Captar a Natureza  I  Pintura ao Ar Livre na Europa, 1780-1870

A exposição” Pintura ao Ar Livre na Europa, 1780-1870”, a inaugurar no dia 2 de Fevereiro de 2020 na National Gallery of Art, Washington é, sem dúvida, um grande acontecimento cultural, já que a mostra se mantém, neste museu, até a 3 de Maio de 2020.

Esta mostra concentra-se em exclusivamente na pintura ao Ar Livre na Europa, 1780-1870, reunindo uma impressionante variedade de esboços e pinturas, revelando novas investigações e obras recentemente descobertas.

 

Parte integrante da educação artística no final do século XVIII e início do século XIX, a pintura ao ar livre (paysage en plein air) era uma prática essencial para os artistas na Europa. Pintores arrojados desenvolveram as suas habilidades para captar rapidamente os efeitos da luz e da atmosfera.  Para conseguirem alcançar essas esboços com sucesso  fizeram viagens, às vezes árduas, para estudar paisagens em locais de tirar o fôlego, variando da costa do Báltico e dos Alpes suíços às ruas de Paris e às ruínas de Roma. 

A mostra apresenta cerca de 100 esboços a óleo realizados ao ar livre em toda a Europa por artistas como Carl Blechen, Jules Coignet, André Giroux, Anton Sminck Pitloo, Carl Frederik Sørensen e Joseph Mallord William Turner. A exposição apresenta dezenas de estudos recentemente descobertos e destaca questões de atribuição, cronologia e técnica.

Acerca da mostra, Kaywin Feldman, director da National Gallery of Art, disse: "A Galeria tem a sorte de ter uma das melhores colecções públicas de desenhos de paisagens dos pintores europeus dos séculos XVIII e XIX, em grande parte devido a aquisições realizadas por Philip Conisbee durante o seu tempo como curador sénior da National Gallery de 1993 a 2008. A exposição baseia-se em estudos recentes, assim como na descoberta de pinturas que surgiram desde a mostra de 1996 organizada por Conisbee, À luz de Itália: Corot e a pintura ao ar livre, despertou interesses destes género. A Galeria agradece a colaboração com a Fondation Custodia, a Collection Frits Lugt, Paris e o Fitzwilliam Museum, Cambridge Museum, Cambridge por ceder as melhores colecções de esboços de paisagens europeias desse período”.

Este evento é comissariado por Mary Morton, curadora e chefe do departamento de pinturas francesas, National Gallery of Art, Washington; Ger Luijten, director, Fondation Custodia, Collection Frits Lugt, Paris; e Jane Munro, detentora de pinturas, desenhos e gravuras, Fitzwilliam Museum, Cambridge.

Após a apresentação na National Gallery, a exposição continuará a sua tournée de 13 de Junho a 13 de Setembro de 2020 na Fondation Custodia, Collection Frits Lugt, Paris e de 6 de Outubro de 2020 a 31 de Janeiro de 2021 no Fitzwilliam Museum, Cambridge.

 

Destaques da Exposição

A mostra inicia a sua apresentação com artistas europeus, que teriam pintado no final do século XVIII e início do século XIX, em Roma. O estudo das esculturas e arquitecturas antigas, assim como da arte renascentista e barroca, já era uma parte essencial na educação de um artista. Mas o influente tratado de Pierre-Henri de Valenciennes sobre pintura de paisagem, publicado em 1800, foi então recomendado para jovens artistas, que desenvolviam as suas habilidades pintando esboços a óleo ao ar livre. Valenciennes aconselhou explorar o campo romano, como havia feito no Estudo das Nuvens sobre o Campagna Romana (cerca 1782/1785). 

Pierre-Henri de Valenciennes viveu em Roma entre1769 e 1777, onde recebeu a influência da paisagem idealista de Nicolas Poussin. Embora incentivasse o estudo directo da natureza, era um defensor da paisagem da tradição clássica, com um estilo formal e grandioso. Os seus desenhos e aguarelas, preservados principalmente no Gabinete de Gravuras e Desenhos do Louvre, exerceram uma influência notável no paisagismo francês do século XIX, especialmente em Camille Corot. 

Esta secção da exposição inclui também exemplos de vários artistas europeus que seguiram os conselhos de Pierre-Henri de Valenciennes, como Michel Dumas, Christoffer Wilhelm Eckersberg e Johan Thomas Lundbye. Também está incluída nesta galeria a “Ilha e a Ponte de San Bartolomeo, Roma (1825/1828)”, de Jean-Baptiste-Camille Corot. Este artista foi uma figura-chave na pintura de paisagem do século XIX, trazendo de volta a França a prática da pintura ao ar livre e inspirando uma geração mais jovem de pintores impressionistas.

Outras secções também se concentram em recursos naturais e artificiais que se mostraram desafiantes para os pintores, como cachoeiras, árvores, céus, linhas costeiras e telhados. Os exemplos incluem estudos notáveis de artistas conhecidos, como o “Estudo do Céu” de John Constable com um eixo de luz solar (cerca 1822, Fitzwilliam Museum), a “Paisagem Montanhosa” de Jean Honoré Fragonard “Ao Pôr do Sol” (cerca 1765) e a “Vila na Costa de Bretanha de Odilon Redon (1840/1916, Fondation Custodia), assim como esboços de pintores menos conhecidos, como Louise-Joséphine Sarazin del Belmont, uma das poucas artistas conhecidas durante esse período. A exposição destaca como a pintura difusa ao ar livre surgiu em toda a Europa com exemplos de muitos artistas belgas, dinamarqueses, holandeses, alemães, suíços e suecos que estudaram em Itália antes de voltar para os seus países para pintar o seu ambiente nativo. Os esboços de Carl Blechen incluem um exemplo da sua época na Itália, “Vista do Coliseu em Roma” (1829, Fondation Custodia), assim como um estudo feito na sua casa na Alemanha, “Vista da Costa do Báltico” (1798-1840), Fondation Custodia. 

