Jóias das "Mil e Uma Noites" em Paris I Colecção Al-Thani

"Des Grands Moghols aux Maharajahs"

  Colecção Al-Thani

De 29 de Março até 5 de Junho próximo, O Salon d´Honneur do Grand Palais, em Paris, vai receber a mais fabulosa colecção de jóias que se tem conhecimento, a qual tem sido reunida por S.A. o Príncipe

Hamad bin Abdullah Al Thani, a quem a Moda & Moda felicita.

A exposição “Des Grands Moghols aux Maharajhs: Joyaux de la collection Al Thani” propõe-se abrir as visitantes as portas de um sumptuoso universo, o da joalharia indiana e a sua história, do período Mogol ou Mugal, até aos nossos dias.

No Salão de Honra do Grand Palais, exactamente no coração de Paris, situado cerca do Rond Point e entre os Campos Elíseos, os visitantes vão ter a oportunidade de contemplar mais de duzentas e cinquenta peças excepcionais da Colecção Al Thani e ainda outras associadas, por empréstimo de prestigiadas instituições e colecções particulares, para retratar mais de cinco séculos da joalharia, do gosto e do trabalho, assim como a beleza estonteante das pedras preciosas. O olhar mais curioso vai deliciar-se a poder contemplar os diamantes indianos carregados de história, entre os mais célebres do mundo, lado a lado, num enquadramento de espectaculares objectos de arte com as mais lendárias peças de joalharia. Mas, não se pense que alguém vai pôr o olhar sobre o Kohinoor (Montanha de luz) porque esse apesar de ser originário das minas de Golconda está na Torre de Londres e de lá não sai. O diamante foi oferecido pela Índia à Casa Real Britânica em 1849 na sequência de um acordo anglo-indiano.

A Índia diz que o diamante foi roubado, mas a casa real de Inglaterra, está indiferente a essa afirmação.

A exposição exibe as grandes etapas da joalharia no sub-continente.

O início da época áurea dos verdadeiros tesouros da Índia teve lugar no séc. XVII, período em que os “atelieres” usufruíam do mecenato dos imperadores “mogols”.  Depois, seguiram-se os tempos mais sombrios do caos político e dos inícios da colonização do séc. XVIII, antes que a época dos “Darbâr”, facilitasse as suas faustosas cerimónias organizadas sob a égide do poder britânico, oferecendo de novo aos monarcas indianos a ocasião de exibirem as suas sumptuosas “parures”.

A joalharia indiana está igualmente reintegrada no seu contexto de origem, a opulenta e complexa cultura das cortes dos príncipes indianos, no seio das quais pedras e metais preciosos, que abundavam no seu espaço geográfico, favoreciam o desenvolvimento de uma tradição muito sofisticada do ornamento e da “parure” (conjunto de peças de vestuário que se harmonizam e, ainda, muitos ornamentos.

Penetrando imediatamente nos segredos do Tesouro Real, o visitante tem a oportunidade de ver com os seus próprios olhos um excepcional conjunto de gemas directamente ligadas à dinastia imperial: o diamante Agra, O Olho do Ídolo e o Arcot II, todos extraídos das lendárias minas de Golconde.

Decerto que quem nos lê já ouviu falar dessas minas lendárias, cujos diamantes foram, a seu tempo, citados por Marco Polo.

Golconda é uma cidade e fortaleza, em ruínas, da região central da Índia, conhecida pelos seus tesouros, situada a 11 Km., de Hyderabad, no estado de Andra Pradesh.

Tanto a cidade como a Fortaleza estão construídas sobre uma colina de granito de 120 metros de altura. O forte data de 1143, aproximadamente quando a dinastia hindu dos Kakatiya governava aquela zona.

Golconda tornou-se um reino independente desde 1572 até 1867, data em que foi tomada pelas tropas do Imperador Aurangzab.

E que dizer das deslumbrantes esmeraldas e espinelas, por vezes gravadas com o nome e os títulos do soberano que as teve na sua posse? Um absoluto deslumbramento!

A exposição articula-se em redor de dois eixos directores: o requinte artístico da Índia mogol e o diálogo instaurado com a Europa pela obliquidade dos intercâmbios estilísticos e técnicas que, desde a Renascença, uniram estas duas partes do mundo.

O jade e o cristal de rocha eram então fortemente apreciados pela corte dos imperadores mogois, razão pela qual a segunda parte da exposição lhes é consagrada. Aqui, estão patentes ao público algumas peças de grandioso interesse. A taça do imperador Jahangir, gravada com alguns versos persas que acompanham os títulos do monarca, é actualmente considerado como o mais antigo jade mogol datado. A adaga de Shah Jahan até na lâmina tem incisa o título do imperador. Os jades indianos eram então particularmente apreciados na China, tal como testemunha o poema que o imperador Qianlong mandou gravar sobre uma delicada taça de ópio ornada de uma cabeça de “íbex”.

