Já ninguém duvida que a moda se democratizou. Já não existem imposições de estilos nem de cores. Mas, o vermelho das papoulas espontâneas que alegram os trigais, das rosas cuidadas pelas Adelinas deste mundo de gente boa, das sardinheiras que dominam as sacadas dos velhos bairros de Lisboa e do casario de todo o nosso Portugal, é a cor que muitos costureiros adoptaram para dar vida às suas colecções.

Cor que simboliza paixão, o vermelho incita à acção e é a imagem da beleza, da força impulsiva e generosa da juventude.

Léon Tolstoi disse do vermelho: “É a cor que atrai as mulheres pela força do seu magnetismo”.

É a cor do fogo, do sangue e da vida.

Quando as colecções de Alta Costura foram criadas para esta temporada Primavera/Verão 2020, com muitas probabilidades de acertarmos nas nossas previsões, acreditamos que ninguém sonhava que teríamos uma tão grande calamidade no nosso velho Mundo: o COVID 19. As colecções de cada Primavera/Verão são desenhadas com um certa antecipação. Ora, os desfiles foram em Janeiro deste ano, o que nos leva a concluir que os seus autores desconheciam a desgraça que veio ensombrar a nossa velha querida Europa e todo o mundo em geral. Todos ansiamos sair com saúde desta maldita pandemia que atacou a China e que a ONU não avisou o mundo no seu devido tempo como era seu dever tê-lo feito. Andámos todos por aqui a fugir, a brincar ao gato e ao rato. Os mais frágeis não resistiram e nem todos têm capacidade económica para sobreviver a certas desgraças.

No que diz respeito a Portugal temos o erro de ter uma Ministra da Saúde e que especialidade dessa sabe apenas o que diz respeito à Administração Hospitalar. É pouco. Muito pouco mesmo.

Neste caso não se trata de verificar os erros praticadas na área administrativa, mas firmemente os meios de combater a doença e isso é um assunto que diz respeito aos médicos.

Não adianta, agora, pregar no deserto. A asneira está feita. Importa corrigir isto de modo a que não se volte a repetir.

A Drª. Graça Freitas da Direcção Geral de Saúde tem obrigação de saber melhor o que se deve fazer nestas circunstâncias. O problema é grave e está longe de terminar.

A autora deste texto que escolheu a profissão de jornalista, por vontade própria, cresceu e viveu no meio hospitalar o que a leva a conhecer vários pequenos nadas da área da saúde. Com antepassados médicos de renome e viúva de um grande médico que Deus levou quando nem sequer tinha 50  anos, deu muito de si, para ajudar os seus familiares, muito em especial o marido que fez inclusivamente comissões de serviço em Moçambique (fácil) e na Guiné (muito difícil).

Ora, este texto é sobre moda e não vou alongar-me mais a escrever as dificuldades da minha triste vida.

Mas… perdoem-me os meus leitores que me conhecem há décadas. Não sei se os modelos que escolhi para as festas de verão e se o vermelho é mesmo a cor mais indicada para os próximos meses que se aproximam. Habitualmente em Julho, Agosto e Setembro, as festas no Algarve sucediam-se. Terá o ano 2020 alguma comparação com o que habitualmente se passava? Não consigo fazer previsões. Tudo são incógnitas.

Para começar, todos os anos eu ia com a minha saudosa amiga Luísa de Mello Champalimaud para a Quinta do Lago e, mesmo sem o COVID, ela não mais irá comigo a nenhum lugar porque Deus a levou em Outubro de 2019, deixando-me um grande vazio e a maior saudade.

2020 tem sido um ano de muitas tristezas. Atendo o telefone e escuto a minha irmã a chorar, em pânico, cheia de medo porque em Espanha, onde vive, desde sempre, os patetas do desgoverno não foram capazes de meter rédeas naquele país que também é meu. São tão inteligentes que as duas damas, mulheres do 1º. Ministro e do “labaredas de ódio”, com rabo de cavalo, segundo dizem, pago por aquele homenzinho jeitoso da América Latina, cujos nomes não cito porque acho desnecessário, repito as damas festejaram o dia 8 de Março aos beijos e abraços e deu no que, infelizmente, se viu. Mas, se fosse só a minha irmã a chorar… De Espanha, as minhas primas Pérez de Guzmán, vivem desesperadas, em pânico.

E eu? Aqui, fechada em casa, em prisão domiciliária, sem ter cometido qualquer crime. Tudo isto porque existem loucos à solta.

Confesso que gosto pouco de politiquices. Para esse peditório, já dei.

E aqui regresso cheia de esperança, já que todos os dias rezo a todos os santos de que sou devota, para que dê saúde a todos os portugueses e, em especial, a todos os meus familiares e amigos a quem quero o maior bem do mundo.

Ora, a moda, este fenómeno social que gera polémicas, vive um momento histórico cheio de interrogações. Haverá, finalmente, liberdade para nos movermos em segurança?

A força interior é absolutamente necessária para vencermos todos os receios. Mas, a segurança existirá?

São muitas interrogações. Como será a entrada dos muitos milhares de ingleses nas férias que se aproximam? Que exames fazem para entrar em solo português? E quem escreve sobre ingleses, está apenas a dar um exemplo. Todos os que entram no nosso país estão de boa saúde? Cuidado, muito cuidado.

Voltarei a apresentar as minhas escolhas para as noites de festa do Verão 2020. Por agora, a escolha é o vermelho paixão, o vermelho flor, o vermelho vitral, o vermelho vida.

Felizmente… há vermelho – a cor do coração e das faces ruborizadas da inocência.

 

Marionela Gusmão

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