Franjas I Moda Unisexo … há muitos anos!

Com uma história que data de milénios, as franjas foram citadas em várias épocas. Basta saber um bocadinho de História de Moda para já as conhecermos desde a civilização egípcia, por volta do séc. XV.-  a.C. Imagine-se!

Em tempos, quando escrevia para a TV Guia, (quando esse meio vendia 380.000 exemplares por semana e não tinha cedido à desgraça das cunhas nem de meter dirigentes que nem sabem governar a sua casa) tive a preocupação de ensinar um pouco de história a quem faz moda e/ou vive dela. Dei aulas de História de Moda na RTP, aos realizadores que a empresa pública formou para irem depois trabalhar para a concorrência (bonito!) e em outras instituições, apenas por me parecer que, da minha parte, era quase uma obrigação.

Depois, após a morte do meu marido tive que me desdobrar e só dei aulas na RTP, mas por pouco tempo.

Entretanto, o vício da História ia-o mantendo através da Moda & Moda em papel e nos textos da TV GUIA, uma revista que ganhou milhões e que acabou sendo vendida por um euro ao Grupo do Correio da Manhã. O que se esperava da directora que arranjaram? Que provas tinha dado? Enfim… Essa não é a minha praia, como se diz hoje, e não tenho nada a ver com isso. Já nem fazia parte daquela guerra…

Vamos às franjas que é o motivo deste texto. Pois bem, as franjas aparecem citadas em vários documentos antigos. A expressão “tocar a franja do vestuário” gravada numa estátua de um rei da Assíria (séc. VIII a.C.) exprime claramente a relação de vassalagem existente entre o povo e os altos dignitários. Deste gesto simbólico se fez eco, sem dúvida, o texto bíblico do Evangelho de S. Mateus: …”Eis que uma mulher se aproxima de Jesus e toca a franja do seu vestuário dizendo se eu tocar o seu manto serei salva”.

A simbologia das franjas levar-nos-ia muito longe, mas estamos a tratar de moda e este texto não vai entrar na nossa rúbrica de História.

Por agora falamos das franjas, nos seus movimentos ondulantes, que raramente saem de moda, mas coma grande variante de neste ano de 2017 se estenderem à moda masculina, seguindo aliás, o percurso dos “motards” do séc. XX.

Os modelos que escolhemos na maioria apresentados durante a semana da Moda Americana, em Nova Iorque, tem aqui a excepção da dupla Dolce & Gabanna que tem feito a sua carreira em Milão e de Alexander McQueen que desfila em Paris.

Colocadas em diagonal, perpendicular ou horizontal – as franjas são moda que permanece, representando uma boa ocasião para as adquirir nos saldos que já começam a aparecer nas lojas de peças importadas e, portanto, mais caras. Para 2018, continuam na moda. Quem aposta comigo?

 

Marionela Gusmão

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