Das Terras da Ásia I A Colecção Sam e Myrna Myers

O Kimbell Art Museum no Texas apresenta, pela primeira vez, nos Estados Unidos da América até 19 de Agosto de 2018, uma exposição espectacular, na qual se destacam as artes da Ásia Oriental. 

A mostra intitulada: “Das Terras da Ásia: A Colecção Sam e Myrna Myers, contou com a curadoria de Jean-Paul Desroches, ex-curador chefe do Musée des Arts Asiatiques Guimet, em Paris, e curador sénior do Património Nacional Francês.

Esta mostra apresenta cerca de 450 objectos de uma colecção de 5.000 peças do espólio de Sam e Myrna Myers, com obras que representam os principais períodos da história de arte da China, Japão, Tibete, Mongólia, Coréia e Vietname.

"Ao seguir a sua paixão, Sam e Myrna Myers organizaram uma das melhores colecções de arte asiática", comentou Eric M. Lee, director do Kimbell Art Museum, "Esses objectos reunem um espólio rico, complexo e mágico - uma história panorâmica das culturas asiáticas desde os tempos antigos até aos dias modernos".

Quando Sam Myers foi enviado para Paris pelo seu escritório de advocacia em meados da década de 1960, ele e sua mulher Myrna ficaram tão atraídos com a cidade que decidiram torná-la a sua residência permanente. Ali, ao longo de 50 anos, o casal reuniu um extraordinário espólio, o qual até agora nunca tinha sido exibido nos Estados Unidos.

No início, começaram por adquirir antiguidades gregas e romanas, mas depois concentraram-se na Ásia. Actualmente, os Myers reuniram uma fabulosa colecção, que oferece uma visão muito particular do mundo da arte asiática.

A exposição abrange um amplo leque histórico, desde a era neolítica até ao século XX. 

Os objectos são muito variados na sua natureza, já que incluem porcelanas, marfins, pedras preciosas, jade e cristal de rocha, até arte e tecidos budistas e vestuário deslumbrante da Ásia Central, do Tibete, da China e do Japão. Cada peça é excepcional na sua forma, raridade, qualidade, função ou mensagem inerente. A exposição destaca eventos históricos fascinantes através de temas, como o simbolismo do jade chinês, o comércio de porcelana azul-e-branca, o budismo, o teatro Noh, o samurai japonês, a cerimónia do chá e o atelier do artista.

"Esta exposição oferece uma oportunidade única para os visitantes conhecerem um caminho de descobertas - como fizeram os Myers ao longo de 50 anos a coleccionar - através de uma variedade extraordinariamente diversificada e impressionante de obras de arte asiática", disse Jennifer Casler Price, curadora da Arte Asiática do Kimbell Art Museum.

A colecção de jade dos Myers, que Filippo Salviati, professor do Departamento de Estudos Orientais da Universidade “La Sapienza”, em Roma, descreveu como “Pedras Esplêndidas: a importância do jade na Cultura Chinesa, como uma das três melhores colecções particulares do mundo, inclui armas, cerimoniais do período neolítico - já em 3300 a.C. 

Os chineses atribuíam propriedades mágicas ao jade e aos dragões realizados nesse material, que eram intermediários entre o céu e a terra.

Parte da exposição concentra-se no budismo, e a colecção Myers inicia-se com figuras de pedra do século IV, das suas origens no norte da Índia, e continua com objectos de madeira e bronze da China, Tibete, Coreia e Japão. Há um leão demármore - cujo rugido pode despertar o mundo para os ensinamentos do Buda. 

Sam e Myrna Myers adquiriram as suas primeiras peças na Suíça em 1966, principalmente da era clássica (Egipto, Grécia, Roma e Oriente). Na época, o casal, descobriu a Casa Serodine, uma antiga galeria da propriedade do Dr. Wladimir Rosenbaum (1894-1984), um negociante erudito que se tornou o seu mentor. Ele ajudou-os a perceber que, apesar dos meios limitados, era possível adquirir obras de arte autênticas. Tendo dado este primeiro passo, os Myers procuraram enriquecer a sua colecção. Por onde quer que fossem - em Paris e durante as suas viagens -, frequentavam antiquários, visitavam museus e iam a leilões. Eles adquiriram esplêndidas esculturas chinesas como a monumental cabeça de Buda da dinastia Sui (580-618) e um “bodisatva Guanyin” datado de 1100-1120. Para além destas esculturas, podem-se admirar ainda da dinastia Tang da China (618-907) e um Bodhisattva de madeira pintado em tamanho real, com cerca de 900 anos de idade.

