Dia da Mulher... Ou nem por isso 

Há pessoas extraordinárias que passam nas nossas vidas e há aquelas que de forma profunda nela ficam para sempre. Homens ou mulheres, pouco importa, porque o importante mesmo é o que de marcante realizaram. Não falamos de êxitos quantificáveis com números ou tabelas, grelhas ou indicadores. Falamos de gente que se aconchega num recanto da nossa alma e que em múltiplos momentos do nosso percurso de vida as sentimos perto mesmo que distantes ou já em outra dimensão. Gente que faz parte da nossa história de vida porque nos conduziu, nos inspirou, nos educou.

E apesar do género ser indiferente, quando falamos de gente que nos marcou, o certo é que há um grupo especial que nos ajuda a ultrapassar adversidades, mesmo que esse grupo possa até já não estar fisicamente presente. Falamos das mães, das avós, das tias…que para sempre estão associadas a um bouquet de carinho e conforto, aos conselhos sábios e atentos, aos abraços e colo oferecidos com generosidade e sem medo de “mimar”. Nelas habitam as memórias da marmelada mexida no fogão, os guisados e os bolos a perfumarem as casas, as conversas e as histórias, tantas histórias que nos deliciavam as horas e os dias. 

Mas, se nos contextos domésticos é fácil e vulgar o reconhecimento do papel fundamental das mulheres, já na esfera pública esse nível de reconhecimento assume-se mais árduo e difícil de alcançar. Na sempre difícil e discutível equação do que é destacável, as mulheres acabam por assumir um papel menos valorizado, independentemente dos discursos politicamente correctos serem cirurgicamente esgrimidos em sinal contrário. 

No Dia da Mulher, bem podem chover propósitos e elogios, o certo é que ser mulher nos tempos actuais, um tempo actual que perdura há larguíssimas décadas, é um desafio tremendo que ninguém que não passe pela experiência conseguirá genuinamente entender mesmo que possa ter um honesto e verdadeiro respeito. As mulheres de hoje necessitam conjugar uma diversidade de actividades e exigências que se atropelam em simultâneo sem condescendência nem hipóteses de erro. É evidente que as mulheres não são todas iguais nem todas se confrontam com os mesmos desafios porque nem todas exercem mais do que um trabalho e nem todas “sofrem” da mesma incapacidade de assobiar para o lado e seguir felizes diante tarefas por realizar. No entanto, para uma clara maioria, a proverbial ideia de que as mulheres conseguem realizar várias tarefas em simultâneo está correcta e talvez por isso mesmo, há um certo abuso nas responsabilidades atribuídas e expectativas criadas. As mulheres mães que gerem os conflitos dos filhos, os insucessos escolares e amorosos dos filhos, as doenças dos filhos, as actividades extracurriculares dos filhos, também são filhas de pais a necessitar de apoio e muitas vezes estão mesmo sozinhas nesta teia complicada de responsabilidades. Estas mulheres ainda se confrontam com as exigências de um mercado de trabalho que olha desconfiado para as mães que trabalham vendo-as como um recurso humano dispendioso. 

De facto, infelizmente o reconhecimento formal, institucional e com as devidas contrapartidas financeiras e de carreira, são patamares que demoram a ser cumpridos e estão longe de surgir na mesma proporcionalidade à das responsabilidades e tarefas atribuídas. Sorrisos e elogios de corredor vão surgindo mas na hora das nomeações e escolhas para cargos estratégicos, as coisas mudam.

Comemora-se agora mais um Dia Internacional da Mulher e é inevitável pensar em tantas que um pouco por todo o mundo são o garante da estabilidade familiar, da economia comunitária, dos avanços nas mais diversas áreas da Ciência, tantas que no silêncio das suas acções conseguem o milagre da multiplicação de realizações, que são o porto seguro da família. Os Dias Internacionais valem o que valem, e por vezes não valem nada. Tudo depende da forma como eles nos ajudam a despertar da letargia e a agir. No caso em concreto e apesar de uma aparente evolução, o certo é que se mantém um paradigma de cultura empresarial e cultural onde a valorização e o reconhecimento público do mérito das profissionais femininas, são escassos ou inexistentes. 

E não queiramos resolver esta questão com a imposição de quotas, uma estratégia perniciosa porque ninguém pretende ser selecionado para coisa alguma apenas para cumprir com um padrão estatístico. 

O que se pretende mesmo é que seja reconhecido às mulheres o mérito que elas têm, sem favor e sempre que for justo. Não olhar para o género, mas sim e unicamente para as competências de cada um e a sua adequação à função em causa, é o que se deseja. 

Um pouco por todo o mundo existem múltiplas situações absolutamente gritantes de injustiça e maldade cometidas contra as mulheres, a escravatura laboral e descriminação na evolução de carreira, são apenas duas delas.

Ana Paula Timóteo

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