A Musa de Apollo I  A Lua na Era da Fotografia

Este ano, para celebrar o 50º aniversário da missão Apollo 11 da ida do Homem à Lua, várias instituições muselógicas, como recentemente o Grand Palais, em Paris, e agora o Metropolitan Museum of Art, em Nova Iorque, organizaram exposições comemorativas para destacar este acontecimento de tão grande  importância para a Humanidade. 

A mostra de Nova Iorque, percorre 400 anos da representação da Lua, com destaque na fotografia, uma arte que muito contribuiu para atrair o público a este evento.

Para além da viagem de 1969, que é o auge da exposição, ela remonta a 1610 e ao tratado de astronomia de Galileu, o primeiro a reproduzir a Lua após observá-la com seu telescópio refractor.

 

"A Lua foi sempre uma curiosidade científica e artística, de observação e imaginação", disse Mia Fineman, a curadora do departamento de fotografias do Metropolitan durante a apresentação da mostra, que está patente até 22 de Setembro de 2019.

Desde o início da fotografia, os pioneiros interessaram-se pos este satélite da Terra e em 1840 o americano John William Draper realizou o primeiro daguerreotipo detalhado da Lua.

"O fascínio pela Lua e o desenvolvimento da fotografia estão ligados desde o início", apontou Max Hollein, director do Metropolitan Museum of Art.

Foram construídos telescópios especiais apenas com fins fotográficos e a fotografia astronómica tornou-se numa disciplina independente. As imagens, cada vez mais precisas, começaram a circular e a alimentar a mística em torno da Lua, que agora podemos ver de perto.

A mostra: A Musa de Apolo: a Lua na Era da Fotografia no museu de Nova Iorque apresenta mais de 170 fotografias, juntamente com uma selecção de desenhos relacionados, gravuras, pinturas, filmes, vídeo-arte, instrumentos astronómicos e máquinas fotográficas usadas pelos astronautas da Apollo.

Neil Armstrong foi, efectivamente, o primeiro homem a pisar a Lua em 20 de Julho de 1969. O célebre americano fez-se acompanhar do astronauta Buzz Aldrin e todo o mundo vibrou de emoção.

"A lua tem sido uma fonte quase universal de fascínio e inspiração. Esta exposição mostra-nos como a fotografia introduziu novas dimensões na sua documentação e interpretação, e explora o impacto que a ida à lua em 1969 teve sobre os artistas da época - cujos efeitos duradouros ainda ressoam actualmente”, disse Max Hollein, director do Metropolitan Museum of Art.

A musa de Apollo traça o progresso da fotografia astronómica e tenta produzir imagens cada vez mais nítidas da lua, particularmente durante o período entre a invenção da fotografia em 1839 e a chegada à Lua em 1969, quando astrónomos e artistas reuniram avanços tecnológicos, máquinas fotográficas e telescópios para criar registos visuais cada vez mais precisos da superfície lunar. Os destaques da exposição incluem dois recém-descobertos daguerreotipos lunares de 1840, supostamente as primeiras fotografias existentes da lua, e obras dos pioneiros da fotografia lunar como Warren De La Rue (1815–1889), Lewis Morris Rutherfurd (1816–1892) e John Adams Whipple (1822–1891). Um deslumbrante atlas fotográfico da Lua, produzido no Observatório de Paris entre 1894 e 1908 pelos astrónomos Maurice Loewy (1833 a 1907) e Pierre Puiseux (1855 a 1928).

Juntamente com essas realizações científicas, a mostra salienta o uso da máquina fotográfica para criar representações fantásticas das viagens espaciais e da vida na Lua, incluindo os desenhos originais de George Méliès (1861-1938) para o seu filme Uma Viagem à Lua(Le Voyage dans la Lune, 1902) e uma grande selecção de retratos de estúdio “paper moon” do início do século XX. Também são apresentadas obras de arte de artistas plásticos com efeitos sobrenaturais do luar, incluindo trabalhos importantes do pintor romântico alemão Caspar David Friedrich (1774-1840) e do fotógrafo americano Edward Steichen (1879-1973).

