Panorama de Jerusalém I A Pintura mais Importante do Museu da Madre de Deus

 

A Igreja da Madre de Deus, foi fundada no começo do séc. XVI por iniciativa da rainha D. Leonor, mulher de D. João II, e é um dos monumentos arquitectónicos de grande interesse nacional da cidade de Lisboa.

Exausta pelas sucessivas adversidades da sua vida, e sobretudo, depois da morte prematura do seu único filho, a rainha D. Leonor entregou-se devotamente à religião católica e a actos de Misericórdia, ao mesmo tempo que encorajava as ciências e as artes.

Assim em 1509, comprou umas casas com horta, no sítio de Enxobregas (hoje Xabregas), à beira rio, em Lisboa, adaptando-as e Mosteiro, onde ingressaram sete freiras Clarissas da Ordem de S. Francisco, vindas do Convento de Jesus, de Setúbal.

Após a morte do marido, o rei D. João II, D. Leonor tomou o hábito das Clarissas, passando a viver com humildade neste Mosteiro por ela mandado construir, e onde jaz em campa rasa.

De então para cá, a igreja foi sucessivamente enriquecida, principalmente por iniciativa de D. João III, de D. João V, e depois do terramoto, por D. José.

E, muito embora a igreja Madre de Deus seja mais conhecida pelos azulejos que completam o Museu anexo, a talha e a pintura são de extraordinária importância.

Precisamente por estarmos na Quaresma, desta a famosa tábua do séc. XVI, pintada a óleo, de factura flamenga, a qual é conhecida por: “Panorama de Jerusalém” que reproduz, num movimento conjunto de personagens, as várias fases da “Paixão de Cristo”.

Este quadro com 2X2 mts., representa 343 figuras do mais rico pormenor. De salientar que esta maravilhosa pintura foi oferecida pelo Imperador Maximiliano à sua prima, a rainha D. Leonor, cuja figura ajoelhada, (pintada posteriormente), destoa um pouco do espírito narrativo e realista da obra.

Consideramos que este quadro é a mais espectacular pintura do Museu do Azulejo e uma obra de grande raridade pela forma como narra os passos da paixão de Cristo até ao Calvário.

Sobre este quadro a autora deste texto escreveu o guião para um filme cuja realização a cargo de José Manuel Tudela resultou numa obra que a R.T.P. exibia todos os anos nas quintas-feiras e sextas-feiras santas. Bons tempos em que a estação pública respeitava os preceitos da igreja católica.

No momento em que arde a Notre Dame de Paris e o meu coração está magoado com a incúria dos homens, sugiro aos leitores desta revista que visitem a Igreja/Museu da Madre de Deus e subam ao piso superior para observarem atentamente esta obra maravilhosa da pintura flamenga totalmente relacionada comos dolorosos passos da Via Sacra.

Além deste painel, impregnado do realismo piedoso da pintura flamenga de quinhentos, destacam-se outras ofertas do Imperador Maximiliano, tais como as relíquias da Santa Auta, desembarcadas em Lisboa em 1517, alguns quadros também flamengos e, o célebre Santo Sudário.

No coro alto, a pintura portuguesa também está largamente representada quer nos retratos da rainha D. Catarina e de D. João III, atribuídos a Cristóvão Lopes (séc. XVI) quer nas telas de André Gonçalves (séc. XVIII).

Toda a igreja é riquíssima em pintura, incluindo a capela de S. António onde numerosas telas, sempre ricamente emolduradas em talha, narram a vida do popular Santo Português e os seus tradicionais milagres, o que no conjunto justifica uma atenta e estudiosa visita.

 

Marionela Gusmão

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