Outra secção da exposição é dedicada aos Trajes do século XVI ao século XIX. Este tema foi uma base do estudo dos Myers sobre as culturas das sociedades em toda a Ásia. Os tecidos de seda reflectiam a riqueza e o status social do usuário na China, e a cor e a decoração mudaram de dinastia para dinastia. Há quimonos do Japão, túnicas samurais que se ajustam à armadura e vestes extravagantemente coloridas dos comerciantes usbeques(povo turco da Ásia Central).

Há também uma grande colecção que acompanha o desenvolvimento da porcelana em mais de 500 anos, boa parte recuperada de naufrágios. Algumas das peças ficaram submersas durante séculos, mas mantiveram o seu brilho.

Sam Myers disse numa entrevista: "Levei dois anos para aprender a diferença entre a porcelana azul e branca e além disso, para investigar os séculos XII ao XV - um processo de aprendizagem contínuo, cuja experiência torna a coleção agradável ”.

Depois de compraram as suas primeiras peças, Myrna Myers foi para a École du Louvre como estudante, onde conheceu Desroches, curador desta exposição.

"Depois de comprarem, ficavam sabendo", disse Salviati. “Eles tinham olhos de coleccionadores; eles podiam reconhecer a qualidade e depois refinavam os seus conhecimentos.

Os Myers procuraram conselhos de estudiosos à medida que continuavam a adquirir peças, disse Salviati. “Coleccionadores da velha escola, cultivavam relacionamentos com académicos e negociantes de obras de arte. Esta é a primeira vez que eles partilham a sua paixão com um público muito maior ”.

A partir desse período, os coleccionadores concentraram-se em peças do leste asiático, criando conjuntos únicos e coerentes, particularmente em jade, seda, porcelana e outros materiais requintados - alguns dos quais são descritos como tendo propriedades mágicas.

 

A Exposição

A mostra destaca uma selecção de antiguidades clássicas mostrando as primeiras escolhas do casal em coleccionar obras de arte, incluindo obras do Egipto, Grécia, Roma e Médio Oriente. A partir do momento dessas aquisições, os Myers foram impulsionados pela sua paixão pela arte, a qual se tornou um dos principais princípios para o resto das suas vidas. À medida que a sua experiência e especialização aumentava, desenvolvida através das suas numerosas viagens pelo mundo, o casal Myers tornou-se irresistivelmente atraído pela arte da Ásia. A sua colecção concentrou-se em quatro áreas principais, que constituem os principais temas da exposição:Trajes e Costumes, Um Oceano de Porcelanas, Mil Anos de Budismo e A Magia do Jade.

 

Trajes e Costumes

"Trajes e Costumes" apresenta um conjunto de peças de vestuário sumptuoso que datam dos séculos XVI a XIX e destacam vários capítulos importantes da história da arte têxtil asiática. Da China, onde os tecidos de seda reflectiam a riqueza e o status social dos usuários, a colecção apresenta um traje raro e clássico completo e uma armadura de príncipe imperial. O Japão é representado por uma variedade de quimonos, entre as mais elegantes peças de vestuário do mundo, bem como por luxuosos trajes de teatro Noh e indumentárias de samurais adaptadas para usar armaduras.

Os têxteis da Ásia Central incluem figurinos do bailado tibetano, uma jaqueta de um primeiro-ministro e roupas Ikat extravagantemente coloridas do Usbequistão. Complementando esses figurinos, há uma selecção de instrumentos japoneses em laca e ainda objectos referentes à cerimónia do chá, além de acessórios usados ​​nos ateliers chineses.

