
Amarelo I Cor da Fome ou da Alegria?
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Quase todos nós, desde crianças, ouvimos o provérbio: “Se não houvesse ruim gosto, o que seria do amarelo”. E estas expressões, muito repetidas, são quase sempre lições da sabedoria popular.
Mas, pela parte que nos toca, consideramos que quem acha o amarelo uma cor de mau gosto, como explica que ela esteja repetidamente na moda?
Sinónimo de amadurecimento, áureo, desmaiado ou fulvo, o amarelo tem várias gradações resultantes das substâncias corantes utilizados na tinturaria dos tecidos (amarelo de Nápoles, amarelo-de-crómio, entre outros corantes artificiais) e é, desde os Anos 60 do séc. XX – a década das grandes revoluções estéticas e de pensamento – uma cor que, ininterruptamente, sai e entra na moda.
Na actual temporada (Primavera/Verão 2017), o amarelo claro quase a confundir-se com o tom de areia das praias algarvias, o amarelo vivo prestes a enredar-se com o alaranjado numa consciência quase colectiva que esta cor transmite luz e vida, é quase um abanão para a apatia em que se vive.
A conjuntura económica, de tão incerta, destrói a paciência dos mais calmos e o consumo de comprimidos anti-depressivos dispara nas vendas das farmácias. Há que ter força interior para combater o “stress” e não nos deixarmos vencer pelas múltiplas contrariedades que nos surgem.
Ora, o amarelo é um “tónico” que revigora a alma.
Muito embora a China da actualidade já não tenha imperadores – o último foi o pobre Hsuan-T´ung (1900-1911) – até chegar a peste cinzenta do Mao Tse Tung que quis ser e foi um dos maiores malfeitores da Humanidade, o amarelo foi a cor exclusiva dos antigos Imperadores da China. À luz da clarividência do nosso tempo, até custa a acreditar.
Pelos muitos anos que temos levado a estudar a moda do traje civil e a mantermo-nos sempre informados, não temos qualquer dúvida que o vestuário é o grande responsável pela nossa aparência.
O amarelo é uma das cores da Moda do Verão 2017, em modelos desportivos, de dia ou de festa. Ele é a sublimação estética da cor do Sol – o astro central do nosso sistema planetário – e vamos usá-lo de forma audaz, viva e forte, para combater a carga negativa da ideia da fome de modo a transformar pesadelos em alegrias. Porque será que o nosso muito amado Jean Paul Gaultier até usou tecidos com girassóis estampados? Viva o Amarelo. Viva a vida acima de todos os horizontes.
Marionela Gusmão