Greco em Paris I Uma Exposição a não Perder

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São Lucas pintando a Virgem 1560-1566 Tempera e ouro sobre tela, 41x33 cm Atenas, museu Benaki

A Última Ceia de Cristo Por volta de 1567-1570 Óleo e tempera sobre painel 41,5x51 cm Bolonha, Pinacoteca nacional

São Lucas Cerca de 1605 Óleo sobre tela 98x72 Toledo. Cabildo Catedral Primada

A adoração do nome de Jesus, também conhecido por: A canção de Filipe II Cerca de 1575-1580 Óleo e tempera sobre painel 55,1x33,8 cm Londres The National Gallery

Retrato do Cardeal Niño de Guevara Cerca de 1600 Óleo sobre tela 171x108 cm The Metropolitan Museum of Art, New York. H.O. Colecção Havemeyer legado de Mrs. H. O. Havemeyer, 1929

Retrato do frade Hortensio Félix Paravicino Cerca de 1609-1611 Óleo sobre tela 112x86,1 cm Boston, Museum of fine Arts Isaac Sweetser Fund

A assunção da Virgem 1577-1579 Óleo sobre tela 403,2x211,8 cm Chicago. The Art Institute of Chicago, presente de Nancy Sprague em memória de Albert Arnold Sprague

São Martinho e o pobre 1597-1599 Óleo sobre tela 193,5x103 cm Washington, National Gallery of Art

A Fábula Cerca de 1585 Óleo sobre tela 65x90 cm Leeds, 8th Earl of Harewood, Harewood House Trust

O início da temporada Outono/Inverno 2019/2020 fervilha em Paris com a exposição de GRECO nas Galerias Nacionais do Grand Palais, de 16 de Outubro do ano em curso até 10 de Fevereiro de 2020.

Esta Exposição organizada pela Reunião dos Museus Nacionais - Grand Palace, Museu do Louvre e Instituto de Arte de Chicago, cidade onde esta mesmo mostra será apresentada de 8 de março a 21 de junho de 2020, é uma das mais marcantes deste final de ano.

A retrospectiva da obra de Greco é a primeira grande exposição, em França, dedicada a este artista.

Nascido em 1541, em Creta, Doménikos Theotokópoulos, conhecido como El Greco, começou a sua aprendizagem seguindo a tradição bizantina que aperfeiçoará com a sua maestria, primeiro em Veneza e, mais tarde, em Roma.

No entanto, foi em Espanha, onde se estabeleceu permanentemente, em 1577, qua a sua arte atingiu o máximo esplendor.

Atraídos pelas inúmeras promessas da obra de El Escorial, a cor de Ticiano, a audácia de Tintoretto e o estilo heroico de Miguel Angelo, foram importantes para a península ibérica, mas principalmente para Espanha.

A síntese eloquente, original e consistente da sua carreira, coloca El Greco, que morreu quatro anos depois de Caravaggio, em um lugar muito importante na história da pintura: ele foi o último grande mestre do Renascimento e o primeiro grande pintor da Época Áurea.

Redescoberto no final do século XIX, elogiado por escritores, reconhecido e adoptado pela vanguarda do início do século XX, alcançando assim o duplo prestígio da tradição e modernidade, ligando Ticiano ao Fauvismo, maneirismo ao Cubismo, pintura abstracta e até pintura de acção…

Por sua vez, Greco foi um inventor insaciável de formas, desenvolvendo composições inovadoras e ousadas ao longo da sua carreira, variando os efeitos e as intenções do seu discurso. A independência da sua abordagem é apenas comparável à liberdade eléctrica da sua paleta e do seu pincel.

Entre as perspectivas científicas particulares desenvolvidas, sobressaem: a impressionante transformação do pintor nos seus primórdios, da arte dos ícones à sua adesão estética à corrente veneziana; as suas invenções e variações, permitindo, sobre o mesmo assunto, medir o carácter inovador da sua arte e acompanhar a evolução de seu estilo, de Veneza a Toledo; a sua sensibilidade, mais humanística que mística, o seu temperamento espiritual, ardente e literário.

Greco, de seu nome Theotokopoulos Domenico, tornou-se muito célebre pelas suas obras: A Assunção da Virgem (pormenor), 1577-1579, óleo sobre tela, 403,2 x 211,8 cm, Estados Unidos, Chicago, Instituto de Arte de Chicago, doação de Nancy Atwood Sprague em memória de Albert Arnold Sprague, 1906.99 / Foto © Instituto de Artes de Chicago, Dist. RMN-Grand Palais / imagem Instituto de Artes de Chicago.

A sua abundante produção e o espectáculo oferecido por cada uma de suas composições merecem que toda a carreira do pintor seja mostrada, articulada por trabalhos fortes e decisivos, para devolver ao público uma imagem justa, poderosa, mas ao mesmo tempo inesperada de um artista, que nos parece conhecer através de uma dúzia de obras, mas para as quais uma retrospectiva completa muito contribuirá para uma nova abordagem, despertando emoções, descobertas e redescobertas de um artista intemporal apreendido pela modernidade.

 

A curadoria desta mostra esteve a cargo de: Guillaume Kientz, curador de arte europeia, Kimbell Art Museum, Fort Worth, EUA e de Charlotte Chastel-Rousseau, curadora de pintura espanhola e portuguesa, museu do Louvre, departamento de pintura, da

curadora da exposição no Art Institute de Chicago: Rebecca Long, Patrick G. e Shirley W. Ryan Curadora Associada de Pintura e Escultura Europeia antes de 1750, Instituto de Arte de Chicago.

 

Ora, sendo a autora deste texto uma apaixonada profunda pela obra de El Greco, celebrado por todos os poetas do seu tempo e seguro de si pela grandeza do seu espírito e do seu estilo diferente de todos os mestres seus contemporâneos, esta grandiosa exposição não poderia passar sem que a Moda & Moda lhe desse a maior atenção.

Considerar a sua pintura em si mesma, sem entender as grandes tragédias do seu tempo e a corrupcção religiosa com a Reforma, com a Contra reforma e a Inquisição, é mesmo impossível.

Mas, El Greco esteve acima de tudo.

De Greco, em termos de pintura, tanto amamos a Dama do Arminho que se encontra em Glasgow, como o rosto de Nossa Senhora a amamentar o Menino Jesus rodeada de Santa Ana e de S. José que está em Toledo.

Nesta mostra, o nosso olhar fica preso a quase todos os quadros.

Quando chegámos à rua, exclamámos para a amiga que nos acompanhava: Bendito seja Deus.

Caros leitores, ouçam-nos. Ofereçam um grande presente a vós próprios: venham a Paris visitar esta fabulosa exposição.

 

Marionela Gusmão