 

Um Oceano de Porcelanas

A secção dedicada à porcelana, salienta 500 anos de produção da porcelana azul e branca na China, através de peças que demonstram uma gama diversificada de formas e decorações. A peça mais antiga da colecção dos Myers é uma jarra “Meiping” de grande raridade da dinastia Yuan do século XIV. O comércio com o Médio Oriente e a influência islâmica são evidentes em vários exemplos de embarcações da dinastia Ming dos séculos XV e XVI. O fascínio na Europa pela porcelana chinesa contribuiu para um florescente comércio marítimo, primeiro com os portugueses no século XVI e depois com os holandeses no século XVII. 

Há cerca de 40 anos, foi encontrado o primeiro espólio de um naufrágio com porcelanas chinesas. Através da investigação que se seguiu por mergulhadores especializados, as peças ficaram cada vez mais bem documentadas. De salientar que a colecção dos Myers dos meados do século XVII foi conseguida, através de um navio cargueiro, que incluía algumas das melhores porcelanas do período de transição, recuperadas no fundo do oceano.

 

Mil Anos de Budismo

A galeria dedicada ao Budismo traça a disseminação da religião desde as suas origens no norte da Índia até à China, Tibete, Coreia e Japão, através de uma excelente selecção de imagens esculpidas em pedra e madeira, esculturas em metal e pinturas. A colecção inclui um número significativo de têxteis budistas, como “thangkas” aplicados, bordados e retalhos, faixas mandalas e roupas litúrgicas. Essas obras transcendentais revelam que, à medida que cada uma dessas culturas abraçou a fé budista, elas criaram uma arte religiosa imbuída da sua própria estética, utilizando materiais indígenas.

Um material raro e misterioso, o jade é considerado na China como a pedra mais preciosa.

 

A Magia do Jade

A galeria dedicada à "Magia do Jade" apresenta uma das mais ricas e completas colecções particulares do mundo, desde o período neolítico até a dinastia Yuan (3000 a.C.-XIV14 d.C.). Dois objectos particularmente simbólicos do período neolítico, como o disco bi, que pode ter sido usado como um objecto funerário para guiar o espírito do falecido para o céu, e o cilindro de cong, que é conhecido para simbolizar a terra e tem um significado religioso e ritual. A série de lâminas rituais com contornos delicadamente biselados e os pingentes finamente esculpidos retratando animais lendários como o dragão e a fénixsão exemplos da impressionante capacidade dos escultores de jade do segundo milênio a.C. O humanismo da dinastia Han (206 a.C.-220 d.C.) é exibido em representações figurativas mais naturalistas.

A impressionante variedade de obras de arte da colecção Myers, representa um testemunho da rica herança cultural e religiosa da Ásia e das suas tradições únicas, e oferece um amplo panorama da história asiática em toda a sua beleza e diversidade.

A exposição foi curada por Jean-Paul Desroches, já acima citado.

Esta exposição foi realizada por Pointe-à-Callière, Complexo Arqueológico e Histórico de Montréal, Canadá, em parceria com Sam Myers. 

De destacar as esculturas dos Bodhisattvas expostas do período da dinastia de Qi (após 550 d.C.) bem proporcionadas, realizadas num estilo tubular, vestidas com um traje comprido, cujo panejamento retém algo do tratamento do período Wei. Estes Bodhisattvas impressionam pela surpreendente presença física. Os contrastes entre as partes lisas do torso e os pormenores muito trabalhados dos adereços tornando mais reais esses seres robustos, numa meditação sorridente, vivendo uma experiência espiritual intensa sem estarem separados do mundo.

Vale a pena viajar no tempo e admirar esta magnífica colecção agora exposta no Kimbell Art Museum, pois através das suas peças, sejam elas jades ou porcelanas ou ainda esculturas de budas com expressões benevolentes, aliadas à calma e à serenidade, transmitem-nos uma expressão de perfeição espiritual e de sinceridade da arte Asiática. 

Do Japão, descobrimos o quimono, considerado por alguns como a roupa mais elegante do mundo. Também nos cruzamos com os samurais e suas roupas adaptadas para usar armadura. Também no Japão, aprendemos sobre o teatro Noh, com seus actores vestidos com trajes de seda sumptuosos. E imaginamos a vida de mercadores e cavaleiros usbeques cruzando as estepes, vestidos com roupas tão extravagantemente coloridas que nos tiram o fôlego. Um final brilhante para esta jornada para o leste da Ásia através das obras da colecção Sam e Myrna Myers.

 

Theresa Bêco de Lobo

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