Cecilia Ybarra I Pintora da Alegria

Dedicatória escrita pela minha prima Maria Pepa Osborne quando me deu a alegria de passar algum tempo em minha casa de Lisboa. Gracias, Pepa querida.

Marionela

Capa do livro de homenagem mandado editar pelo marido de Cecília Ybarra, meu familiar, que a compreendeu e a estimulou no caminho das artes plásticas.

Escrever sobre Cecília Ybarra, a pintora da alegria como lhe chamou D. Alfonso Sanchez (escritor e crítico de arte), é trazer até Portugal um pouco das minhas raízes além fronteiras.

Infelizmente não a conheci pessoalmente por várias razões, sendo que a primeira é ter nascido primeiro do que eu. Além disso frequentou a mesma Academia de Belas Artes, em Florença, primeiro do que e em matérias diferentes, ela em Pintura e eu em História de Arte.

Os meus percursos fizeram-se por caminhos diferentes. Quando eu ia a Sevilha ela vivia no Panamá com o marido, D. Manuel Osborne Pérez de Guzmán, que a amava muito e que reuniu muitas das suas pinturas num livro de homenagem, dado à estampa em 2007, o mesmo que a sua filha, a minha fabulosa prima Doña Pepa Osborne me ofereceu. É desse livro, cuja dedicatória apresento, que são as imagens que se inserem neste artigo, sendo que há um destaque especial para Lagos. A Pepa é uma mulher genial, mãe protectora, empresária de sucesso, uma pessoa que explode em bondade, positivismo, uma figura quase lendária que fuma charutos. A mãe fumava cigarros, mas ela é ainda mais vanguardista e adorável.

Cecília Ybarra no seu estúdio em Quintos, já com o cigarro entre os dedos, muito moderno e lindíssima.

Cecília Ybarra, pintada em criança por Ángel Pinto

D. Manuel Osborne Pérez de Guzman já noivo de Cecília Ybarra num baile

Os noivos no dia do casamento

Casa Castelar em Sevilha, onde habitou toda a família.

O casal no Porto de Santa Maria na sua casa “Los Arcos” onde abunda a pintura de Cecília.

Na Casa Castelar com as quatro filhas e o marido

AL7

A Com os três filhos e os dois cães

A família reunida no pátio da casa Castelar

Depois de casados

Cecília Ybarra, pintora, nasceu e cresceu em Sevilha e eu em Portugal. Os meus pais foram muito afectados pela guerra civil espanhola e eu tinha apenas dois anos quando os meus pais decidiram que eu devia vir para Portugal habitar com a minha avó. Obviamente que isso me afastou do convívio com os meus familiares próximos e os mais distantes.

Mas, eu ia com alguma frequência a Espanha, detestando ver as tropas com sapatos feitos de pano e solas de borracha de pneus. Era mau, muito mau para a minha sensibilidade. Não havia refrigerantes e a comida não era abundante. Nunca passei fome, mas detestava lá ir.

Depois, as nossas rotas foram muito diferentes. Cecília foi com o marido para o Panamá e ali nasceram as suas quatro primeiras filhas. Tiveram roças de café, divertiram-se, passearam… Foram sempre felizes.

Por cá o meu destino ditou outros horizontes que não desejei, mas senti-me na obrigação de acompanhar o meu marido que foi para a Marinha de Guerra Portuguesa convencido que ficaria a trabalhar no Hospital no Campo de Santa Clara, em Lisboa. Entrou iludido mas passados sete meses de termos casado foi enviado para médico da fragata D. Francisco de Almeida, que operava em Moçambique. E eu? Pois, larguei a minha carreira, que até ia muito bem, e fui acompanhá-lo, instalando-me em Lourenço Marques. Dali, viajei à Suazilândia, à África do Sul, aos países em redor e consegui através da Força Aérea fazer uns interessantes passeios pela costa de Moçambique incluindo a cidade da Beira. Também estive pouco tempo em Angola mas o suficiente para conhecer Luanda. O menos simpático de toda a vida em ´Frica foi a comissão na Guiné onde o meu marido era o Director dos Serviços de Saúde. Imagine-se o tormento. Chegavam os helicópteros com feridos e o meu marido lá ia salvar aqueles que resistiam. Eu, ajudava-o no que me era possível. De manhã, fazia um programa na Rádio e sem meios nenhuns. Enfim, milagres.

