Álvaro Pires D'Évora em Lisboa

O Museu Nacional de Arte Antiga reúne a maior exposição de sempre dedicada ao pintor português Álvaro Pires de Évora. A direcção da instituição jogou, na verdade, tudo na apresentação e divulgação daquele que foi um dos maiores pintores da Europa de Quatrocentos.

A exposição retrospectiva que lhe dedica, solene e rigorosa, composta por 85 obras, estará patente até 2020, sendo um dos maiores acontecimentos do ano que termina. A iniciativa tornou-se possível pela generosidade de inúmeros museus, locais de culto e de coleccionadores privados de todo o mundo.

Expressividade dourada

O pintor Álvaro Pires, de seu verdadeiro nome, nasceu em Évora em data desconhecida, tendo ido, bastante jovem, estudar para a Toscânia, onde fez a sua aprendizagem com grandes mestres. Acabou por fixar-se entre Pisa e Volterra, vivendo nessas cidades entre 1411 e 1434, ano em que provavelmente faleceu. Durante séculos a sua obra permaneceu obscura, vindo a ser redescoberta na segunda metade de 1800. 

Influenciado no início da carreira pela escola da Toscânia, Álvaro Pires d`Évora seguiu a então nova linha gótica acentuando-a, pelo desenho recortado das suas figuras, de fortíssima expressividade, e por fundos dourados incomuns. Toda a sua obra é, na verdade, percorrida de  preciosíssimas e arrojadas inovações. 

Nos começos de 1411 recebe já vultuosas encomendas por parte da nobreza, da burguesia e da Igreja. O pintor executa numerosos trípticos e polípticos para serem colocados em altares erigidos em memória de mercadores. Os temas são as Virgens, os Santos, os Anjos e os Meninos que cumprem a função de narrar, animar e exaltar  factos e sentimentos. O mundo do artista é rebuscado e magnificente, as cores vivas e o desenho fluido. Espessos tecidos, sedas e damascos vestem invariavelmente as figuras representadas. 

Durante séculos as suas obras guardaram-se em igrejas, conventos e palácios de Itália, mas nos séculos XIX e XX deu-se a sua dispersão por todo o mundo incluindo colecções privadas.

A fragmentação de numerosos trípticos e polípticos, quase todos destinados a cultos intimistas, impossibilita o estudo integral dos seus trabalhos. Outras obras foram encurtadas, maioritariamente na parte inferior e dos lados, e muitas sofreram fortes danos por má conservação, bem como por desastrosos restauros. O trabalho de Álvaro Pires revela-o um profundo conhecedor das técnicas pictóricas o que explica a sobrevivência dos seus quadros.

Álvaro Pires e Portugal

A obra do pintor, redescoberta por alguma historiografia portuguesa (caso de Cunha Taborda e Reynaldo dos Santos) manteve-se ausente das nossas colecções até 2001. Nesse ano o Museu de Évora, apoiado pela Finagra e pelo Banco Comercial Português, adquiriu por 370 mil contos uma pintura sua. Trata-se da “Virgem com o Menino, ladeada por São Pedro e São Paulo”, obra do período da juventude, datando de 1410 a 1415.

Anos antes, a Comissão dos Descobrimentos e a Secretaria de Estado da Cultura tentaram negociar, entre 1993/4, outra obra do artista para expor no Museu de Arte Antiga. A verba então pedida por um antiquário polaco foi, no entanto, considerada excessiva impedindo a transacção.

O Museu de Arte Antiga adquiriu em 2018, por 350 mil euros, num leilão em Nova Iorque, o quadro “A Anunciação” que fazia parte de um díptico executado entre 1430 a 1434, sendo considerada por António Filipe Pimentel, então director da instituição, como uma “excelente obra”.

Meses depois apareceu em leilão na Cabral Moncada, em Lisboa, a pintura “São Cosme”,que o Museu de Arte Antiga não teve, mais uma vez, verba para a sua aquisição. Foi adquirida por um particular por 75 mil euros, sendo classificada pelo Estado como “bem móvel de interesse nacional”. A pintura, até aí (1977) referenciada no mercado internacional de antiguidades, pertencia ao antiquário londrino Rafael Valls. Em 2010 foi leiloado no Palácio do Correio-Velho, em Lisboa, com base de 15 a 25 mil euros.

Em finais de 2018, os colecionadores Maria Inês e João Soares da Silva depositaram no Museu de Arte Antiga a “A Virgem e o Menino com dois Anjos”, obra realizada entre 1425 e 1430.

Álvaro Pires D`Évora não deixou praticamente referências biográficas. A sua vida é mesmo uma grande incógnita da história da nossa  cultura.

Esperamos que mais luz seja derramada sobre a vida deste excelente mestre português que esbanjou o seu talento na pintura italiana.

 

António Brás 

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