A exposição apresenta fotografias impressionantes captadas pelas primeiras expedições lunares enviadas pelos programas espaciais americanos, culminando nas missões tripuladas do programa Apollo. A secção final da mostra tem como foco a arte criada após a ida à Lua de 1969, incluindo obras de Nancy Graves (1940–1995), Aleksandra Mir (1967) e Nam June Paik (1932–2006) e Robert Rauschenberg (1925-2008).

 

A Lua

Século após século, a lua foi sempre fonte de grandes segredos. Os antigos gregos e romanos, em regra geral, consideravam-na imaculada, lisa e branca, mas não tinham uma boa explicação para as manchas escuras no seu rosto que eram visíveis aos olhos dos humanos. Então, por volta de 90 d.C., Plutarco escreveu que essas manchas eram as sombras das montanhas e dos vales e que a lua deveria ser habitável.

Diante de uma questão sem resposta, a Lua geralmente apresentava teorias, suposições, mitos e fantasias. Os telescópios tornavam a visão mais precisa, e a fotografia era ainda melhor, mas, embora não houvesse criaturas vivas, a noção de que elas poderiam existir não morreria. Após a Segunda Guerra Mundial, um dos vários rumores foi de que os alemães haviam estabelecido uma instalação secreta na Lua, e alguns até especularam que Hitler havia forjado a sua própria morte e vivido os seus dias sob a superfície lunar.

A exposição no Metropolitan Museum of Art, é uma viagem através da história das representações da lua ao longo de quatro séculos. Essa revelação através de várias pesquisas astronómicas representa a união pioneira de ciência e arte –imagens e objectos (um telescópio, uma fotografia usada como tela de fogo, dois globos lunares, máquina fotográfica Hasselblad usadas por astronautas), além de "trailers" de filmes. As imagens trazem uma luz brilhante sobre as pesquisas organizadas pelos astrónomos, assim como sobre avanços tecnológicos, respostas artísticas e fantasia, e também sobre histórias humorísticas. Este acontecimento representa um testemunho do desejo humano de conhecer e explorar, e afirma tranquilamente a crescente influência das representações visuais da lua desde a invenção do telescópio até à primeira aterragem na lua, há 50 anos .

De destacar na mostra o "Sidereus Nuncius", ou "Mensageiro Estrelado", que Galileu publicou em 1610. Nele forneceu um relato das suas aventuras telescópicas e a litografia colorida de Leopoldo Galluzzo, (cerca 1836), que retrata uma paisagem lunar com criaturas aladas da lua e animais fantásticos.

Ainda de salientar um atlas lunar, “Selenography” de Johannes Hevelius, de 1647 -  o primeiro livro inteiramente dedicado à lua.

Mia Fineman, a curadora do departamento de fotografias do Metropolitan, organizou “A Musa de Apollo” com Beth Saunders, curadora e chefe de colecções especiais na Biblioteca e Galeria Albin O. Kuhn, na Maryland University, Baltimore, e ambas escreveram os ensaios para o seu catálogo informativo. 

Após 1608, quando o telescópio foi inventado, a lua parecia acessível. Em 1609, Galileu desenhou as suas primeiras imagens observadas de perto: mapas de uma parte da superfície da lua. O matemático e astrónomo inglês Thomas Harriot fez observações telescópicas um pouco mais cedo que Galileu, mas as suas investigações não foram imediatamente publicadas, e não conseguiu explicar a “mancha estranha” que viu. Galileu, habilmente treinado em perspectiva e arte, percebeu que a “mancha” era na verdade a sombra das montanhas. Os seus desenhos publicados, dois dos quais estão incluídos na exposição, representam o alvorecer da astronomia moderna.

O século XVII trouxe para a visão humana objectos extremamente distantes e extremamente minúsculos, à medida que os telescópios melhoraram e o poder dos microscópios, aumentava extraordinariamente os pormenores. Artistas experientes colaboraram para fornecer aos cientistas e ao público, ilustrações cada vez mais detalhadas das informações obtidas. A bem sucedida Selenografia de Johannes Hevelius - um atlas lunar publicado em 1647 e baptizado com o nome de Selene, a deusa da lua na mitologia. Hevelius criou um mapa lunar com ornamentações barrocas: querubins olhando através de telescópios ou desenhos delicados.

De salientar também a superfície lunar de James Nasmyth, através do seu telescópio, em 1874.

