FERIADO DE 15 de AGOSTO  I  ASSUNÇÃO DA VIRGEM MARIA

Ora aqui está um dos dias muito santos do calendário de todos os anos.

A Assunção da Virgem Maria, muito conhecida apenas por Assunção, é um dia, que além de ser feriado nacional, se celebra de norte a sul do nosso país nas mais recônditas terras, englobando as crenças da Igreja Católica Romana - a nossa – e as da Igreja Ortodoxa, parte do Anglicanismo, pois trata-se da assunção do corpo da Vigem Maria ao céu no final da sua vida terrestre.

Nesta revista todos somos muito devotos de Maria, a começar pela autora deste singelo texto escrito com o coração e com as memórias dos muitos dias 15 de Agosto já vividos.

No tempo, em que as nossas férias tinham a duração de um mês, sempre em Agosto, a fase que coincidia com o dia da Assunção de Maria, era passado em Itália. Lá estavam o casal que viria a ser os fundadores da Moda & Moda. Uma alegria, uma festa de deslumbramentos, de emoções, de partilha. Bons tempos! Itália no dia 15 encerrava as lojas por ser o “Ferragosto”. Mas, as igrejas e as festas faziam-se por todo o lado.

Depois, a Moda & Moda foi fundada dando à estampa o nº 1 no Verão de 1984 e terminaram as férias em Agosto. E acabaram até hoje. É impossível fazer uma revista, com os nossos meios e ir de férias na data em que é necessário escrever sobre as novidades de Setembro… Férias, de um mês em Agosto? Já foi!

Evidentemente que não deixamos de ir até ao Algarve, respirar os ares do Sul da infância da autora deste texto.

Ai, o meu Algarve… o Algarve das praias onde jogava ao prego, ao ringue, onde nadava com o meu primo com uma idade próxima da minha. E não íamos para a ilha da Fuzeta. Nesse tempo, nem existiam barcos para nos transportar. Ficámos no areal bem perto da nossa casa.

E que dizer das férias na Praia da Rocha com a minha amiga Maria João Duarte, sobrinha do Dr. João Duarte? Nessa casa onde outrora ficámos a conviver ao jantar com o Sr. Bispo de Faro, perto da Fortaleza, está hoje um pequeno hotel, mas há muitos anos que lá não vou.

E o que eu gostava de ver e continuo a gostar é: assistir às procissões, em terra ou no mar, organizadas por pescadores. Existe uma pequena igreja perto da Marina de Albufeira que organiza uma notável procissão. É dali que sai uma Nossa Senhora que vai num barco enfeitado com guias de flores e que cada vez mais se incorporam vários tipos de embarcações, desde as dos pescadores e as de recreio. É comovente!

Em 1960, já em Lisboa, li o livro “Os Pescadores” de Raul Brandão, um génio que tinha fascínio pela gente do mar, mais franca do que a gente do campo.

O grande escritor Raul Brandão escreveu muito sobre os Pescadores e há um trecho em que ele, em 1922, se refere a Olhão da seguinte maneira:

“Há meio século, Olhão, entranhado de salmoura e perdido no mundo, vivia só do mar. Todos se conheciam. Os que não eram marítimos, eram filhos ou netos de marítimos, contrabandistas uns e outros pescadores costeiros e pescadores do alto que iam à cavala a Larache. A pesca costeira, a das caçadas, fazia-se com groseiras, grandes espinhéis, para o cachucho, o goraz, o safio, a carocha, o ruivo, a abrótea e a pescada; e com a arte da chavega, em calões e botes, puxando a tripulação o aparelho para a barra enquanto o arrais, numa pequena lancha, a calima, vigiava o lanço e dirigia a manobra. Havia muito peixe e a vida era extraordinária. Toda a noite o chamador batia de porta em porta com um cacete:

- Arriba com Deus, mano João!

Nesta arte ia ao mar quem queria – os pequenos, os humildes e os fracos – todos de varino e por baixo nus.

- Levas a barça? – perguntava o arrais.

Era o essencial. Dizia-se de um homem pobríssimo: - aquilo é um homem sem barça nem lasca.

