Génius a duas cores

Francisco de Assis Rodrigues Cabeça de criança – 1813 Sépia sobre papel amarelo

João Baptista Ribeiro Retrato de mulher com pomba – 1843 Lápis e sanguínea

Victor Bastos Túmulo de D. Afonso Henriques em Santa Cruz de Coimbra – 1855 Lápis e aguarela sobre papel escuro

Luís de Menezes Cabeça de apóstolo – 1845 Carvão e giz sobre papel escuro

João Cristino da Silva Retrato de Tomás de Anunciação – 1860 Lápis sobre papel

Francisco Augusto Metrass Album de desenhos, Paisagem 1845/47 Grafite e tinta da China sobre papel

José Tomás da Assunção Cavalos – 1864 Lápis sobre papel

Miguel Ângelo Lupi Dama sentada – estudo – c. 1871-75 Tinta da China sobre papel

José Ferreira Chaves Criança adormecida, 1869 Carvão sobre papel amarelo

Rafael Bordalo Pinheiro Garoto – 1868 Carvão sobre papel

Manuel Maria Bordalo Pinheiro Composição para a Maria da Fonte C. 1865 Lápis sobre papel

Maria Augusta Bordalo Pinheiro Amores perfeitos – 1889 Lápis sobre papel

Columbano Bordalo Pinheiro Retrato de Manuel Maria Bordalo Pinheiro – 1878 Lápis sobre papel de álbum

Columbano Bordalo Pinheiro D. João da Câmara – 1908 Lápis sobre papel amarelo

15MNAC

José Malhoa Estudo para o quadro “O Fado”- 1910 Carvão sobre papel

António Ramalho Mercado da Ribeira, C. 1860 Lápis sobre papel

Simão de Almeida Álbum de desenhos – retrato – 1883 Lápis e tinta da China Aguarela sobre papel

Enrique Casanova Marinha – Cascais C. 1901/2 Aguarela sobre papel colado em cartão

D. Carlos de Bragança Barco a vapor C. 1900 Pastel sobre papel

D. Carlos de Bragança Condessa de Arnoso – 1903 Lápis sobre papel de amarelo

D. Carlos de Bragança Condessa de Arnoso – 1903 Lápis sobre papel de amarelo

José Maria Veloso Salgado Estudo para o quadro “Amor e Psyché - 1891 Carvão e sanguínea sobre papel

Henrique Pousão Rapariga romana - 1882 Aguarela sobre papel

António Retrato de Maria Henriqueta Gomes da Costa Fernandes Lopes – 1902 Sanguínea sobre papel

A evolução do desenho entre 1813 e 1920, finalmente, já está patente, tão, nos espaços públicos, do Museu do Chiado, em Lisboa. Trata-se da mais completa retrospectiva desse período, jamais realizada entre nós.

O visitante terá, assim,oportunidade de observar uma colecção de 100 desenhos (entre os que existem nas reservas daquele Museu), estudados e seleccionados por Maria de Aires Silveira, uma das grandes especialistas da área.

O resultado revela-se, pela sua montagem excepcional onde se destaca o encadeamento e ineditismo.

Os trabalhos expostos, na sua quase totalidade desconhecidos dos portugueses, abrangem um período que vai de 1813 a 1920, havendo exemplares que são autênticas obras-primas.

Por motivos de conservação e resguardo, o espólio encontra-se, por norma, nas reservas do edifício.

Dos 33 autores seleccionados destacam-se João Baptista Ribeiro, Vitor Bastos, D. Carlos, Lupi, Tomás da Anunciação, Columbano e Maria Augusta Bordalo Pinheiro. 

A mostra elucida-nos sobre o pensamento e a formação académica do desenho do romantismo, naturalismo e simbolismo.

Considerado, durante muito tempo, uma arte menor, desempenhava funções subsidiárias da arquitectura, pintura, escultura no ensino de Belas-Artes. 

A partir de 1900  afirmou-se como uma expressão criativa autónoma de características próprias.

 

Outras colecções

Os portugueses começaram a interessar-se por esta modalidade artística a partir, sobretudo, da segunda metade do século XX, iniciando-se então exposições de modernistas. Paralelamente apareceram no mercado peças excepcionais, assinadas por Domingos Sequeira,  António Carneiro, Amadeo de Souza Cardoso, Malhoa, Mário Eloy, Almada, Paula Rego, entre outros.

Os próprios museus assumiram, nas últimas décadas, gabinetes especiais de desenhos. Assim o de Arte Antiga reuniu uma vastíssima colecção desde o século XVI a XIX; A Fundação Calouste Gulbenkian apresenta, por sua vez, conjuntos europeus raríssimos, a que juntou obras nacionais modernas e contemporâneas; a Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva tem centenas de trabalhos do célebre casal.

Entretanto, a edilidade de Almada juntou, na Casa da Cerca, exemplares representativos do actual desenho.

No Porto, a Fundação Júlio Resende é toda dedicada a esta arte do papel, contendo dois mil exemplares; o Soares dos Reis dispõe de núcleos fundamentais de Vieira Portuense, Pousão e do patrono da instituição.

O Museu de Setúbal preserva o espólio de Pedro Carlos dos Reis e exemplares de Delacroix, Víctor Hugo e Eloy. A Fundação Abel de Lacerda, no Caramulo, tem expostos trabalhos de Dali e Rodin. As Galerias Diogo de Macedo, em Vila Nova de Gaia, guardam peças de Modigliani, Souza Pinto e do seu titular.

Em Cascais destaca-se na Casa das Histórias Paula Rego, um importante núcleo de desenhos doados pela artista.

 

Agora, depois da espera motivada pela pandemia do Covid 19, é tempo de revivermos as obras dos nossos grandes mestres da pintura e do desenho e saborearmos uma grande lição de História dos Mestres da Pintura Portuguesa.

 

António Brás

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