FESTEJAR O SANTO ANTÓNIO I MÊS DE JUNHO, MÊS DE FESTAS

Miniatura pintada sobre marfim, representando Sto. António com o menino e os Anjos.

Europa séc. XVIII. Colecção particular

 

É o mês do ano que mais se gosta. Os dias têm mais horas de Sol, o calor não é insuportável, as flores despontam nos canteiros dos jardins e nas sacadas do casario dos bairros mais típicos de Lisboa e nos canteiros de rua junto às portas de casas, um pouco por todas as terras das províncias de norte a Sul do país.

Para nós, as festas começam no dia 1 de Junho com a trezena de Santo António que vai de 1 a 13, dia da sua morte, pois as festas dos Santos celebram-se no dia em que partiram para o céu. Santo António, o mais universal de todos os portugueses faleceu a 13 de Junho de 1231 com a idade de cerca de 40 anos.

É o Santo mais festejado do mundo e com mais igrejas em seu nome.

Lisboa, cidade onde nasceu por volta do ano 1191, faz dele um folião, um aproveitamento que data do tempo de Salazar com uma ligeira interrupção por ocasiões do PREC e que, hoje a Câmara, vem tornando em cartaz turístico.

Pela minha parte, que até gosto de festas, acho interessante os desafios bairristas e os despiques entre os bairros, mas não deixo de reconhecer que o Santo merecia muito mais como, por exemplo, um Museu digno do seu prestígio reconhecido a nível mundial.

Já visitei muitos países e não me lembro de entrar em qualquer igreja onde uma escultura de Santo António não estivesse presente o que, para mim, é sempre uma alegria. Quando visitei Budapeste, antes da Perestroika, do lado de Peste, mesmo em frente ao Hotel onde estava alojada, havia uma igreja com um Santo António lindíssimo com cerca de 1,80 cm. Adorei o encontro.

Falava na falta de um Museu como o Santo merece, pois não é aquele minúsculo recanto, colado à Igreja, que um turista exigente está à espera. Falta boa pintura portuguesa e estrangeira, boa escultura, boa arte popular. E se nos referirmos a Artes Decorativas o que não falta são peças alusivas ao nosso Santo, mas que a Câmara, não sei porque desígnio, se recusa a olhar de frente para este problema. 

Não têm espaço? Aqui fica uma ideia: a Santa Casa tem prédios ali perto e decerto não se importava de fazer uma parceria. Que interessante seria o Museu de Santo António disponibilizar ao visitante as esculturas em marfim da imagem de Santo António do período da Expansão Portuguesa e do Marfim. Isso, sim. Essa vertente cultural é o que mais falta faz para que o Museu seja procurado pelo mesmo público do M.N.A.A.

O livro que escrevi em 1982 e que teve uma edição de 16.000 exemplares, 1.000 dos quais encadernados, (uma parte em inteira de pele e outra em capa rija), esgotou rapidamente, dá-me o crédito de falar deste tema com conhecimento de causa. Na ocasião do lançamento, fiz um trabalho que percorreu muitas escolas, onde se narrava de forma simples a vida do Santo que alguns chamam António de Pádua, (a Igreja adopta os nomes dos locais onde os Santos morrem e Santo António faleceu em Aracela a seis Km. de Pádua). Nós, chamamos-lhe Santo António de Lisboa porque ele nasceu na capital portuguesa, exactamente no local onde foi fundada a sua igreja, onde segundo a tradição ainda se encontram restos do seu quarto.

A Igreja que hoje existe, junto à Sé, foi solenemente benzida e aberta aos fiéis em 15 de Maio de 1787, depois de a terem destruído, quando a deviam ter restaurado (quem tiver dúvidas consulte os documentos da C.M.L.) e não o fizeram porquê?

 O templo que ali existia, pelas descrições era muito mais rico do que o actual. A anterior edificação havia sido feita por ordem de D. João II e mais valorizada ainda por D. Manuel I. Mas, sobre isto muito fica por citar, pois não estou com paciência para escrever notícias que desagradam aos “bem-pensantes”.

Aliás, a Igreja de Santo António foi muito mal tratada a seguir à implantação da República, sendo de salientar a sua ocupação para uma tipografia que estragou os mármores do chão. Só em 1928 é que a igreja foi devolvida ao culto, mercê de um grande empenhamento do Cardeal Cerejeira.

Felizmente que a devoção a Santo António é imensa e que o seu nome anda da toponímia das cidades e até das aldeias mais recônditas.

Quanto aos casamentos de Santo António, um folclore sem qualquer rigor histórico, também é melhor omitir a minha opinião. Todavia, gostava de saber quem ficou com as terras que D. Manuel I deixou, para com os seus proventos se pagar o dote de casamento das raparigas honestas, cujos pais partiram nas caravelas dos Descobrimentos e não regressaram. A corrupção vem de longe…

Quando eu era jovem ia todas as noites à trezena de Santo António e até cantava o “Hino António Santo”.

Não estou a ver que as raparigas da actualidade se desloquem às igrejas para assistir à trezena. Mas, sabe-se lá! Muitas casas que frequento têm a imagem do Santo a abençoá-las.

A Bibliografia de Santo António em língua portuguesa, é infinda.

Como há muitos devotos que pedem para ensinar o Responso de Santo António para achar objectos perdidos, passo a citar o tradicionalmente mais antigo, o qual segundo o etnólogo Armando de Matos, é o da feiticeira Ana Martins, recolhido numa célebre sentença de 1694 no seu processo inquisitorial e que diz o seguinte:

 

“Milagroso Santo António,

 Pelo cordão que cingiste,

 Pelo breviário que rezaste,

Pela cruz que levaste,

Pelo Senhor que levantaste,

Por aqueles três dias,

Que no horto de Jesus

Em busca do breviário andaste,

Pelo contacto que de Jesus tiveste,

Que nos braços se foi neles a assentar,

Pelo rico sermão que na cidade de Pádua

Estavas pregando, e revelação que tiveste,

Que levavam vosso pai à forca

Por sete sentenças falsas, e delas o livraste

Enquanto a gente rezava a Avé Maria

E o vosso rico sermão acabaste,

 Assim como isto é verdade vos peço,

P. Santo António, façais aparecer

O que se furtou (ou o que se perdeu).”

Peço a Santo António que nos abençoe e que faça luz nos espíritos obscurecidos. Seria bom para todos.

 

Marionela Gusmão

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