Enquanto eu andava nesta azáfama, a minha prima Cecília Ybarra, vivia no paraíso do Panamá com o seu marido e as quatro meninas, lindas como a mãe.

Depois, a minha vida profissional passou a ser em território português, mas as viagens foram sempre exaustivas.

Em trabalho viajei ao Brasil mais do que uma vez.

Ao continente asiático fui à Coreia, ao Japão três vezes, à China, à Índia, sempre sem o meu marido. Que pena!

Com ele ia todos os anos durante o mês de Agosto conhecer melhor Europa. Éramos felizes. Ele partiu cedo e eu fiquei nesta lufa-lufa de acudir a tudo e a todos.

Entretanto, a Cecília Ybarra regressou a Espanha e teve três rapazes para juntar às quatro meninas. Viviam no Porto de Santa Maria, bem perto de Sanlúcar de Barrameda onde fica a casa-mãe de toda a nossa família que usa o apelido Pérez de Guzmán.

Por obrigação profissional, fui muitas vezes à Suiça a convite das marcas de relógios e a Inglaterra a convite da Cartier para assistir, em Windsor,aos concursos de Polo Cartier. Até o meu querido e saudoso amigo Gianni Versace me convidou para assistir a um desfile festivo organizado pela Duquesa de Kent, onde encontrei a saudosa Princesa Diana que também costumava encontrar no Polo, local onde estabelecemos uma amizade muito cordial.

Além disso, ainda tinha as frequentes deslocações a Itália (Roma, Florença, Milão) para assistir a desfiles de moda e a Paris onde não faltava nem ao Pronto a Vestir e muito menos à Alta-Costura.

Com estas correrias raramente tinha agenda que me permitisse visitar os meus pais, irmãos e restante família, o que motivou alguns desencontros com outros familiares habitantes da região mais alegre de toda a Espanha. E devo salientar que sempre todos me trataram com muito carinho.

O contacto que tive com a pintura de Cecília Ybarra deu-se através de uma visita a Portugal de três primas amorosas, as quais ficaram alojadas na minha casa, onde as recebi com todo o carinho do meu coração. Não passámos de Lisboa, mas mesmo assim fomos aos mais emblemáticos museus e ao Sr. Vinho para jantarmos numa casa de fados. Virão mais vezes, embora a Pepa, filha da pintora, tenha muito pouco tempo pois também tem muitos filhos netos a quem acudir.

Espero ter em breve comigo a minha adorada prima Diana Pérez de Guzmán Osborne. Oxalá seja ainda no Verão que já começou, mas que anda meio invernoso.

BIOGRAFIA DE CECÍLIA YBARRA

Segundo a “Gran Enciclopedia de Andalucía” Cecília Ybarra em Mujeres Andaluzas, tomo VII Pág. 3.30/11, reza o seguinte: “esta grande senhora, que Deus já levou para o céu foi uma pintora natural de Sevilha que estudou dois anos na Academia de Belas Artes de Florença e depois em Sevilha na Escola de Santa Isabel da Hungria. A sua pintura que foi marcada de forma única pela luminosidade da cor, pode ser considerada uma participação de certa ingenuidade inteligente. É primária no emprego do óleo, aplicando-o de forma segura, directamente através do tubo, a maior parte das vezes sem misturar e com espessuras consideráveis. Colorista até ao folclorismo, a obra de Cecília Ybarra cobra, por vezes, aspectos impressionistas, com uma análise e interpretação muito peculiares nesta forma de trabalhar.

A sua temática, com raízes populares bem definidas, abunda em paisagens e tradições andaluzas, o folclore, o povo, os costumes, incluindo a forma e o encanto dos seus “bodegones” ou dos seus retratados.

A primeira exposição individual teve lugar em Madrid em 1964, na Galeria Quixote. Seguidamente, expôs em várias ocasiões em Sevilha, Madrid, Cordova, etc. Realizou viagens de estudo pela Europa e América do Sul e interessou-se muito pelas culturas pre-colombianas.