Os astrónomos desenharam o que viam e os artistas fizeram os desenhos mais próximos da realidade. Mas algumas imagens eram de pouca utilidade para os astrónomos, sem bons textos científicos, e a maioria não era vista por ninguém além dos cientistas. As gravuras de 1635 do artista francês Claude Mellan não eram simplesmente belas, mas também muito precisas. Em 1805, o retratista britânico e astrónomo amador John Russell fez uma gravura notável da lua intitulada "Planisphere Lunar, Flat Light", mostrando a lua não como a vemos, mas sim na luz plana. É uma escolha que reflecte o conceito de Russell de que um artista deve "corrigir" a natureza para produzir um ideal.

A ideia de que a misteriosa Lua poderia ser habitada continuava a ser abordada por pessoas imaginativas e equivocadas.

A Musa de Apollo apresenta várias das primeiras fotografias da lua, incluindo o notável daguerreotipo de 1840 de John William Draper. A fotografia de Draper oferece uma compreensão mais precisa da superfície da lua, através de um instrumento capaz de ver com mais precisão do que a visão, investigação comparável à de Galileu.

Até meados do século XIX, as fotografias eram reproduzidas com grande dificuldade. Além disso, fotografar à luz da lua não era tarefa fácil, devido à rotação da terra. Assim, durante anos, não se viam pormenores da lua como na actualidade.

O astrónomo britânico James Nasmyth, extasiado com o poder da fotografia em captar as minúcias e a tridimensionalidade fez moldes de gesso detalhados, graças a esse alcance. Em 1874, as fotografias desses moldes artísticos foram publicadas e elogiadas como as representações mais “verdadeiras” já vistas. 

Outro filme magnífico que faz parte da mostra: Le Voyage dans la Lune(em português, A Viagem à Lua) é um filme francês do ano de 1902. Foi baseado em dois romances populares do seu tempo: De la Terre à la Lune, de Julio Verne, e The First Men in the Moon, de H. G. Wells. 

O filme teve guião e direcção de Georges Méliès, com assistência de seu irmão Gaston Méliès. Foi extremamente popular na sua época e o mais conhecido das centenas de produções de Méliès. É considerado o primeiro filme de ficção científica e o primeiro a tratar de seres extraterrestres, usando recursos inovadores de animação e efeitos especiais, incluindo a célebre cena da nave pousando no olho da "Homem da lua". 

O último episódio da mini série produzida por Tom Hanks, Ron Howard, Brian Grazer e Michael Bostick, From the Earth to the Moon, mostra cenas desse filme e de como possivelmente foi sua produção. 

A exposição é acompanhada por um catálogo totalmente ilustrado com ensaios dos curadores e uma introdução de Tom Hanks, entusiasta do espaço ao longo da vida que celebrou o legado do Projecto Apollo como actor e produtor de documentários.

Esta exposição ambiciosa destaca as representações visuais da lua, incluindo imagens extraordinárias, desde o alvorecer da fotografia até à actualidade. Uma série de fotografias e de desenhos relacionados, gravuras, pinturas, filmes, instrumentos astronómicos e máquinas fotográficas usadas pelos astronautas da Apollo vão abranger cinco galerias, examinando o papel que a fotografia desempenhou no estudo científico e na interpretação artística da lua.

O início da mostra leva os espectadores a uma época em que o astrónomo François Arago anunciou a invenção da fotografia para o parlamento francês em 1839. Ele previu o novo potencial de criar mapas sobre a superfície visível da lua. No decorrer do século XIX, astrónomos adquiriram máquinas fotográficas e telescópios para captar imagens cada vez mais nítidas da topografia da lua, culminando no magistral Atlas francês exibido aqui na íntegra. Juntamente com essas conquistas científicas, os artistas exploraram o realismo óptico da fotografia para criar ilusões convincentes de viagens espaciais, a vida na lua e os efeitos sobrenaturais do luar aqui na Terra.

Os avanços na ciência dos foguetões e a corrida espacial durante a Guerra Fria da década de 1960 inauguraram uma nova fase de exploração lunar. A exposição termina apresentando uma arte criada na esteira da aterragem na lua em 1969, assim como as visões de uma nova geração de artistas explorando o legado da fotografia lunar.

Theresa Bêco de Lobo

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