Deslumbrantes Faianças do Rato       

Escultura representando o Busto do Inverno em faiança da Real Fábrica do Rato. Início da produção. (Séc. XVIII).

Terrina da Real Fábrica do Rato executada sob a direcção de Tomás Brunetto e assinada pelo mesmo mestre italiano. 3º. Quartel do séc. XVIII. Pertenceu à colecção de Francisco Hipólito Raposo

Pequena jarra da Real Fábrica do Rato (3º. Quartel do séc. XVIII. Colecção: Francisco Hipólito Raposo

Jarra da Real Fábrica de Faiança do Rato. (Terceiro quartel do séc. XVIII). Colecção: M.G.

Grupo de azulejos com motivos de rosetas produzidos na Real Fábrica do Rato. (Terceiro quartel do séc. XVIII). Colecção: M.G.

Dois azulejos da Real Fábrica do Rato subordinados ao motivo “Barcos do Tejo”. Último quartel do séc. XVIII. Colecção: M.G.

Há precisamente 250 anos que a célebre Fábrica do Rato, foi fundada em Lisboa - uma referência na história da faiança portuguesa. O período do seu funcionamento,(1767 a 1836), marcou, com efeito, a renovação do sector, através do fabrico de peças de qualidade – influenciadas pela ourivesaria francesa e pela porcelana da Companhia das Índias.

Na sua primeira e melhor fase, a fábrica, dirigida pelo italiano Tomás Brunetto, produziu, maioritariamente, bustos, estatuetas, potes, terrinas e aquários pintados com motivos naturalistas, em tons de branco, verde, amarelo e azul. A sua aceitação foi, porém, diminuta. A nobreza preferia as porcelanas provenientes da China, Inglaterra e França, e a burguesia considerava a produção nacional algo bizarra e fora de moda.

 

Ao desbarato

 

É antiga a tradição de menosprezarmos o que é nosso, sem nos darmos conta da injustiça que, por vezes, cometemos. O exemplo da Real Fábrica do Rato representa uma das maiores desatenções cometidas no campo das artes decorativas – área onde se tornaram assíduas e, por vezes, dramáticas.

As encomendas efectuadas à fábrica, sempre diminutas, destinavam-se mais a agradar ao Marquês de Pombal do que ao gosto vigente. Deve-se, aliás, àquele  governante o apoio financeiro que permitiu assegurar a sobrevivência da manufactura, apesar dos prejuízos se acumularem, de os armazéns se encherem, de as vendas serem diminutas, e das críticas se tornarem demolidoras.

A escolha de Sebastião de Almeida, em 1771, para mestre da manufactura, marcará o início de um rumo diferente. É lançada a produção, em quantidade, de objectos de grande consumo, como serviços de mesa e azulejos – então muito utilizados nos palácios, igrejas e prédios da cidade. Nos primeiros predominavam os temas naturalistas, nos segundos os temas figurativos.

O seu cromatismo mantem-se expressivo, com predomínio do azul, de que os painéis existentes no Paço Real de Caxias, no Palácio Pombal de Oeiras, e na Quinta dos Azulejos, em Lisboa, bem como no Solar dos Condes da Anadia, em Mangualde, são exemplares relevantes.

 

Domínio comercial

 

As dificuldades voltaram, no entanto, a agravar-se. As faianças perderam, como consequência, qualidade. A fábrica procurou, sobretudo, satisfazer o gosto popular.

O êxito comercial domina e, durante algum tempo, compensa – embora perverta a identidade cultural da manufactura.

Joaquim Milagres, nome destacado da cerâmica, tenta entre 1811 a 1817 inverter a situação e investir em peças que retomem a exigência inicial do projecto. De imediato, os prejuízos disparam e, com eles, a falência. 

Segue-se um longo período de esquecimento, apenas quebrada pelos estudos de José Queiroz em 1907, de Arthur de Sandão décadas mais tarde e, recentemente, de José Meco. Este historiador considera a faiança do Rato como a “mais brilhante realizada em Portugal desde o século XVI à actualidade”, tendo-lhe dedicado uma exposição no Museu da Cidade de Lisboa, em 1983.

Anteriormente, na mostra de Cerâmica Olissiponense, promovida pela Câmara Municipal de Lisboa em 1936, o investigador Dom José Pessanha fez um esforço para revelar conjuntos inéditos de trabalhos realizado por artífices do Rato.

 

Fábrica do Ratinho

 

Um dos principais documentos para o estudo do sector, “A Cerâmica em Portugal”, vai ser reeditado. O livro, em terceira edição, é da autoria de José Queiroz, revelando-se o “trabalho mais completo e vasto dos que até hoje foram elaborados”, segundo afirmam José Manuel Garcia e Rocha Pinto. Nele se apresenta, com efeito, toda a evolução da olaria nacional, dos séculos XV ao século XIX, reproduzindo-se 300 peças de grande valor histórico.

Na actualidade, os museus de Arte Antiga, do Azulejo, da Cidade, em Lisboa; de Cerâmica, nas Caldas da Rainha; o Paço Ducal, em Vila Viçosa; e o museu da Fundação Maria Isabel Guerra Junqueiro, no Porto, preservam os conjuntos do Rato de maior raridade.

As colecções de António Capucho, Maldonado de Freitas e António Espírito, dispersas em leilões nos últimos anos, tinham igualmente exemplares de enorme valor.

Apaixonadas pelas manufacturas do Rato, a duquesa de Palmela e a condessa de Ficalho criaram nos finais de 1800 a fábrica do Ratinho, localizada num pavilhão do Palácio Palmela, em Lisboa.

Apesar da qualidade atingida, a sua duração seria fugaz.

O mercado de arte português “redescobriu” as peças sobreviventes e valorizou-as de maneira ímpar. Um par de bancos de jardim, da colecção Palmela, atingiu 10 mil euros; um conjunto de quatro bustos representando as quatro estações chegou aos 40 mil euros; um par de cabos para colheres foi arrematado por 3 mil euros; uma tampa de selha foi vendida por 5 mil euros; um cesto de fruta subiu aos 5 mil euros; uma terrina foi transaccionada por 27.500 euros.

As presentes comemorações dos 250 anos da Fábrica do Rato são compostas por uma série de conferências no Museu da Cidade, em Lisboa, e no final do ano por uma grande exposição.

Veremos se com estes eventos a Fábrica de Faianças do Rato ganha um estatuto digno de relevo.

 

António Brás

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