 

Pintura ao Ar Livre na Europa

A partir do século XVII, os pintores Ingleses e os seus coleccionadores mostravam um interesse crescente pela pintura de paisagem, género que até então na doutrina clássica da pintura tinha um lugar inferior. A evolução sócio-económica de Inglaterra fez nascer uma concepção nova da paisagem: o jardim “à inglesa”. Os princípios que regiam este jardim tinham sido importados pelos artistas progressistas com a mesma ânsia que muitas outras inovações económicas, técnicas, práticas e culturais surgidas na esteira da Revolução Industrial.

Um grande número de pintores Ingleses influenciados pela marinha e portuária dedicaram-se então ao género da paisagem nacional ou estrangeira utilizando as técnicas da aguarela e do óleo. Estes trabalhos da paisagem “pura” do século XVII e XVIII reforçavam o conceito da pintura como um objecto estético, uma obra de arte a ser apreciada por ela mesma e não como meio de contar um facto histórico ou apresentar uma ideia, onde o expectador responderia intuitivamente e esteticamente à pintura da natureza  como se estivesse diante do real. A atmosfera peculiar de uma paisagem, as suas variações de acordo com as condições climáticas e os diversos estados de luz constituíam o objectivo principal atractivo destes temas. O valor artístico dos quadros era determinado pela exactidão do que representavam. O observador desejava que o efeito de uma pintura correspondesse tão exactamente quanto possível ao efeito real que a paisagem teria produzido nele. Entretanto, representar a natureza não significava, até então, pintar no sítio e sim muitas vezes desenhar no mesmo local. A pintura a óleo estava confinada ao atelier, alguns artistas desde o século XV já trabalhavam do natural com traços de lápis ou aguadas e no século XVI Albrecht Dürer já fazia pequenas aguarelas nas suas viagens, mas esta novidade não foi plenamente desenvolvida nos séculos seguintes, alguns pintores utilizavam aguadas e a seguir a aguarela apenas para croquis e esboços.

A aguarela tornou-se uma técnica predominantemente da paisagem, como a “Paisagem Alpina” de Albert Dürer 1525 substancialmente desenvolvida pelos grandes pintores ingleses do século XIX e início do século XX: Thomas Girtin, J. M. W. Turner, e John Sell Cotman.

Na década de 1830 as cidades francesas começaram a ficar poluídas, as florestas e os rios desapareciam tornando-se nas estradas de hoje. Alguns artistas começaram a deixar os Salões de Paris e dirigiam-se para a pequena vila à volta da floresta de Fontainebleau.  Reagindo contra a situação política e social da Monarquia de Julho que se seguiu à Revolução de Junho de 1830  abandonaram as convenções da pintura clássica, que lhes reprimia a liberdade. Estes artistas optavam antes por representar uma visão mais fiel do campo como tema e concentraram-se nos trabalhadores do campo e seu ambiente natural aproximando a pintura cada vez mais perto da realidade.

Corot, embora com sólida formação neoclássica viveu a transição e quando foi para a Itália fez muitos estudos ao ar livre, talvez tenha sido o primeiro a considerar estes esboços como obras acabadas, embora elas servissem também de base para trabalhos de atelier. 

As primeiras obras do pintor ocupam um lugar de destaque no desenvolvimento da pintura moderna de paisagens. Em 1825, Corot viajou pela Itália e explorou o campo nas proximidades de Roma, como antes fez Claude Lorrain. O artista não transformou os seus esboços em visões bucólicas, mas apreendeu a sua dimensão de quadros em pequenas telas. Corot primava pela claridade, estabilidade arquitectónica e "verdade do momento" – a sua precisão de observação e a sua facilidade para apreender qualquer paisagem durante as suas excursões, demonstram o mesmo compromisso com a experiência visual directa que tinha Constable.

No mesmo ano, pintou "O Coliseu" (1825), mostrando a sua formação essencialmente clássica e algumas inovações a nível da luz.

De volta à França, abandonou o academismo em favor de um estilo paisagístico realista. Construiu então, uma pintura puramente paisagista, rural e citadina e marcada pela mestria na gradação tonal de luzes e sombras e pelo rigor construtivo da composição. As suas obras apresentavam-se expressivas e possuidoras de uma linguagem muito própria, caracterizadas pela serenidade. Facto este devido à sua anterior permanência em Itália.

Após várias exposições sem muito sucesso no Salão de Paris, começou a receber a atenção da crítica (1840), devido a quadros como "O Bosque de Fontainebleau" e "O Pastorzinho", e ganhou a cruz da Legião de Honra em 1846.

Pintou, também, monumentos de variadas cidades europeias, entre os quais se destacam a Catedral de Chartres. A evolução da paisagem clássica para a realista deve-se, em parte, ao seu trabalho em Itália.

A intensidade com que Corot estudava os efeitos da luz nos elementos naturais, a maneira como as figuras do campo eram apresentadas, simples e vibrantes só se conseguia pintando ao ar livre. É dele a afirmação: ‘Nenhum homem deve-se tornar um artista se não ama a Natureza.” Corot

 

Thereza Bêco de Lobo

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