Nasceu em Sevilha no dia 2 de Fevereiro de 1933, dia de Nossa Senhora das Candeias. No dia 2 há muita gente que vai à missa para saber se o ano vai ter uma boa colheita de azeite. Para tanto, basta que as velas mantenham a chama firme, sem tremelicar, para que todos fiquem a saber se o ano é rico em azeite.

É filha de José Maria Ybarra Lasso de la Vega, empresário naval

da Companhia de Transatlânticos Ybarra e grande agricultor e de Maria Josefa Mendaro Romero e tetraneta do 1º. Conde Ybarra – o fundador da tradicional Feira de Sevilha.

A sua vocação pela arte manifestou-se desde a sua infância, crescida no cálido ambiente dos Ybarra e da capital do Guadalquivir, berço da mais universal das escolas de pinturas espanholas.

Na sua casa de Sevilha, Cecília Ybarra teve desde a sua juventude um estúdio de pintura, onde os quadros enchiam as paredes, causando grande admiração aos amigos e visitantes, assombrados ante a veia de cor e expressividade aflorados por uns pincéis banhados em cores intensas, inspiradas na criação de um mundo pessoal em que o essencial era poesia puríssima.

Viajante e conhecedora de muitos países, a sua residência na capital do Panamá, encruzilhada de cultura, teve uma grande influência nas suas obras, patentes na exposição em Quixote».

Outras exposições:

1968 – Nacional de Bellas Artes – Madrid

1969 – Museo Springfield. Massachusetts (E.U.A.)

1970 – Galeria La Pasarela – Sevilha

1974 – Pintores Sevilhanos. Caja de Ahorros San Fernando de Sevilha

Figura no Dicionário de Arte Español Contemporâneo

Obras em várias colecções entre as quais as do Barão Thyssen

 

CECILIA YBARRA

VISTA POR UM CRÍTICO DE ARTE

 

Ramón Faraldo, membro da Associação Internacional de Críticos de Arte disse de Cecília Ybarra: “Por vezes, a pintura sai porque sim, ou porque não. Às vezes porque o pintor trabalha para isso.

Com Cecília os quadros com a sua assinatura nascem, não como nascem os seus filhos, mas como ela nasceu, sem escolher o seu destino. Ela pinta, não por ser pintora, mas porque é assim. Cecília Ybarra.

Ela permite-se a agarrar o arco-íris nas mãos e transformá-lo em jardim, em fruta, em pessoa idosa, em criança, em meio-dia, em cão de casa, em casa ou em rio selvagem. Ela permite-se apoderar do íris e fazer qualquer coisa com ele, a menos que seja este quem se apodere da pintora, e a guia até transformar-se em retrato, árvore, ser humano, com a mesma naturalidade que respira, dorme, caminha, sorri, vive.a de 1994, mostra-nos até à saciedade como se têm operado as mudanças a nível das praias e dos banhos de mar. Quando penso que por estas datas, eu também andava por ali, raramente porque a minha casa de féria era e é, em Albufeira, sinto uma enorme tristeza por não a ter visto, por não lhe ter sido útil. Sei que a culpa é minha, mas já não serve de nada bater com a mão direita no meu peito e exclamar: “Mea culpa”!

O que nunca é tarde é agradecer. E este trabalho, esta homenagem à mulher do meu primo Manuel e aos seus sete filhos e netos, com destaque especial para a minha prima Pepa, de seu nome Josefa como a avó, foi delineada e escrita com um grande amor, veneração e respeito.

Casa Portugal

Campo algarvio com almanxar (local onde se secam os figos) numas cores tão vibrantes que representam os tons acima dos tons uma notável característica de Cecília Ybarra

Lagos – A estátua do Infante D. Henrique

Lagos – baía – um momento da faina do mar

Lagos – dois barcos de pesca. Um, a Morena e o outro: “Virgem te Guie”

Um trecho da beira mar em Lagos que desconheço se resistiu ao furacão “turismo” que muito tem destruído.

Sete barcos prontos para a faina costeira

Barcos no mar em Lagos num exacerbado colorido muito caro a Cecília Ybarra – a colorista como lhe chamaram.

