na moda do Ocidente.

E foi assim que Guo Pei, a criadora de Alta-Costura que enlouquece as milionárias, entrou no mundo Ocidental.

O que a catapultou à ribalta foi, com efeito, o vestido que Rihanna usou na acima citada Gala, em Nova Iorque, e que na realidade não é mais do que uma grande capa amarela, inspirada num elaboradíssimo uniforme de Napoleão Bonaparte.

 O traje foi bordado a quatro mãos por duas hábeis chinesas e mesmo assim levou dois anos de trabalho. A seda cor canário foi lavrada à mão com fio de ouro, flores de metal e guarnições com peles.

Rihanna, que além de cantora, também sabe de costura— usou o vestido com grande leveza, como se ele não pesasse 25 kilos. Porém, em certo momento, necessitou que de ajuda para poder subir uma simples escada. Para Guo Pei, este vestido marca o nascimento da Alta-Costura chinesa moderna.

O traje inundou as redes sociais e as principais revistas americanas elevaram Guo Pei ao alto das montanhas da fama. Quando se apercebeu do fenómeno que a sua obra estava a merecer, ficou, naturalmente, muito feliz.

Guo trabalha há trinta anos, mas só alcançou o verdadeiro reconhecimento há apenas dois anos. Actualmente é a costureira mais importante da China. Em 2015, entrou numa nova fase da sua vida profissional, pois a seguir à Mostra no MET em Julho desse ano, realizou a sua primeira exibição em Paris, no Museu de Artes Decorativas, (que tão bem conhecemos desde os tempos em que Yvonne Deslandres esteve à frente dos destinos do sector da moda do vestuário) com o apoio da empresa MAC que a contratou para que criasse uma gama de maquilhagem com 16 cores, entre as quais se salientaram o coral, o rosa e o azul.  

Posteriormente, abriu um pequeno “atelier” em Paris, nas vizinhanças da Rue Saint Honoré. Seis meses após a apresentação do vestido amarelo que Rihanna envergou em Nova Iorque a Chambre Syndicale de la Haute Couture de París, (de que a Moda & Moda é membro desde  1984, data do seu nascimento) ofereceu-lhe a possibilidade de ser membro como convidada: a primeira vez que uma personalidade asiática da costura recebe essa honra durante os quase 150 anos desta importante organização da Alta-Costura francesa.

O “show” inaugural de Guo, no Ocidente, teve lugar em Janeiro de 2016, durante a Semana da Alta-Costura de París, onde apresentou mais de 30 peças de vestuário de uma beleza visual de cortar a respiração.

Na China, o “atelier” de Guo Pei encontra-se instalado num lugar improvável para a rainha da Alta Costura da China: no bairro suburbano de Chaoyang, a norte de Beijing. Neste espaço funciona a sua sala de trabalho, a sala dos desfiles e as oficinas onde trabalham os 500 artesãos que formam a sua equipa. Para Guo a proximidade física e o trato afectuoso contribuem para que todos se sintam uma família onde impera o respeito.

“Não sigo tendências nem procuro competir com ninguém disse Guo Pei à jornalista da Forbes, Abigail Haworth. Tudo o que faço tem a ver com a minha paixão pelo meu trabalho”.

Na actualidade um modelo de Guo pode custar 300.000 dólares, mas também existem o que não ultrapassam os 75.000 dólares.

A paixão da costura nasceu por um acaso pouco agradável. Guo tinha dois anos quando se apercebeu que a sua mãe, uma professora de Kindergarten tinha falta de vista e não conseguia enfiar as agulhas e ficava feliz por a poder ajudar, contribuindo assim na confecção da roupa de inverno da família, já que não tinham possibilidades de fazer compras.

Guo Pei nasceu em 1967, um tempo em que a Revolução Cultural estava no auge. O seu gosto pelo vestuário crescia à medida que caminhava para a adolescência e isso não era muito bem visto. Uma professora chegou a acusá-la de capitalista por levar à escola, os vestidos que ia recebendo da sua mãe.

E é a grande senhora da costura, a artista genial que nasceu na China quem nos diz: a culpa teve a minha avó. Ela viveu os finais da dinastia manchú no seio de uma família rica que perdeu todos os seus bens e que teve que se habituar à austeridade do comunismo. Na hora de adormecer, a avó em vez de lhe contar historietas falava da Ópera de Pequim e da Imperatriz  Zishí, e descrevia os pormenores dos vestidos que as senhoras usavam.

Benvinda, senhora Guo Pei. A Europa agradece a sua contribuição. Nesta revista, que já conta com 32 anos, dirigida por uma mulher que trabalhou na Fundação do Museu do Traje e que assinou muitos textos de História de Moda e de moda actual, consideramos que o seu talento faz perder a cabeça. Bravo!

 

Marionela Gusmão 

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