Veludos I ​​Esplendorosamente imbatível​​

O veludo, esse tecido que muitos ligam a uma simbologia de privilegiados, nasceu no Oriente, provavelmente na China, do desejo de imitar a suavidade da pele dos animais.

A palavra, veludo, sem qualquer tradução no grego clássico (o que nos leva a deduzir que este tecido era então desconhecido), também não consta nas listas das taxações romanas do Império Romano do Ocidente.

Os fragmentos de veludo mais antigos que se conhecem datam dos últimos anos do reinado de Carlos Magno.

O veludo, que os espanhóis chamam “terciopelo”, é um tecido cuja superfície se apresenta coberta de anelado ou de felpa saída de um cruzamento de fundo. Existem vários géneros de veludo, sendo que os principais são os seguintes:

 

- “veludo lavrado”, que em certas zonas de fundo não têm pêlo;

 

- “veludo liso”, cujo pêlo cobre toda a superfície do tecido;

 

- “veludo frisado”, que se caracteriza por apresentar efeitos paralelos à trama, formados por anelado justaposto produzido por fios de uma ou mais teias de lavor;

 

- “veludo sabre”, género que se obtém seccionando as lassas por meio de um corte feito com lâmina;

 

- “veludo cinzelado”, tipo que se alcança por uma ou mais teias de lavor, cujos efeitos de veludo cortado são mais altos que os do veludo frisado.

 

Há ainda muitos outros géneros de veludo, mas que pela sua especificidade técnica deixamos para um glossário que é nossa intenção lançar no mercado para ajudar muitos alunos de escolas superiores desconhecedoras de muitas matérias do mundo têxtil.

 

A peça executada em veludo mais antiga que se conhece é a casula de Santo Alberto “o Grande”, falecido em 1280, que se encontra conservada na igreja do seu nome, em Colónia, havendo quem afirme que o tecido da casula foi fabricado à beira do Grande Canal de Veneza.

 

No entanto há documentação que comprova que, por volta de 1240, os “ateliers” de seda de Palermo, foram fundados pelos sarracenos e ali se mantiveram após a conquista dos normandos.

 

Sarracenos que também se interessaram pela produção de veludos, concorrendo assim com aqueles que se fabricavam na Espanha mourisca.

 

Aliás, foram os mercadores árabes que trouxeram o veludo do Oriente para Itália sendo dali que se difundiram para toda a Europa. A partir do séc. XII e até finais do séc. XVIII, a Itália deteve a maioria das tecelagens de veludo do mundo ocidental. Os veludos dos sumptuosos trajes da nobreza e do clero saíam de Lucca, Veneza, Florença, Génova e Milão onde no ano de 1494 estavam recenseados mais de 1.500 especialistas.

 

A nossa consulta no tempo em que estudámos em Florença aos arquivos de entrepostos, nas contas da casa dos Médicis e nos inventários de outros grandes senhores em Génova, deram-nos a ideia aproximada do valor deste tecido das horas solenes. E é curioso, observar hoje como a paixão pelo veludo tem um lugar privilegiado na pintura sacra e profana. Pintura que hoje nos permite estudar e comparar motivos e técnicas de peças de vestuário que o tempo não poupou.

 

Para os amantes dos têxteis como nós, não há melhor que umas visitas ao Museu Nacional de Arte Antiga, contemplar as pinturas por épocas e tirar conclusões. Por lá, já deambulámos muito.

 

Suave como uma carícia, o veludo tem permanecido sem flexões de gosto, porém adaptando-se tecnologicamente às exigências da modernidade.

 

Assim, nos anos optimistas da reconstrução europeia (década de 50 do séc. XX), as fibras sintéticas também foram absorvidas pelo veludo, participando na mudança da mulher contemporânea. E foi assim que nasceu o “Velvenyl” utilizado nas colecções Dior de 1954/5, matéria-prima que veio permitir a difusão do veludo numa mais ampla faixa de mercado. Mas, Balenciaga, o espanhol que deu lições aos franceses, propôs na mesma temporada o “velour canellé” em acetato de Bodin, dando o impulso que faltava para a democratização de um tecido sempre considerado um exclusivo para as elites.

 

A História do veludo nunca mais acabou nem acaba. Em 1956, Jean Patou, com o seu veludo em viscosa, ofereceu um novo contributo e a partir daí ninguém mais estagnou.

 

Em Itália, Emilio Pucci utilizou o veludo com brilhantismo e, mais tarde, Valentino e Versace trataram-no com a alma que ele lhes mereceu.

 

Hoje, nos grandes centros da moda, que em boa verdade continuam a ser em Roma, Milão e Paris e alguma novidade em Nova Iorque, (principalmente com Carolina Herrera, Óscar de la Renta e Ralph Lauren), em Itália os que mais se destacam são: Armani, Trussardi, Roberto Cavalli (está excelente), Alberta Ferretti, Fendi, Dolce & Gabanna e Prada, para além do super libanês Rani Zakhem que na semana da Alta-Costura arrebata em Roma os maiores aplausos, tanto ou mais que o consagrado Renato Balestra. Mas, para nós, o maior deslumbramento reside na Alta-Costura Francesa onde pontificam Zuhair Murad, Armani Prive, Elie Saab, Valentino e, recentemente, a chinesa Guo Pei, que deixou os jornalistas e as compradoras de boca aberta.

 

Contudo, não significa que não existam outros grandes costureiros em todas as passerelles, mas estamos a escrever sobre os que utilizaram o veludo de seda e todas as variedades que as melhores fábricas produzem. Os que acima citámos são os costureiros que nesta temporada Outono/Inverno 2016/2017 melhor emprestaram o seu talento para devolver ao veludo os esplendores do passado na linguagem do futuro.

 

Marionela Gusmão

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