A joalharia indiana distingue-se pelo emprego de esmaltes polícromos de um grande requinte e por uma técnica muito particular de engaste de pedras preciosas ao ouro, o “kundan”, que permite evitar o recurso às garras e outras montagens praticadas na joalharia ocidental. A terceira secção da exposição evoca estes dois aspectos pela maneira directa de uma selecção de objectos das regiões mais diversificadas do sub-continente. O escritório em ouro maciço com pedras preciosas engastadas que figura na exposição corresponde a um tipo de peças outrora utilizada nos mais altos círculos da corte para redigir os decretos imperiais. Actualmente subsistem três raros exemplares, mas as pinturas conservam as recordações ou as memórias, como lhes queiramos chamar. A exposição também dá realce às espigas de coroação em cabeça de tigre do célebre trono de “Tipu Sultan”. Entre as outras peças verdadeiramente excepcionais apresentadas nesta parte da exposição, há a salientar um excepcional conjunto de objectos esmaltados a verde, datados do séc. XVIII, saídos das oficinas de Hyderabad, e destinadas aos rituais das audiências da corte.

O Museu do Ermitage emprestou um “descansa-pés” adornado de pedras preciosas, outrora do tesouro imperial mogol que fez parte do saque das tropas de Nadir Shan, então a pilhagem de Delhi em 1739.

 

A quarta secção, consagrada aos banquetes e à “parure”, comporta um espectacular conjunto de ornamentos de turbantes dos séc. XVII ao XIX. Centrada sobre o gosto requintado as cortes principescas da época do Raj britânico, esta apresentação inclui sumptuosos colares de diamantes assim como algumas peças de joalharia de excepcional qualidade, como a espada de aparato de Nizam de Hyderabad e a cobertura de pérolas do Baroda.

Se quisermos resumir a exposição a umas escassas linhas podemos afirmar que a Mostra em Paris se salienta pelos delicados jades, gemas espectaculares, sumptuosas “parures” consteladas de diamantes, de rubis, de esmeraldas e de pérolas naturais, adagas incrustadas de jóias, objectos de uso tais como taças e outros utensílios similares em ouro cinzelado, ornados de pedras preciosas e de esmaltes coloridos.

Através de cinco séculos de história, esta arte da joalharia, que faz parte da cultura indiana, pode agora ser observada no coração da Europa, graças ao coleccionador Al-Thani, uma personalidade que aprecia o “savoir-faire” dos indianos e tem o gosto de partilhar connosco os tesouros ancestrais que conjugam exuberância com opulência e requinte.

Graças à generosidade deste excelente coleccionador, que já foi notícia na revista Moda & Moda, quando expôs parte da sua colecção nos E.U.A., agora os nossos leitores podem penetrar nos esplendores das cortes mogois, assim como no fausto dos marajás, entrecruzados em subtis jogos de inspiração, Oriente/Ocidente, tradição e modernidade das criações contemporâneas.

As ligações com a Europa entram nesta etapa do percurso, graças a uma sumptuosa selecção de jóias concebidas pelos grandes joalheiros europeus para as cortes da Índia ou sob inspiração indiana. Nesta secção podemos apreciar a magnífica “aigrette” em forma de pavão criada por Mellerio, dito Meller, e comprada pelo Marajá Jagatjit Singh de Kapurthala.

 O Marajá Bhupinder de Patiala foi um comprador particularmente importante, e entre as suas múltiplas aquisições, patentes ao visitante nesta exposição, encontra-se um colar de diamantes de cerimonial, absolutamente espectacular e criado por si próprio, assim como um “ras-de-cou” em rubis criado para uma das suas mulheres. Para deslumbrar os visitantes a mostra conta ainda com duas criações deslumbrantes da Cartier para o Marajá Digvijaysinhji, filho do Marajá Ranjitsinhji de Nawanagar, excepcional conhecedor de pedras preciosas, o qual manteve estreitas relações com Jacques Cartier: o “Olho de Tigre”, fabuloso diamante de cor conhaque montado como ornamento de turbante e um excepcional colar “Art Deco” realizado com os rubis do tesouro real, nasceram desse entendimento perfeito.

A exposição que nos empolga e nos leva a agradecer a Deus ter-nos dado o sentido da Visão para podermos contemplar as maravilhas que a mãe natureza esconde no seu ventre, termina com uma homenagem à criação contemporânea indiana e europeia cuja inspiração se alimenta da tradição indiana. Baseado em Mumbai (Bombaim), Virent Bhagal combina as técnicas e os materiais da actualidade às formas e aos motivos ancestrais. As obras saídas dos seus ateliers estão no mesmo patamar das criações da Cartier e de JAR, integrando gemas antigas, carregadas de história.

A Cartier é uma marca que todos conhecemos e a casa JAR é uma das mais espectaculares da actualidade, com sede na Place Vendôme, em Paris, mas apenas para alguns poucos eleitos.

Lisboa, já foi a Cidade mais importante da Europa. A sua decadência começou com a aventura de D. Sebastião e nunca mais recuperámos o lugar que foi nosso. É pena!

Tivémos as melhores pedras do mundo, as melhores pérolas e hoje temos pechisbeques nas lojas dos indianos e dos chineses.

Quem diria?!

Vamos até Paris lavar os olhos e avivar a nossa memória?

Vamos!

 

Marionela Gusmão

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K. Keshavayya

Retrato do Marajá Sir Sri Krishnaraja Wodeyar Babadur

Cerca de 1906

Óleo sobre tela

Victoria & Albert Museum – Londres

© Victoria and Albert Museum. London.

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