Em resumo: Este homem é uma figura à parte no Algarve. Se veio de Ílhavo, como dizem, não sei, mas é o único homem arrojado desta costa.”

E ainda sobre os pescadores de Olhão escreveu:  “D. Carlos estimava-os e eles ainda hoje (1922) se lembram do rei a quem falavam, não com a subserviência dos políticos, mas de igual para igual (à boa maneira de Donald Trump com Sua Majestade a Rainha Isabel II de Inglaterra), como a um pescador de maior categoria. Às vezes D. Carlos encontrava-se no mar alto. – Então que tal a pesca? – Nada – Também, vocês, estão aqui, e ali em baixo, a três milhas, o peixe anda aos cardumes. Mas com este vento, como é que a gente há-de lá ir? – Botem os cabos! … E, voltando atrás, levava-os a reboque do iate até ao sítio da abundância.

O marítimo de Olhão tem, como nenhum outro, um grande sentimento de igualdade: estende a mão a toda a gente. É que no mar os homens correm os mesmos perigos.”

Também vivi parte da minha juventude em Olhão. Concretamente nos Anos 50/60 e diverti-me nos bailes do Grémio.

Já não encontrei tanta fraternidade mas vi muita devoção nos pescadores que antes de partirem para a pesca iam rezar ao Senhor Jesus dos Aflitos, uma pequena capela que se situa no final da avenida.

No Carnaval, em Olhão haviam noites especiais, ora de espanholas, ora de trajes populares portugueses e também nos vestiam com quimonos nas noites chinesas. Uma alegria. Eu, dançava rock com o meu primo Justiniano, hoje um senhor advogado, pai de filhos e avô de netos. Bons tempos!

A fé portuguesa e Nossa Senhora da Assunção

Nunca é demais lembrar os leitores do que foi o papel dos portugueses na expansão da fé católica pelo mundo.  E nessa expansão conta-se a religiosidade que deixámos no tempo dos Descobrimentos, considerada, por alguns ignorantes, como uma heresia.

Não há muito tempo que assisti pela net a uma procissão de Nossa Senhora da Assunção num local bem longe do nosso território, concretamente, em Malaca.

Se imaginarmos que Malaca foi conquistada por Afonso de Albuquerque em 1511, facilmente se conclui que há 507 anos, os portugueses fizeram escola e deixaram marcas profundas.

Malaca é um baluarte onde ainda hoje se vivem as tradições religiosas portuguesas, como, por exemplo, a Procissão de Nossa Senhora da Assunção.

E, ainda temos por cá, os grupelhos políticos que insistem em apagar a nossa História.

Enquanto isto acontece, o crioulo português de Malaca, na Malásia, até luta para sobreviver à extinção.

Foram os portugueses os primeiros europeus a lá chegarem, mas como os holandeses nos destronaram e lá se mantiveram 130 anos, ainda deixaram algumas influências.

Curiosamente, em Malaca, na península malásia entre Kuala Lumpur e Singapura existem muitos costumes minhotos.

É pena que as televisões que deslocam equipas para mostrar as aflições dos meninos que se enfiaram numa gruta na Tailândia, não tenham a preocupação de entrar em contacto com alguém que transmita os valores que os portugueses deixaram pelo mundo.

Em Malaca não morreu o Cristianismo que nós levámos e a prova está na procissão que se realiza todos os anos no dia 15 de Agosto em honra de Nossa Senhora da Assunção.

Lá longe e aqui em muitas zonas do nosso Portugal.

Mil vezes bendita seja a Virgem Maria, mesmo no dia em que deixou a terra, algures onde é hoje a Turquia, para subir ao céu.

Marionela Gusmão

FESTIVOS

Dia da Mãe

Natal

Páscoa

Dia do Pai

Santo António

ARTE

Exposições

Museus

Colecções

História

Notícias

MODA

Alta Costura

Prêt a Porter

Tendências

Acessórios

Notícias

BELEZA

Perfumes

Tratamento

Novidades

Looks

Cabelos

NOTÍCIAS

Perfumes

Tratamento

Novidades

Looks

Cabelos

  • Instagram ícone social
  • Twitter Social Icon
  • Facebook Social Icon
  • YouTube Social  Icon
  • Pinterest Social Icon