Barcos a boiar na Baía de Lagos com o casario em fundo

Quatro trechos do mar e das praias de Lagos nos mais exuberantes azuis, amarelos e rosa

Quatro trechos do mar e das praias de Lagos nos mais exuberantes azuis, amarelos e rosa

Quatro trechos do mar e das praias de Lagos nos mais exuberantes azuis, amarelos e rosa

Quatro trechos do mar e das praias de Lagos nos mais exuberantes azuis, amarelos e rosa

Dois trechos de Lagos com rochas, céu a confundir-se com o céu, vendo-se num deles pescadores artesanais e no outro escassos veraneantes.

Dois trechos de Lagos com rochas, céu a confundir-se com o céu, vendo-se num deles pescadores artesanais e no outro escassos veraneantes.

CECÍLIA YBARRA

E O ENCANTAMENTO POR LAGOS

 

Cecília Ybarra – uma grande senhora da nobreza espanhola, depois de ter vivido no Panamá passou a residir metade do ano em Sevilha e a outra metade no Porto de Santa Maria e Estepa, onde tinha um “cortijo”. Porém, mãe de sete filhos a quem dispensou todos os carinhos e cuidados, levou-a a visitar a cidade Lagos, onde um dos seus rapazes decidiu viver por uns tempos.

Chegada a Lagos, em tempos recuados, Lacobriga foi uma grande e forte cidade dos antigos, pela sua industria, agricultura e comércio e especialmente pelas suas grandes pescarias.

Situada numa baía, em terreno fertilíssimo, com um bom porto, outrora defendido por duas fortalezas, é natural que Cecília Ybarra se tenha apaixonado por esta cidade com uma história que se conhece desde 1899 anos a.C..

Durante a Idade Média, Lacobriga foi muitas vezes saqueada, destruída e reedificada, até que no ano 716 d.C. caiu nas mãos dos árabes que a conservaram em seu poder havia mais de 470 anos.

Pode dizer-se que Lagos andou de mão em mão entre castelhanos e portugueses. A Sua história é infinita e não vamos tratar agora desse assunto porque o que pretendemos é mostrar como a pintora eternizou nas suas telas o colorido desta cidade tão ambicionada por muitos povos. Pátria de Gil Eanes, um dos mais ilustres navegadores portugueses, Lagos é um cidade mal explorada a nível histórico e turístico. Há quem faça muito mais com muito menos.

Mas, sem que alguma vez tivesse ouvido falar nestas pinturas absolutamente deslumbrantes sobre o mar e a terra de Lagos, Deus ofereceu-me esta oportunidade com a oferta que a minha querida prima Pepa me fez do livro contendo parte da obra da sua mãe, a grande artista que viu a luz do dia em Sevilha e cujo marido, pai dos seus filhos, correu sangue do meu sangue, pois era mais um dos meus familiares Pérez de Guzmán. Ao seu olho perspicaz nem escapou o quadro onde retrata a estátua do Infante D. Henrique.

Porém, as suas cores mais vibrantes, nas pinturas sobre Lagos, são aquelas que retratam o mar azul, a espuma esbranquiçada e o “estrafêgo” dos pescadores. Os seus quadros que retratam as madrugadas e os fins da tarde quando o Sol se esconde no mar, parecem ter sido feitos por alguém que recebeu uma força divina. O quadro com as casas caiadas de branco, um pescador e um barco, em primeiro plano, é um hino à vida. A sua pintura com os veraneantes e seis chapéus de sol abertos, datada de 1994, mostra-nos até à saciedade como se têm operado as mudanças a nível das praias e dos banhos de mar. Quando penso que por estas datas, eu também andava por ali, raramente porque a minha casa de féria era e é, em Albufeira, sinto uma enorme tristeza por não a ter visto, por não lhe ter sido útil. Sei que a culpa é minha, mas já não serve de nada bater com a mão direita no meu peito e exclamar: “Mea culpa”!

O que nunca é tarde é agradecer. E este trabalho, esta homenagem à mulher do meu primo Manuel e aos seus sete filhos e netos, com destaque especial para a minha prima Pepa, de seu nome Josefa como a avó, foi delineada e escrita com um grande amor, veneração e respeito.

 

Marionela Gusmão

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